Vlog: O que ninguém conta sobre namorar depois dos 25

Namorar já é difícil em qualquer idade, mas quando a gente vai ficando mais velho, as relações vão ficando mais sérias – mesmo contra a nossa vontade!

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Falando sério

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Eu gosto de você. Gosto do seu corpo coberto de tatuagens, gosto do seu jeito manso, gosto dos nossos dias perdidos em ressaca no seu apartamento, gosto desse seu sotaque que eu não consigo entender antes do terceiro drink, gosto quando o álcool mela a nossa comunicação e faz tudo ficar mais fácil, gosto das marcas dos seus dedos no meu pescoço e na minha bunda no dia seguinte, gosto do seu pendor pra autodestruição tão parecido com o meu.

Mas você não imagina que às vezes quando a gente tá junto e eu já tô muito bêbada eu ainda penso no meu ex namorado, tem tanta coisa sobre mim que você nunca vai saber, tem tanta vida me esperando em dois cantos diferentes do mundo, e aqui eu nem existo, eu sou só um sopro e pra você eu sou só uma miragem, o que acontece aqui está desconectado do resto da minha vida, entende, e o efêmero é o que faz ser bom, eu gosto da folga de ser quem eu sou, a bagagem às vezes pesa, então se a gente puder deixar ela um tempo no guarda-volumes melhor.

Eu não gosto quando você blefa e se faz de difícil, para que complicar as coisas, mas se tem que ser assim, tudo bem, porque eu estou cansada do jogo mas ainda sei jogar, mas eu queria que você entendesse que se a gente está aqui junto é por algum motivo, seja pela putaria ou pela companhia, às vezes é tão exaustivo manter a pose, às vezes a gente se sente só, e tá todo mundo morrendo de medo de se estrepar, mas paciência, aproveita que eu to aqui de mãos livres sem bagagem pra te fazer um cafuné ou te arranhar as costas, e depois, depois é depois, você não ve que a gente ta perdendo tempo, se você puder parar de fingir eu agradeço, até porque eu me irrito muito com o fato de que funciona e eu fico querendo te ver toda vez que você some, eu não sou sua, nem nunca vou ser, mas agora posso ser, só um pouco, só um pedaço, só uma parte que existe agora e depois vai ser como se nunca tivesse existido.

Noite de semana

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Às vezes os dias perfeitos não são aqueles em que a gente ganha uma promoção no trabalho, passa no vestibular, é pedido em casamento. Às vezes um dia perfeito é só aquele em que eu conseguir entrar em casa minutos antes do temporal de verão cair, tomar um banho para tirar o suor e o mormaço de um dia quente do corpo, e sair relaxada, com os cabelos molhados e a pele fresca, pra entrar no quarto cheirando à chuva e te encontrar na cama, concentrado num livro.

Eu me aconchego a você. Os últimos dias foram corridos, faz um tempinho que não temos uma noite para nós. O ar finalmente está mais fresquinho depois de um dos dias mais abafados do ano. Você está só de cueca, cheirando a sabonete, a pele ainda quente do banho que você tomou antes de mim. Eu te abraço pela cintura, afundando o rosto na sua nuca.

– E aí, o livro tá bom?

– Uhum, acho que amanhã eu termino. – Eu não resisto à extensão da sua pele na minha frente e cravo uma mordidinha no ombro, te arrancando um ronronado. Você larga o livro no criado-mudo, virando o corpo para me encarar. Minhas mãos ficam passeando pela extensão das suas costas, enquanto você segura meu rosto com as mãos e me beija.

Sua boca tem aquele gosto de algum doce de infância que eu não consigo nunca identificar qual é, e eu não resisto a morder de novo, porque é bom demais te morder. É engraçado que eu sempre achei o seu beijo febril, mas agora parece que a temperatura anormalmente alta se espalhou pelo seu corpo inteiro.

Era para ser só um beijinho, mas você segura meu rosto nas suas mãos daquele jeito que você sabe que eu adoro, e quando você enfia a mão debaixo da minha blusa de pijama eu me arrepio inteira. O toque das duas mãos na minha pele causa uma reação elétrica, um choque que deixa meu corpo inteiro vibrando, como se fosse um motor em baixa frequência.

O beijo se aprofunda e eu vou derretendo. É sempre assim, mesmo depois de tanto tempo. A sensação de estar com você é de um tiro de pó com umas dez doses de tequila e uma cartela de doce, tudo ao mesmo tempo, num coquetel pra ser injetado na veia.

Minhas mãos estão grudadas no seu torso e a gente ainda não parou de se beijar por um segundo. Mas quando você me puxa pela cintura e nos cola dos ombros às pontinhas dos pés, eu preciso quebrar o beijo para gemer baixinho e buscar ar – porque parece que eu estou sufocando.

Em pouco tempo meu pijama está no chão e eu dou um gemidinho de frio só de manha – afinal, está um calor do inferno. Você cobre o meu corpo com o seu e quando seus dedos alcançam a barra da minha calcinha, minhas unhas já estão cravadas nas suas costas. Você começa a me tocar com a perícia de quem conhece todos os meus cantinhos, mas sem querer chegar lugar nenhum – de um jeito preguiçoso só pra me deixar com vontade. Sua testa está colada na minha, e o jeito que você me olha me faz sorrir. Quando você sorri de volta eu sinto um formigamento estranho por dentro. Estar apaixonada assim é tão esquisito. É como se tivesse uma bola de borracha no meu peito e ela fosse ficando maior até querer explodir tudo pra sair.

Você leva os dedos à boca, fazendo cara de quem provou algo delicioso, antes de colocá-los nos meu lábios para me fazer chupar também. Eles se demoram no cotorno na minha boca antes de descerem mais uma vez, mas eu cansei dessa tortura mansinha. Agora é minha vez. Eu te jogo te volta na cama, separo suas pernas, descendo a cueca de uma vez e dando um mordidinha na sua tatuagem abaixo do umbigo.

Adoro quando você geme logo que eu começo a te chupar, puxando os cabelos na minha nuca de leve enquanto eu faço um boquete sem pressa, que a gente tem a noite toda para aproveitar. Eu vou mais fundo, o mais fundo que dá, bem devagar, aumentando o ritmo aos poucos. Quando você começa a se empolgar, eu paro, fazendo uma punheta bem lenta, enquanto me delicio nessa expressão safada que você guarda só pra esses momentos.

Suas pernas relaxam e se abrem enquanto voce impulsiona seu quadril de leve, quase sem perceber, a respiracao entrecortada. Eu te chupo mais um pouquinho antes de descer, torturando a parte sensivel do interior das suas coxas, descendo mais e mais, mordendo a curvinha da sua bunda de leve.

Você geme e eu aproveito para lamber a pele por ali, te fazendo tremer com o choque, explorando a área com a língua antes de ir ao que interessa; afasto mais suas pernas, indo direto a ponto para comecar um beijo grego lento e carregado de tesão.

Com certeza está na minha lista de MELHORES COISAS DA VIDA ouvir a sua primeira reação sempre que eu faco isso. Eu nunca me canso. Eu conheco todos os seus detalhes e curvinhas, a receita exata pra te fazer perder completamente o controle, e eu amo a nossa intimidade.

Alguns minutos e você está se contorcendo contra os lençóis, murmurando coisas sem sentido enquanto puxa meu cabelo descoordenamente. A brincadeira já está mais que divertida – mas aí eu me lembro de uma coisa da qual a gente sempre falou – mas nunca realmente fizemos.

Minha língua te penetra devagarzinho – só a pontinha, so pra provocar. Arranho a superfície da sua coxa e agarro o seu pau com firmeza, masturbando devagarinho, continuando a invasão preguiçosa. Você relaxa na cama, os músculos se dissolvendo da tensão pra me dar mais acesso – É, acho que agora é uma boa hora.

Eu seguro o seu quadril com a mão livre, apertando pra te fazer virar de bruços. Mordo mais uma vez – só porque você tem uma bundinha bem linda e é difícil resistir. Depois, sopro de levinho, dando risada quando você se arrepia porque você é tão previsível, e parto para o ataque.

Sempre tão gostoso ver como você se desmancha na cama toda vez que eu faço isso. Você arfa e pede mais, esfregando o seu pau nos lençóis. Eu subo, beijando as covinhas das suas costas.

– Sabe o que eu estava pensando?

– Em voltar a fazer o que você estava fazendo? – Você responde, sem ar. Eu dou uma risadinha.

– Não. Em fazer aquilo que a gente sempre teve vontade. – Eu mordo o lábio, porque mal consigo conter a antecipação. – Eu te comer.

Você vira pra mim, o rosto afogueado, cabelos bagunçados. Eu levanto uma sobrancelha, como quem diz “e então”?

– Vamos. – E seus olhos brilham de animação também. Eu quase pulo da cama, alcançando a nossa gaveta de brinquedinhos e escolhendo um vibrador médio. Vamos começar modestamente.

– Tá. Me avisa se machucar que eu paro. – Você acena que sim, com cara de criança que vai estrear um brinquedo novo. Eu volto a ajoelhar na cama, plantando beijinhos na lateral da sua cintura, descendo devagar.

Retomo o que eu estava fazendo, lambendo a sua entrada devagar, penetrando de levinho. Quando eu vejo que você já se desconcentrou de novo, levo um dedo para ajudar no processo, pressionando até a resistência ceder.

A prática não é incomum – já estamos acostumados a fazer sempre, mas nunca fomos além disso e eu tenho receio de não fazer alguma coisa direito e te machucar. Eu curvo o dedo dentro de você, sorrindo quando vejo que te provoca um gemido. Bom, pelo menos isso eu não esqueci como fazer.

Depois de um tempo introduzo mais um dedo e continuo até sentir que seus músculos relaxaram o suficiente. Alguns segundos lutando para abrir a camisinha com dedos trêmulos, uma quantidade generosa de lubrificante, e forço a entrada com o vibrador de levinho no começo, testando a sua reação.

Você geme de novo – dessa vez estrangulado, e eu mordo meus lábios porque se essa não é a situação mais excitante em que já estive com certeza está no top 5. Eu ajeito a posição do vibrador e começo a ir mais fundo. Você afunda o rosto no travesseiro, e eu me pergunto por que raios a gente ainda não comprou o espelho gigante que a gente sempre fala em comprar porque eu daria tudo pra ter uma visão panorâmica de você de quatro na cama enquanto eu te como assim.

– Mais. – Você sussurra estrangulado, quase rasgando a fronha. A essa altura, você já está praticamente transando com o colchão, então eu te viro e desço a língua pelo seu torso pregado de suor. E já que é pra fazer direito, na hora em que eu tomo a sua glande na boca, ligo o vibrador.

A posição exige bastante da minha coordenação, mas pelo jeito, vale a pena. Você levanta os quadris, forçando o seu pau dentro da minha boca sem nem perceber, suas coxas dobrando com os espasmos. Você puxa meu cabelo forte, e me implora para eu não parar, e eu não paro, não paro até você gozar na minha boca e eu engolir tudinho porque puta que pariu, que delícia, eu tô abismada e sufocada de tesão.

Você me olha com os olhos arregalados, também sem conseguir acreditar, e eu quero te dar prazer assim muitas outras vezes, mas agora é minha vez. Eu arranco a calcinha e subo pelo seu corpo, prendo seus braços na cama e sento na sua cara.

Rapidinho você acorda do torpor, me chupando do jeito que você sabe muito bem como fazer, e em poucos minutos eu gozo, me esfregando na sua língua e chamando o seu nome.

– A gente… – Eu começo, ofegante, guardando o vibrador e arrumando a coberta que virou um fuá. – Precisa fazer isso outra vez.

– Concordo. – Você sussurra baixinho, ajeitando minha cabeça no seu peito e afastando as mechas molhadas da minha testa. – Vinte minutos e segunda rodada?

A gente ri junto e de novo essa sensação esquisita de ter uma coisa querendo sair de dentro do peito. Eu não sei se algum dia vou me acostumar com amar alguém tanto assim, mas eu não tenho dúvidas que quero continuar tentando.

Turbilhão

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Fonte: The3alex

Quem a gente pensa que engana? Todo mundo aqui rindo e bebendo como se tivesse nenhuma preocupação na cabeça. Eu aqui rindo e bebendo como se não tivesse um rombo do tamanho de um caminhão no meio do peito que nada, nada consegue preencher, como se eu não sentisse que não sou boa em nada o tempo todo, como se não estivesse entornando essa garrafa de vinho porque o álcool faz existir doer menos. Ridículo né, a gente fingir que não é ridículo, pelo menos eu sou ridícula assumida e eu sei que você gosta. Eu vejo você me olhar do outro lado da mesa, eu vejo você sorrir de lado tentando disfarçar quando eu te pego no flagra.

Você olha olha olha e não faz porra nenhuma, até quando a gente vai ficar nesse jogo de gato e rato, encheu o saco isso já, vamos ficar nesse teatrinho pra quem? Pra quê? Eu tô sabendo muito bem que as suas intenções comigo são as piores, saiba você que é mútuo. Você acha que eu tô esperando você me tratar como namoradinha? A essa altura da minha vida eu sei muito bem o meu lugar, me criei sozinha a vida inteira, você não vai ser o primeiro nem o último a vir e não ficar.

Eu sei que você gosta quando eu deixo todo mundo desconfortável com esse meu jeito de vagabunda, os meus comentários inapropriados, os meus shortinhos que param no meio da bunda que eu já nem tenho mais idade pra usar. Eu sinto seu olhar me queimando quando eu viro shot atrás de shot até estar trocando os pés, sentando na mesa com as pernas abertas pra tentar chamar sua atenção, fazendo piadas que ninguém ri, pedindo músicas que ninguém gosta.

Se ainda não está claro o suficiente, eu quero você também. Eu te quero quando você está dominando a atenção de todo mundo e punhetando o seu ego, eu te quero quando você fica passando cantadinha na geral feito Don Juan de terceiro colegial, eu te quero quando você vem me apertando toda, assim sem querer querendo só pra me deixar louquinha,  eu te quero quando você também já tá bem louco e fala coisas sem nexo e de repente eu descubro que não sou eu sozinha nessa coisa de faz-de-conta, você também tá se doendo todo por dentro, e quando a gente dói junto dói menos, dói menos até do que quando eu já tô no último grau do porre, então será que dá pra parar de palhaçada e ir logo pra putaria, será que já não deu pra entender, que eu quero você por dentro até o talo, até a minha garganta.

Eu quero que você me vire de quatro e imprima a sua mão na minha bunda, eu quero que você me coma bem forte pra descobrir que quando eu gozo eu grito bem alto, eu quero te contar no seu ouvido que o seu cheiro me deixa mo-lha-da, desde que a gente se conheceu é raro eu pensar em outra coisa, quero sentir sua pica dura por minha causa, quero me trancar num quarto com você e te dar até a gente não aguentar mais. Se você quer que eu seja sua fantasia tá tudo certo, pode vir, fica à vontade, já falei que tô acostumada.

Some sorrateiro no dia seguinte antes que eu acorde pra encontrar aquela menina legal que você quer apresentar para os seus pais, desde que à noite você seja meu. A noite toda, e que as horas se estendam e pareçam anos enquanto você me invade, me arranha, me morde, me machuca, me domina, me enfrenta, me aniquila, me neutraliza.

Laceração

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Fonte: Wattpad

Que loucura isso aqui. Parece que a gente está numa bolha isolada do universo inteiro. O frio na barriga que eu sinto é claustrofóbico. É exaustivo ficar perto de você. Meus nervos ficam tão hiperativos que eu preciso de dias pra me recuperar das ressacas que você me causa.

Parece que o seu toque se encaixa no meu corpo com precisão cirúrgica. Eu estou vendo você me olhar desse jeito como se você achasse que eu sou demais pra você, e quem sabe deve ser mesmo, não é isso que todo mundo acha sempre, então diz. Fala o meu nome. Estala a consoante no céu da boca. Deixa as vogais derraparem nas arestas do seu sotaque. Eu quero ouvir você me chamar, quero ouvir meu nome estourando da sua boca como uma bolha de sabão. Eu quero existir nos seus lábios. Eu quero existir. Eu quero existir nos outros, quero sentir o que eu penso e o que eu sinto faz algum sentido para além dos meus momentos de solidão com a máquina de escrever. Estou cansada de ir, de voltar, de tentar, eu quero me desmontar, eu quero me deixar revirar, eu quero a verdade para além das personalidades inoxidáveis que a gente inventa. Toda história tem sempre dois lados, ninguém é exemplar o tempo todo, não quero ser nada, mais nada, não quero mais nenhum adjetivo chique, eu só quero a invasão do seu beijo febril, a dor do seu toque, todas as filosofias esquecidas no pé da cama. Só você, o meu nome, e as nossas inseguranças, brincando juntas na escuridão.

Vlog: Em defesa dos corações partidos

Nessa semana de dia dos namorados, o tema do vlog é amorrrr. Na verdade, a falta dele. Por que sofrer por amor é considerada a maior humilhação que um serumano pode passar? Porque todo mundo espera que a gente não esteja nem aí para a pessoa que a gente estava namorando até ontem? Em defesa dos corações partidos e do nosso direito de sofrer pelos pés na bunda.

Inelutável

Meu maio veio para me atravessar. Já disse que nunca fui boa em resistir a tentações, e dessa vez não podia ser diferente. Me atropelou e me tirou do rumo, levei horas pra conseguir voltar para a estrada, mas era exatamente isso que eu queria, era exatamente isso que eu precisava, é bom saber que eu ainda estou viva, que minha capacidade de me atirar nas coisas continua a mesma. Só me resta dizer, pode vir, pode entrar, porque eu sempre gostei mesmo é do estrago e eu tô louca pra saber o tamanho do rombo que você vai fazer, pode me bagunçar, se misturar essa sua autodestruição sombria alemã com a minha falta de limites latina o que que dá, eu já nem sei mais se eu estou confundindo paixão com tesão, mas a verdade é que eu nunca gostei de gente perfeita, eu te quero por ser assim, cheio de falhas, egoísta, teimoso, irresponsável, do mesmo jeito que eu sou inconsequente, extremada, contraditória. Já consiguia sentir antes mesmo de começar que Maio vai doer, mas como tudo que é bom na vida, a gente deixa pra lidar com a ressaca depois, e se embriaga mais agora, que se é pra sofrer, melhor sofrer direito.

Vulgar sem ser sexy

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Fonte: Pinterest

Acho que esse clichê sempre caiu muito bem para me definir. Minha relação com minha sexualidade sempre foi conflituosa e difícil – ao mesmo tempo que sempre foi parte importantíssima da minha identidade, lidar com isso nunca foi algo natural pra mim.

Fui criada num ambiente bem repressor sexualmente falando – uma família dominada por homens, extremamente machista. Uma escola dominada por preconceitos, extremamente religiosa. Durante toda a minha adolescência, eu fui uma menina magrela, desengonçada, esquisita. Sempre era a última a fazer tudo – a última a beijar, a última a transar – e ainda assim sempre tive de reputação de fácil ou de piranha, apesar de ter uma vida social inexistente – e de ter certeza de que ninguém nem ao menos se interessava por mim para ter a fama de fácil em primeiro lugar. Lembro de ouvir amigas ficando com carinhas cafajestes, que as enrolavam, as usavam, e enquanto elas choravam as pitangas, sentia uma pontada muito clara de inveja – eu não parecia ser boa o suficiente nem para ser usada.

Apesar de tudo, sentia que meu exterior de extrema timidez e introversão eram completamente incompatíveis com a pessoa que eu era por dentro. Eu sempre fui alguém com a libido extremamente alta – desde que descobri o que era sexo gasto a maior parte do meu tempo pensando a respeito. Minha imaginação fértil sempre compensou minha pouco vivência criando fantasias vívidas e sórdidas. Eu desejava ardementemente poder ser a pessoa que eu era – poder externalizar toda essa minha natureza sexual, conseguir colocar pra fora o que estava por dentro.

Como todas essas questões complicadas de personalidade que a gente tem, foi um processo. Foi no início da vida adulta, aos poucos, que fui começando a me sentir à vontade na minha própria pele para dar vazão à minha personalidade. As roupas, o comportamento, tudo que eu tinha para dizer. Fui tirando os meus filtros, um a um, e revelando toda essa vulgaridade que eu tinha por dentro.

Vejam bem,eu advogo vulgaridade. Talvez porque eu não tenho escolha, e acaba sendo uma autodefesa. Talvez porque  eu ache mesmo que as coisas que a gente faz sem refinamento, sem pensar demais, sem editar demais, são as mais sinceras. Sempre fui alguém de natureza muito intuitiva e é libertador para mim finalmente dar ouvidos aos desejos que urravam por dentro. Tenho bem claro na minha cabeça que não tem nada de errado em ser assim, porque eu simplesmente sou, é algo que vem tão naturalmente de dentro, que não tem razão de não ser.

Porém, nem sempre é fácil. Para ter coragem de ser que eu sou, pago o preço nas minhas interações sociais. Eu consigo sentir as pessoas ficando desconfortáveis ao meu redor – quando eu falo palavrão demais, quando eu sou muito gráfica em descrever minhas putarias, quando eu me abro demais rápido demais. Nessas horas, eu fico pensando que eu queria muito mesmo conseguir ser uma pessoa reservada e discreta. Que tudo na minha vida seria mais fácil se eu não tivesse essa personalidade hiperbólica e dionisíaca.

Na minha vida amorosa, isso se multiplica. Para começar com o óbvio, digamos que #piranhastambémamam. O fato de eu ser uma pessoa sexualmente libertina, ficar com muita gente, ser aberta à experimentar, não significa que eu não me envolva, ou queira apenas sexo. Enfim, é óbvio, mas parece que não pra todo mundo. Me frustrei muitas vezes sentindo o julgamento de pessoas por quem estava apaixonada. Por muitas vezes fui trocada por um tipo tão específico de mulher que isso me criou um complexo.

Sabe aquelas meninas, discretas, dignas, reservadas, com um comportamento quase blasé, que sempre parecem estar acima de tudo isso? Elas se divertem, bebem, mas sem dar PT. Elas sabem rir de uma piada, mas não alto demais. E principalmente, elas são capazes de amar, mas sem exageros. Elas estão sempre nos cantos, cercadas por uma aura de ~mistério. Logo eu, que sempre me faltou indiferença ao que quer que seja, fui me interessar por gente que gosta deste tipo. Nem preciso falar que não tenho chances.

Nessas horas fica difícil continuar no meu propósito de seguir firme sendo a pessoa que eu sou, apesar dos pesares. Lembro de uma briga horrível que tive com um carinha por quem estava apaixonada. Ele me olhou bem no olho e disse:

– Você é uma ridícula, fica falando um monte de putaria e todo mundo está rindo da sua cara e você nem percebe.

Ele basicamente enfiou a botina em uma das minhas maiores inseguraças. Essas palavras me machuram muito, porque tocaram num dos meus maiores medos: De ser ridícula, por ser como eu sou, assim, vulgar, exagerada, extratosfericamente libidinosa.

Estou apredendo a fazer as pazes com a minha natureza vulgar sem ser sexy, simplesmente porque fingir que eu sou outra pessoa é exaustivo. Aprendendo que eu não posso oferecer para as pessoas o que elas gostariam que eu fosse – essa versão mais light de mim. Apenas o que eu sou. E também que se tem gente que vai me reduzir a isso, paciência. Quem é importante para mim sabe que eu sou sim essa pilha de energia sexual – mas também muito mais do que isso.

Por fim, talvez eu seja sim ridícula, e seja incapaz de não continuar agindo de maneira ridícula. Vou continuar usando roupas estupidamente curtas para a minha idade, ficando com todo mundo que der vontade, falando – e escrevendo! – todas as barbaridades que passam pela minha cabeça. Pelo menos hoje em dia eu consigo dizer que sou muito mais quem eu sempre quis ser – e por enquanto está bom.

Espiral

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Fonte: Tumblr 8tracks

Tá frio, tá frio pra caralho, mas eu não sinto mais nada, as pontas dos dedos dormentes enquanto você abre a minha boca e despeja mais Jägermeister. Essa situação é ridícula, e talvez nós dois estejamos velhos demais para estarmos bêbados nos beijando em cima do capô de um carro qualquer, minha calça grudada na neve e no metal. Mas foda-se também, eu sempre odiei tudo que é morno e prefiro estar assim, prefiro os seus beijos trôpegos, minha personalidade dionisíaca se encaixa tão bem na sua, talvez seja destino que vagabundos acabem se esbarrando nos cantos do mundo, talvez nós só estejamos nos recusando a crescer, mas eu adoro ser assim toda pequenininha pra minha cintura caber direitinho nas suas mãos, tem horas que me dá vontade de te engolir, tem horas que me dá vontade de correr que essa loucura toda só pode acabar quando eu me machucar mas foda-se, foda-se, foda-se, eu tô tão bêbada e você também, despeja mais álcool na minha boca, me dá um banho, me leva pra casa, arranca minha roupa, me come até a gente desmanchar na minha cama.

***

A gente entrou na banheira de roupa e tudo, e quando eu olho no espelho parece que meu coração tá batendo dentro do meu crânio, essa cidade, essa cidade é a cidade do pecado, eu vim aqui pra me perder, e enquanto você olha pra mim com essa cara de quem mal consegue focar aquela música vem na minha cabeça, I just wanna turn the lights on, in these volatile times… Mas tá certo, eu queria ser livre, e eu estou sendo livre, é que liberdade é uma coisa perigosa, ainda mais pra gente como eu, mas tá tudo certo, eu tô tão descolada da pessoa que eu fui que eu acho que ela não volta nunca mais e isso é bom, ela tinha medo, e eu não tenho mais medo de nada, então vem, turbilhão por turbilhão a gente se neutraliza, se for pra doer deixa doer com força, se a cidade é fria e o inverno é longo, vamos incendiar essa porra toda com gasolina e autodepreciação, até não restar tijolo sobre tijolo.

Até eu me acabar.

Até a gente acabar.

Até a onda quebrar, arrasar e ir embora, pra eu arrumar a bagunça depois.

Entre o sempre e o nunca

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Quase chorei no meio da aula quando cheguei naquela parte do livro que você me recomendou em que o Elio deixa o tal bilhete para a sua paixão, o Oliver, dentro de um livro. Zwischen Immer und Nie. Você me falou isso, e eu não tinha entendido. Achei que era só uma frase em alemão. Só fui entender quando cheguei nessa cena filha da puta. Meu coração deu um nó.

Mas foda mesmo foi quando eu cheguei na parte em que o Elio visita o Oliver em Nova York, muito anos depois do romance de verão deles. Lembra? O Oliver está casado, tem filhos. O Elio não. Fiquei me perguntando se vai ser assim com a gente. Minha imaginação excessivamente fértil logo pintou um cenário pronto. É tão fácil para mim imaginar todos os detalhes.

Consigo enxergar direitinho, você vivendo numa cidade do interior, numa casa térrea, com uma decoração em cores quentes, pendendo para o laranja, totalmente descoordenada e genérica do jeito que você sabe que eu detesto. Você não liga para isso, nem a sua companheira. Ela tem um jeitinho doce e desencanado, rosto de traços simpáticos, um estilo meio hippongo. Vocês têm dois filhos. Eles entram e saem da sala para o quintal aos gritos, brincando de pega. A casa é cheia de livros e cheia de janelas emperradas, maçanetas quebradas, e paredes infiltradas que vocês dois nunca se preocuparam em consertar.

Nesse futuro paralelo, quando eu chego para visitar, contrasto com tudo na sua vida. E como a porra da imaginação é minha e pelo menos alguma vantagem tem que ter, estou muito bem, obrigada. Bem sucedida, bem comida, bem viajada. Uso jeans colados no corpo e salto agulha, conto de todas as coisas que ando fazendo, o meu mundo é imenso. Aí sentamos os três naquela sala, o passado tão distante do presente, que nem naquele clipe da Gwen Stefani.

Nessa hora, me perguntei se seria assim, ou se vai ter algum capítulo mais próximo na nossa história. O pior é que antes de você eu nunca nem quis estar com ninguém. Nem conseguia me imaginar em um relacionamento assim antes de você. Não podia imaginar que era possível ser tão eu mesma ao lado de outra pessoa, sem ter que editar nada, nada, da minha personalidade.

Nem podia imaginar que eu ia encontrar tanto de mim em você. Ah, se as pessoas soubessem que por trás dessa sua máscara de bom moço, tem tanta coisa que você esconde. Você sabe que eu te conheço de verdade. Eu sou assim toda errada, toda estragada, mas você também é. Nos reconhecemos um no outro. Tipo um Namastê ao contrário, a sombra que habita em mim saúda a sombra que habita em você.

Conheci esse seu jeito depravado, egoísta, sombrio, corrompido e me apaixonei por ele. Você não é perfeito, e eu não sou nem nunca fui. De repente era um alívio saber que com você eu tinha segurança pra gente se trancar no nosso mundinho em que a moral era colocada de cabeça para baixo, os limites se dissolviam, a selvageria era bem-vinda. Mas acabou e assim é, não há o que se possa fazer, existe muito pouco que pode ser dito, menos ainda que pode ser feito, vivi a vida inteira muito bem sozinha, eu e minhas sombras, e assim vamos ter que aprender a seguir.

Mas a sua doçura e barbárie, a sua versão para todos e a sua versão só para mim são coisas que ninguém vai me tirar. Vou levar comigo, para lembrar que um dia, a gente existiu. E em algum lugar vamos continuar sempre existindo: Entre o sempre e o nunca.