Quem tem medo de educação sexual?

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Nunca vou esquecer a primeira aula de educação sexual que eu tive. Tinha dez anos de idade, estava na quarta série. Numa aula de ciências, em que o currículo programático nos mandava estudar sobre os sistemas do corpo humano, finalmente chegamos ao sistema reprodutor.

Estávamos todos na sala muito empolgados e curiosos, muito mais do que jamais estivemos para conhecer nossos órgãos. Aturando muitas piadinhas e risadinhas, a professora nos conduziu pela matéria. Aprendemos quais eram e onde ficavam nossos órgãos reprodutores. Aprendemos como funciona a menstruação. Aprendemos como ocorre a fecundação de um óvulo.

Ao longo da minha adolescência, nos anos seguintes, aprofundamos os temas. Falamos de sexo seguro, de preservativos. Aprendemos sobre os sintomas de ISTs. Falamos de ciclo reprodutivo e métodos anticoncepcionais. Falamos sobre ginecologia, urologia e acompanhamento médico para a saúde sexual.

Minha educação sexual na escola me ofereceu o básico do básico, e muitas vezes deixou a desejar. Não foi no banco da escola que aprendemos sobre orientação sexual, sobre identidade de gênero e transsexualidade. Quem sabe isso teria evitado que um dos meus melhores amigos, gay, sofresse uma tentativa de espancamento de colegas no segundo ano do ensino médio? Mal e mal falamos de masturbação, e jamais ouvi dizer que era normal que mulheres também fizessem. Talvez isso teria evitado a culpa terrível que eu senti quando comecei a me masturbar. Nunca tocamos no assunto de consentimento. Quem sabe isso poderia ter evitado muitos estupros e assédios sofridos pelas minhas amigas e colegas ao longo dos anos?

Quando a gente queria uma informação mais picante recorria à Internet, às revistas como a Capricho, ou às amigas mais experientes. As informações sobre orgasmo, sobre sexo oral, sobre fantasias sexuais, tudo isso era tabu. Mas o básico do básico, para conhecer o meu corpo, eu aprendi na escola.

Ensinar educação sexual é ensinar sobre saúde

Muito triste ter que dizer uma coisa tão óbvia, mas conhecer como nosso corpo funciona é uma questão de saúde. Como cuidar bem de nós mesmos, ou saber quando há algo de errado, é essencial para que possamos viver vidas mais saudáveis. Por isso também temos aulas sobre como funcionam todos os sistemas do nosso corpo. Precisamos conhecer o funcionamento do sistema digestivo, do nosso aparelho respiratório, do nossos sistema nervoso.

Por que seria diferente com o sistema reprodutor?

A educação sexual oferece informações essenciais para que os jovens possam navegar a sua sexualidade com consciência sobre infecções sexualmente transmissíveis, métodos anticoncepcionais, e sua saúde em geral.

Estamos em 2018. Não é possível que vamos achar que jovens não fazem sexo, ou que se negarmos este tipo de informação, adolescentes vão entrar em abstinência sexual. A descoberta da sexualidade é uma parte natural da vida, e o sexo só é perigoso quando é feito sem informação. Conversar com seus filhos é fundamental para que as escolhas quanto ao sexo sejam conscientes e não traumáticas.

Eu fui perder minha virgindade depois dos vinte anos, enquanto outros colegas o fizeram aos quinze. Recebemos a mesma educação sexual, e isso não influenciou na nossa inicialização.

O desmonte não vem de agora

A educação sexual, bem como o progresso educacional, vem sofrendo ataques sistemáticos há alguns anos, provenientes da ingerência religiosa que quer promover a ignorância a todo custo em nosso país. Porém estamos agora diante do ataque mais flagrante à educação sexual de qualidade no Brasil.

O projeto intitulado Escola Sem Partido, que vem ganhando força com o levante conservador/religioso que vivemos no Brasil atualmente, propõe eliminar a educação sexual do currículo de ciências biológicas dos ensinos fundamental e médio. A justificativa se baseia numa paranoia que estes ensinamentos serviriam para “moldar o juízo moral” dos jovens.

Eu de verdade queria muito saber quem em sã consciência acredita que o interesse dos adolescentes por sexo vem da escola e não o contrário. Não é de agora que os jovens procuram saber todo o tipo de informação sobre o tema assim que começam a sentir as primeiras pontadas da puberdade. Sexo é uma parte natural da condição humana, e uma parte importante do nosso amadurecimento.

Existe abundância de informação de todo tipo sobre o sexo na Internet. Não sei como dizer isso sem ser direta: É ingenuidade acreditar que adolescentes não vão se informar sobre sexo se a escola não oferecer mais educação sexual. Estaremos apenas negando a parte mais técnica e chata da informação – justamente a mais importante para a nossa saúde.

Este é o pior momento para fazer isso

Aprender sobre educação sexual na escola é aprender sobre o funcionamento do nosso corpo e nossa saúde, mas é também levantar pontos importantes sobre o sexo que podem deixar nossa sociedade mais justa e segura. Este é o pior momento para negar aos jovens informações tão preciosas, por vários motivos.

Estamos vivendo epidemias de DSTs, principalmente entre os casais heterossexuais

O Brasil está passando por um aumento perigoso nos casos de diversas infecções sexualmente transmissíveis, que podem ser prevenidas com o uso de preservativo. Ano passado, o país sofreu uma epidemia de sífilis, doença que há muitos anos estava praticamente erradicada. Ademais, o HIV vem se espalhando entre os jovens de uma maneira silenciosa. Os casos dobraram em menos de dez anos, e entre os grupos de risco, estão as mulheres heterossexuais em relacionamentos estáveis (vítimas muitas vezes da infidelidades de seus parceiros “cidadãos de bem” e “defensores da família”).

Falar sobre o uso de preservativos, sobre como as DSTs são transmitidas, quais suas causas e consequências, e como preveni-las, é parte fundamental do currículo de educação sexual e uma informação essencial para qualquer jovem antes que a vida sexual se inicie. Estamos vivendo um momento crítico em relação a infecções que podem ser fatais, e negar este tipo de informação com toda certeza agrava – e muito – o quadro.

Estamos matando nossos LGBTs

Quer uma estatística deprimente? O Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo – um a cada 19 horas. São cidadãos, jovens, velhos, que trabalham, sonham, dão duro todos os dias. Sou eu. São os meus amigos. São os LGBTs na periferia que sofrem ainda mais discriminação e violência.

Sim, precisamos abordar orientação sexual nas escolas, porque é uma questão de humanidade. O Brasil tem um problema crônico e gravíssimo de homofobia, cujas raízes estão calcadas na ignorância a respeito do tema. Não venha me falar de religião. Todas as religiões, inclusive a cristã, pregam tolerância e amor ao próximo. LGBTs existem, são vulneráveis e estão sendo vítimas de violência, todos os dias. A sua religião aprova isso? Aposto que não.

Não existe curso para aprender a ser gay, minha gente. Quem dera os treze anos do governo do PT tivessem tanto a pauta LGBT em mente quanto a direita conservadora gosta de alardear. Se estamos a mercê de uma agenda gay, porque ainda somos o país mais perigoso NO MUNDO para um homossexual viver? Só podemos parar esta violência educando sobre orientação sexual, e estimulando uma sociedade igualitária e tolerante (não estamos mais na idade das trevas, estamos em 2018, vamos começar a agir de acordo, por favor).

Educação sexual é uma ferramenta de proteção para mulheres e crianças

Além das informações básicas sobre DSTs, e doenças como câncer de mama e de colo de útero, a educação sexual é fundamental para as mulheres. Nada menos que cinco mulheres morrem por dia no nosso país por questões relacionadas à gravidez. Em 2014, os abortos clandestinos levaram 200.000 brasileiras aos hospitais por complicações decorridas do procedimento.

Não vou discutir descriminalizar aborto aqui, isso pode ser assunto para outro post. Minha questão é, se somos totalmente contra a interrupção da gravidez não desejada, precisamos oferecer às mulheres a informação e as ferramentas adequadas para que ela possa prevenir que isso aconteça – isso inclui acesso à meios contraceptivos. Anticoncepcionais, preservativos, pílula do dia seguinte.

Mais do que garantir o acesso das mulheres a estes recursos, é fundamental que elas saibam usá-los corretamente. Somente uma educação sexual de qualidade pode garantir que as brasileiras tenham as informações corretas para viver sua sexualidade de maneira plena e segura.

Ou vocês vão me dizer que acreditam que a partir de agora todo mundo só vai transar pra se reproduzir?

Sem contar o número alarmante de abusos e estupros de crianças e adolescentes no Brasil, cuja maioria ainda acontece dentro de casa. Crianças, em sua maioria mulheres, são vítimas dos abusos de pais e padrastos, como no horrorizante caso recente do homem que estuprou a filha sistematicamente por dois anos, como compensação pelos gastos que tinha com ela com coisas como roupa e alimentação. Aprender o que é sexo na escola e saber diferenciar o que pode ser feito do que é abuso pode ser o que salva uma criança de uma situação dessas.

De maneira geral, não podemos confiar apenas que os pais passem informações sobre educação sexual para os filhos, simplesmente porque por mais bem intencionados ou informados que sejam, educação sexual é principalmente conhecimento científico.

Informar detalhadamente sobre o funcionamento do corpo, sobre infecções sexualmente transmissíveis e métodos anticoncepcionais deve ser dever de quem tem o conhecimento especializado na área. Não esperamos que os pais ensinem aos seus filhos sobre números complexos, sobre como resolver uma equação de saponificação, ou o funcionamento do sistema nervoso. Este conhecimento pode ser complementado em casa, mas é primeiramente dever da escola.

Estamos na contramão do mundo

Dar passos para trás em relação a educação sexual nas escolas é fazer justamente o contrário do que o resto das nações está fazendo, principalmente as mais desenvolvidas. Na Alemanha, onde eu moro, a educação sexual é obrigatória nas escolas, e não engloba apenas os aspectos biológicos do funcionamento do corpo humano, mas também questões de identidade de gênero, sexualidade e relacionamentos.

Numa decisão histórica, a Escócia, país onde vivi por um breve período, acaba de aprovar uma lei que torna obrigatório o ensino sobre a população LGBT+ nas escolas. O novo currículo contará com aulas sobre homofobia e a história dos movimentos sociais LGBT, protegendo e acolhendo alunos da comunidade desde cedo.

A própria UNESCO recomenda a educação sexual como parte do currículo escolar como maneira de garantir que os jovens tenham uma vida sexual segura e responsável, já que as pesquisas apontam que mais informações garantem uma relação mais sadia com o sexo, e não o contrário.

Negar informação é uma forma de oprimir

Do ponto de vista ético, temos o dever enquanto sociedade de dar aos nosso jovens as ferramentas necessárias para que eles entrem na vida adulta capazes de cuidarem de si mesmos. Olhando para as estatísticas atuais, fica claro que omitir informações preciosas neste caso é uma forma de violência, já que estamos negando aos nossos conhecimento que interfere em saúde física e psicológica.

Falando em especial do caso das mulheres, para mim está muito claro que a nossa sexualidade é uma das ferramentas mais utilizadas para a prática da opressão. A liberdade e autonomia femininas começam a ser restringidas em relação nosso corpo desde que somos crianças – somos vigiadas e cerceadas em relação a nossa aparência, como nos vestimos e comportamos e se espalha por todos os aspectos de nossas vidas – nossa sexualidade é associada ao nosso caráter e pode impactar nossas escolhas profissionais, de relacionamento e na maternidade.

Para mim garantir mais liberdade para as mulheres passa necessariamente pela libertação sexual. Devolver para as mulheres sua autonomia sexual é um ato de empoderamento real, porque para além de podermos fazer o que quisermos, retiramos da mão do opressor uma das suas principais armas para nos controlar.

Basicamente, para exemplificar, numa sociedade em que o caráter de uma mulher não está associado ao que ela veste, uma saia curta não pode ser uma justificativa aceitável para um estupro. Numa sociedade em que a maternidade não é vista como punição à mulher pelo ato sexual, os pais precisam assumir seus deveres paternos com responsabilidade e diligência.

A quem serve este salto para trás?

Bom, se a educação sexual é uma fonte de saúde física e mental, a quem interessaria retirar este direito dos nossos jovens? Pessoalmente eu concordo com a ideia de que o que testemunhamos no Brasil hoje é um levante da masculinidade tóxica. Homens que cresceram acreditando que merecem glória e afeto por terem nascido homens e sentem ameaçados e cerceados com a possibilidade de mais igualdade, e querem reafirmar sua relevância dentro da sociedade resgatando valores antigos de uma época em que eles se sentiam mais respeitados e valorizados – mesmo que às custas da opressão de outrem.

No fim, os homens sempre gozaram de mais liberdade sexual e como consequência tiveram mais acesso à informação sobre o tema. Para um homem falar sobre sexo, masturbação, fantasias sexuais, é um sinal de virilidade. Meninos são encorajados a iniciarem a sua vida sexual cedo, e o sexo é considerado coisa de homem, algo que os meninos devem ouvir e falar sobre como uma parte do processo de amadurecimento.

Portanto fica claro que o retrocesso serve apenas para uma parte da população. Não estamos negando conhecimento a todos – estamos negando conhecimento principalmente a mulheres, crianças, e LGBTs. Com isso, quem continua ditando as regras da sexualidade no Brasil são os homens – e o sexo continua a servir como algo que existe apenas para satisfazê-los.

A parte mais cruel disso tudo é que estamos negando proteção básica e saúde a quem mais precisa. São justamente as mulheres, os homossexuais e transsexuais e as crianças os grupos mais vulneráveis e mais propensos a sofrer com abusos, doenças sexualmente transmissíveis e gestações indesejadas.

Para mim, usar religião para justificar um retrocesso dessas proporções, num país cuja população já sofre com as consequências de educação sexual inadequada, é imoral. Educação sexual só assusta quem tem a ganhar mantendo nossos jovens no escuro e em risco. E quem não depende somente da escola para se informar e se proteger.

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Vlog – E a tal da infecção urinária?

Parece que é um castigo divino: É só você ter uma noite de sexo daquelas que no dia seguinte aparece a maldita infecção urinária. Um papo sincero sobre a tal cistite de lua de mel e as precauções simples que podemos tomar no sexo para evitar a temida logo depois!

Sybian Sex Machine: O vibrador perfeito?

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Faz pouco tempo que eu descobri o que é um Sybian – um vibrador em formato de sela que parece ser o sextoy mais completo que há. Sempre fui muito a favor de brinquedinhos, pois além de trazerem variedade para a nossa vida sexual, eles nos ajudam a conhecer mais o nosso corpo e nossas zonas erógenas.

Pois bem. Estou sempre atenta à novidades nessa área, e nem sempre consigo testar tudo que gostaria por re$triçõe$ de tempo. Tenho um vibrador bem velho de guerra e fiel companheiro que me acompanha em altos e baixos faz um tempo. E como muitas vezes transas casuais andam acabando em decepção, prefiro ter dates com ele que sempre me garante um orgasmo e não me faz pergunta idiota.

O negócio é que o tal Sybian foi projetado para estímulo simultâneo de várias zonas erógenas do corpo da mulher em performance máxima.

Explico.

O brinquedo funciona da seguinte forma; são duas plataformas. Uma funciona como uma sela mesmo, na qual a donzela senta, e a outra como uma plataforma de suporte. Na sela, você pode acoplar diversas opções tipos de vibradores – e controlar tudo por controle remoto.

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Plataforma básica do Sybian. Fonte.

 

Os vibradores que podem ser acoplados são dos mais variados tipos e tamanhos. Desde estímulo externo, até mais sofisticados, com dois consolos para penetração vaginal e anal – mais um vibrador para a região do clitóris.

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Anexos dos mais variados para você personalizar o seu Sybian – Qual você escolheria?

A potência do brinquedo também é um diferencial – fazendo com que a vibração e a rotação estimulem todo o assoalho pélvico, provocando orgasmos de intensidade inédita (não acredita? procura aí no Google vídeos de mulheres usando o Sybian e veja por você mesmo).

O Sybian geralmente pesa dez quilos sem nenhum anexo, só com as plataformas. Portanto não é um dispositivo prático para levar por aí, mas sim um investimento. Aliás, bota investimento nisso. Um exemplar original – sem nenhum adendo, sai por 1.200 dólares no site oficial (cada anexo extra fica em torno de sessenta dólares).

Dá pra encontrar modelos genéricos no Amazon pela bagatela de 200 euros, mas olhando pelo design, não dá pra saber se vale o custo benefício.

Obviamente, por enquanto só me resta sonhar com esta maravilha. Pensando bem, é até bom. Se eu tivesse um desses, é provável que nunca mais saísse casa.

 

Vlog – Como são as baladas de fetiche em Berlim?

A cena noturna de Berlim se tornou uma lenda – sexo, drogas e tecno, num ambiente de puro hedonismo. Mas o quanto disso é verdade, e o que significa ter tanta liberdade assim? Um pouquinho da minha experiência pessoal na cena de baladas de fetiche aqui em Berlim, e o quanto frequentá-las tem me feito repensar minha sexualidade.

 

Ficou curioso sobre as festas? Quer saber mais? Alguns links bons para se informar:

Instagram da Pornceptual – http://instagram.com/pornceptual

https://thump.vice.com/en_us/article/qkaz8v/pornceptual-berlin-queer-sex-party

https://fizzymag.com/articles/berlin-party-self-destructive

 

 

A história do strip-tease que não foi (e agora foi, pra todo mundo)

Para conseguir sentar e contar essa história, tive que esperar toda a raiva e a humilhação passarem. Eu não queria que fosse uma carta de ódio, porque afinal o que eu conseguir extrair de tudo isso tem muito mais a ver comigo do que com qualquer outra pessoa.

Já falei algumas vezes aqui no blog sobre como é complicado para mim viver a minha sexualidade de maneira aberta, e como foi um processo de autoaceitação, que muitas vezes implicou em julgamentos e me isolou das pessoas.

Eu sempre fui uma pessoa cheia de desejo e energia, sempre tive vontade de me expressar sexualmente de maneira plena, por ser uma faceta natural da minha personalidade, mas esse meu desejo sempre esbarrou em muitas coisas. Uma delas, a insegurança dos homens e mulheres com quem me relaciono (principalmente os homens).

Como já comentei anteriormente, a sexualidade feminina é vista como ameaça, e por conta disso, tem que ser sempre objeto do desejo de outros, mas nunca ideia das próprias mulheres. Como consequência disso, os homens costumam tratar o sexo como uma temporada de caça e abate, e portanto muitas vezes só conseguem gozar literal e figurativamente quando sentem que estão no controle da situação.

Eu sou prova viva desse mal. Sendo uma mulher extremamente aberta com a minha sexualidade, sempre tive que ficar pisando em ovos para proteger a frágil masculinidade dos meus parceiros na cama. Tudo que não é iniciativa deles os deixa morrendo de medo. Não pode assim, não pode assado. Falar uma putaria, colocar uma lingerie, querer experimentar um troço novo na cama – tudo é motivo para a noite ir por água abaixo. Eu ando cada vez mais convencida que os homens podem até achar que gostam muito de sexo, mas gostam mesmo é de colecionar conquistas.

O que me traz à história de agora: Para mim, nunca bastou viver minha sexualidade de maneira aberta sozinha. Eu sempre quis ter esse meu lado reconhecido, validado e compartilhado. De alguma forma, pra mim nunca bastou que esse lado meu existisse. Eu queria que ele existisse com alguém, que eu pudesse ser reconhecida na minha maneira de expressar causando desejo na minha intimidade.

Bom, pra resumir, não rolou.

Embora eu tenha tido uma vida sexual divertida e vibrante, todas as vezes que tentei experienciar isso de maneira mais exuberante, foi tudo um grande fiasco. Ocorre que eu fiz aulas de dança por alguns anos, sempre me interessei por performance burlesca e sempre tive uma fantasia louca de fazer um strip-tease para alguém especial. Nos meus últimos dois relacionamentos sérios, as tentativas foram muito frustradas. Na primeira, fui interrompida no meio da coreografia pelo meu ex namorado, que não era capaz de lidar com aquilo (palavras dele). Na segunda, o moço em questão com quem estava num relacionamento cortou logo a ideia pela raiz, quando em devaneei em dar de presente de aniversário uma strip-tease, com um taciturno “melhor não”.

Daí que isso me gerou uma enorme frustração, que eu achei que ia se resolver este ano quando eu conheci um argentino. Moreno, alto, bonito e sensual. Só que como nada é perfeito na vida, tinha um problema: Um oceano entre nós. Eu moro em Berlim, ele em Buenos Aires. Nos conhecemos quando ele estava aqui de passagem, vivemos um breve porém tórrido affair, antes de ele voltar para os confins do cone sul. Para a minha surpresa e deleite, continuamos a conversar mesmo assim.

Ele era um pouco hétero demais para o meu gosto, mas como estava cansada de dar murro em ponta de faca com esquerdomacho, resolvi dar uma chance para o destino, mesmo sabendo que relacionamento à distância só traz dor e sofrimento. Num dos nossos papos, falei da minha fantasia frustrada de fazer o tal strip-tease, e ele se interessou imediatamente, sinalizando com entusiasmo que ia adorar me ver tirar a roupa pra ele.

Pois bem, né, logo me animei. Prometi que se ainda estivéssemos nos falando no aniversário dele, faria um strip-tease de presente.

Dois meses depois, chegou o famigerado aniversário. A nossa relação já começava a dar sinais de desgaste por conta da distância, mas como missão dada é missão cumprida, resolvi fazer o tal strip, que pelo menos ele ia ter uma boa lembrança de mim.

No meu escasso tempo livre, montei uma coreografia. Fui até a casa do meu amigo, pedi para ele me ajudar com a luz. Me maquiei. Botei uma lingerie daora. Repeti a coreografia umas cinco vezes. Editei o vídeo. Montei o link. E mandei no dia do aniversário.

Aguardei a reação dele ansiosíssima. Sentia que finalmente estava realizando uma fantasia antiga, que estava me realizando naquele momento em poder me expressar de uma maneira que nunca tinha conseguido antes. Os dias se passaram e nada. Ele sumiu. Me fez um belíssimo ghosting, e suspeito que nunca tenha baixado nem assistido ao tal vídeo.

É engraçado como, de diferentes maneiras e em diferentes graus, esse tipo de coisa acaba se repetindo nas minhas interações e das minhas amigas com os homens héteros. Nós mulheres somos ensinadas e encorajadas a trabalhar pelas relações, a tentar consertar o que está quebrado, a darmos o nosso melhor sempre, enquanto os homens aprendem a receberem os frutos dos esforços da companheira, mas se retirarem da situação quando as coisas ficam minimamente difíceis.

Nem precisa dizer que isso cria uma dinâmica de relacionamentos heterossexuais esquizofrênicos, com expectativas conflitantes. Mas eu não estou aqui para falar sobre isso. Como disse no começo, esse texto é mais sobre mim.

No fim das contas, percebi que tinha feito aquilo por mim

Toda essa experiência foi incrivelmente frustrante porque eu senti que estava muito perto de mostrar um lado meu que é muito importante pra mim e ser reconhecida por ele, coisa que acabou não acontecendo. Fiquei inconformada de pensar que ele nem sequer se interessou em ver o vídeo; eu estava tão orgulhosa do meu trabalho. Gostei do resultado final, da luz, me vi naquela coreografia, vi uma nova versão de mim, que sempre existiu mas eu nunca tive como dar vazão. E eu queria que aquela Ana existisse, fora do cantinho da fantasia em que ela sempre esteve guardada.

Foi então que eu percebi que aquele vídeo não tinha nada a ver com aquele cara, nem com meu ex, nem com meu outro ex. Eu estava fazendo tudo errado. Eu queria procurar nos outros autorização para fazer uma coisa que tinha a ver comigo, com a minha expressão, e que não precisava de mais ninguém para existir.

O negócio é; muitas das minhas interações foram satisfatórias porque eu sempre tive medo e vergonha de ser assim tão libidinosa como eu sou. Aí eu tentei apresentar esse lado meu no privado, como se fosse um presente especial, esperando que isso pudesse amortecer o impacto nas minhas relações pessoais, e eu pudesse ganhar a autorização que queria para ser desse jeito. Só que eu percebi, graças a toda essa experiência, o quanto eu me diverti, o quanto eu me senti livre, minha e poderosa, fazendo algo que eu sempre tive vontade de fazer.

Então no fim das contas, por mais que o episódio todo tenha sido meio bosta, estou grata ao meu argentino por ter, como os outros, se acovardado diante de mim. Foi por causa disso que eu percebi que eu quero continuar fazendo strips por aí porque estou fazendo para satisfazer o meu tesão, e eu não preciso da validação de mais ninguém pra isso.

E se por causa disso eu afastar pessoas que eu gosto, paciência. Eu não posso continuar apresentando uma versão diet de mim na esperança de ser mais palatável (em outras palavras, não vou ficar mais diminuindo meu brilho para proteger o ego frágil de ninguém – especialmente dos homens).

Portanto, como você já pode imaginar, este texto só pode acabar com o famigerado vídeo. Que foi fruto de muita vergonha pra mim – vergonha de ser tão disponível, vergonha do esforço que coloquei nele pra nada, vergonha de me sentir tão plena ao me expressar e ser repelida por isso – mas que agora eu só tenho orgulho e vontade de mostrar para quem quiser assistir.

Bom proveito.

 

Mais uma sessão de fotos!

Fotos de Ana Ornelas by Neto Macedo

E aí, amores? Estão cansados de ver fotos minhas? Espero que não, porque essa é a sessão de fotos mais incrível que eu já fiz e eu estou louca pra compartilhar aqui.

Mais uma vez, trabalho do talentosíssimo Neto Macedo. Me senti muito à vontade para posar e acho que isso transparece no resultado – as fotos realmente capturaram minha essência como pessoa. Acho que estou melhorando nessa coisa de ser modelo, hehe.

Vlog: Brasileiros machistas na Rússia e desculpas que não servem para nada

Depois do escândalo envolvendo torcedores brasileiros na copa e uma mulher russa, um deles tentou se justificar, mas a emenda saiu pior do que o soneto. As desculpas foram tão ofensivas que eu me senti na obrigação de vir aqui comentar.

Dia dos namorados/Festa dos corações partidos

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Me espreguicei na cadeira e espiei o céu lá fora; o estava limpo, era noite de lua cheia. Ótimo. Como se não bastasse, ainda por cima era noite de lua cheia. Estralei os dedos, me preparando para fazer uma pausa. Desci pela timeline do Instagram, mais uma vez passando por dúzias de fotos de casal, declarações de amor, #mozão. Senhor, será que meus amigos sempre foram bregas assim ou o dia dos namorados traz a tona o pior das pessoas?

Suspirei. Bom, talvez o dia dos namorados traz à tona o que há de pior em mim também, já que passei o dia inteiro amargando minha solteirice e amaldiçoando o capitalismo. Sério, eu nunca ligo muito pra isso se estou com alguém, mas parece que essas datas são feitas pra fazer a gente se sentir um lixo por não ter ninguém.

O telefone vibrou na minha mão. Mensagem da Alice.

“Miga, não esquece da festa no gramado da reitoria. Traz catuaba se der.”

Eu mordi os lábios, olhando pra lua cheia de novo.

“Estudando :/ Não vai dar.”

“Deixa de ser ridícula.”

O telefone vibrou de novo, ela estava me ligando. Rolei os olhos.

– Meu, eu tenho que acabar essa apresentação até sexta!

– Ah, para né. Você ainda tem tempo. Deixa de besteira e vem logo.

– Não tô no clima.

– Cara, você vai ficar aí nessa vibe de fossa em pleno dia dos namorados? Pelo menos aqui tá todo mundo bebendo junto, vamos celebrar nossa encalhação.

– Não sei…

– Vai, você anda precisando distrair a cabeça. A gente vai fazer uma fogueira e queimar os nomes de quem a gente quer esquecer. É sua chance.

Eu me olhei no espelho, um moletom felpudo, cabelos ensebados presos no coque mais desastroso que eu já fiz, um pacote vazio de Passatempo em cima da mesa.

– Tá bom, vai. Mas vou demorar pra chegar. Preciso me arrumar.

***

Com certeza aquela devia ser a noite mais fria do ano. A perspectiva de uma fogueira me animou, assim como a de álcool. Será que alguém ia levar vinho quente?

Depois de lavar os cabelos e passar uma maquiagenzinha só pra tirar um pouco da minha cara de ontem, enfiei as pernas em meias de lã, coloquei o casaco mais grosso que tinha no armário, e chamei um Uber. Depois, desci pelas minhas conversas do WhatsApp, abrindo uma de uma semana e meia antes. A última mensagem era dele.

“Ué, vc já foi?”

Suspirei, olhando para as letrinhas. Depois tomei um susto quando vi que ele estava online. Meu coração acelerou. Esperei alguns segundos, torcendo para que a barrinha do “digitando” aparecesse. Nada. Ele devia estar falando com  ela, ou com milhões de outros contatinhos. De repente senti uma vontade enorme de não ir à festa, mas o meu celular avisou que o Uber tinha chegado.

***

O conselho da Alice não tinha sido de todo ruim. Depois de um tempo na festa, meu humor tinha realmente melhorado consideravelmente. Estava realmente fazendo um frio absurdo, e nos amontoamos em volta da fogueira, ingerindo doses indecentes de álcool. Alguém tinha feito a playlist mais dor de cotovelo da história, incluindo muito feminejo e clássicos do anos 90 tipo Survivor das Destiny’s Child, e o rolê estava tão divertido que com certeza os casais presentes não trocariam a noite por um fondue à luz de velas.

– Cheguei! – Disse Leo, que tinha voltado do estacionamento. – Mais bebida, e os coraçõezinhos, como prometido!

– Caramba, é sério? – Perguntei.

– Lógico! – Ela foi logo distribuindo os coraçõezinhos de papel vermelho e algumas canetas. – Gente, prestem atenção, é pra escrever o nome do crush que quer esquecer que a gente vai queimar todos na fogueira.

– E se tiver mais de um?

– Ué, pega quantos precisar, eu trouxe um monte.

Desatamos a rir, e eu fui logo pegando um coraçãozinho. Sentei num banco afastado, querendo ficar longe de olhares curiosos e escrevi o nome dele. Olhei para a fogueira. Bom, realmente, eu precisava esquecer aquele amor não correspondido de uma vez por todas, não dava mais pra continuar naquela situação. Tinha me enganado tempo demais e agora até a nossa amizade estava estragada.

– Oi. – Achei estava realmente começando a ouvir coisas depois de tanta cachaça, mas quando me virei ele estava realmente inteirinho na minha frente. Meu coração começou a bater tão forte que eu me senti até um pouco tonta, a boca secando.

– Você não tava na praia?? – Arfei, rezando para que meu tom de voz não saísse trêmulo demais.

– Tava, mas resolvi voltar antes. Passar o dia dos namorados na praia com a família realmente ia transbordar minha cota de autocomiseração.

Ri sem graça. Ele ajeitou os cabelos.

– Parece que a festa tá legal.

– Aham, tá ótima.

Cara, que merda. Se eu soubesse que ele viria, jamais teria saído de casa. Virei o restante da catuaba que tinha no meu copo.

– Quer ir pegar uma bebida?

Queria responder que não, mas não tive coragem.

– Claro.

Passamos a andar de volta para a fogueira. Fuzilei a Alice com o olhar, mas ela deu de ombros sinalizando que também não sabia que ele estaria ali.

– Senti falta de conversar com você essa semana. – Nossa, ele foi direto ao ponto. Não esperava que fosse tocar no assunto tão cedo.

– Pois é, acabei ficando muito ocupada com a apresentação de sexta.

– Por que você foi embora aquele dia?

Engoli em seco. Que ótimo, tudo que me faltava era aquele interrogatório.

– Você estava ocupado. Eu não queria ficar na festa sozinha.

– Você ficou puta que eu peguei ela?

– Claro que não!

– Se ficou, não tem problema. Pode me falar.

Eu senti que estava ficando com vontade chorar. Engoli em seco com raiva. Que merda. Já estava bêbada, se ele não colaborasse eu ia acabar falando uma besteira enorme e estragando tudo. Que ódio. Enchi mais um copo de catuaba. Ele abriu uma cerveja.

– Bom, é que a gente tinha ido juntos e eu acho meio migué deixar amigo em rolê para casar na balada. Mas sussa também, não foi nada de mais.

– Então por que você não respondeu?

– Já falei, tava ocupada.

Ele suspirou, Andando tínhamos chegado debaixo de uma árvore mais ou menos afastada da fogueira onde estavam todos.

– Eu sei que as coisas ficaram estranhas.

– Não ficaram estranhas. A gente só se pegou bêbado num rolê, eu sei que não teve nada a ver. – Omiti a parte do “na verdade eu sonhei com isso por meses e aí finalmente aconteceu, e achei que a festa ia ser nosso primeiro date, e você pegou outra fulana na minha frente, mas ok”.

– Eu não queria ter pegado ela.

– Ok?

– Eu te chamei pra festa porque queria pegar você. De novo. – Eu senti minha respiração parar, meu coração ao pulos. Ainda estava magoada, e com raiva, mas não podia negar que eu queria ouvir aquilo. Ele esfregou os olhos cor de mel. – Me desculpa. Foi uma babaquice.

– Tudo bem, esquece isso. É melhor assim pra não estragar a amizade.

– É, então. Só que já foi.

– Como assim?

– A amizade. Faz tempo que eu não quero ser só seu amigo. E eu ia te dizer isso na festa, eu te chamei porque queria que a gente ficasse, mas aí você tava toda fria, parecia que não tava interessada, que não queria ficar comigo. Eu fiquei puto e fiz uma infantilidade. Na hora eu percebi que tinha sido besteira. Daí eu fui viajar e fiquei pensando que era melhor deixar pra lá, que ia passar, pra tudo voltar ao normal. Só que você não me respondia e eu fui ficando doido. Eu tô gostando de você de verdade, cara. E se você só quer ser minha amiga eu juro que vou ficar de boa, mas então me explica porque você ficou puta. Porque eu sei que quando a gente se pegou foi incrível, não é possível que tenha sido incrível só pra mim.

Eu fiquei em choque. Virei o resto da bebida, sentindo meu rosto afoguear. Não era possível. Aquilo devia ser pegadinha. Nunca nada na minha vida amorosa dava certo. Essa história de se apaixonar pelo amigo era a maior furada da história e todo mundo sabe.

– Você não vai falar nada?

Minha vontade era de sair correndo, mas aguentei firme. Eu ia ter que ser corajosa. Nunca tinha me declarado para alguém que me correspondia, sempre dizia que gostava de alguém já no aguardo da rejeição, estava perdida.

– A Leo trouxe um coraçõezinhos de papel. Pra gente escrever o nome de quem quer esquecer e jogar na fogueira. – Eu tirei do bolso do moletom o coraçãozinho dobrado com o nome dele, e o abri. – Eu escrevi o seu. Porque eu tô apaixonada por você. Faz tempo.

O silêncio pesou entre nós dois. Ele ficou olhando do papel para o meu rosto, com os olhos arregalados. Eu estava juntando cada fibra do meu corpo num esforço para não. sair. correndo.

– A… Apaixonada?

Fiz um careta. Não queria ter usado essa palavra assim, logo de cara. Mas saiu. Além do mais, não era mentira. Dei de ombros.

– É.

Ele se aproximou de mim, e os gestos pareciam acontecer em câmera lenta. Acariciou as maçãs do meu rosto com as mãos, e eu estremeci com o toque, fechando os olhos. Tinha repassado tantas vezes nosso primeiro beijo na minha cabeça, me entristecido de pensar que nunca mais ia acontecer de novo, e ali estava ele, colando os lábios nos meus outra vez.

É um clichê dizer que quando a gente beija alguém que gosta de verdade é diferente, mas é a mais pura verdade. Colei minhas mãos na nuca dele, sentindo minha pele correr em arrepios quando a sua língua invadiu minha boca. O beijo pareceu durar horas, parecia que tínhamos nos transportado dali, os gritos e risadas da festa pararam de chegar aos meus ouvidos. Quando terminou, ele deu um beijinho na ponta do meu nariz e me sorriu de um jeito que eu achei que fosse cair dura ali mesmo.

– Eu também.

***

A gente mal conseguia se beijar durante a festa, de tanto que estávamos sorrindo. Ao fim, fomos para a minha casa, aos atropelos. Quando cheguei no quarto, me deparei com o computador e os livros em cima da escrivaninha, e o meu mau-humor do dia todo. Como pode uma pessoa mudar tanto de estado de espírito em tão pouco tempo?

A gente se largou na cama, e minha cabeça estava girando. Estava acontecendo, estava acontecendo, a gente ia transar, depois de tanto tempo pensando, querendo, fantasiando.

Os nossos beijinhos foram lentamente se tornando beijos profundos e lentos. Difícil passar da tensão inicial, difícil ir de amigos ao tesão assim, mas ele foi deixando de ser o meu e foi passando a ser um homem delicioso que me torturava com beijos intensos.

Ele prendeu minhas mãos na cama, invadindo minha boca de novo. Depois, segurou meus cabelos com força, mordendo meu queixo. Uma mão levemente hesitante apertou meu peito por cima de toda a roupa, eu dei um gemidinho baixo. Senti ele se esfregando em mim e de repente não tinha mais constrangimento, só desejo. Fomos nos livrando das roupas da maneira mais afoita possível, meses e meses de tensão finalmente explodindo.

Quando eu vi estava só de calcinha e ele só de cueca. A sensação da pele dele grudada na minha era indescritível, sentir o contorno dos braços dele contra as palmas das minhas mãos, meu corpo inteiro pulsando com a cada investida tímida dos quadris dele contra os meus.

– Espera. Preciso muito fazer um negócio. – Eu pedi com a voz engrolada de álcool e paixão. Desci pelo corpo dele, entoxicada com o cheiro da pele macia, tantas vezes quase perdi o juízo quando ele me abraçava e eu sentia o seu cheiro e agora ele estava ali, todo meu, era quase impossível de acreditar…

Me ajoelhei na cama, descendo sua cueca com cuidado, beijando a pele abaixo do seu umbigo. Falamos de sexo tantas vezes, por horas, detalhando um para o outro nossas fantasias, o que mais nos agradava na cama, em conversas que me torturavam a imaginação, era quase como se a gente já soubesse tudo que o outro queria.

O provoquei por muito tempo, até que finalmente tomei a sua glande entre os lábio e iniciei um boquete bem lento. Eu estava com tanta vontade fazer aquilo há tanto tempo, só a ideia estava fazendo com que ondinhas de excitação me percorressem o corpo inteiro. Ele gemeu alto, segurou meus cabelos, respondeu, e eu não podia acreditar. Ele era ainda mais sexy quando estava assim, nu e excitado, e sob o meu comando e ainda por cima, disse que era meu.

Ele me puxou pelos quadris, me fazendo ficar de quatro por cima dele, e meu coração parou quando ele me segurou com força, e puxou minha calcinha para o lado.

– Você não tem noção do tanto que você é gostosa.

Suspendi minha respiração quando senti sua língua passeando pela extensão da minha vulva, espalhando beijinhos. Tive que me segurar para não desmontar na cama, a excitação deixando minha cabeça totalmente enevoada. O tomei na boca outra vez, sentindo que ele me abria com os lábios, me deixando totalmente molhada, inchada de desejo. Continuava a me segurar firme pelo quadril, gemendo baixinho enquanto me chupava e ficou muito difícil manter a técnica. Passei a sugá-lo sem perícia, indo mais fundo que dava, minha vontade era de engolir ele inteiro, ter ele por dentro até me preencher inteirinha.

Até que parei com um estalo, gemendo bem alto quando ele sugou o meu clitóris de levinho.

– Por favor. – Eu supliquei, meu quadril se movimentando em espasmos involuntários. Ele gemeu com o pedido, me puxando para cima. Alcancei uma camisinha no criado, e ele a colocou com gestos impacientes, deitando o corpo sobre o meu. Eu segurei as suas costas, insistente, querendo tê-lo logo de uma vez dentro de mim, mas ele passou a ponta do indicador pela minha vulva supersensível. Eu gemi alto de novo, supliquei de novo, e ele me penetrou com dois dedos, estudando minhas reações com uma fome no olhar que seria capaz de fazer qualquer um se sentir sem ar.

– Nossa, eu quero muito. – Ele confessou num tom de voz pecaminoso, movimentando os dedos dentro de mim.

– Então vem logo. – Eu reclamei impaciente, e ele sorriu, posicionando o corpo entre as minhas pernas. Mas me torturou ainda mais, esfregando a glande contra mim, pressionando-a contra a minha entrada sem me penetrar, até que eu estava arfante, puxando os cabelos dele, levantando os quadris do colchão.

Quando ele finalmente entrou dentro de mim parecia que tinha entrado dentro do meu corpo inteiro. Podia senti-lo me atravessando, todos os nervos do meu corpo interligados. Não conseguíamos parar de nos beijar, eu gemia na sua boca, lambia seus lábios, o abraçava, me esfregava dele. É um clichê enorme, mas realmente sexo estando apaixonado é uma experiência completamente diferente, e para mim já fazia tempo demais desde a última vez.

Eu queria que a nossa primeira transa tivesse durado horas, mas o tesão acumulado, a adrenalina, o nervosismo, tudo viraram uma coisa só. Não consegui me segurar, a sensação dos olhos dele nos meus enquanto ele entrava dentro de mim gemendo alto era intensa demais. Ele segurou minha pernas, juntando-as para que eu ficasse ainda mais apertada, e me olhou de um jeito tão primitivo e safado que foi a gota d’água. Eu chamei o seu nome, balbuciando afoita que ia gozar.

– Goza bem alto então. – Veio a resposta, num tom de voz que até então eu desconhecia. O meu corpo obedeceu ao comando antes mesmo que minha mente pudesse registrá-lo. Eu gritei, gritei tão alto que senti minha garganta reclamar, me contraindo e pulsando ao redor dele.

Não demorou e ele segurou meus cabelos com força, mordendo o lóbulo da minha orelha e gemendo no meu ouvido também, os movimentos erráticos e imprecisos.

Uma onda do melhor cansaço do mundo me invadiu imediatamente após. Ele me abraçou, beijando a ponta do meu nariz com ternura outra vez e eu fui tomada por uma sensação de felicidade que há muito tempo não experimentava.

– Feliz dia dos namorados. -Eu murmurei sorrindo, olhando a lua ainda muito cheia e brilhante lá fora. Ele riu.

– Jesus, somos um clichê. – Depois alcançou o coração no criado mudo. – Eu vou guardar isso aqui como lembrança desse dia. – Foi minha vez de gargalhar.

– Que pena que nossa primeira transa foi tão rápida. – Eu disse, os olhos fechando de sono.

– A gente vai ter muito tempo pra praticar. Eu não pretendo ir pra lugar nenhum tão cedo.

Queria te dizer

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Vou te dizer que não esperava, mas você já sabe. Ando muito arredia e avessa, mais cética do que jamais fui, mas de repente me pego com a cabeça nas nuvens, o coração aos saltos, energia para atravessar a cidade de um canto a outro umas dez vezes por dia.

Se eu te disser que dessa vez é diferente, será que você acredita? Será que eu acredito?

 

Depois de me enfiar na névoa tantas vezes que perdi a conta, sentimentos arrebatadores e confusos, intensos demais, parece que tudo é tão claro que eu vejo em alta definição, as nossas promessas e os nossos desejos, os nossos medos e as nossas falhas, as nossas lembranças e segredos.

E eu sei que nada dura, ninguém nunca fica, já me acostumei, mas dessa vez, me pego desejando que você fique mais, mais um pouco, mais que um pouco, muito mais, mesmo com tantas barreiras, mesmo a gente sendo improvável, quem sabe a gente não consegue fazer dar certo, como você divaga.  Não vá embora assim que eu me entregar, estou cansada de ser só um desafio, você não imagina o quão solitário ser a tal da mulher incrível pode chegar a ser, fica mais um pouco, me conta do seu dia, me fala dos seus sonhos, que eu estou fazendo malabarismo na minha cabeça para não deixar minha insegurança envenenar tudo dessa vez, me deixa deitar no seu colo, me faz um carinho e me deixa sentir tudo que eu quero sentir que eu não sei por quanto tempo mais eu consigo me segurar.