Vlog – Será que os jovens andam fazendo MENOS sexo?

Não bastasse a recessão de basicamente tudo, ao que parece minha geração também passa por uma RECESSÃO SEXUAL. Mas sérá que é isso mesmo? A gente anda fazendo menos sexo ou só anda fazendo sexo melhor que as gerações anteriores? Vem ver o vlog novo!

Sugador clitoriano – Amor verdadeiro, amor eterno

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Bom, não é de hoje que eu digo que o vibrador é o melhor amigo de qualquer mulher. Na verdade, eu fiz até um vídeo mostrando toda a minha coleção de sex toys. Mas com a minha mais recente aquisição, o sugador clitoriano, meus amigos… Foi diferente.

Desde que esse produto surgiu no mercado que eu estava louca pra testar, mas o preço me desanimava. Isso porque o principal que achamos à venda, o Womanizer, sai por em média setenta euros. O negócio é que o estímulo clitoriano é para mim a melhor forma de sentir prazer, e a ideia de ter um brinquedinho que SUGA o meu clitóris como no sexo oral… Era bem tentadora.

Foi numa feliz coincidência do destino que encontrei o Satisfyer, um modelo mais em conta, por nada menos que METADE do preço normal. No fim, paguei vinte e cinco euros no meu numa promoção relâmpago. Como já estava de olho no estimulador clitoriano, quando vi a promoção não pensei duas vezes. E foi a melhor coisa que eu fiz.

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Fonte

Como o sugador clitoriano funciona?

Basicamente, a brincadeira é um estímulo que simula a sucção do clitóris. Eu sou bastante sensível, então fiquei com medo do negócio ser POTENTE DEMAIS pra mim, mas fiquei bem feliz com o resultado. O meu tem DEZ intensidades diferentes, mas eu só consigo ir até a segunda rs.

O estímulo é idêntico ao do sexo oral? Não. A real é que nenhum brinquedo pode substituir outra pessoa 100%, né? É parecido, mas diferente. Uma sensação nova. O grande diferencial, é que o brinquedo se concentra totalmente no clitóris, que afinal é o nosso principal órgão de prazer.

Mas e aí, o sugador clitoriano é tudo isso mesmo?

Bom… É. No último mês, todos os outros brinquedinhos ficaram obsoletos. Não, não é um milagre, óbvio que nada vai fazer você gozar baldes em segundos. Mas eu nunca tive orgasmos tão fortes e tão rapidamente com um brinquedo antes. E olha que como eu sou sensível, às vezes sou meio chata de agradar.

Segurando o cabo por cima, dá pra apoiar o Satisfyer na barriga e ter aquele orgasmo bem preguiçoso. O brinquedinho também é super fácil de usar no sexo com parceirxs, e é uma possibilidade ótima para ampliar as possibilidades nas transas.

Resumindo, o preço é salgado, é. Mas na minha opinião, vale a pena.

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Carinha de quem está apaixonada rs

No Brasil, o sugador clitoriano mais em conta sai por em média R$ 200,00 mas os preços variam de marca para marca. Minha dica é ficar de olho em promoções para conseguir por um preço mais baixo.

Eu estou em lua de mel com o meu sugador, não vou nem mentir. Foi o meu dinheiro mais bem investido em muito tempo. Digamos que já recebi o retorno do que eu paguei em (muitos) orgasmos!

Comprando a pílula do dia seguinte na Alemanha

Para comprar a pílula do dia seguinte na Alemanha, é preciso passar por uma entrevista. Conto a minha experiência com tudo que você precisa saber.

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Fonte desconhecida

Moro em Berlim há três anos, e a experiência de comprar a pílula do dia seguinte por aqui foi um tanto surpreendente e estressante, por isso resolvi compartilhar com vocês.

Como contei em alguns vlogs, tomei anticoncepcional por quase dez anos, e decidi parar logo que me mudei para a Alemanha. Estava sentindo que a pílula me fazia mal, e parei de tomá-la por uma decisão consciente. Foi uma das melhores decisões que eu já tomei, mas isso é assunto para outro post. Fato é, que por conta disso, nunca havia precisado tomar a pílula do dia seguinte enquanto morava no Brasil.

Mesmo assim, conhecia bem o procedimento, porque acompanhei amigas que precisaram do tal “plano B”. Então eu sempre tive na cabeça que era uma coisa muito simples; só chegar na farmácia, pedir, e comprar. A pílula do dia seguinte também é bem barata no Brasil. Morando aqui na Alemanha, eu tinha na minha cabeça que o processo seria igualmente – ou até mais simples. Mas tive uma grande surpresa quando precisei deste recurso de emergência.

Foi numa tarde de domingo, em silencioso desespero, que eu fui fazer a pesquisa. A camisinha tinha estourado na noite anterior e para piorar, eu estava justamente no meu dia fértil. Decidi que ia tomar a pílula do dia seguinte pela primeira vez, abri o Google para descobrir onde poderia comprar. E foi aí que eu vi que a coisa não é tão simples assim.

Na Alemanha, é preciso passar por uma entrevista para comprar a pílula do dia seguinte

Quer dizer, já melhorou muito. Até 2015, a pílula não era vendida sem receita. Hoje em dia é possível comprar diretamente nas farmácias. Porém, pra isso, é preciso passar por uma entrevista com o farmacêutico, que tem o direito legal de negar a venda caso julgue conveniente.

A entrevista é uma coisa automática. Claro que é um pouco constrangedor, mas no meu caso, como já tinha lido a respeito, estava preparada. O farmacêutico me perguntou o motivo da necessidade da pílula do dia seguinte, se eu estava ciente de como funcionava, se eu já tinha tomado alguma vez antes e quando, meus hábitos em geral e meus hábitos sexuais, além de algumas perguntas sobre o histórico de saúde da minha família.

Depois de responder tudo, ele me explicou o funcionamento da pílula, me perguntou se eu entendia que era um procedimento emergencial e não podia ser usado como anticoncepcional regularmente, orientou que eu poderia ter efeitos colaterais, e me alertou que caso eu vomitasse nas próximas três horas iria precisar tomar outra vez.

Na hora de pagar, mais uma surpresa: O preço. Um pouco mais de 30 euros, o que é bastante. Para se ter uma ideia, eu gasto em média 20 numa compra de supermercado semanal. No Brasil, a pílula do dia seguinte é subsidiada – e também deve ser oferecida gratuitamente pelo SUS. Por aqui, até absorventes são taxados como itens de luxo, então não é de se surpreender que o preço seja alto.

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Na Alemanha, existem as Drugstores e Farmácias (Apotheke), e a pílula só pode ser encontrada em farmácias! Foto: © Hyde Flippo

Tomar a pílula foi uma experiência bem ruim, para ser sincera. Primeiro que eu não menstruei de cara como geralmente acontece – na verdade minha menstruação atrasou por dois meses, e eu fiquei totalmente paranoica que tinha engravidado mesmo as chances sendo pequenas. Depois que eu senti que ela deixou meu corpo super desregulado, e eu fiquei bem esquisita e indisposta por um tempão. É óbvio que a pílula do dia seguinte é um recurso que deve ser usado apenas em casos de emergência.

A pílula do dia seguinte é um recurso importante – mas como lidar com ele?

Essa história toda me deixou pensando muito. Afinal, o aborto é legalizado aqui na Alemanha, e na minha experiência pessoal, eu sinto muito mais igualdade de gênero no meu dia-a-dia do que no Brasil. Ainda assim, sinto que estamos mais avançados com a pílula do dia seguinte, mesmo a saúde reprodutiva da mulher sendo o maior tabu do mundo!

Dificultar o acesso é uma coisa boa? No fim das contas, a entrevista foi constrangedora porém indolor, e o farmacêutico me deu informações preciosas para eu poder administrar a pílula de maneira responsável e eficaz. MAS não podemos esquecer que eu estou em Berlim. A cidade mais liberal da Alemanha, de longe. O poder de negar a compra pode não significar muito aqui, uma das capitais do hedonismo do mundo, mas em cidades menores e redutos católicos, pode sim ser um problema.

Enfim, eu não tenho nenhuma conclusão sobre o assunto. Queria dividir minha experiência, para brasileirxs que precisem comprar a pílula do dia seguinte em terras germânicas saberem o que esperar. A melhor prevenção continua sendo sempre o uso do preservativo, mas que eu estou aliviada que a pílula do dia seguinte existe, ah, pode ter certeza que estou.

E no Brasil, com a criminalização do aborto, ela se torna mais importante ainda.

Vlog – Guia básico da pepeka

No vídeo dessa semana, udo de mais importante que você precisa saber sobre a anatomia da vagina, seu funcionamento e como cuidar dela direitinho.

Vlog: Histórias de horror no ginecologista

Recebo quase todos os dias mensagens de mulheres por causa do vlog que eu fiz esclarecendo dúvidas sobre o HPV. Geralmente, elas acabaram de receber o diagnóstico, estão confusas, desesperadas e com vergonha.
O vídeo que eu fiz tem informações muito básicas – que deveriam ser passadas pelos ginecologistas na hora do diagnóstico. Porém não é isso que acontece.
Isso é só um sintoma de um problema generalizado. Toda mulher tem uma história de horror de um ginecologista pra contar. Descaso, falta de informação, grosserias, abusos, slut-shaming… A lista é longa.
Numa sociedade em que a sexualidade feminina ainda é tabu, o consultório ginecológico deveria ser um oásis para mulheres discutirem sua saúde com informações precisas e longe de julgamentos. Mas não é o que a gente vê por aí.

No vlog dessa semana eu conto minhas histórias macabras de gineco pra levantar uma discussão sobre porque este atendimento fica cada vez mais precário.

 

Vlog – Afinal, o que é a candidíase?

Nessa época de calor, carnaval, ficar o dia inteiro fora de casa, com roupinhas apertadas… As chances de ter candidíase aumentam! Mas afinal, o que é candidíase? Pega no sexo? Como trata? E se temos com frequência, dá pra fazer alguma coisa? Tudo isso e mais no vlog de hoje!

Novembro Azul – A masculinidade tóxica também mata homens

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O Novembro Azul começou como uma iniciativa semelhante ao Outubro Rosa, com a ideia de conscientizar os homens sobre o câncer de próstata. Como o dia internacional de combate a este tipo de câncer é 17 de Novembro, na Austrália iniciou-se uma campanha que se estendeu por todo o mês, e acabou se espalhando para outros países. Nos Estados Unidos e em outros lugares muitos homens deixam apenas o bigode na barba como maneira de aderir à campanha, mas no Brasil o que pegou mesmo foi a cor azul.

Informação por informação, é claro que conscientização é sempre bem vinda, porém o Novembro Azul é um tema por vezes polêmico. A postura oficial do Ministério da Saúde é a recomendação que a campanha se estenda para o resto do ano, para que os homens continuem se examinando e consultando, não só em novembro.

Também como no caso do Outubro Rosa é preciso ter muito cuidado com muitas empresas querendo pegar carona na iniciativa para fazer publicidade. Com tanto auê é fácil se esquecer da causa inicial, e muitas vezes os produtos especiais do Outubro Rosa e do Novembro azul são vendidos com uma porcentagem irrisória para institutos de prevenção e pesquisa – quando muito.

Portanto é importante sempre nestas campanhas de conscientização lembrar do que realmente está em jogo – e não quais produtos na cor do mês você pode comprar.

Câncer de próstata é coisa séria

Digressões à parte, polêmica ou não, a campanha trata de algo muito sério. Perdendo apenas para o câncer de pele, o câncer de próstata é o mais comum entre homens no Brasil e também o mais fatal. Embora seu surgimento seja mais comum na terceira idade, as populações pardas e negras sofrem com sua incidência em homens mais jovens – casos em o que câncer também é mais agressivo.

Apesar disso, o número de homens que vai ao médico fazer o exame preventivo é alarmantemente baixo. O que é um dado absurdo se considerarmos a detecção precoce do câncer de próstata é a maior aliada às chances de cura.

O procedimento combina o exame de sangue PSA com o toque retal. A recomendação geral é que os homens façam a consulta anualmente a partir dos 50 anos, mas esta idade pode diminuir dependendo do paciente (casos de câncer de próstata na família, estilo de vida, entre outros fatores). Portanto, o urologista deve sempre ser consultado.

Bom, aí chegamos ao ponto principal. Para mim, o fato de muitos homens infelizmente não detectarem o câncer nos estágios iniciais está ligados a dois fatores; um, existe um “tabu” em torno do exame de toque. Dois, homens em geral não vão ao médico e costumam ser péssimos administradores da própria saúde.

Contei em detalhes no meu vlog sobre o HPV como é feito o exame papanicolau em nós mulheres – exame este que geralmente precisamos fazer anualmente desde o início da vida sexual. O procedimento é desagradável e invasivo – muito, muito mais invasivo do que um exame de toque.

Procedimentos médicos em geral são desconfortáveis. Ninguém gosta de levar agulhada, de se submeter a posições extenuantes, sentir dor ou incômodo. Contudo, se levarmos em consideração vários exames que precisamos fazer muitas vezes ao longo da vida, o exame de toque retal, por si só não parece tão ruim.

O problema é claro não é o procedimento em si, mas sim a carga psicológica que ele evoca. Num modelo em que a honra e masculinidade do homem se fortalecem à medida que ele se afasta de qualquer associação ao signo feminino, a ideia de ser penetrado – mesmo que para um exame, para muitos pode ser um horror.

É até engraçado pensar nisso, mas a verdade é que muitos homens preferem colocar a própria saúde em risco do que fazerem algo que para eles está associado a um comportamento feminino ou homossexual (pra gente ter ideia do quanto essa masculinidade tóxica tem os alicerces bem fincadinhos na misoginia e na homofobia – ter câncer é pior do que ser mulher ou um homem gay).

Soma-se a isso o fato de que os homens estatisticamente vão menos ao médico. Inclusive 60% dos que vão só chegam ao pronto-socorro quando estão com doenças em estágios avançados.

Este dado muitas vezes é inclusive citado como argumento anti-feminista. Só que homens vão menos ao médico por razões profundamente machistas. Eles associam consultórios com pessoas “vulneráveis” como mulheres, idosos, e crianças, e para muitos estar entre essas pessoas é um atentado contra a própria masculinidade.

Pior ainda, os homens estão acostumados a não agirem como se a sua própria saúde fosse sua responsabilidade, delegando às mulheres na sua vida esta obrigação. 70% do homens ADULTOS só vão ao médico acompanhados das mulheres. Falei no meu texto sobre a importância do uso da camisinha de como os homens não só muitas vezes insistem em ter uma vida sexual irresponsável pulando o uso do preservativo como também não têm o costume de fazerem exames regulares de infecções sexualmente transmissíveis.

Um exemplo bem concreto de toda esta realidade é o caso do ciclista Vinícius Zambrião, que não fez os exames preventivos e só foi descobrir um câncer de próstata após a namorada insistir que ele fosse ao médico para verificar uma alteração nos testículos. Chega a ser quase inconcebível que um homem adulto precise deste tipo de incentivo para cuidar da própria saúde.

A masculinidade tóxica cria homens que são crianças em corpos de adulto.

Homens que são incapazes de praticar o auto amor e auto cuidado por consequência também são incapazes de amar e cuidar de outras pessoas; são pais piores, companheiros piores, mais infelizes, e muitas vezes, doentes.

A responsabilização pela própria saúde tem de passar pela auto reflexão.

A masculinidade não torna os homens perigosos só para os outros, mas também para si mesmos. Neste Novembro Azul, vamos sim continuar lembrando nossos pais, avôs, irmãos, tios, que eles precisam ir ao médico, neste mês e em todos os outros. Mas também vamos falar sério de saúde do homem, para que haja uma mudança de atitude.

Quem sabe assim um dia vamos viver em uma sociedade em que cuidar da saúde não é uma coisa ruim porque é coisa de mulherzinha.

É coisa de adulto.

Vlog – Testei a camisinha feminina!

Enrolei um tempão para testar o preservativo feminino por desconfiar se ele ia funcionar bem. Como colocar, como tirar? Será que incomoda? A resposta é: Tudo é muito mais tranquilo do que você provavelmente imagina!

Quem tem medo de educação sexual?

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Nunca vou esquecer a primeira aula de educação sexual que eu tive. Tinha dez anos de idade, estava na quarta série. Numa aula de ciências, em que o currículo programático nos mandava estudar sobre os sistemas do corpo humano, finalmente chegamos ao sistema reprodutor.

Estávamos todos na sala muito empolgados e curiosos, muito mais do que jamais estivemos para conhecer nossos órgãos. Aturando muitas piadinhas e risadinhas, a professora nos conduziu pela matéria. Aprendemos quais eram e onde ficavam nossos órgãos reprodutores. Aprendemos como funciona a menstruação. Aprendemos como ocorre a fecundação de um óvulo.

Ao longo da minha adolescência, nos anos seguintes, aprofundamos os temas. Falamos de sexo seguro, de preservativos. Aprendemos sobre os sintomas de ISTs. Falamos de ciclo reprodutivo e métodos anticoncepcionais. Falamos sobre ginecologia, urologia e acompanhamento médico para a saúde sexual.

Minha educação sexual na escola me ofereceu o básico do básico, e muitas vezes deixou a desejar. Não foi no banco da escola que aprendemos sobre orientação sexual, sobre identidade de gênero e transsexualidade. Quem sabe isso teria evitado que um dos meus melhores amigos, gay, sofresse uma tentativa de espancamento de colegas no segundo ano do ensino médio? Mal e mal falamos de masturbação, e jamais ouvi dizer que era normal que mulheres também fizessem. Talvez isso teria evitado a culpa terrível que eu senti quando comecei a me masturbar. Nunca tocamos no assunto de consentimento. Quem sabe isso poderia ter evitado muitos estupros e assédios sofridos pelas minhas amigas e colegas ao longo dos anos?

Quando a gente queria uma informação mais picante recorria à Internet, às revistas como a Capricho, ou às amigas mais experientes. As informações sobre orgasmo, sobre sexo oral, sobre fantasias sexuais, tudo isso era tabu. Mas o básico do básico, para conhecer o meu corpo, eu aprendi na escola.

Ensinar educação sexual é ensinar sobre saúde

Muito triste ter que dizer uma coisa tão óbvia, mas conhecer como nosso corpo funciona é uma questão de saúde. Como cuidar bem de nós mesmos, ou saber quando há algo de errado, é essencial para que possamos viver vidas mais saudáveis. Por isso também temos aulas sobre como funcionam todos os sistemas do nosso corpo. Precisamos conhecer o funcionamento do sistema digestivo, do nosso aparelho respiratório, do nossos sistema nervoso.

Por que seria diferente com o sistema reprodutor?

A educação sexual oferece informações essenciais para que os jovens possam navegar a sua sexualidade com consciência sobre infecções sexualmente transmissíveis, métodos anticoncepcionais, e sua saúde em geral.

Estamos em 2018. Não é possível que vamos achar que jovens não fazem sexo, ou que se negarmos este tipo de informação, adolescentes vão entrar em abstinência sexual. A descoberta da sexualidade é uma parte natural da vida, e o sexo só é perigoso quando é feito sem informação. Conversar com seus filhos é fundamental para que as escolhas quanto ao sexo sejam conscientes e não traumáticas.

Eu fui perder minha virgindade depois dos vinte anos, enquanto outros colegas o fizeram aos quinze. Recebemos a mesma educação sexual, e isso não influenciou na nossa inicialização.

O desmonte não vem de agora

A educação sexual, bem como o progresso educacional, vem sofrendo ataques sistemáticos há alguns anos, provenientes da ingerência religiosa que quer promover a ignorância a todo custo em nosso país. Porém estamos agora diante do ataque mais flagrante à educação sexual de qualidade no Brasil.

O projeto intitulado Escola Sem Partido, que vem ganhando força com o levante conservador/religioso que vivemos no Brasil atualmente, propõe eliminar a educação sexual do currículo de ciências biológicas dos ensinos fundamental e médio. A justificativa se baseia numa paranoia que estes ensinamentos serviriam para “moldar o juízo moral” dos jovens.

Eu de verdade queria muito saber quem em sã consciência acredita que o interesse dos adolescentes por sexo vem da escola e não o contrário. Não é de agora que os jovens procuram saber todo o tipo de informação sobre o tema assim que começam a sentir as primeiras pontadas da puberdade. Sexo é uma parte natural da condição humana, e uma parte importante do nosso amadurecimento.

Existe abundância de informação de todo tipo sobre o sexo na Internet. Não sei como dizer isso sem ser direta: É ingenuidade acreditar que adolescentes não vão se informar sobre sexo se a escola não oferecer mais educação sexual. Estaremos apenas negando a parte mais técnica e chata da informação – justamente a mais importante para a nossa saúde.

Este é o pior momento para fazer isso

Aprender sobre educação sexual na escola é aprender sobre o funcionamento do nosso corpo e nossa saúde, mas é também levantar pontos importantes sobre o sexo que podem deixar nossa sociedade mais justa e segura. Este é o pior momento para negar aos jovens informações tão preciosas, por vários motivos.

Estamos vivendo epidemias de DSTs, principalmente entre os casais heterossexuais

O Brasil está passando por um aumento perigoso nos casos de diversas infecções sexualmente transmissíveis, que podem ser prevenidas com o uso de preservativo. Ano passado, o país sofreu uma epidemia de sífilis, doença que há muitos anos estava praticamente erradicada. Ademais, o HIV vem se espalhando entre os jovens de uma maneira silenciosa. Os casos dobraram em menos de dez anos, e entre os grupos de risco, estão as mulheres heterossexuais em relacionamentos estáveis (vítimas muitas vezes da infidelidades de seus parceiros “cidadãos de bem” e “defensores da família”).

Falar sobre o uso de preservativos, sobre como as DSTs são transmitidas, quais suas causas e consequências, e como preveni-las, é parte fundamental do currículo de educação sexual e uma informação essencial para qualquer jovem antes que a vida sexual se inicie. Estamos vivendo um momento crítico em relação a infecções que podem ser fatais, e negar este tipo de informação com toda certeza agrava – e muito – o quadro.

Estamos matando nossos LGBTs

Quer uma estatística deprimente? O Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo – um a cada 19 horas. São cidadãos, jovens, velhos, que trabalham, sonham, dão duro todos os dias. Sou eu. São os meus amigos. São os LGBTs na periferia que sofrem ainda mais discriminação e violência.

Sim, precisamos abordar orientação sexual nas escolas, porque é uma questão de humanidade. O Brasil tem um problema crônico e gravíssimo de homofobia, cujas raízes estão calcadas na ignorância a respeito do tema. Não venha me falar de religião. Todas as religiões, inclusive a cristã, pregam tolerância e amor ao próximo. LGBTs existem, são vulneráveis e estão sendo vítimas de violência, todos os dias. A sua religião aprova isso? Aposto que não.

Não existe curso para aprender a ser gay, minha gente. Quem dera os treze anos do governo do PT tivessem tanto a pauta LGBT em mente quanto a direita conservadora gosta de alardear. Se estamos a mercê de uma agenda gay, porque ainda somos o país mais perigoso NO MUNDO para um homossexual viver? Só podemos parar esta violência educando sobre orientação sexual, e estimulando uma sociedade igualitária e tolerante (não estamos mais na idade das trevas, estamos em 2018, vamos começar a agir de acordo, por favor).

Educação sexual é uma ferramenta de proteção para mulheres e crianças

Além das informações básicas sobre DSTs, e doenças como câncer de mama e de colo de útero, a educação sexual é fundamental para as mulheres. Nada menos que cinco mulheres morrem por dia no nosso país por questões relacionadas à gravidez. Em 2014, os abortos clandestinos levaram 200.000 brasileiras aos hospitais por complicações decorridas do procedimento.

Não vou discutir descriminalizar aborto aqui, isso pode ser assunto para outro post. Minha questão é, se somos totalmente contra a interrupção da gravidez não desejada, precisamos oferecer às mulheres a informação e as ferramentas adequadas para que ela possa prevenir que isso aconteça – isso inclui acesso à meios contraceptivos. Anticoncepcionais, preservativos, pílula do dia seguinte.

Mais do que garantir o acesso das mulheres a estes recursos, é fundamental que elas saibam usá-los corretamente. Somente uma educação sexual de qualidade pode garantir que as brasileiras tenham as informações corretas para viver sua sexualidade de maneira plena e segura.

Ou vocês vão me dizer que acreditam que a partir de agora todo mundo só vai transar pra se reproduzir?

Sem contar o número alarmante de abusos e estupros de crianças e adolescentes no Brasil, cuja maioria ainda acontece dentro de casa. Crianças, em sua maioria mulheres, são vítimas dos abusos de pais e padrastos, como no horrorizante caso recente do homem que estuprou a filha sistematicamente por dois anos, como compensação pelos gastos que tinha com ela com coisas como roupa e alimentação. Aprender o que é sexo na escola e saber diferenciar o que pode ser feito do que é abuso pode ser o que salva uma criança de uma situação dessas.

De maneira geral, não podemos confiar apenas que os pais passem informações sobre educação sexual para os filhos, simplesmente porque por mais bem intencionados ou informados que sejam, educação sexual é principalmente conhecimento científico.

Informar detalhadamente sobre o funcionamento do corpo, sobre infecções sexualmente transmissíveis e métodos anticoncepcionais deve ser dever de quem tem o conhecimento especializado na área. Não esperamos que os pais ensinem aos seus filhos sobre números complexos, sobre como resolver uma equação de saponificação, ou o funcionamento do sistema nervoso. Este conhecimento pode ser complementado em casa, mas é primeiramente dever da escola.

Estamos na contramão do mundo

Dar passos para trás em relação a educação sexual nas escolas é fazer justamente o contrário do que o resto das nações está fazendo, principalmente as mais desenvolvidas. Na Alemanha, onde eu moro, a educação sexual é obrigatória nas escolas, e não engloba apenas os aspectos biológicos do funcionamento do corpo humano, mas também questões de identidade de gênero, sexualidade e relacionamentos.

Numa decisão histórica, a Escócia, país onde vivi por um breve período, acaba de aprovar uma lei que torna obrigatório o ensino sobre a população LGBT+ nas escolas. O novo currículo contará com aulas sobre homofobia e a história dos movimentos sociais LGBT, protegendo e acolhendo alunos da comunidade desde cedo.

A própria UNESCO recomenda a educação sexual como parte do currículo escolar como maneira de garantir que os jovens tenham uma vida sexual segura e responsável, já que as pesquisas apontam que mais informações garantem uma relação mais sadia com o sexo, e não o contrário.

Negar informação é uma forma de oprimir

Do ponto de vista ético, temos o dever enquanto sociedade de dar aos nosso jovens as ferramentas necessárias para que eles entrem na vida adulta capazes de cuidarem de si mesmos. Olhando para as estatísticas atuais, fica claro que omitir informações preciosas neste caso é uma forma de violência, já que estamos negando aos nossos conhecimento que interfere em saúde física e psicológica.

Falando em especial do caso das mulheres, para mim está muito claro que a nossa sexualidade é uma das ferramentas mais utilizadas para a prática da opressão. A liberdade e autonomia femininas começam a ser restringidas em relação nosso corpo desde que somos crianças – somos vigiadas e cerceadas em relação a nossa aparência, como nos vestimos e comportamos e se espalha por todos os aspectos de nossas vidas – nossa sexualidade é associada ao nosso caráter e pode impactar nossas escolhas profissionais, de relacionamento e na maternidade.

Para mim garantir mais liberdade para as mulheres passa necessariamente pela libertação sexual. Devolver para as mulheres sua autonomia sexual é um ato de empoderamento real, porque para além de podermos fazer o que quisermos, retiramos da mão do opressor uma das suas principais armas para nos controlar.

Basicamente, para exemplificar, numa sociedade em que o caráter de uma mulher não está associado ao que ela veste, uma saia curta não pode ser uma justificativa aceitável para um estupro. Numa sociedade em que a maternidade não é vista como punição à mulher pelo ato sexual, os pais precisam assumir seus deveres paternos com responsabilidade e diligência.

A quem serve este salto para trás?

Bom, se a educação sexual é uma fonte de saúde física e mental, a quem interessaria retirar este direito dos nossos jovens? Pessoalmente eu concordo com a ideia de que o que testemunhamos no Brasil hoje é um levante da masculinidade tóxica. Homens que cresceram acreditando que merecem glória e afeto por terem nascido homens e sentem ameaçados e cerceados com a possibilidade de mais igualdade, e querem reafirmar sua relevância dentro da sociedade resgatando valores antigos de uma época em que eles se sentiam mais respeitados e valorizados – mesmo que às custas da opressão de outrem.

No fim, os homens sempre gozaram de mais liberdade sexual e como consequência tiveram mais acesso à informação sobre o tema. Para um homem falar sobre sexo, masturbação, fantasias sexuais, é um sinal de virilidade. Meninos são encorajados a iniciarem a sua vida sexual cedo, e o sexo é considerado coisa de homem, algo que os meninos devem ouvir e falar sobre como uma parte do processo de amadurecimento.

Portanto fica claro que o retrocesso serve apenas para uma parte da população. Não estamos negando conhecimento a todos – estamos negando conhecimento principalmente a mulheres, crianças, e LGBTs. Com isso, quem continua ditando as regras da sexualidade no Brasil são os homens – e o sexo continua a servir como algo que existe apenas para satisfazê-los.

A parte mais cruel disso tudo é que estamos negando proteção básica e saúde a quem mais precisa. São justamente as mulheres, os homossexuais e transsexuais e as crianças os grupos mais vulneráveis e mais propensos a sofrer com abusos, doenças sexualmente transmissíveis e gestações indesejadas.

Para mim, usar religião para justificar um retrocesso dessas proporções, num país cuja população já sofre com as consequências de educação sexual inadequada, é imoral. Educação sexual só assusta quem tem a ganhar mantendo nossos jovens no escuro e em risco. E quem não depende somente da escola para se informar e se proteger.

Precisamos falar sobre camisinha

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Fonte: Getty Images

Pois é, gente. No encalço do dia internacional de luta contra a AIDS, primeiro de dezembro, vamos falar sobre essa coisinha de plástico que foi criada pra que a gente pudesse transar por aí sem ter que lidar com gravidez indesejada nem doenças sexualmente transmissíveis.

Primeiro, alguns dados que por mais que sejam repetidos vezes e vezes, parecem que não entram na cabeça da galera: Em 2014 um estudo revelou que os casos de infecção por HIV no Brasil aumentou 50% em seis anos. Sim, você leu direito. CINQUENTA POR CENTO.  

Isso sem contar outras doenças sexualmente transmissíveis. A cada ano, mais de um milhão de pessoas contraem gonorreia. Os casos de herpes genital ultrapassam 600.000. Sem falar na atual epidemia de sífilis que está acontecendo no país, cuja principal causa é justamente a falta de uso do preservativo.

Cruzo esses dados estatísticos com a minha vivência pessoal e a de muitas amigas e eu começo a ver um padrão muito preocupante. Muitos homens não fazem questão ou mesmo se recusam a usar camisinha na hora do sexo.

As desculpas são muitas. Já ouvi muitos relatos de homens que não conseguem manter uma ereção com camisinha, ou que pedem pra começar sem, ou a clássica, “não dá pra sentir nada, é como chupar bala com papel”. Inúmeras vezes aconteceu comigo de eu pegar a camisinha e o sujeito me perguntar, “ué, mas você não toma pílula?”

Eu me pergunto, será que os homens acham que são imunes aos riscos do sexo inseguro?

Sinceramente, está difícil de entender vocês, rapazes. Primeiro e óbvio que você não me conhece direito, nem sabe sobre a minha saúde. Então pra que se colocar em risco desse jeito? Outra que, em uma one night stand, como é que você vai saber se eu tomo a pílula regularmente? Você confia cegamente nisso o suficiente para não se preocupar nem um pouco com uma gravidez indesejada?

É fato estatístico que os homens morrem mais cedo e vão menos ao médico. E quando eu ouço e vivo este tipo de coisa, ainda fico abismada com a displicência com a qual muitos homens tratam a saúde e o bem-estar. Próprio e dos outros ao seu redor. É fato que muitas mulher também não gostam e se recusam a usar camisinha. É fato também que ser soropositivo não é sentença, e os tratamentos de hoje garantem qualidade de vida para os portadores de HIV. Mas o tratamento é para a vida inteira, e uma coisa tão simples quanto camisinha pode prevenir. De novo, pra que arriscar?

Não quero mentir e ser moralista, e dizer que nunca escapei e transei sem camisinha, porque não é verdade. Já dei minhas escorregadas sim, mas acho que isso não é exemplo pra ninguém. Principalmente nos momentos em que não tenho parceiro fixo, sempre levo a camisinha na bolsa. Agora, o que é impressionante é em 90% dos casos, sou eu quem toca no assunto, ou pega a camisinha.

A impressão que dá é que se eu não falasse nada, rolaria sem. A minoria dos caras com quem eu transei tomou a iniciativa de colocar a camisinha. Quando converso com as minhas amigas sobre o assunto, escuto a mesma coisa. Sem contar as vezes que eu fui pressionada a não usar, culminando numa vez que eu me recusei incisivamente a transar sem camisinha com um cara que estava insistindo muito que “não tinha nada”, e tive que escutar um “ah, então você é uma dessas mulheres egoístas?”.  Respondi que era sim, peguei minhas coisas e fui embora.

Claro que este sujeito foi o ápice, mas essa sensação de que você está sendo “chata” quando pede para o cara encapar o menino é frequente. Eu só queria entender, porque na minha cabeça, é uma coisa mútua. Eu estou me protegendo e te protegendo. Deveria ser natural para os homens também quererem se preservar, mas parece que não é com eles.

Uma vez tive uma conversa séria com um peguete sobre isso, e ele me disse que tinha dificuldade que manter a ereção com a camisinha, e que ele achava que isso prejudicava muito a performance. Ele até me mostrou pesquisas que estão sendo feitas para criar preservativos mais ergonômicos e modernos, para substituir os que temos agora.

Eu acho que é muito bom que a gente possa ter em breve camisinhas mais confortáveis, mas não dá pra esperar esse dia e ter sexo desprotegido até lá. Ah, e mais uma coisa. Não existe isso de “camisinha pequena demais para o meu pau”, tá? Aqui está uma foto de uma cantora que colocou uma camisinha até o joelho para provar que não existe. Se o seu pinto é maior do que isso, você precisa ser estudado pela ciência. Estamos combinados?

Um momento de prazer não vale o risco

Pessoalmente, eu também prefiro transar sem camisinha. Eu também acho mais gostoso. Mas eu acho que precisa entrar na cabeça dos caras que não dá pra fazer sem quando você acabou de conhecer a pessoa. Tem que ser automático na cabeça das pessoas, sexo = preservativo. Se quiser fazer sem, podemos fazer os exames e aí começamos.

O que nos leva a outro assunto. Uma em cada cinco pessoas contaminadas pelo vírus HIV não sabe. Lembrando que quando a AIDS não está sendo tratada é que o risco de transmissão é maior. Estou acostumada a fazer os exames de sangue para DSTs anualmente, junto com o papanicolau, o ultrassom, etc. Acho que como nós mulheres já estamos acostumadas a cuidar da nossa saúde sexual, fica mais natural incorporar na rotina.

Agora, para os homens, que já vão menos ao médico, parece que fazer este tipo de exame é raridade. O ex namorado de uma amiga recebeu a notícia que uma menina com quem saiu um tempo era soropositiva. Minha amiga insistiu para que ele fosse fazer o exame, já que eles estavam transando sem preservativo, e ele ia deixando sempre para amanhã, como se não fosse problema dele. No fim, ela foi se consultar primeiro, para saber o resultado.

No meu último relacionamento, eu tinha acabado de fazer todos os meus exames quando começamos a namorar. Usávamos camisinha, e pedi para que ele também fizesse os testes pra gente poder transar sem. Adivinha quem enrolou e adiou? Transamos sem camisinha, com a promessa de que ele faria os exames logo, mas no fim, eu que tive que refazer os exames.

Eu acho que eu nem deveria ter que pedir uma coisa dessas duas vezes, é o mínimo de consideração e respeito com alguém com quem você se importa. Mas eu ouço esse tipo de história o tempo todo. Os meninos não querem ir fazer o teste. Lembrando que o exame é feito gratuitamente pelo SUS e o resultado sai na hora. É fácil e rápido. Não tem desculpa, gente. Não tem.

Detesto ter que dar essa bronca sobre uma coisa que deveria ser óbvia, mas aparentemente é necessário. E de novo: Sei que muitas meninas também não gostam e se recusam a usar camisinha, mas o meu papo hoje é com os meninos. Sexo é uma delícia, e não deve ser motivo para transtorno e tristeza.

Se cuidar e se prevenir é algo que você deve fazer por você, pela sua saúde. E também pelas pessoas com quem você se relaciona. As que você vai namorar e as que você vai passar só uma noite. Sexo é troca, e requer cuidado mútuo.

Então vamos usar camisinha. De morango, de limão, de uva, que esquenta, que esfria, com ranhuras, extra grande, que brilha no escuro, que vibra. Mas vamos usar. Da próxima vez que você ver um comercial de camisinha na TV, saiba: É pra você. Eles estão falando com você.