Vlog – Será que os jovens andam fazendo MENOS sexo?

Não bastasse a recessão de basicamente tudo, ao que parece minha geração também passa por uma RECESSÃO SEXUAL. Mas sérá que é isso mesmo? A gente anda fazendo menos sexo ou só anda fazendo sexo melhor que as gerações anteriores? Vem ver o vlog novo!

Sugador clitoriano – Amor verdadeiro, amor eterno

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Bom, não é de hoje que eu digo que o vibrador é o melhor amigo de qualquer mulher. Na verdade, eu fiz até um vídeo mostrando toda a minha coleção de sex toys. Mas com a minha mais recente aquisição, o sugador clitoriano, meus amigos… Foi diferente.

Desde que esse produto surgiu no mercado que eu estava louca pra testar, mas o preço me desanimava. Isso porque o principal que achamos à venda, o Womanizer, sai por em média setenta euros. O negócio é que o estímulo clitoriano é para mim a melhor forma de sentir prazer, e a ideia de ter um brinquedinho que SUGA o meu clitóris como no sexo oral… Era bem tentadora.

Foi numa feliz coincidência do destino que encontrei o Satisfyer, um modelo mais em conta, por nada menos que METADE do preço normal. No fim, paguei vinte e cinco euros no meu numa promoção relâmpago. Como já estava de olho no estimulador clitoriano, quando vi a promoção não pensei duas vezes. E foi a melhor coisa que eu fiz.

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Fonte

Como o sugador clitoriano funciona?

Basicamente, a brincadeira é um estímulo que simula a sucção do clitóris. Eu sou bastante sensível, então fiquei com medo do negócio ser POTENTE DEMAIS pra mim, mas fiquei bem feliz com o resultado. O meu tem DEZ intensidades diferentes, mas eu só consigo ir até a segunda rs.

O estímulo é idêntico ao do sexo oral? Não. A real é que nenhum brinquedo pode substituir outra pessoa 100%, né? É parecido, mas diferente. Uma sensação nova. O grande diferencial, é que o brinquedo se concentra totalmente no clitóris, que afinal é o nosso principal órgão de prazer.

Mas e aí, o sugador clitoriano é tudo isso mesmo?

Bom… É. No último mês, todos os outros brinquedinhos ficaram obsoletos. Não, não é um milagre, óbvio que nada vai fazer você gozar baldes em segundos. Mas eu nunca tive orgasmos tão fortes e tão rapidamente com um brinquedo antes. E olha que como eu sou sensível, às vezes sou meio chata de agradar.

Segurando o cabo por cima, dá pra apoiar o Satisfyer na barriga e ter aquele orgasmo bem preguiçoso. O brinquedinho também é super fácil de usar no sexo com parceirxs, e é uma possibilidade ótima para ampliar as possibilidades nas transas.

Resumindo, o preço é salgado, é. Mas na minha opinião, vale a pena.

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Carinha de quem está apaixonada rs

No Brasil, o sugador clitoriano mais em conta sai por em média R$ 200,00 mas os preços variam de marca para marca. Minha dica é ficar de olho em promoções para conseguir por um preço mais baixo.

Eu estou em lua de mel com o meu sugador, não vou nem mentir. Foi o meu dinheiro mais bem investido em muito tempo. Digamos que já recebi o retorno do que eu paguei em (muitos) orgasmos!

Vlog – Por que mulheres lésbicas têm mais orgasmos que as héteros?

A ciência não mente: Mulheres lésbicas têm mais orgasmos e vidas sexuais mais felizes que as héteros. Mas por que existe essa diferença? Os homens são tão ruins assim de cama?

A resposta é mais simples do que parece, e está na anatomia feminina.

Luva erótica – Um detalhe simples que pode revolucionar sua vida sexual

Já ouviu falar da luva erótica? Não? Pois bem, esse acessório prático e barato pode fazer maravilhas pela sua vida sexual.

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Vocês não imaginam do que essa luvinha é capaz

Não é segredo para ninguém que sou fã de brinquedinhos sexuais e estou sempre atenta à novidades neste mercado. Se fosse por mim, teria um closet inteirinho dedicado a eles, porém minha conta bancária di$$corda. O mercado de sex shops e acessórios de fetiche pode ser bem caro, por isso quando eu encontro sex toys por preços mais em conta fico logo doida pra experimentar.

Numa dessas minhas aventuranças na Internet em sex shops virtuais, acabei topando com a luva erótica, ou luva masturbatória, cuja existência eu desconhecia até então. Bom, minha única reação foi me perguntar por que raios eu nunca tinha ouvido falar disso antes???

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Sex toys bons, bonitos e baratos? Trabalhamos! Fonte: Amazon.com

O brinquedo é literalmente uma luva de silicone, parecida com aquelas que a gente usa pra lavar a louça e não estragar a unha, então taí uma boa desculpa caso alguém que não deveria ache o acessório nos seus pertences 😉

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Fonte

O lance é que a luva erótica tem ranhuras e texturas para aumentar o prazer, seja solo ou acompanhado. Parecida com os dedais para masturbação, o diferencial é que, bom, todos os cinco dedinhos entram na brincadeira. Dependendo no modelo, há textura na palma da mão também.

As luvas oferecem várias opções diferentes, com texturas que prometem os mais variados estímulos. Algumas contam com uma ranhura especial para o estímulo dos mamilos na palma da mão, outras com dedos parecidos com um butt plug clássico, e por aí vai. A imaginação é o limite.

Por causa disso, as possibilidades são muitas, o que faz com a que a luva erótica seja um brinquedo muito versátil. E eu costumo dizer que ela é um sex toy dos mais democráticos; pode ser usada para estímulo clitoriano, prostático, vaginal, peniano, mamilar, para a penetração anal e vaginal, prática de fisting, no sexo lésbico, gay, hétero e o que mais você quiser inventar.

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Olha só esta luvinha bem gófica para fetichista nenhuma botar defeito! Fonte: Amazon.com

As luvas eróticas em geral devem ser higienizadas como qualquer acessório sexual, mas são em sua grande maioria laváveis, o que deixa tudo muito mais prático. A melhor parte é o preço: A minha eu encomendei pelo Amazon e paguei cinco euros. Os preços podem variar mas não ficam muito longe disso.

A que eu comprei foi esta daqui, mas existem outras parecidas disponíveis. Com frete para o Brasil infelizmente são poucas as opções, mas vale uma pesquisa em sex shops locais em busca do produto. Também dá pra encontrar em sites tipo Aliexpress!

Eu não poderia estar mais feliz com minha ~luvinha mágica. Seja para uma noite sozinha procurando bons contos eróticos, para impressionar uma mina num date, para um fio terra caprichado, ela está comigo em todos os momentos, por um ótimo custo benefício.

Novembro Azul – A masculinidade tóxica também mata homens

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Fonte

O Novembro Azul começou como uma iniciativa semelhante ao Outubro Rosa, com a ideia de conscientizar os homens sobre o câncer de próstata. Como o dia internacional de combate a este tipo de câncer é 17 de Novembro, na Austrália iniciou-se uma campanha que se estendeu por todo o mês, e acabou se espalhando para outros países. Nos Estados Unidos e em outros lugares muitos homens deixam apenas o bigode na barba como maneira de aderir à campanha, mas no Brasil o que pegou mesmo foi a cor azul.

Informação por informação, é claro que conscientização é sempre bem vinda, porém o Novembro Azul é um tema por vezes polêmico. A postura oficial do Ministério da Saúde é a recomendação que a campanha se estenda para o resto do ano, para que os homens continuem se examinando e consultando, não só em novembro.

Também como no caso do Outubro Rosa é preciso ter muito cuidado com muitas empresas querendo pegar carona na iniciativa para fazer publicidade. Com tanto auê é fácil se esquecer da causa inicial, e muitas vezes os produtos especiais do Outubro Rosa e do Novembro azul são vendidos com uma porcentagem irrisória para institutos de prevenção e pesquisa – quando muito.

Portanto é importante sempre nestas campanhas de conscientização lembrar do que realmente está em jogo – e não quais produtos na cor do mês você pode comprar.

Câncer de próstata é coisa séria

Digressões à parte, polêmica ou não, a campanha trata de algo muito sério. Perdendo apenas para o câncer de pele, o câncer de próstata é o mais comum entre homens no Brasil e também o mais fatal. Embora seu surgimento seja mais comum na terceira idade, as populações pardas e negras sofrem com sua incidência em homens mais jovens – casos em o que câncer também é mais agressivo.

Apesar disso, o número de homens que vai ao médico fazer o exame preventivo é alarmantemente baixo. O que é um dado absurdo se considerarmos a detecção precoce do câncer de próstata é a maior aliada às chances de cura.

O procedimento combina o exame de sangue PSA com o toque retal. A recomendação geral é que os homens façam a consulta anualmente a partir dos 50 anos, mas esta idade pode diminuir dependendo do paciente (casos de câncer de próstata na família, estilo de vida, entre outros fatores). Portanto, o urologista deve sempre ser consultado.

Bom, aí chegamos ao ponto principal. Para mim, o fato de muitos homens infelizmente não detectarem o câncer nos estágios iniciais está ligados a dois fatores; um, existe um “tabu” em torno do exame de toque. Dois, homens em geral não vão ao médico e costumam ser péssimos administradores da própria saúde.

Contei em detalhes no meu vlog sobre o HPV como é feito o exame papanicolau em nós mulheres – exame este que geralmente precisamos fazer anualmente desde o início da vida sexual. O procedimento é desagradável e invasivo – muito, muito mais invasivo do que um exame de toque.

Procedimentos médicos em geral são desconfortáveis. Ninguém gosta de levar agulhada, de se submeter a posições extenuantes, sentir dor ou incômodo. Contudo, se levarmos em consideração vários exames que precisamos fazer muitas vezes ao longo da vida, o exame de toque retal, por si só não parece tão ruim.

O problema é claro não é o procedimento em si, mas sim a carga psicológica que ele evoca. Num modelo em que a honra e masculinidade do homem se fortalecem à medida que ele se afasta de qualquer associação ao signo feminino, a ideia de ser penetrado – mesmo que para um exame, para muitos pode ser um horror.

É até engraçado pensar nisso, mas a verdade é que muitos homens preferem colocar a própria saúde em risco do que fazerem algo que para eles está associado a um comportamento feminino ou homossexual (pra gente ter ideia do quanto essa masculinidade tóxica tem os alicerces bem fincadinhos na misoginia e na homofobia – ter câncer é pior do que ser mulher ou um homem gay).

Soma-se a isso o fato de que os homens estatisticamente vão menos ao médico. Inclusive 60% dos que vão só chegam ao pronto-socorro quando estão com doenças em estágios avançados.

Este dado muitas vezes é inclusive citado como argumento anti-feminista. Só que homens vão menos ao médico por razões profundamente machistas. Eles associam consultórios com pessoas “vulneráveis” como mulheres, idosos, e crianças, e para muitos estar entre essas pessoas é um atentado contra a própria masculinidade.

Pior ainda, os homens estão acostumados a não agirem como se a sua própria saúde fosse sua responsabilidade, delegando às mulheres na sua vida esta obrigação. 70% do homens ADULTOS só vão ao médico acompanhados das mulheres. Falei no meu texto sobre a importância do uso da camisinha de como os homens não só muitas vezes insistem em ter uma vida sexual irresponsável pulando o uso do preservativo como também não têm o costume de fazerem exames regulares de infecções sexualmente transmissíveis.

Um exemplo bem concreto de toda esta realidade é o caso do ciclista Vinícius Zambrião, que não fez os exames preventivos e só foi descobrir um câncer de próstata após a namorada insistir que ele fosse ao médico para verificar uma alteração nos testículos. Chega a ser quase inconcebível que um homem adulto precise deste tipo de incentivo para cuidar da própria saúde.

A masculinidade tóxica cria homens que são crianças em corpos de adulto.

Homens que são incapazes de praticar o auto amor e auto cuidado por consequência também são incapazes de amar e cuidar de outras pessoas; são pais piores, companheiros piores, mais infelizes, e muitas vezes, doentes.

A responsabilização pela própria saúde tem de passar pela auto reflexão.

A masculinidade não torna os homens perigosos só para os outros, mas também para si mesmos. Neste Novembro Azul, vamos sim continuar lembrando nossos pais, avôs, irmãos, tios, que eles precisam ir ao médico, neste mês e em todos os outros. Mas também vamos falar sério de saúde do homem, para que haja uma mudança de atitude.

Quem sabe assim um dia vamos viver em uma sociedade em que cuidar da saúde não é uma coisa ruim porque é coisa de mulherzinha.

É coisa de adulto.

Vlog – Testei a camisinha feminina!

Enrolei um tempão para testar o preservativo feminino por desconfiar se ele ia funcionar bem. Como colocar, como tirar? Será que incomoda? A resposta é: Tudo é muito mais tranquilo do que você provavelmente imagina!

Sybian Sex Machine: O vibrador perfeito?

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Faz pouco tempo que eu descobri o que é um Sybian – um vibrador em formato de sela que parece ser o sextoy mais completo que há. Sempre fui muito a favor de brinquedinhos, pois além de trazerem variedade para a nossa vida sexual, eles nos ajudam a conhecer mais o nosso corpo e nossas zonas erógenas.

Pois bem. Estou sempre atenta à novidades nessa área, e nem sempre consigo testar tudo que gostaria por re$triçõe$ de tempo. Tenho um vibrador bem velho de guerra e fiel companheiro que me acompanha em altos e baixos faz um tempo. E como muitas vezes transas casuais andam acabando em decepção, prefiro ter dates com ele que sempre me garante um orgasmo e não me faz pergunta idiota.

O negócio é que o tal Sybian foi projetado para estímulo simultâneo de várias zonas erógenas do corpo da mulher em performance máxima.

Explico.

O brinquedo funciona da seguinte forma; são duas plataformas. Uma funciona como uma sela mesmo, na qual a donzela senta, e a outra como uma plataforma de suporte. Na sela, você pode acoplar diversas opções tipos de vibradores – e controlar tudo por controle remoto.

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Plataforma básica do Sybian. Fonte.

 

Os vibradores que podem ser acoplados são dos mais variados tipos e tamanhos. Desde estímulo externo, até mais sofisticados, com dois consolos para penetração vaginal e anal – mais um vibrador para a região do clitóris.

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Anexos dos mais variados para você personalizar o seu Sybian – Qual você escolheria?

A potência do brinquedo também é um diferencial – fazendo com que a vibração e a rotação estimulem todo o assoalho pélvico, provocando orgasmos de intensidade inédita (não acredita? procura aí no Google vídeos de mulheres usando o Sybian e veja por você mesmo).

O Sybian geralmente pesa dez quilos sem nenhum anexo, só com as plataformas. Portanto não é um dispositivo prático para levar por aí, mas sim um investimento. Aliás, bota investimento nisso. Um exemplar original – sem nenhum adendo, sai por 1.200 dólares no site oficial (cada anexo extra fica em torno de sessenta dólares).

Dá pra encontrar modelos genéricos no Amazon pela bagatela de 200 euros, mas olhando pelo design, não dá pra saber se vale o custo benefício.

Obviamente, por enquanto só me resta sonhar com esta maravilha. Pensando bem, é até bom. Se eu tivesse um desses, é provável que nunca mais saísse casa.

 

A história do strip-tease que não foi (e agora foi, pra todo mundo)

Para conseguir sentar e contar essa história, tive que esperar toda a raiva e a humilhação passarem. Eu não queria que fosse uma carta de ódio, porque afinal o que eu conseguir extrair de tudo isso tem muito mais a ver comigo do que com qualquer outra pessoa.

Já falei algumas vezes aqui no blog sobre como é complicado para mim viver a minha sexualidade de maneira aberta, e como foi um processo de autoaceitação, que muitas vezes implicou em julgamentos e me isolou das pessoas.

Eu sempre fui uma pessoa cheia de desejo e energia, sempre tive vontade de me expressar sexualmente de maneira plena, por ser uma faceta natural da minha personalidade, mas esse meu desejo sempre esbarrou em muitas coisas. Uma delas, a insegurança dos homens e mulheres com quem me relaciono (principalmente os homens).

Como já comentei anteriormente, a sexualidade feminina é vista como ameaça, e por conta disso, tem que ser sempre objeto do desejo de outros, mas nunca ideia das próprias mulheres. Como consequência disso, os homens costumam tratar o sexo como uma temporada de caça e abate, e portanto muitas vezes só conseguem gozar literal e figurativamente quando sentem que estão no controle da situação.

Eu sou prova viva desse mal. Sendo uma mulher extremamente aberta com a minha sexualidade, sempre tive que ficar pisando em ovos para proteger a frágil masculinidade dos meus parceiros na cama. Tudo que não é iniciativa deles os deixa morrendo de medo. Não pode assim, não pode assado. Falar uma putaria, colocar uma lingerie, querer experimentar um troço novo na cama – tudo é motivo para a noite ir por água abaixo. Eu ando cada vez mais convencida que os homens podem até achar que gostam muito de sexo, mas gostam mesmo é de colecionar conquistas.

O que me traz à história de agora: Para mim, nunca bastou viver minha sexualidade de maneira aberta sozinha. Eu sempre quis ter esse meu lado reconhecido, validado e compartilhado. De alguma forma, pra mim nunca bastou que esse lado meu existisse. Eu queria que ele existisse com alguém, que eu pudesse ser reconhecida na minha maneira de expressar causando desejo na minha intimidade.

Bom, pra resumir, não rolou.

Embora eu tenha tido uma vida sexual divertida e vibrante, todas as vezes que tentei experienciar isso de maneira mais exuberante, foi tudo um grande fiasco. Ocorre que eu fiz aulas de dança por alguns anos, sempre me interessei por performance burlesca e sempre tive uma fantasia louca de fazer um strip-tease para alguém especial. Nos meus últimos dois relacionamentos sérios, as tentativas foram muito frustradas. Na primeira, fui interrompida no meio da coreografia pelo meu ex namorado, que não era capaz de lidar com aquilo (palavras dele). Na segunda, o moço em questão com quem estava num relacionamento cortou logo a ideia pela raiz, quando em devaneei em dar de presente de aniversário uma strip-tease, com um taciturno “melhor não”.

Daí que isso me gerou uma enorme frustração, que eu achei que ia se resolver este ano quando eu conheci um argentino. Moreno, alto, bonito e sensual. Só que como nada é perfeito na vida, tinha um problema: Um oceano entre nós. Eu moro em Berlim, ele em Buenos Aires. Nos conhecemos quando ele estava aqui de passagem, vivemos um breve porém tórrido affair, antes de ele voltar para os confins do cone sul. Para a minha surpresa e deleite, continuamos a conversar mesmo assim.

Ele era um pouco hétero demais para o meu gosto, mas como estava cansada de dar murro em ponta de faca com esquerdomacho, resolvi dar uma chance para o destino, mesmo sabendo que relacionamento à distância só traz dor e sofrimento. Num dos nossos papos, falei da minha fantasia frustrada de fazer o tal strip-tease, e ele se interessou imediatamente, sinalizando com entusiasmo que ia adorar me ver tirar a roupa pra ele.

Pois bem, né, logo me animei. Prometi que se ainda estivéssemos nos falando no aniversário dele, faria um strip-tease de presente.

Dois meses depois, chegou o famigerado aniversário. A nossa relação já começava a dar sinais de desgaste por conta da distância, mas como missão dada é missão cumprida, resolvi fazer o tal strip, que pelo menos ele ia ter uma boa lembrança de mim.

No meu escasso tempo livre, montei uma coreografia. Fui até a casa do meu amigo, pedi para ele me ajudar com a luz. Me maquiei. Botei uma lingerie daora. Repeti a coreografia umas cinco vezes. Editei o vídeo. Montei o link. E mandei no dia do aniversário.

Aguardei a reação dele ansiosíssima. Sentia que finalmente estava realizando uma fantasia antiga, que estava me realizando naquele momento em poder me expressar de uma maneira que nunca tinha conseguido antes. Os dias se passaram e nada. Ele sumiu. Me fez um belíssimo ghosting, e suspeito que nunca tenha baixado nem assistido ao tal vídeo.

É engraçado como, de diferentes maneiras e em diferentes graus, esse tipo de coisa acaba se repetindo nas minhas interações e das minhas amigas com os homens héteros. Nós mulheres somos ensinadas e encorajadas a trabalhar pelas relações, a tentar consertar o que está quebrado, a darmos o nosso melhor sempre, enquanto os homens aprendem a receberem os frutos dos esforços da companheira, mas se retirarem da situação quando as coisas ficam minimamente difíceis.

Nem precisa dizer que isso cria uma dinâmica de relacionamentos heterossexuais esquizofrênicos, com expectativas conflitantes. Mas eu não estou aqui para falar sobre isso. Como disse no começo, esse texto é mais sobre mim.

No fim das contas, percebi que tinha feito aquilo por mim

Toda essa experiência foi incrivelmente frustrante porque eu senti que estava muito perto de mostrar um lado meu que é muito importante pra mim e ser reconhecida por ele, coisa que acabou não acontecendo. Fiquei inconformada de pensar que ele nem sequer se interessou em ver o vídeo; eu estava tão orgulhosa do meu trabalho. Gostei do resultado final, da luz, me vi naquela coreografia, vi uma nova versão de mim, que sempre existiu mas eu nunca tive como dar vazão. E eu queria que aquela Ana existisse, fora do cantinho da fantasia em que ela sempre esteve guardada.

Foi então que eu percebi que aquele vídeo não tinha nada a ver com aquele cara, nem com meu ex, nem com meu outro ex. Eu estava fazendo tudo errado. Eu queria procurar nos outros autorização para fazer uma coisa que tinha a ver comigo, com a minha expressão, e que não precisava de mais ninguém para existir.

O negócio é; muitas das minhas interações foram satisfatórias porque eu sempre tive medo e vergonha de ser assim tão libidinosa como eu sou. Aí eu tentei apresentar esse lado meu no privado, como se fosse um presente especial, esperando que isso pudesse amortecer o impacto nas minhas relações pessoais, e eu pudesse ganhar a autorização que queria para ser desse jeito. Só que eu percebi, graças a toda essa experiência, o quanto eu me diverti, o quanto eu me senti livre, minha e poderosa, fazendo algo que eu sempre tive vontade de fazer.

Então no fim das contas, por mais que o episódio todo tenha sido meio bosta, estou grata ao meu argentino por ter, como os outros, se acovardado diante de mim. Foi por causa disso que eu percebi que eu quero continuar fazendo strips por aí porque estou fazendo para satisfazer o meu tesão, e eu não preciso da validação de mais ninguém pra isso.

E se por causa disso eu afastar pessoas que eu gosto, paciência. Eu não posso continuar apresentando uma versão diet de mim na esperança de ser mais palatável (em outras palavras, não vou ficar mais diminuindo meu brilho para proteger o ego frágil de ninguém – especialmente dos homens).

Portanto, como você já pode imaginar, este texto só pode acabar com o famigerado vídeo. Que foi fruto de muita vergonha pra mim – vergonha de ser tão disponível, vergonha do esforço que coloquei nele pra nada, vergonha de me sentir tão plena ao me expressar e ser repelida por isso – mas que agora eu só tenho orgulho e vontade de mostrar para quem quiser assistir.

Bom proveito.

 

Mais um conto publicado na plataforma Jmamuse!

Opa, gente! É com o maior prazer que eu venho contar pra vocês que mais um continho meu foi publicado em uma das minhas plataformas eróticas preferidas, a Jmamuse! Desta vez, em português! Corram lá para reler este que foi o primeiro conto publicado aqui no blog, e aproveitem para conferir o conteúdo que eles oferecem que voces nao vao se arrepender 😀

 

Meu artigo para a Pornceptual MAG #3!

Tô escrevendo esse post cheia de orgulho – mas não é todo dia que a gente colabora para um projeto que acredita e admira muito. Para quem não conhece, o Pornceptual é um coletivo de pornografia queer e de guerrilha que é baseado aqui em Berlim. Quem comanda são três brasileiros, e eles produzem desde festas de fetiche, festivais de música, até sessões de fotos, vídeos e também, em edições especiais, a revista Pornceptual MAG. A edição #3 que acabou de sair tem como tema “Guerrilla”; uma compilação de autores, modelos, artistas visuais e fotógrafos criando conteúdo em cima de uma temática comum: A ideia de que o sexo e a pornografia podem ser instrumentos de justiça social, quando eles se afastam de estereótipos mainstream e dão voz para as minorias.

Foi uma delícia colaborar com a revista porque acredito no que o projeto propõe. Falei sobre a importância da alternativa feminista ao pornô tradicional como arma para o empoderamento feminino. A edição é limitada, mas você pode correr aqui para encomendar a sua. Aproveita e entra lá no site da Pornceptual para fuçar em tudo. O conteúdo é de encher os olhos.

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