Enleio

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Não é sempre que o monstro do ciúme toma conta de mim. Mas quando ele vem, preenche todos os espaços, faz da minha imaginação a sua casa, se espreme em todos os cantinhos.

E me governa.

Nessas horas eu odeio ter uma imaginação tão fértil porque consigo imaginar com detalhes os seus dedos ágeis no teclado do celular, escrevendo mensagens cheias de interesse e malícia, que não são endereçadas a mim.

E como as redes sociais alimentam o monstro. É ração premium deluxe. Daquelas garantidas de fazer o seu monstrinho dobrar de tamanho em dois cliques.

Você fez amizade com oito pessoas esta semana. Dentre elas tem essa menina morena, ela é tatuada, gostar de postar artigos políticos, parece ser gente boa e desencucada. Consigo imaginar vocês sentando num café e falando sobre as ocupações das escolas até chegar a hora de ir embora e você chamá-la pra ir beber alguma coisa na sua casa.

Clique, clique.

Mais um gole de vinho.

Você também conheceu uma menina loira de cabelos cacheados com sorriso doce, que faz aula de dança e tem um cachorro vira-lata. E eu amaldiçoo a hora em que você me contou todas as suas táticas de sedução. Imagino você usando cada uma delas, cerveja após cerveja, até que os dois caem em silêncio e só resta o beijo.

Clique, clique, clique.

E dá-lhe vinho.

Você também foi numa festa. Com muita gente bonita e bêbada, a julgar pelas fotos. Eu posso imaginar o clima do lugar, o baixo no talo, você e uma dessas meninas lindas das fotos se amassando contra uma das paredes…

Atiro o laptop longe.

De um gole, termino a taça.

Isso vai me enlouquecer, eu preciso parar. Não é saudável, não está certo, não me faz bem. Eu devia bloquear você em todas as redes. Melhor, excluir. Será que tem um app que debita no seu cartão toda vez que você stalkeia o ex?

Quem inventar vai ficar rico.

Larguei a taça e fui pro gargalo. Vou terminar essa garrafa hoje mesmo, pra que enrolar. Se eu continuar assim, além de alcóolatra e dura, eu vou perder a sanidade.

O monstro está bem à vontade. Colocou os pés na mesinha, reclinou o encosto. A minha mente é agora o seu palácio. A única coisa que eu posso fazer é terminar a garrafa, apagar a luz.

Esperar o álcool mergulhar nós dois no sono.

Amanhã é outro dia. Quem sabe o monstro vai estar menos assustador.

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