Carta para uma paixão

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Ah, Berlim, Berlim… Eu te quis tanto, eu sonhei tanto em estar aqui. Eu nunca fui de resistir às grandes paixões, e com você, foi amor à primeira vista. Daqueles de largar a família, o emprego, a casa, para se viver de amor.

Eu vim querendo descobrir você, mas na verdade, acabei me descobrindo. A gente nunca acaba de se conhecer, mas é só fora da zona de conforto o que está lá no fundo é revirado e vem parar na superfície.

Caminhar nas suas ruas me lembra o tempo todo que eu sou uma forasteira. É como se eu estivesse vendo uma vitrine de uma cidade da qual eu ainda não faço parte. Quando eu paro para observar os jovens casais nas manhãs de domingo nas praças do Friedrichsain, nas noite iluminadas no Mitte, deitada no gramado do Tiergarten ou rangendo os dentes ao voltar para casa de madrugada na Warschauer Straße, quando eu tropeço na língua arrastada, quando o jardim amanhece coberto de gelo, eu sinto que ainda estou vivendo uma paixão platônica, e às vezes nos esbarramos nas esquinas, nos abraçamos e nos beijamos, mas depois cada uma segue o seu caminho.

Mas eu vim para me perder, então eu quero que você me arraste, que você me afogue, que você me cuspa do outro lado mudada.

Não a pessoa que se apaixonou por você.

Mas a pessoa que te ama.

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