Imperativo

O meu Maio foi uma primavera inteira dentro do outono – porque eu fiz assim, porque eu fui buscar sol, e confete, e o que mais me estivesse faltando, onde tinha. Falava baixo e devagar, sorriso tímido e um daqueles buracos negros no peito, cheio de escuridão e mistério, nos quais eu adoro me enfiar. Com cheiro de noite e o mar dos trópicos nos olhos, foi me hipnotizando. Em noites transbordando de álcool e inconsequência, quando as risadas eram mais altas e as decisões mais fáceis e eu estava longe demais para qualquer coisa da minha existência fazer algum sentido. Meu Maio foi uma ilha paradisíaca, distante, no meio do nada, em que eu fui parar com meu barquinho à esmo e não podia ter sido porto melhor. Derrapei nas palavras doces e planos de ver o mundo, tanta vida entre nós dois que daria até pra ressuscitar gente morta. Nos braços dele fui muito da mulher que eu sempre quis ser, me deixei levar pelo jeito opressivo, doído, sufocante de me devorar. Eu o quis, dos dedos pés até o último fio de cabelo. Nós descemos nos lugares mais profundos e incontroláveis da existência humana, trôpegos de vodca barata, juventude e desejo. Maio existiu pra mim e só pra mim, mas faz parte de um universo brilha com o dobro da força e eu roubei dele um pouquinho desse brilho pra dentro de mim.

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