Sete pecados, sete contos – Inveja

Dulce sempre foi vaidosa. De moça, fazia questão de estar sempre emperiquitada, fosse que

fosse até pra ir pra escola. Quando começou a ganhar seu próprio dinheiro, Dulce se mimava todos os meses com alguma coisinha; um batonzinho aqui, um rímelzinho acolá. Com o passar do tempo, Dulce foi ficando viciada em seguir todas as dicas das blogueiras chiques e à medida em que o salário aumentava, a qualidade das maquiagens também subia.

Nunca ocorreu para Dulce que o hábito fosse problemático. Pelo contrário. Dulce sentia um formigamento engraçado toda vez que chegava em casa com uma bendita sacolinha da Sephora, e gozava de pleno relaxamento ao lavar e enxugar todos os pincéis da Sigma como se fosse seus próprios filhinhos.

Foi só depois de se casar com Theo que a coisa toda começou a desandar.

Theo era um rapaz inteligente, cheiroso, educado e carinhoso. Genro que toda sogra pediu a Deus, ele sempre tratou Dulce a pão-de-ló, e ela se sentiu muito sortuda quando encontrava as amiga e ouvia as intermináveis reclamações de maridos que andavam feito trapo dentro de casa, achavam que lavar um copo era grande favor, e nem se dignavam a lavar as próprias cuecas freadas.

A única implicância de Theo era com as maquiagens de Dulce.

Começou com comentários sobre os preços dos tubinhos. “Precisa mesmo de outro?” “esse daí é igualzinho ao que você comprou semana passada” “lá vem você de novo com essas sacolas.” Theo dava muxoxos irritados toda vez que Dulce batia o pé para entrar na MAC nos passeios dominicais no shopping.

De começo, Dulce se fazia de manhosa, esticando um beicinho para o marido. “Poxa amorzinho, mas eu não estou bonita?” E antes ele até resmungava que sim, mas a implicância foi chegando a tal que ele começava a dizer que preferia mulheres naturais, que Dulce estava nova demais para virar perua.

Foi aí que a paciência de Dulce foi chegando ao fim, porque ela não sabia fazer um contorno perfeito e natural e um delineado de gatinho completamente simétrico pra ouvir desaforo de macho que não sabe a diferença de um Ruby Woo para Russian Red. O tom foi subindo de tal forma, que já não podiam tocar no assunto da maquiagem sem acabarem aos berros, e Dulce saía batendo as portas do apartamento, fula da vida.

Por fim, a coisa tomou tamanha proporção que Dulce propôs que eles fechassem a conta conjunta, para que ela pudesse comprar as próprias maquiagens com o dinheiro dela em paz. E decidiram não tocar mais no assunto, ainda que Theo se irritasse muito toda vez que Dulce começasse a se maquiar, ou a coleção de batons aumentasse na penteadeira.

Depois dessa história toda, o casamento que antes era cheio de paixão, foi esfriando aos pouquinhos, pois Dulce não conseguia conceber um homem tão gentil como Theo ser tão ignorante em se tratando de coisa simples feito maquiagem. Dulce era sempre elogiada por suas produções, e sabia que tinha bom gosto, acabava injuriada com a indiferença do marido diante do seu esmero em se empetecar.

E nessas, Dulce ficava cada vez mais tempo na casa da mãe aos fins de semana, aproveitando a tarde para ajudar nas tarefas enquanto ouvia o Domingão do Faustão. Ainda que mãe perguntasse se a filha não preferia estar com o marido, ela sempre dava uma desculpa esfarrapada para escapar do assunto. Mas num dia chegou uma vizinha insuportável para visitar, a tal da dona Glória do fim da rua, e Dulce supôs que a companhia do marido não seria assim tão ruim.

Portanto voltou para casa com o dia ainda claro, imaginando que iria encontrar Theo assistindo o futebol, ou cochilando no sofá. O que ela não imaginava era se deparar com tal cena quando entrou no quarto do casal.

Lá estava Theo, debruçado sobre a penteadeira de Dulce, tubinhos e maquiagens abertos e espalhados. A bagunça em cima da penteadeira deu lugar a um choque muito maior, quando Dulce caiu os olhos no marido, vestindo o hobby que Dulce ganhado no enxoval, aquele rosa-claro com renda francesa no decote. As pernas pálidas marido estavam enfiadas em um par de meias-calças sete oitavos, em tom nude e translúcidas, aquelas que Dulce usava apenas para dias de reuniões importantes no trabalho.

Mas o que mais a surpreendeu foi o rosto de Theo; os olhos verdes por trás de grossas camadas de rímel e os lábios tingidos de carmim vivo.

Theo arfou em choque.

– É… É uma brincadeira. –  Balbuciou. – Com o pessoal do escritório.

Em total silêncio, Dulce se aproximou na penteadeira, lentamente. Theo, trêmulo, continuava a murmurar qualquer coisa enquanto tentava guardar os cosméticos.

Ela segurou seu braço de maneira firme.

A maquiagem estava desastrosa. Os cílios grudados uns nos outros, o batom todo borrado. Ela percorreu o corpo de Theo com o olhar e levantou as sobrancelhas quando notou a calcinha de cetim que cobria sua virilha.

Suspirou.

– Este batom está todo borrado, Theo.  – Disse em voz baixa. – Deixa eu ajeitar para você.

Os olhos verdes se arregalaram, e Theo de súbito se calou. Dulce começou a refazer a maquiagem, com diligência e capricho. Segurou o queixo de Theo e enquanto passava a base, percebeu que nunca se deu conta das maçãs do rosto saltadas e proeminentes. Com uma sombra, fez valorizar o formato bonito dos olhos verdes.

Theo não disse nada. Apenas aceitou, complacente, que Dulce o maquiasse, embora ainda olhasse para a esposa com ares de horror. Mas o seu corpo o traíra. Por baixo da calcinha de cetim, Dulce podia ver o volume que crescia a cada movimento do pincel.

Dulce também foi começando a sentir uma mistura de euforia com formigamento, mais forte do que quando comprava cosméticos novos. Sua pele foi ficando mais quente, a tensão entre ela e o marido aumentando. Fazia muito tempo que ela não se sentia tão viva e poderosa.

Quando ela abriu o tubinho de batom vermelho e fez o contorno perfeito dos lábios grossos de Theo, podia sentir que estava molhada entre as pernas. O hálito quente do marido condensou no batom e ela foi acometida por desejo sôfrego e irreparável. Imediatamente arruinou sua pintura metendo a língua na boca de Theo, num beijo luxurioso e cheio de pecado como há tempos não acontecia.

Acabaram na cama um minuto de depois. Theo gemeu alto quando Dulce tocou seu pau intumescido por cima da calcinha, esfregando-se contra o corpo da mulher, tomado por tal onda de desejo que parecia fora de si. Quando gozou, manchou toda a renda, explodindo sêmen quente por dentro da lingerie.

Depois daquele dia, Dulce nunca mais foi para a casa da mãe aos domingos.

***

– Amor, o Flat Out Fabulous está quase acabando! – Theo gritou de dentro do quarto.

Na sala, Dulce alisava seu strap-on de vidro com carinho.

– De novo, Theo? Compramos um novo outro dia.

Theo engatinhou até a sala, usando um conjunto de calcinha e sutiã verde musgo, de cetim – com detalhes em renda preta. O rosto estava muito bem maquiado, Dulce estava orgulhosíssima de como as habilidades do marido tinham evoluído. Os lábios estavam pintados de rosa choque. Theo fez um beicinho enquanto se arrastava de quatro até a esposa.

– É que eu fico tão bem com ele, amorzinho.

– Fica mesmo. Tem razão. – Dulce sussurrou quando Theo fez um biquinho e se ajoelhou para chupar o strap-on, melando todo o vidro de batom rosa.

FIM

Nunca ninguém morreu de amor

Photo by Crawford Jolly on Unsplash

Hoje em dia eu sei enrolar meus próprios cigarros.

Lembrei disso hoje, de quantas vezes você gritou comigo porque eu enrolava cigarros deformados, e pensei que nunca mais precisei da ajuda de ninguém pra sustentar meus vícios.

Agora já faz um tempo que eu não sei mais de você, nunca mais quis ouvi dizer, tantas vezes desejei que você estivesse longe, ou que morresse mesmo, para que o fantasma da sua presença me deixasse em paz pra sempre. Já faz tempo desde que a ansiedade misturada com paixão me deixava doente, da sua violência, já faz tempo que eu não preciso mais lidar com seus rompantes, pisando em ovos para não detonar a sua ira, implorando uma migalha de carinho ou de atenção que você sempre parecia ter pra todo mundo menos pra mim.

Tanta coisa que eu não disse e nem faria sentido dizer, não sou capaz mais de reconhecer nem um traço da pessoa que você foi, ou fingiu ser. Pensar que dormi ao seu lado todas as noites por tanto tempo e hoje não me restou nem um como vai para perguntar.

O seu empenho em me machucar doeu mais do que todas as traições, todas as brigas, todas as ofensas proferidas com veneno. Já faz um tempo de quando eu senti essa dor, achei que ela fosse me matar, como podia quem eu mais amei me dilacerar daquela forma – mas naquela época mal sabia eu que a dor estava só começando, que eu estava a ponto de enfrentar muito mais do que eu jamais seria capaz, mais do que eu via nos meus piores pesadelos.

Lembra daquela vez que nos perdemos embriagados numa manhã de muito sol, cambaleando pela cidade embalados pela euforia artificial, procurando um lago e acabamos atentando ao pudor no meio do gramado em plena luz do dia? Achávamos que estávamos tão longe de casa, e veja só que agora estou morando a poucos quarteirões dali, nem reconheço mais a planta da cidade como a vi naquela manhã, a névoa que me acompanhava quando eu estava com você já se dissipou completamente.

Ainda tenho rompantes de rancor, de ódio, de fraqueza, mas hoje em dia pouca coisa daquela época ainda faz sentido. Sei que é clichê dizer que a eu de antes não existe mais, mas ela não existe mesmo, não tinha como existir. Aquela pessoa que vivia pra morrer de amor acabou; já não consigo mais me consumir no outro como era costume, já não tenho tempo para essas alucinações quando estou bastante preenchida de mim mesma – mesmo quando não estou dormindo sozinha.

Às vezes o cinismo me incomoda, e me pergunto se algum dia vou ser capaz de me entregar de novo, de amar de novo, com intensidade e fúria, ainda que com menos violência. Mas ando chegando à conclusão, que demorou, mas chegou, de que sou meio grata por toda a experiência traumática que foi estar ao seu lado. De fato, nunca mais vou ser a mesma, porque foi só com um desastre tão grande que eu me forcei a ver em mim tudo que eu não queria enxergar, para tentar para de usar o amor como uma lâmina para me cortar, para ser honesta e limpa com os meus hábitos autodestrutivos, para poder enrolar meus próprios cigarros, me matar e me salvar sozinha.

Eu sou uma pessoa melhor depois de você, sou uma pessoa melhor também por causa de você, e veja só a ironia disso tudo.

Você foi capaz de me salvar de você; a única coisa que nunca vai conseguir fazer por você mesmo.

10 Maneiras de Sabotar sua Vida Sexual

Foto por Charles Deluvio no Unsplash

Sexo é uma parte fundamental na vida de todos nós, e uma vida sexual saudável pode garantir mais felicidade, longevidade e melhores relacionamentos. A verdade é; sexo é saúde. Mas infelizmente, também a tabu.

Por conta de imposições sociais, vergonha, e até falta de informação, a gente acaba tendo atitudes que, sem querer, contribuem para uma vida sexual menos satisfatória. Será que é o seu caso? Aqui está uma lista de 10 atitudes comuns, mas que podem atrapalhar muito sua relação com o seu corpo e seu prazer.

  1. Não ir ao médico

“O que tem a ver?” Tudo! Uma das principais queixas das mulheres em consultórios ginecológicos é a dor durante o sexo (ou falta de libido). Existem muitos fatores da saúde que podem atrapalhar seu desempenho sexual, lubrificação, libido, e tornar o sexo desconfortável. A checagem periódica da saúde é muito importante para uma vida sexual saudável, tanto para homens quanto para mulheres.Não conhecer o próprio corpo

2. Não conhecer o próprio corpo

Foto por Malvestida Magazine no Unsplash

Bom, essa é complicada, porque a verdade é que a informação que temos é muito insuficiente. A educação no Brasil deixa muito a desejar, mas é muito importante conhecer a nossa anatomia para entender como o nosso prazer funciona. Você sabia, por exemplo, que o clitóris tem ¾ da sua extensão dentro do corpo da mulher, e a maioria delas precisa de estímulo direto na parte visível para atingir o clímax? Informação é muito importante, e felizmente, na Internet dá para se educar sobre os nossos órgãos sexuais e os dos nossos parceiros.

3. Deixar a masturbação de lado

Existe um mito de que se uma pessoa está num relacionamento, ela não deveria querer ou poder se masturbar. De onde veio isso, eu não faço ideia, mas não tem pé nem cabeça! A verdade é que sexo e masturbação, embora complementares, são coisas diferentes, e a masturbação contribui muito para sua relação com seu próprio corpo, e para que você tenha maior noção de como funciona o seu prazer.

4. Achar que pornografia é sexo

Infelizmente, a pornografia está cada vez mais difundida e acessível, e criando expectativas bizarras para o sexo. A pior parte é que sexo e pornografia não têm nada a ver, e tentar reproduzir o que você vê no xvideos na cama é frustração na certa para todos os envolvidos. Existem muitas alternativas à pornografia tradicional para que você possa manter a conexão com a erotismo e a safadeza, de maneira mais saudável e realista. Inclusive, aqui no vlog eu fiz uma listinha de recomendações!

5. Ter medo de experimentar sex toys

Um grande mito em torno de vibradores, dildos e outros brinquedos é que eles servem para substituir os órgãos sexuais durante o sexo. Balela! Eles são instrumentos para incrementar a experiência, e podem deixar a sua vida sexual muito mais prazerosa!

6. Se comparar com outras pessoas

Sexo é uma coisa muito pessoal. O que dá certo pra fulano, pode não ser a sua praia. Não é porque está “todo mundo fazendo” uma determinada coisa, que você tem que fazer também se não estiver sentindo vontade. Escute primeiro suas fantasias, e o seu tesão, e não se deixe levar por modinhas.

7. Acreditar em frases prontas

“Mulher direita não dá de primeira,” “bumbum não se pede, se conquista,” “tem que engolir,” quem já não ouviu? A sabedoria popular é cheia de frases prontas em relação ao sexo, e além de muitas serem bem enraizadas na nossa cultura machista, homofóbica e transfóbica, elas podem ser muito prejudiciais para sua vida sexual. Faça sempre o que de dá prazer e não dê ouvidos a elas.

8. Não priorizar o próprio prazer

Foto por Annie Spratt no Unsplash

Sexo é interação, e dar prazer para o parceiro é muito importante. Mas, principalmente para mulheres, às vezes o próprio orgasmo vem em segundo lugar. Não tenha medo de se colocar como prioridade na hora do sexo e assumir para você mesma o seu direito de se divertir, aproveitar e gozar.

9. Não se comunicar com clareza

Ao mesmo tempo, ninguém tem bola de cristal, né? Comunicação é fundamental para uma vida sexual satisfatória, e é sempre muito importante se conhecer para poder dizer ao outro o que você quer e precisa na cama. Precisa de um empurrão? Então baixa aqui de graça esse questionário de perguntas sexuais para abrir a comunicação com o parceiro!

10. Levar tudo a sério de mais

Sexo é diversão, e ter medo de parecer ridículo pode deixar a gente bem travado. Lembre-se que para aproveitar de verdade, você não pode se levar a sério de mais. Trate o sexo como uma aventura prazerosa e as chances de fluir melhor são altas!

Cinco dicas para conversar com o parceiro sobre suas fantasias sexuais

Como ter a conversa sobre aquele fetiche com o parceiro em 5 dicas simples.

Falar sobre o que queremos na cama pode ser muito mais fácil do que você imagina!

Photo by Dainis Graveris on Unsplash

Uma das coisas que eu mais escuto nas minhas aventuras profissionais, é a famigerada pergunta, “como eu posso começar a conversar com o meu parceiro sobre minhas fantasias sexuais?” E embora seja mais comum ouvi-la de mulheres, não é incomum também que homens se sintam inseguros em trazer seus desejos para a relação. 

Por que é difícil falar sobre fantasias sexuais num relacionamento?

Sexo ainda é um tabu na nossa sociedade, e essa dificuldade tem muito a ver com isso. Aprendemos desde cedo que é errado discutir nossos desejos abertamente. Em se tratando de mulheres, a repressão é ainda mais forte. Somos muito cerceadas na nossa sexualidade e isso acaba afetando negativamente nossas vidas – fazendo com que mulheres tenham menos orgasmos e menos satisfação no sexo.

Além disso, existe a ideia de que falar de uma fantasia sexual para o parceiro pode ser ofensivo. Existe o medo de ser julgado, e existe também o medo do parceiro sentir que a proposta é um ataque – como se ele ou ela não fosse “bom de cama o suficiente.”

Mas não precisa ser assim! Aqui estão cinco técnicas fáceis e praticas pra iniciar essa conversa com o ser amado – e compartilhar as maravilhas de vivenciar essas fantasias em conjunto! 

1. Visitar um sex-shop juntos

Photo by Dainis Graveris on Unsplash

É muito comum ouvir das minha leitoras que elas adorariam trazer um vibrador para a cama, mas não sabem como abrir isso para o parceiro. Infelizmente, a nossa cultura machista faz com que os homens se sintam ameaçados por brinquedinhos 😦 Mas a solução para isso é ter muito claro; um brinquedinho não é feito para substituir ninguém, e sim aumentar o prazer a dois!

Uma maneira legal de introduzir o assunto, é sugerir uma visita conjunta a um sex-shop (pode ser online também)! Faça o parceiro ou parceira se sentir incluído na escolha; assim o brinquedo passar a ser algo que vocês dois compartilham. Além disso, existe uma infinidade de toys feitos para brincadeiras a dois, como vibradores controlados por controle remoto, anéis pensamos que vibram, luvas eróticas, etc. 

E vocês podem descobrir muita coisa juntos nesse passeio! 

2. Aprender sobre a anatomia um do outro

Photo: I Am the Clitoris

Aprender a ter prazer tem muito a ver com conhecer nossa anatomia – e infelizmente, nossa educação sexual deixa muuuuito a desejar nesse ponto. Para ambos os sexos existe uma lacuna enorme de conhecimentos importantes sobre nossos corpos. E desvendar esses mistérios pode ser a chave para o parceiro entender melhor o que voce gosta na cama.

Especialmente em se tratando de nós mulheres, o conhecimento sobre o clitóris e seu funcionamento ainda é muito pouco difundido. Veja aqui o vídeo que eu fiz sobre o funcionamento básico do clitóris se voce quer saber mais! 

Marcar um dia para “estudar” juntos e entender o que é gostoso com uma base científica é uma excelente maneira de comunicar seus desejos mais claramente.

Afinal, conhecimento é poder! 

3. Fazer um questionário de perguntas sobre fantasias sexuais

Tirar um tempo e conversar sobre a vida sexual é um passo importante para um casal, especialmente em relacionamentos longos – onde o sexo acaba se tornando parte da rotina e corre o risco de entrar no piloto automático.

Um exercício muito legal é fazer um questionário de perguntas um para o outro que possa servir de guia numa conversa sobre suas fantasias se voce não sabe como começar o assunto. Eu fiz um bem completo, que você pode baixar gratuitamente clicando aqui! 

Mas jogando no Google voce encontra vários outros exemplos de questionários e joguinhos para conhecer melhor os desejos do outro.

4. Mandar um conto erótico com o seu fetiche para o parceiro

Sei que claro minha opinião não é a mais imparcial, afinal eu escrevo contos eróticos. Mas eu acredito que eles são mesmo uma ferramenta muito poderosa para nos conhecermos melhor e também podem nos ajudar a comunicar nossas fantasias.

Se voce sempre quis experimentar ser amarrado, por exemplo, vale achar um conto que narre uma história com bondage. Depois, mande para o contatinho com aquela mensagem marota; “li e lembrei de você, que tal se a gente tentasse um dia?” 

Assim fica mais fácil para o outro visualizar a fantasia e também soltar a imaginação. E para quem como eu ama astrologia, eu fiz uma série de continhos eróticos com todos os signos do zodíaco. Procure o signo do ser amado, mande, e veja qual será a reação! 

5. Aprender a linguagem sexual de cada um

Cada um tem um jeito de demonstrar amor diferente, e isso também vale para tesão. Aprender a linguagem sexual de cada um pode ser chave para entender o que o parceiro deseja na cama e também como ele ou ela tenta te agradar.

É parecido com o teste das linguagens amorosas, e voce vai descobrir qual é o seu perfil. Na Internet existem muitas variações, mas o mais famoso é o “Erotic Blueprint Quiz,” que infelizmente só existe em Inglês. Mas vários outros portais oferecem opções, basta encontrar a que mais te agrada.

E aí, gostou das dicas? Então hora de colocá-las em prática. Acenda umas velas, coloque uma música, abra um vinho, e vá conversar com seu parceiro ou parceira sobre suas fantasias sexuais!

Ah! Não se esqueça que sexo bom é sexo seguro!

Photo by Dainis Graveris on Unsplash

Chuva no deserto

Chuva no deserto com raios.
Photo by Lucy Chian on Unsplash

Metáfora fácil. Mas não existe uma melhor para o que eu estou sentindo. No meio da aridez e do calcário, da areia infinita, dos galhos retorcidos, de toda a sequidão; uma nuvem estacionada. Imponente, gorda, ameaçadora e linda, um vulcão de água condensada, inundando o sertão.

Gotas grossas que lambem e cobrem as folhas ásperas, os espinhos. Enxurradas de lama que abrem vales na terra. O tremor dos raios e trovões chacoalhando o céu cinza. O cheiro de secura molhada, de cacto ensopado, de solo alagado, o chiado da água que corre, chovendo vitalidade onde já não crescia mais nada.

E eu ali no meio, as costas afundadas no barro quente e úmido, provando o gosto das gotas mornas, lavando minha alma sedenta.

Sei que é um ano difícil pra todo mundo, e não é hora pra egoísmo, mas meu cerrado já tinha se feito caatinga, os troncos se encolhendo e retraindo, os pastos se estendendo, a grama queimando. Então, a tempestade no deserto não me deixa escolha a não ser continuar deitada, imóvel, sabendo que o verde vai voltar e em algum momento, e mesmo que não seja agora, não importa, porque a chuva é tépida, é clemente, é doce, e é a força da minha natureza que deságua em si mesma pra renascer.

Maio – Mês da Masturbação (Masterpost)

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Foto: Dainis Graveris

Olá amores e amoras, tudo bem? Sabiam que maio é comemorado internacionalmente como o mês da masturbação? Claro que eu não poderia deixar vocês na mão numa ocasião dessas (rs), então está aqui um compilado de posts dos mais variados tipos sobre masturbação pra você se inspirar!

CONTOS ERÓTICOS SOBRE MASTURBAÇÃO:

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O conto da mocinha solteira – Um continho curto e rápido sobre todas as fantasias de uma mulher solteira na hora de soltar a imaginação

Reencontro de faculdade – Parte 1 – Um conto erótico de sexo à três com dois ex (menino e menina); longo e com vários detalhes pra te inspirar!

Noite de Semana – Um conto bem romântico, bem meladinho, pra quem está apaixonado ou com vontade de se apaixonar – com uma surpresinha para meninas que querem explora a porta de trás dos namorados!

Como (não) resistir a uma tentação – Um conto erótico para aquela saudade de farrear, de sexo casual, de bagunça; pra quem está confinado nessa quarentena.

RECOMENDAÇÕES: 

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(Mais) 6 Alternativas ao Pornô Tradicional que Vão Realizar Todas as Suas Fantasias – Uma lista de todas as melhores alternativas à pornografia mainstream pra você que já zerou o pornhub e quer diversificar o material de apoio.

A história do strip-tease que não foi (e agora foi, pra todo mundo) – Uma história pessoal para você dar a volta por cima, se achar gostosa pra caralho com um strip-tease exclusivo dessa que vos fala.

(Mais) Oito Instagrams safadinhos para seguir – Uma lista com os perfis mais sexys do Instagram, pra apimentar o seu feed!

SEX TOYS:

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Luva erótica – Um detalhe simples que pode revolucionar sua vida sexual – Um brinquedinho inesperado e baratinho que pode fazer toda a diferença na sua masturbação!

Sugador clitoriano – Amor verdadeiro, amor eterno – Uma review sincerona do meu sex toy preferido que revolucionou minha vida!

Sybian Sex Machine: O vibrador perfeito? – Um vibrador dos vibradoes, o brinquedo dos brinquedos. Pra você que está podendo investir em um sex toy de luxo, dá uma olhada no Sybian.

VÍDEOS SOBRE MASTURBAÇÃO:

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Vlog – Minha coleção de sex toys! – Um vlog contando sobre todos os meus sex toys – como usá-los, e quais eu mais gosto.

Vlog: Masturbação feminina – Um vídeo contando minha história com a masturbação sendo mulher: Desde a culpa, até aprender a lidar com minha própria sexualidade.

Vlog – Guia básico da pepeka – Um vídeo pra você entender direitinho como funciona uma periquita, e quais os maravilhosos mecanismos que podem te dar mais prazer!

Gostou? Então não perde tempo, e bota essas mãozinhas pra jogo!

Uma entrevista de autora erótica para autora erótica

Um papo entre duas escritoras sobre sexo, arte – e como juntar os dois.

Que delícia poder trazer esse papo aqui! A Ida J é uma escritora erótica baseada em Amsterdam talentosíssima, e alguém que eu tenho grande prazer de trabalhar lado a lado na BERLINABLE! Ela foi uma das primeiras autoras recrutadas para o nosso time, e é uma pessoa de personalidade contagiante – a gente “bateu” logo de cara! Resolvemos fazer um papo bem sincero sobre o que significa escrever erótica pra gente, e fiquei muito feliz com o resultado!

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Lembro que te conheci pela primeira vez na Pornceptual, estávamos as duas lendo para a BERLINABLE; as duas arrasando de lingerie. Agora eu tenho o prazer de te entrevistar, até porque agora já conheço bem o seu trabalho. 

Minha primeira pergunta é; até que ponto você empresta suas experiências pessoais para suas histórias. Acho que todos nós nos inspiramos em nossas vidas, é claro, mas sempre que eu leio suas histórias, fico impressionada com o quanto eu me identifico! São tantos detalhes que ressoam, a coisa toda da assadura no comecinho de Weeknight me vem à mente, por exemplo. Porque é muito real! Me fale um pouco sobre como sua experiência influencia o seu trabalho.

Olha, pra ser sincera, meus contos são 100% inspirados na minha vida! Não sei se é queimação de filme falar isso… Mas é a verdade. Como escritora, eu gosto muito de brincar com as ferramentas que diferentes formatos me dão. Nos meus roteiros, que exigem uma escrita mais técnica e distanciada, a minha experiência pessoal não é a influência mais forte. É claro que é como você falou, como escritores nossa vida sempre influencia o que a gente escreve… Mas nos meus contos eróticos eu realmente pego as minhas noites de sexo e transformo em histórias na maior parte das vezes.

Acho que tem muito de vulnerabilidade, deixar um conto erótico sexy, eu acho que é o formato em que mais faz sentido brincar com nossa experiência pessoal – porque são relatos de fantasias. Então eu uso bastante da minha experiência. Outra coisa que rola nos meus contos é escrever sobre coisas que eu queria que tivessem acontecido e acabaram não acontecendo… é uma maneira de dar vazão ao meu tesão reprimido. Hahaha.

E sobre a parte da assadura… eu acho que o sexo é diversão! Em geral, gosto de colocar um pouco de comédia nos meus contos, deixarem eles próximos da vida real, traduzir o ridículo da sedução também. Gosto de trazer essa leveza nas minhas histórias. Existe muita culpa em relação a sexo, especialmente à sexualidade feminina, então imprimir esse lado engraçado é uma maneira também de me apoderar dos meus desejos.

Depois disso, conte-nos a história de Pimenta, como você começou a escrever erótica? Eu sei que você também escreve sobre o tema da saúde sexual, para você as duas coisas estão relacionadas? 

Comecei há muito tempo! Eu escrevo desde criança – escrevi meu primeiro livrinho aos seis anos – e quando entrei na adolescência tudo que era meio picante me deixava interessada. Eu tinha uma tendência muito forte a pensar em sexo desde que descobri o que era, e aos doze anos escrevi o que eu considero minha primeira peça erótica. Era um relato de sonho erótico do ponto de vista de um cara que estava me comendo. E sendo sincera, não é nada fofinho, é bem direto ao assunto! Acho que isso de ter um eu-lírico masculino me deixou mais solta.

Depois disso, durante toda minha adolescência li e escrevi muita fanfic – principalmente as NC-17, que tinham cenas de sexo. Acho que isso formou muito do skillset que uso hoje no meu trabalho.

Sobre a saúde sexual, com certeza as duas coisas estão relacionadas. Pra mim, o problema é que a gente aprende sobre saúde sexual do ponto de vista puramente biológico, é formal e distanciado. Parece que uma coisa são os processos, os cuidados que precisamos ter. Outra totalmente diferente é o tesão, a diversão, aquelas coisas que fazem a gente querer transar de verdade.

No meu ponto de vista, essa separação é a raiz de muitos problemas. Falar sobre camisinha, sobre ISTs, é tabu, é corta-tesão. Acho que não pode ser assim. No meu blog eu faço questão de misturar os dois assuntos – que no fim são a mesma coisa. Tirar este estigma das informações importantes e entender como o desejo e a saúde andam juntos.

Uma das coisas que eu tenho mais orgulho de ter feito na BERLINABLE foi o concurso MAKECONDOMSSEXY, ano passado, justamente por causa disso. Sempre tive vontade de falar do uso de camisinha no contexto da erótica. E fiquei tão feliz que os outros autores entraram na pira! O seu conto, The Madness of Last Night, é uma loucura, porque é cheio de cenas de orgia e sexo louco. E tudo isso promovendo sexo seguro. Não tem que ser uma coisa ou outra.

Voltando ao seu Blog, até que ponto essa paixão pela erótica e pelos tópicos relacionados à sexualidade é algo moral ou político para você? Você acha que é importante que nós, como escritores, tentemos influenciar o que você poderia chamar de cultura sexual – coisas como consentimento, sexo seguro, mas também incentivando as pessoas a experimentar coisas que de outra forma não teriam a oportunidade de experimentar?

Com certeza, e digo isso por experiência própria. Cresci num estado tradicional, minha relação com minha sexualidade era de muita, muita culpa. Pra você ter uma ideia, eu chorava toda vez que me masturbava! Falei inclusive sobre isso no meu canal do YouTube.

Comecei a fazer o blog porque queria ser a mulher que eu precisava quando eu era mais nova. Quanta culpa eu teria deixado de sentir se na época das minhas descobertas houvesse uma mulher que falasse de maneira natural sobre sexo. Sem culpa. Acho muito importante naturalizar os nossos desejos, especialmente para meninas mais novas.

E também aprendi muito sobre sexo lendo e escrevendo erótica – muito antes de começar a fazer! Aprendi sobre consentimento, sobre teoria queer, sobre fetiches… essas informações foram muito preciosas na minha formação, mudaram minha visão sobre o sexo, sobre meu corpo e sobre os meus desejos. E eu descobri muitos fetiches lendo sobre as fantasias de outros!

Acho que a erótica é uma ferramenta muito poderosa para conhecermos outras maneiras de viver o sexo. E eu sinto que esse é um legado que preciso passar para frente no meu trabalho. Foi introduzida a muita coisa que revolucionou minha vida sexual por outros autores; hoje em dia penso que falando das minhas fantasias e experiências de maneira totalmente franca, posso fazer o mesmo pelos meus leitores.

Já que estamos falando dessa questão política e da franqueza sobre a posição ideológica, estou interessada em ouvir sua posição sobre o anonimato no que diz respeito à escrita erótica.

Isso é totalmente pessoal. Na BERLINABLE temos vários autores que escrevem com um pseudônimo, e vários que usam o nome real. Acho que depende da vida que a pessoa leva. Essa é a liberdade que a erótica garante; ela te permite viver fantasias num mundo que pode estar descolado das dificuldades do dia-a-dia.

Para mim em particular, foi uma decisão pensada. Eu já tinha o blog, mas era uma coisa mais pessoal. Escrevia contos, mas não divulgava. Eu morava em São Paulo, trabalhava na área de comunicação, e estava muito infeliz por não poder ser sincera em relação aos temas que eram importantes pra mim.

Quando decidi largar meu emprego e vir para Berlim, tomei também a decisão de começar a divulgar meus contos, levar o blog a sério, dar a cara pra bater. Tive uma conversar séria comigo mesma e decidi a partir dali que ia enfrentar qualquer consequência que isso tivesse, seja na minha vida profissional, amorosa ou familiar. Era o quanto eu sentia que sem poder me expressar completamente eu estava infeliz.

Por sorte, deu muito certo! Na verdade, as pessoas passaram a me respeitar muito quando comecei a me colocar. Acho que quando é autentico, isso transparece, e as pessoas de identificam de alguma forma.

Então, não sei muito sobre sua criação, mas quando Salvador e eu conversamos, ele mencionou a sexualidade cheia de culpa como uma influência real em sua vida e no que ele escreve. E mesmo em contextos mais liberais, ainda existe muita vergonha nas histórias, e isso, naturalmente, chega a material erótico de qualquer tipo. Dito isto, essa vergonha também é algo para brincar, uma fonte de grande excitação em muitos casos. As normas de gênero são semelhantes, restritivas, mas cheias de potencial sexual. Sem querer soar muito Judtih Butler, mas queria saber o que você pensa a respeito, me conte como essas coisas batem pra você.

Acho que existe algo muito sexy na rebeldia. No desafio à norma. Todos nós, escritores de erótica, somos outsiders no fundo, né. Eu sinto que essa rebeldia aparece no meu desejo porque eu gosto muito de brincar com as barreiras de gênero. Inverter os papéis com um homem, vê-los maquiados, distorcer as expectativas da sociedade… isso tudo me excita muito. E sim, acho que tem a ver com esse desejo de brincar com o que é tabu.

Afinal das contas, sexo ainda é tabu na nossa sociedade, então o tabu acaba sendo a matéria-prima do nosso trabalho. Acho que o ofício de um escritor erótico é pegar este tabu e dar significado a ele, dar a ele uma forma que provoque emoção nos leitores.