Espera. Deixa eu ficar quietinha aqui só um pouquinho. Deixa eu ficar em silêncio mais um tempinho. Eu preciso ficar bem encolhida, lamber minhas feridas, dar os pontos necessários, me curar para ficar inteira de novo.
Eu sempre fui muito fundo nas coisas, e desta vez não teria como ser diferente. Eu sempre fui de me perder dentro dos outros, de sair sem rumo, de me embriagar de dopamina até perder os sentidos, ver minha razão em coma.
Então é claro que eu ainda estou zonza. Vou precisar de um tempo para achar o caminho para a saída desta névoa, para conseguir desembaçar o espelho, desembaralhar os pensamentos, lembrar da direção em que seguia e ajeitar a minha bússola.
Agora, porém, eu ainda estou afogada no seu baldinho. Sem forças para nadar. Engolindo da sua água até doer os pulmões. Desta vez eu fui muito fundo mesmo, em velocidade meteórica e eu começo a achar que talvez nunca mais pare de soluçar a água do seu mar, mesmo quando eu estiver seca e salva, do outro lado.