Vulgar sem ser sexy

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Fonte: Pinterest

Acho que esse clichê sempre caiu muito bem para me definir. Minha relação com minha sexualidade sempre foi conflituosa e difícil – ao mesmo tempo que sempre foi parte importantíssima da minha identidade, lidar com isso nunca foi algo natural pra mim.

Fui criada num ambiente bem repressor sexualmente falando – uma família dominada por homens, extremamente machista. Uma escola dominada por preconceitos, extremamente religiosa. Durante toda a minha adolescência, eu fui uma menina magrela, desengonçada, esquisita. Sempre era a última a fazer tudo – a última a beijar, a última a transar – e ainda assim sempre tive de reputação de fácil ou de piranha, apesar de ter uma vida social inexistente – e de ter certeza de que ninguém nem ao menos se interessava por mim para ter a fama de fácil em primeiro lugar. Lembro de ouvir amigas ficando com carinhas cafajestes, que as enrolavam, as usavam, e enquanto elas choravam as pitangas, sentia uma pontada muito clara de inveja – eu não parecia ser boa o suficiente nem para ser usada.

Apesar de tudo, sentia que meu exterior de extrema timidez e introversão eram completamente incompatíveis com a pessoa que eu era por dentro. Eu sempre fui alguém com a libido extremamente alta – desde que descobri o que era sexo gasto a maior parte do meu tempo pensando a respeito. Minha imaginação fértil sempre compensou minha pouco vivência criando fantasias vívidas e sórdidas. Eu desejava ardementemente poder ser a pessoa que eu era – poder externalizar toda essa minha natureza sexual, conseguir colocar pra fora o que estava por dentro.

Como todas essas questões complicadas de personalidade que a gente tem, foi um processo. Foi no início da vida adulta, aos poucos, que fui começando a me sentir à vontade na minha própria pele para dar vazão à minha personalidade. As roupas, o comportamento, tudo que eu tinha para dizer. Fui tirando os meus filtros, um a um, e revelando toda essa vulgaridade que eu tinha por dentro.

Vejam bem,eu advogo vulgaridade. Talvez porque eu não tenho escolha, e acaba sendo uma autodefesa. Talvez porque  eu ache mesmo que as coisas que a gente faz sem refinamento, sem pensar demais, sem editar demais, são as mais sinceras. Sempre fui alguém de natureza muito intuitiva e é libertador para mim finalmente dar ouvidos aos desejos que urravam por dentro. Tenho bem claro na minha cabeça que não tem nada de errado em ser assim, porque eu simplesmente sou, é algo que vem tão naturalmente de dentro, que não tem razão de não ser.

Porém, nem sempre é fácil. Para ter coragem de ser que eu sou, pago o preço nas minhas interações sociais. Eu consigo sentir as pessoas ficando desconfortáveis ao meu redor – quando eu falo palavrão demais, quando eu sou muito gráfica em descrever minhas putarias, quando eu me abro demais rápido demais. Nessas horas, eu fico pensando que eu queria muito mesmo conseguir ser uma pessoa reservada e discreta. Que tudo na minha vida seria mais fácil se eu não tivesse essa personalidade hiperbólica e dionisíaca.

Na minha vida amorosa, isso se multiplica. Para começar com o óbvio, digamos que #piranhastambémamam. O fato de eu ser uma pessoa sexualmente libertina, ficar com muita gente, ser aberta à experimentar, não significa que eu não me envolva, ou queira apenas sexo. Enfim, é óbvio, mas parece que não pra todo mundo. Me frustrei muitas vezes sentindo o julgamento de pessoas por quem estava apaixonada. Por muitas vezes fui trocada por um tipo tão específico de mulher que isso me criou um complexo.

Sabe aquelas meninas, discretas, dignas, reservadas, com um comportamento quase blasé, que sempre parecem estar acima de tudo isso? Elas se divertem, bebem, mas sem dar PT. Elas sabem rir de uma piada, mas não alto demais. E principalmente, elas são capazes de amar, mas sem exageros. Elas estão sempre nos cantos, cercadas por uma aura de ~mistério. Logo eu, que sempre me faltou indiferença ao que quer que seja, fui me interessar por gente que gosta deste tipo. Nem preciso falar que não tenho chances.

Nessas horas fica difícil continuar no meu propósito de seguir firme sendo a pessoa que eu sou, apesar dos pesares. Lembro de uma briga horrível que tive com um carinha por quem estava apaixonada. Ele me olhou bem no olho e disse:

– Você é uma ridícula, fica falando um monte de putaria e todo mundo está rindo da sua cara e você nem percebe.

Ele basicamente enfiou a botina em uma das minhas maiores inseguraças. Essas palavras me machuram muito, porque tocaram num dos meus maiores medos: De ser ridícula, por ser como eu sou, assim, vulgar, exagerada, extratosfericamente libidinosa.

Estou apredendo a fazer as pazes com a minha natureza vulgar sem ser sexy, simplesmente porque fingir que eu sou outra pessoa é exaustivo. Aprendendo que eu não posso oferecer para as pessoas o que elas gostariam que eu fosse – essa versão mais light de mim. Apenas o que eu sou. E também que se tem gente que vai me reduzir a isso, paciência. Quem é importante para mim sabe que eu sou sim essa pilha de energia sexual – mas também muito mais do que isso.

Por fim, talvez eu seja sim ridícula, e seja incapaz de não continuar agindo de maneira ridícula. Vou continuar usando roupas estupidamente curtas para a minha idade, ficando com todo mundo que der vontade, falando – e escrevendo! – todas as barbaridades que passam pela minha cabeça. Pelo menos hoje em dia eu consigo dizer que sou muito mais quem eu sempre quis ser – e por enquanto está bom.

8 Instagrams safadinhos para seguir

Certo, certo, a gente sabe. Todo mundo está no Instagram, inclusive eu. A rede social é uma das mais divertidas, em que dá pra curtir conteúdo dos amigos sem muita enrolação. Mas o que nem todo mundo sabe é que nem só de fotos de comida, selfies e #blessed vive o Instagram. Embora a rede social tenha políticas estritas para nudez, vários perfis interessantes trazem uma abordagens diferentes e inovadoras sobre diversos aspectos do sexo e erotismo sem cair nos clichês de sempre e conseguindo burlar a censura. Vale a pena seguir. Só cuidado para não passar pelo feed em locais onde as pessoas podem ver a tela do seu celular, hehe! O conteúdo não é exatamente ~SFW.

Cystisk 

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Nesta conta, a artista sueca Lisa Broms posta pinturas de sua autoria com conteúdo erótico. As imagens são de cair o queixo, com uma pegada bem artística. Vale a pena pela visão abstrata e subjetiva do erotismo e nudez.

Nudegrafia

A conta tem mais de 300.000 seguidores e é administrada pela Tai Melo. Porém, gravuras e pinturas de outros artistas também abrilhantam a coleção. Em geral, os desenhos têm uma pegada de gravura, e mostram diversos tipos de casal em cenas eróticas. É sexy, mexe com a imaginação e sai do comum.

Kakaakuh

Conheci o trabalho da Carol Cunha, minha conterrânea, na minha última estadia em BH, quando ela estava divulgando seu trabalho nos bares do Maletta. Os desenhos dela são super inusitados e irreverentes, e misturam erotismo com insolência. Os que juntam Pokemón com sacanagem são imperdíveis.

Everydayemil

O perfil mistura vários tipos de fotos e ilustrações, mas vale a pena mesmo pelas ilustrações que juntam pênis com objetos do dia-a-dia. Divertido, original e safadinho do jeito que a gente gosta.

Vintagerotica

#1970s #Easter #1979 #HappyEaster #DeniseMcConnell

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Unindo o clássico com a sacanagem atemporal, o Vintagerotica tira do baú bastante conteúdo erótico, mostrando que safadeza sempre esteve na moda. A conta foca bastante em ensaios femininos, muitos da Playboy, mas também mostra cenas de filmes e quadrinhos que mostram que nossos ancestrais não deixavam nada a desejar quando o assunto é erotismo. Ótimo pra se inspirar e caprichar naquela sessão de nudes.

Stephanie_starley

Possivelmente o perfil mais famoso da lista, a artista e videomaker Stephanie Starley cria vídeos com frutas que mexem com a imaginação de todo mundo. Para você que achou que a conta só se tratava de #ppk, fica a dica, também tem uso criativo de bananas e beringelas 😉 Inusitado e original, também serve para mandar como #dica para aquele boy que não sabe muito bem o que fazer na cama, que a gente sabe que tem de monte.

Jacqthestripper

#HUNGRYSTRIPPERS, both figuratively and literally jacqthestripper.com/shop 🍕

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Já imaginou como é a vida das strippers? Pois esse perfil conta pra você. A americana Jacq, veterana na profissão e também cartoonista e comediante faz quadrinhos sincerões sobre como é o dia-a-dia das strippers, como lidar com aqueles clientes escrotos, e as perguntas condescendentes que invarialmente aparecem, tudo com um humor negro bem cáustico. Não dá pra não seguir.

The.Vulva.Gallery

O The.Vulva.Gallery é um perfil que existe para divulgar e enaltecer a beleza de todos os tipos de pepeka que existem. Nós mulheres não somos acostumadas a conhecermos nossas vaginas tão bem, e isso acaba gerando um monte de inseguranças. Será que a minha é normal? Será que ela deveria ser assim? As gravuras desse perfil celebram as diferenças de cada uma, mostrando pra gente que todas são lindas – cada uma do seu jeitinho.

Naquele ano novo

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Fonte: Pinterest

Tinha acabado de fazer 18 anos quando conheci a T. Estava passando as férias em uma cidadezinha do interior de Minas chamada Lagoa da Prata, que eu sempre ia para visitar meu amigo Gabriel. Só que aquelas férias eram diferentes: Tinha acabado de me formar no ensino médio e era maior de idade, o que significava que eu ia garantir legalmente o suprimento de álcool de todo rolê.

Num dia sem fazer nada ao redor da lagoa, ela chegou. Pôs a minha adultisse no chão. A T. usava uma jaqueta de couro, óculos escuros, tinha um corte de cabelo descolado. Ela tinha 18 anos há pouco tempo também, mas já tinha saído da casa dos pais há anos, para cursar o ensino médio em outra cidade. Ela contou que tinha acabado de terminar um relacionamento, que era complicado, porque ela morou por um ano com a menina. Acendeu um cigarro, ajeitou a jaqueta e ficou contemplando a lagoa.

Naquela época, eu era uma pamonha. Nunca fui tímida, mas eu era insegura demais para ficar a vontade na presença dos outros. Não sabia como agir, não sabia me colocar, tinha medo e vergonha de soar errada. Tinha vergonha de ser tão magrela, usava as bermudas que roubava do meu pai, meu cabelo estava eternamente preso num rabo de cavalo sem graça. Ainda ia demorar muito tempo para eu conseguir me sentir confortável para ser a pessoa que eu era.

Fiquei interessada na T. logo de cara, mas imaginei que ela nunca ia me querer de volta. Imagina, a menina era toda experiente, até morado com outra garota tinha, e eu no máximo tinha dado uns amassos em banheiros públicos depois de muito álcool. Além disso, ela tinha acabado de terminar o namoro, estava chateada. Afastei a ideia da minha cabeça e passamos dias ótimos, fazendo piadas enquanto andavamos de uma ponta a outra da cidade, pensando em como ia ser o futuro quando a vida parecia uma página em branco.

Quando chegou o reveillón, falamos para a mãe do meu amigo que íamos passar a virada na única boate da cidade. Mentira deslavada porque nos achávamos cool demais para nos misturar com o resto do pessoal que não usava all star e não ouvia The Clash. Em vez disso, nos juntamos eu, meu amigo, a T. e outro amigo nosso e alugamos (usando a minha  carteira de identidade, com muito orgulho) um quarto num hotel podreirinha da cidade. O hotel era bem antigo, o quarto parecia de uma casa velha mal assombrada. Mas para nós nada podia ser mais uma celebração da nossa liberadade do que nos trancarmos naquele quarto com um monte de álcool e cheetos e assistirmos show da virada.

Já passava das uma, estávamos todos bêbados rindo do esforço da repórter da Globo para continuar preenchendo a transmissão dos fogos de Copacabana quando ela obviamente não tinha mais nada pra falar. Eu estava deitada em uma das camas do quarto, a T. do meu lado, quando por algum motivo, em algum momento, ela começou a fazer carinho na minha perna, a mão subindo debaixo da minha bermuda.

Gelei. Não sei se os meninos perceberam. Tentei agir normalmente, continuar a conversa, mas a minha voz foi morrendo, até que eu fiquei calada. Com 18 anos, apesar de já ter tido um namoro longo, minha experiência em se tratando das putarias era quase zero, tanto com meninos quanto meninas. Minha vida amorosa tinha sido muito confusa e platônica até então, meus encontros eram sempre rápidos, em situações estranhas, quase sempre com gente tão inexperiente quando eu.

A T. não era inexperiente.

Era uma coisa tão simples, uma carinho na parte detrás da minha coxa. Eu já tinha ido muito mais longe do que aquilo. Mas mesmo assim, parecia que os nervos da minha perna estavam diretamene conectados com o meu cérebro. Eu fui ficando encolhida, minha respiração foi ficando mais rasa. Eu tentava disfarçar, com medo que os meninos entendessem a situação, mas sentia que eu ia ficando cada vez mais excitada. Tenho a lembrança nítida da sensação da mão dela acariciando minha perna e sentindo minha calcinha ficando molhada, pulsando de tesão. Acho que foi uma das vezes em que eu fiquei mais excitada na vida.

Aquilo durou muito tempo. Não sei se ela não sabia se eu estava interessada, ou só queria me torturar mesmo, mas o fato que é que para mim pareceram horas. Eu sentia que a qualquer momento ia vazar e molhar o lençol. A excitação foi lentamente derrubando a minha vergonha e depois de muito hesitar, eu alcancei a perna dela, coberta por calças jeans, devagarzinho para retribuir o carinho. Não sabia o que fazer, mas não queria que aquilo acabasse. Tentava soltar o ar devagar pela boca para não arfar.

Foi então que ela falou bem baixinho para mim, “eu voto a gente ir para o banheiro”, com a maior gentileza do mundo. Parecia que ela podia captar o meu nervosismo, e queria me deixar a vontade. Eu acho que só fiz que sim com a cabeça com aquele entusiasmo característico dos adolescentes.

Fomos. Eu olhei para o chão, com vergonha de encarar meus amigos, que claro, já tinham notado o clima muito antes de mim até e estavam torcendo por nós duas. Entramos no banheiro que também tinha aquele ar de casa velha. A luz não funcionava, mas eu por dentro achei melhor assim. Lembro que entrava um fiozinho de iluminação pela janela, provavelmente de um poste na rua. A gente se encostou na porta e começamos a nos beijar.

Sinceramente, eu perdi a noção do tempo. Passamos horas naquele banheiro. Ela me passava a sensação de estar 100% segura do que fazia, e eu, do alto da minha inexperiência, abandonei o controle do meu próprio corpo e simplesmente me deixei levar. Quando eu vi, estava de calcinha e sutiã na frente dela. Eu nunca tinha ido tão longe com ninguém. De repente fiquei muito consciente de que pela primeira vez estava numa situação em que poderia ir até o fim e de fato transar com alguém. A perspectiva me assustava um pouco, não sabia se estava pronta. Mas ela não forçou a barra. Pelo contrário.

Desceu a mão pelo meu corpo, com perícia de quem sabe o que está fazendo. Desceu para dentro da minha calcinha, foi passando os dedos por toda a minha boceta bem devagar, até que eu relaxei. Aí ela começou a tocar o meu clióris no ponto exato, do jeito certo. Eu gemi alto. Nunca ninguém tinha feito aquilo comigo antes. Eu não conseguia mais raciocinar. Todas as minhas inseguranças viraram fumaça. Eu abri as pernas o máximo que dava, me apoiando na porta atrás dela. Eu sentia que não seria capaz de lidar com todo o tesão que eu estava sentindo, parecia que eu ia desmaiar, ou explodir, ou gritar.

Depois entramos na banheira vazia (que não funcionava) e lá ficamos até o amanhecer. Não fizemos muito mais do na porta – bem que eu tentei retribuir as carícias, mas não fui tão bem sucedida na missão. Ficamos nos beijando, as mãos em todos os lugares, até que a gente percebeu que estava amanhecendo.

Depois disso, vi a T. algumas outras vez, em episódios aleatórios. Nunca mais ficamos. Mas aquele reveillón abriu um mundo de possibilidades para mim, e eu sinto que eu não fui mais a mesma pessoa.

Sagitário

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Dobrei o corpo de tanto rir, apertando a minha barriga e tentando recuperar o ar. Suspirei várias vezes tentando fazer o oxigênio voltar a circular, limpando as lagriminhas que tinham saído dos cantinhos dos meus olhos. Estávamos há mais de uma hora vendo um vídeo sem sentido atrás do outro no YouTube, apoiando os pés na mesinha de centro bagunçada com a garrafa de vodka que já tínhamos terminado, os sucos para misturar, o pote de sorvete vazio e o bong de vidro. Ele jurou para mim que tinha um vídeo melhor ainda para mostrar, enquanto eu acendia o bong e mandava mais um trago para dentro, a brisa me fazendo sentir que estava flutuando a uns dois centímetros do sofá.

Será que era só a brisa?

Segurei a fumaça na boca e fui soltando devagar. Senti as minhas extremidades formigando de um jeito gostoso, e me servi de mais um copo de vodka com suco. Já tínhamos passado da metade da segunda garrafa. Sacudi a cabeça, rindo de lado. Teria eu encontrado um companheiro de copo a altura?

Ele me mostrou mais um vídeo completamente idiota e hilário e mais uma vez começamos a gargalhar no sofá. Só que dessa vez ele jogou os braços pra trás, acertando meu copo quase cheio no caminho.

E me dando um banho de vodka.

– Ai, caralho, porra! Desculpa, desculpa! – Ele pegou o copo no chão, todo desastrado, sem saber por onde começar a me secar. A frente do meu vestido ficou ensopada e gelou rapidamente, me fazendo arrepiar de um jeito bom. Ele ficou vermelho como um tomate, mortificado.

– Cara, relaxa, não tem problema…

– Desculpa mesmo…

Relaxa. – Eu queria rir, porque aquela devia ser a primeira vez na vida que não era eu que estava derrubando coisas. Geralmente era eu que estava me desculpando por ter virado bebida em alguém, sendo levantada no chão depois de um tombo, quebrando uma coisa nova logo depois de comprar. Olhei para ele, ele ainda estava sofrendo de vergonha. – Eu disse que não tem problema. Eu tava precisando de uma desculpa pra tirar esse vestido mesmo. – Me livrei da minha jaqueta, e observei com divertimento quando a expressão dele mudou rapidamente de constrangimento para atenção. – Aposto que você fez de propósito.

Eu tirei o vestido ensopado devagar, jogando no chão quando eu terminei. Mordi o lábio porque a ideia de estar só de calcinha e coberta de vodka na frente dele me deixava nervosa de um jeito bom. Como se tivessem ligado um motorzinho eu algum lugar embaixo da minha barriga.

Ele virou o restinho de bebida que tinha no copo. Eu engatinhei até ele, curtindo a ideia de estar praticamente nua enquanto ele ainda estava totalmente vestido. Cheguei bem pertinho da boca dele, e a gente sorriu junto. Era difícil bancar o sério naquele jogo de sedução, quando a gente tinha passado horas gargalhando junto. Quando a gente tinha passado horas falando sobre tudo e qualquer coisa sem nenhum requinte de sofisticação. A minha crueza e o meu entusiasmo tinham encontrado espelho nele e o tesão que eu estava sentindo era só mais uma maneira de a gente se divertir junto.

Quando a gente se beijou, foi rápido, foi desastrado, mas foi com aquela sede de quem nunca teve medo de nenhum de ir com tudo naquilo que dá vontade. Foi uma mistura de mãos e dedos e línguas e logo a gente não sabia onde um começava e o outro terminava. Sentia que estava ficando descabelada, me esfregando no corpo vestido dele com meu torso pregando de vodka e a sensação era de melar a calcinha.

Ele segurou os meus ombros, descendo a boca pelo meu pescoço, mordiscando e descendo a trilha que a bebida deixou no meu corpo.

– Acho que essa é minha nova combinação preferida. – Ele ofegou. – Álcool e você ao mesmo tempo. – Eu ri, balançando a cabeça. Estava muito mais que altinha há tempos já, e parecia que ele tinha tirado as palavras da minha boca. Ele me puxou com força, me fazendo ajoelhar em seu colo enquanto ele lambia toda minha barriga e a lateral do meu corpo.

Puxei o cabelo dele e ele gemeu baixinho. Eu mordi o lábio e levantei a sobrancelha, anotando a informação mentalmente para depois. Puxei de novo com mais força e a gente beijou mais uma vez. A mão dele invadiu a minha calcinha daquele mesmo jeito desajeitado, os dedos dele abrindo caminho e me tocando de maneira vigorosa. Desci da posição em que estava, ficando de quatro sobre ele, para garantir melhor acesso, enquanto arrancava a camiseta dele sem delicadeza nenhuma.

Ele olhava para cima, observando as reações no meu rosto enquanto me tocava, franzindo o cenho e mordendo os lábios, como se quisesse memorizar como me fazer gemer mais alto.

Não demorou e eu estava tremendo, praticamente rebolando contra a mão dele e quando ele sussurrou que queria me ver gozar eu obedeci na hora, como se fosse uma reação espontânea do meu corpo, sobre a qual minha mente não tinha nenhum poder.

Pisquei e sacudi a cabeça para clarear a visão – a sala estava enfumaçada e tudo parecia meio surreal. Ele se levantou do sofá e eu pesquei a ideia, deslizando meus joelhos para o chão e apoiando a meu torso no assento. Ele segurou minha cintura com as duas mãos e me comeu ali, o cheiro do suco de fruta e da maconha impregnando o ar e se misturando com o do nosso sexo. Pensei em muitas coisas; em como parecia que as mãos dele queimavam minha pele, em como ele parecia estar pegando fogo dentro de mim e como eu talvez estivesse gritando alto demais.

Aí ele pediu para eu gritar mais alto ainda.

Foi catártico. Nas mãos dele eu desmanchei, senti que não precisava esconder nem reprimir nada. Toda a minha existência pagã, torpe, libertina fazia sentido quando a gente estava ali, bêbados e suados, entregues um ao outro.

Desmontei no sofá quando acabou, tentando desembaralhar o meu cérebro. Quando ele pareceu voltar para o lugar, me veio a lembrança do vídeo que estávamos vendo antes. E assim recomecei a gargalhar de novo e ele sem nem saber do que eu estava rindo, começou a rir também.

Dizem que o mundo é dos loucos.

Naquela hora, ele foi.

 

Virgem

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Nos conhecíamos há um tempo, sempre nos damos bem, mas por questão de timing, nunca tinha acontecido nada. Até que um dia, num bar comemorando o aniversário de um amigo em comum, ele se aproximou com ares de business e me perguntou se eu queria jantar com ele na próxima semana. Eu, que não sou convidada para jantares com tanta frequência assim, concordei. Fiquei espantada quando ele pediu o meu endereço para ir me buscar.

 

A noite foi uma delícia. O papo foi leve, divertido, despretensioso. Ele ouvia atentamente tudo que eu tinha a dizer, sempre me encorajando a dar mais detalhes. O seu senso de humor quase me fez cuspir o vinho depois de uma tirada particularmente sarcástica. A comida estava deliciosa, eu saí de lá com a cabeça enevoada de álcool, pensando que eu jamais imaginei me divertir tanto em um encontro assim tão como manda o figurino.

 

Ele me perguntou se eu já queria ir pra casa ou se queria esticar a noite em algum bar. Eu, que tenho pouca paciência quando se trata de conseguir o que eu quero, sugeri que tomássemos um drink em casa mesmo. Ele sorriu de lado, arqueou as sobrancelhas, parecendo satisfeito com o fato de eu ir direto ao ponto.

 

Na volta pra casa, ele repousou a mão na minha coxa enquanto o farol estava fechado. Eu olhei para ele e mordi meu lábio. A tensão sexual era palpável, e eu já não estava mais preocupada em como a gente ia fazer pra passar do clima de só amigos. Mas como é do meu feitio querer apimentar as coisas, fiz com que a mão dele subisse mais pela minha coxa, debaixo do meu vestido. Ele então se inclinou no banco e me beijou. Um beijo intenso, e insistente. Nos separamos quando o carro de trás buzinou. O farol tinha aberto há um tempo e nem tínhamos notado.

 

***

 

Pulamos o drink e fomos direto pra cama. Ele segurava os meus braços contra o colchão, investindo o corpo contra o meu, passando a língua pelo meu pescoço, mordendo, até chegar no meu ouvido.

 

– Eu quero te chupar.

 

Minha resposta atrevida se perdeu na garganta porque eu estava ocupada demais sentindo a onda de excitação que desceu do baixo ventre até o meu clitóris.

 

– Me fala o que você gosta. Você sabe que eu não vou parar até você chegar lá.

 

Eu sorri, porque se eu conhecesse aquele lado dele já tinha esquematizado este encontro há muito tempo. O instruí, dizendo como gostava e ele prestou atenção do mesmo jeito que fez durante o jantar. Depois, sumiu debaixo do lençol.

 

Ele seguiu as minhas instruções como se fosse um manual que ele sabia de cór. Passava a língua devagar, ia me sugando de leve, aumentando o ritmo com tanta precisão que ele parecia adivinhar qual era o próximo passo. Eu fiquei tão molhada que tinha certeza que tinha encharcado o lençol, e ele não parou até que eu soltei um gritinho, investi os quadris contra a boca dele, sentindo cada onda do orgasmo invadir meu corpo enquanto ele acompanhava as pulsações me penetrando com os dedos.

 

Eu fiquei paralisada, atônita com aquela demonstração de habilidade. Mas não parou por aí. Quando ele subiu de volta, estava ofegante, se esfregando em mim, parecia que queria me engolir. Senti o seu pau na minha entrada, provocando de leve, enquanto ele mordia o lóbulo da minha orelha. Eu estava muito sensível e gemi baixinho, abrindo as pernas. Ele grunhiu.

 

– Dá pra mim. – Ele ofegou no meu ouvido. – Dá gostoso pra mim, vai.

 

Teria respondido “com o maior prazer”, mas não deu, porque logo em seguida ele me invadiu, fazendo com que eu arqueasse a espinha, cravando minhas unhas nas costas dele. O sexo durou um tempão, e ele não parou até me fazer gozar de novo. Ele colocava toda a dedicação e foco a cada movimento. Quando acabou, eu senti que meu cérebro tinha virado uma geleia. Não tinha sobrado nem um neurônio para contar a história.

 

Aliás, minto. Sobrou um para que eu pudesse dizer, grogue de sono:
– A gente vai ter que fazer isso de novo.

Leão

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Virei o último gole do meu drink, lamentando que já tivesse acabado. A festa estava cheia, o grave no talo, e eu estava suada de tanto dançar. Era uma daquelas noites que eu me sentia eufórica, parecia que nada podia dar errado. E então reparei nele, dançando num canto.

Cabelos na altura do ombro, olhos cor de mel, expressão fechada. Até fisicamente ele parecia um leão. Correspondeu o olhar na hora. Me de uma encarada safada que se juntou ao álcool no meu sangue pra me acelerar. A camisa meio desabotoada me deixou muito curiosa para ver o que tinha embaixo. Murmurei um “miga, vou ali” e fui serpenteando pela pista. Ele terminou a cerveja. Quando eu cheguei perto o suficiente, olhei de novo. Para a minha surpresa, ele me puxou pelo braço para perto dele e me beijou. Assim, sem anestesia.

O beijo dele era territorial e autoritário. A língua dele percorreu todos os cantinho da minha boca. Uma mão me segurava na altura da nuca, como que para ter certeza de que eu não ia fugir.

Como se eu fosse fugir.

A outra desceu para minha cintura, colando meu corpo ao dele. Uma das suas coxas abriu caminho entre as minhas. Meu vestidinho curto subiu, minha calcinha colou nos jeans dele, enquanto ele apertava minha cintura e me beijava como se fosse pra uma plateia assistir. Eu estava adorando a performance. A batida da música alta ecoava nos meus ouvidos, parecendo que estava sincronizada com a minha pulsação.

Quando o beijo acabou, eu estava sem fôlego. Ele sorriu orgulhoso e me perguntou:

– Qual é o seu nome?

***

Quando ele abriu a porta do apartamento, me puxou de novo, me beijando com força, marcando meu pescoço, investindo o corpo contra o meu. Aos atropelos, chegamos no quarto. Ele fechou a porta com calma, acendeu a luz, e tirou a blusa. Minha boca secou. Eu fingi que não vi o sorrisinho que escapou no rosto dele. Se ele se cuidava e tinha orgulho disso, qual era o problema? Fui tomada pela mesma euforia de antes, começando um daqueles beijos famintos. Desci a boca pelo abdômen definido, beijando e lambendo cada um dos gominhos. Minha cabeça estava cheia de álcool, e eu só conseguia pensar, que delícia, que delícia, que delícia. Arranquei o cinto desajeitada, desci a cueca com pressa.

Ele agarrou minha nuca mais uma vez, investindo o quadril  com cuidado enquanto eu o chupava devagar. Estava tentando usar minha perícia ainda que o álcool deixasse os meus reflexos prejudicados. Ele grunhia sem ar, olhando pra mim de um jeito que me fazia sentir nua do melhor jeito possível.

Foi ele quem deu fim ao boquete, me levantando de novo, me colocando contra a parede e subindo meu vestido. Acertou um tapa estalado na minha bunda assobiando um “gostosa” bem baixinho. Se livrou do resto das nossas roupas, levantou meu quadril e me pegou no colo.

Eu mal consegui acreditar quando ele me segurou com as duas mãos na altura do quadril e começou a me comer, assim, sem nenhum apoio, sem encostar na parede, segurando meu peso inteiro e movimentando o quadril para dentro de mim com força e precisão. A demonstração de habilidade me deixou maluca, e eu agarrei os cabelos compridos, os ombros fortes, os braços definidos, sentindo os músculos flexionarem enquanto ele fazia força para me segurar no colo dele.

Ficamos suados, minha pele esfregando na dele, meus gemidos cada vez mais altos. Eu tinha os olhos fechados, dominada pela sensação de ser deliciosamente devorada. Quando abri, ele não estava olhando para mim. Segui a direção do seu olhar, e ele estava se encarando no espelho. Fiquei boquiaberta quando o vi admirando a flexão dos músculos no seu braço, o encaixe dos nossos quadris. Abri um sorriso entre os cabelos molhados pregados no meu rosto, querendo guardar pra mim cada detalhe daquela cena.

Deixamos marcas, nos arranhamos, nos mordemos, nos deliciamos um no outro. Quando acabou, estava dolorida e cansada. Pensei em ir pra casa, ele me convidou pra ficar.

Quando cheguei em casa no dia seguinte, achei seu telefone anotado num papel dentro da minha carteira.

 

Aquário

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Era fevereiro. A noite estava quente com aquele mormaço grosso do alto verão, a rua estava colorida com os confetes e as fantasias, lotada de pessoas dançando, bebendo, se recusando a parar a festa, tentando estender o carnaval o máximo possível para depois da quarta-feira de cinzas. Eu começava a pensar que aquilo tinha sido uma péssima ideia, como é que eu ia encontrá-lo naquele mar de gente, até que olhei pra frente e o vi do outro lado da rua. Um copo de cerveja na mão, um cigarro preso atrás da orelha, o estilo blasé de se vestir contrastando com as lantejoulas e plumas de todo mundo em volta.

Entre um copo de plástico cheio de cerveja e outro, eu tentava não ficar encarando demais. Os olhos dele capturavam tudo que passava, restava pouco foco para mim. Parecia que estava sempre olhando para algo bem distante, contando das suas aventuras, exalando uma autoconfiança que flertava com a arrogância, o boca em formato de coração fazendo aros com a fumaça do cigarro no ar. Ele se enchia de entusiasmo e de brilho quando contava dos planos para colocar a mochila nas costas e sair sem rumo mais uma vez, e eu sentia boca secar, hipnotizada pela presença, pela aparência, pelas covinhas que apareciam quando ele me lançava um sorriso cafajeste, ou quando ele ria de suas próprias piadas ácidas. Contei que também tinha desejos de sair e ver o mundo, ao que ele me respondeu como uma displicência invejável, “então vai, ué. Compra uma passagem e vai, o que você está esperando?” e eu pensando em todos os meus medos e dúvidas, e naquele charme e desapego que eu tanto queria pra mim, e por um segundo não soube se eu queria ter ele ou ser ele.

Quando ele me beijou, foi de repente. Num segundo os seus olhos estavam na chuva de serpentinas, no seguinte ele me prendia contra um muro enquanto me invadia boca adentro. Não entendi como ele foi de um extremo ao outro tão rápido, mas como se eu tivesse levado um choque, uma corrente elétrica que me atravessou. Ele me beijava com a mesma pressa com que olhava para o mundo, e eu me pendurei nele, mordendo os seus lábios cheios, sugando, lambendo, numa tentativa desesperada de memorizar cada textura.

Voltamos trocando os pés, as risadas ecoando no asfalto, nos juntando a vários outros casais trôpegos que se aventuravam pela última noite de carnaval. Quando ele entrou no meu quarto, foi logo indo para a janela, se pendurando no parapeito, admirando a vista. Mais cerveja gelada para tentar aplacar o calor que vinha de dentro e se misturava com o de fora. Ele passava os dedos pela minha espinha para me sentir arrepiar, e eu olhei para ele pensando, “é, dessa vez, fodeu”.

Os beijos que se seguiram foram um borrão. Lembro das minhas mãos apertando os braços bem torneados melados de mormaço, as mãos dele me apertando com força, em todos os lugares. Em mais um movimento repentino ele arrancou o copo da minha mão, colocando na escrivaninha, e me virou para que eu voltasse a contemplar a janela. E então, desacelerou. Os lábios gelados encontraram a minha nuca, deixando por ali um rastro de beijos e mordidas, enquanto as mãos dele iam descendo os meu vestido de verão, me deixando só de calcinha bem à vista de qualquer vizinho mais atento no prédio ao lado. Uma brisa refrescante passou pelo meu torso nu, minha mente enevoada sem conseguir distinguir luzinha de luzinha no mosaico da cidade, e ele foi descendo a boca pelas minhas costas, lambendo as minhas tatuagens como se eles tivessem gosto, passando a língua pelas covinhas acima no meu quadril, mordendo a minha bunda com força. A calcinha logo desceu para se juntar ao vestido no chão, e eu estava inteiramente nua, tremendo de excitação. Um gemidinho de súplica escapou dos meus lábios quando ele subiu as mãos pela parte interna das minhas coxas, dobrando meu corpo na altura no quadril, me deixando completamente exposta para ele.

Não consegui ficar quieta quando ele começou a me chupar, sem piedade, sem parar, com aquele mesmo entusiasmo, aquele mesmo fôlego. Não me deixou gozar. Quando parou, eu estava trêmula, encharcada, pulsando. Gemi quando ele me penetrou devagar, gritei quando ele puxou meu cabelo e segurou meu quadril, e me reduziu a um emaranhado de nervos, que não conseguia processar mais nada além de sensações. As luzes da cidade se misturavam e ele me invadiu, me subjugou, me fez dele.

Logo ele, que nunca era de ninguém.

 

Peixes

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Cheguei atrasada no bar, toda esbaforida e descabelada, perguntando se ele estava esperando há muito tempo. Ele abriu um sorriso que parecia ter 85 dentes e respondeu que não, que eu podia ficar tranquila. O timbre da voz dele era doce e sereno, e quando nos sentamos eu já tinha esquecido todo o estresse da correria.

Conversamos por horas. Sobre tudo, sobre a vida, sobre os planos. Drink depois de drink depois de drink, e eu perdi a conta de quantos foram. Ele tinha um olhar tímido, o sorriso aparecia às vezes, os olhos cor de mel procurando o teto quando ele lembrava de alguma coisa particularmente especial. Conversar com ele era uma experiência sinestésica: Ele não contava que fez isso ou aquilo. Ele falava das sensações, das impressões, do vento que batia à noite quando ele cruzava o rio Amazonas de barco, ou do sol nas andanças pela América Central. Muitas vezes, eu senti como se também estivesse lá. Ele me levava com as palavras.

Não tocou em mim a noite inteira. Tenho certeza que no fim da noite eu já estava dobrada em cima da mesa, desmontada, alcoolizada e irremediavelmente atraída. Mas ele continuou a conversa sem nenhuma tentativa séria de me beijar, embora eu tivesse notado que ele não tirava os olhos da minha boca. O bar fechou e nos expulsaram. Saímos andando pelas ruas, ele comentou que ia para o bairro vizinho ao meu, e eu que já estava sem filtro há muito tempo, fiz o convite para que ele fosse para a minha casa.

Quando ele finalmente me beijou parece que fui sugada por um rodamoinho. As mãos dele contornavam o meu corpo como se quisessem memorizar cada detalhe. Quase tive um treco quando desabotoei sua camisa e descobri um mosaico de tatuagens coloridas cobrindo o peito do cara tímido. E essa não foi a única surpresa. Eu, que sempre fui muito dominante na cama, me vi de repente completamente submissa, a mercê, sem saber o que fazer. Ele me dominou totalmente, não se impondo agressivamente, mas me fazendo incapaz de pensar com beijos torturantes no meu corpo inteiro, mãos que sabiam exatamente como tocar, apertar, envolver. Fui adorada dos pés a cabeça, dos lados, do avesso.

Transar com ele também foi uma experiência sinestésica. Meus sentidos se fundiram num só. Ele gastou horas nas preliminares, completamente devoto em me fazer gozar uma, duas, três vezes, e quando finalmente estava dentro de mim, todos os meus nervos pareciam estar conectados. Eu ouvia ele sussurrar desperado no meu ouvido que aquilo era tudo que ele queria, era tudo que ele precisava, e não conseguia ficar quieta. Em certo momento ele disse, “mas e a sua roommate?” e só rosnei um “foda-se”, por que isso lá é hora pra ser altruísta?

Não sei quando dormi. A impressão que tenho é o sexo se misturou com o sono, e nunca acabou. Quando acordei,  envolvida por ele por todos os lados, disse que precisava levantar, ou iria chegar atrasada no trabalho. Ele disse que não queria me atrasar.

Mas me atrasei.

Tarde da noite

frescura

Atenção, o conteúdo a seguir é impróprio para menores de dezoito anos e contém linguagem chula.

Michele se aninhou no pescoço de Otto, sentindo as palavras do filme.da Netflix ficarem cada vez mais distantes. O cansaço estava começando a bater. Ela pensou que tinha demorado bastante, considerando tudo que os dois tinham feito naquele dia. Fazia tempo que ela não se sentia tão disposta e cheia de energia.

Michele e Otto tinham se conhecido no Tinder pouco mais de três semanas antes, e tinham engatado uma série de encontros desde então. Michele sentia seu entusiasmo renovado com a nova paixão, e era surpreendida com um friozinho bom na barriga toda vez que pensava em continuar saindo com Otto. A química dos dois era explosiva, e Michele estava tendo sexo de qualidade como nunca antes. Mas sentia que os dois estavam entrando numa fase de mais intimidade, de programas mais diurnos. Não que o tesão estivesse arrefecendo.

– Michele. – Otto começou numa voz mansa. – Tá dormindo?

– Não. Que foi?

– Eu queria te pedir um negócio.

– Pede.

Otto suspirou sem jeito. Michele estava achando graça. Otto não costumava ficar desconcertado com frequência, até onde ela sabia.

– Você pode me chupar? -Otto disse num fio de voz, e depois começou a se explicar. – É que o seu boquete é tão bom, eu pensei nisso o dia inteiro.

Michele soltou uma gargalhada.

– Então funcionou sensualizar com a casquinha?

– Foi de propósito, sua demônia?

– Só um pouquinho. Você sabe que eu gosto de te provocar.

Michele baixou o tom de voz, virando-se para encarar o Otto. Sentiu suas pernas roçando de leve nas dele, pregando o torso coberto só por uma camisetinha ao peito nu de Otto. De repente, Michele estava muito desperta. Ela ficou muito consciente de o quão próximos eles estavam, e quão pouca roupa tinha no caminho. Otto mexia com as fantasias de Michele, e ela se excitava particularmente em chupá-lo, sentir que exercia controle sobre ele, que tinha capacidade de fazê-lo perder a coerência.

Otto envolveu sua cintura com as mãos, subindo o tecido para encaixa-las na curvinha com precisão cirúrgica. Os seus dedos estavam pelando, piorando as ondas de calor que percorriam a pele de Michele. Ele aproximou o rosto e a beijou.

O beijo de Otto era daqueles de arrepiar até o último fio de cabelo e deixar sem ar. Michele se ajeitou para colocar metade do corpo sobre Otto, dobrando a perna para posicioná-la sobre o quadril do moreno. O movimento a fez sentir o quanto sua calcinha já estava melada. Ele apertou a cintura de Michele, pressionando as pelves, fazendo com que ela gemesse baixinho. Ela decidiu deitar-se inteira sobre ele, sentindo os quadris se tocando. Otto deixou as mão escorregarem mais para dentro da blusa de Michele, e uma delas desceu para frente, cobrindo um de seus seios e brincando de leve com o mamilo.

O amasso se intensificou, e de repente Otto estava segurando Michele pelo quadril. Michele estava correspondendo os movimentos, se esfregando nele, sentindo o seu pau pressionando o seu clitóris por baixo das duas camadas de pano. A blusa já tinha ido, e estava difícil resistir e manter aquelas barreiras por muito tempo. Otto gemeu alto quando Michele mordeu seu lábio inferior e desceu a mão para dentro da calcinha de Michele, provocando a sua entrada, sentindo o quanto ela estava molhada.

– Adoro quando você fica desse jeito. –  Ele sussurrou, deixando a pontinha do indicador penetrá-la de leve. Michele arfou, sentindo-se contrair ao redor do dedo de Otto que continuava a invasão lentamente.

– Ei. não era sua vez? – Otto sorriu. – Ou você mudou de ideia?

– Não.

– Não o quê?

– Eu quero a sua boca no meu pau.

Michele sorriu, dando uma piscadela para Otto e descendo no seu corpo, deixando uma trilha de mordidas e beijos molhados. Ela passou a língua no quadril de Otto, demorando-se, e desceu os lábios para a cueca, colocando a cabeça na boca por cima do tecido, até Otto estar soltando gemidinhos no fundo da garganta.

A cueca do moreno estava encharcada quando Michele finalmente a removeu. Ela passou os lábios pela parte interna das coxas de Otto, apreciando os músculos estremecendo de leve, e segurou o pênis com força pela base. Ela olhou para Otto, que a observava com os lábios entreabertos, a expressão nublada, e o tomou na boca de uma vez.

Otto gemeu alto, segurando os ombros de Michele com força. Ela foi descendo pouco a pouco, criando sucção e deixando sua saliva escorrer até a base. Grunhiu baixinho quando sua boca encontrou os seus dedos, e forçou um pouco mais, controlando a respiração.

– Porra, Michele… – Otto exclamou estrangulado, suas mão subindo dos ombros para os cabelos de Michele. Ela voltou para a superfície e desceu novamente, dessa vez chupando um pouco mais forte. Repetiu mais umas três vezes, antes de começar a masturbar Otto devagar, passando a língua e os lábios pela cabeça. Ela levantou o olhar para ver a expressão de Otto, enquanto sentia sua saliva se misturando ao pré-gozo que começava a se formar.

Depois tomou apenas a cabeça na boca, sugando enquanto sua mão dava conta do resto. A sua outra mão começou a massagear as bolas de Otto suavemente, e ela não quebrou o contato visual, esfregando a língua com perícia contra a glande. Otto começou a apertar seus cabelos com mais vigor, e ela tirou o seu pênis da boca, passeando seus lábios e bochechas contra ele, espalhando saliva por todo o seu rosto, enquanto passava a masturbá-lo com mais intensidade.

Michele torturou Otto mais um pouco, até deixar seu pênis escorregar inteiro para dentro da sua boca, sugando com força e recomeçando o movimento de vai e vem com a cabeça, que era acompanhado pela sua mão. Otto começou a murmurar coisas sem sentido, levantando os quadris da cama. Michele separou mais as pernas, sentindo que sua boceta estava pulsando com a excitação de ouvi-lo daquela maneira. Desceu uma das mãos para dentro da calcinha, tocando-se com pressa e sem jeito. Michele adorava fazer um boquete em geral, e com Otto era sempre especial, não precisava de muito mais para fazê-la gozar.

Impulsionada por estar ela própria cada vez mais perto do clímax, Michele foi com mais sede ao pote, intensificando os movimentos da boca e das duas mãos, sugando insistentemente, tomando Otto o mais fundo que dava.

– Não para por favor. – Otto implorou com a voz rouca, os quadris saindo do colchão em movimentos erráticos. Michele não parou. Ela desceu mais fundo, chupou mais forte, até que Otto segurou seus cabelos com vontade, e ela masturbou-se mais rapidamente, permitindo-se chegar lá. A sua perícia foi comprometida quando ela gozou com força, mas ela tentou manter-se o mais focada possível, sentindo as ondas do seu orgasmo a percorrerem enquanto ela chupava Otto desajeitadamente.

Não demorou muito e ele também gozou. Michele sugou até a última gota, até que ele puxasse seus cabelos para que ela parasse. Ela se ajoelhou na cama, sentindo como se todo o seu corpo tivesse sido atravessado por uma corrente elétrica.

– Eu tô em outra dimensão. – Otto murmurou. Michele riu com gosto. – É sério. Eu não sei nem o meu nome mais. – Michele sacudiu a cabeça deitando-se ao lado de Otto e aconchegando-se a ele. O quarto mergulhou em silêncio por alguns segundos até que ele levou as mãos à testa. – Espera, você gozou?

– Claro. Se eu não tivesse gozado, não ia te deixar dormir assim tão fácil.

– Você é a mulher dos meus sonhos. – Otto disse com a voz pastosa, dominado pelo sono.

– Amanhã você me conta se mudou de ideia. – Michele respondeu, mas sorriu feliz, deitando a cabeça no ombro de Otto, sentindo-se muito relaxada. Dormiu pouco depois.