Maio – Mês da Masturbação (Masterpost)

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Foto: Dainis Graveris

Olá amores e amoras, tudo bem? Sabiam que maio é comemorado internacionalmente como o mês da masturbação? Claro que eu não poderia deixar vocês na mão numa ocasião dessas (rs), então está aqui um compilado de posts dos mais variados tipos sobre masturbação pra você se inspirar!

CONTOS ERÓTICOS SOBRE MASTURBAÇÃO:

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O conto da mocinha solteira – Um continho curto e rápido sobre todas as fantasias de uma mulher solteira na hora de soltar a imaginação

Reencontro de faculdade – Parte 1 – Um conto erótico de sexo à três com dois ex (menino e menina); longo e com vários detalhes pra te inspirar!

Noite de Semana – Um conto bem romântico, bem meladinho, pra quem está apaixonado ou com vontade de se apaixonar – com uma surpresinha para meninas que querem explora a porta de trás dos namorados!

Como (não) resistir a uma tentação – Um conto erótico para aquela saudade de farrear, de sexo casual, de bagunça; pra quem está confinado nessa quarentena.

RECOMENDAÇÕES: 

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(Mais) 6 Alternativas ao Pornô Tradicional que Vão Realizar Todas as Suas Fantasias – Uma lista de todas as melhores alternativas à pornografia mainstream pra você que já zerou o pornhub e quer diversificar o material de apoio.

A história do strip-tease que não foi (e agora foi, pra todo mundo) – Uma história pessoal para você dar a volta por cima, se achar gostosa pra caralho com um strip-tease exclusivo dessa que vos fala.

(Mais) Oito Instagrams safadinhos para seguir – Uma lista com os perfis mais sexys do Instagram, pra apimentar o seu feed!

SEX TOYS:

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Luva erótica – Um detalhe simples que pode revolucionar sua vida sexual – Um brinquedinho inesperado e baratinho que pode fazer toda a diferença na sua masturbação!

Sugador clitoriano – Amor verdadeiro, amor eterno – Uma review sincerona do meu sex toy preferido que revolucionou minha vida!

Sybian Sex Machine: O vibrador perfeito? – Um vibrador dos vibradoes, o brinquedo dos brinquedos. Pra você que está podendo investir em um sex toy de luxo, dá uma olhada no Sybian.

VÍDEOS SOBRE MASTURBAÇÃO:

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Vlog – Minha coleção de sex toys! – Um vlog contando sobre todos os meus sex toys – como usá-los, e quais eu mais gosto.

Vlog: Masturbação feminina – Um vídeo contando minha história com a masturbação sendo mulher: Desde a culpa, até aprender a lidar com minha própria sexualidade.

Vlog – Guia básico da pepeka – Um vídeo pra você entender direitinho como funciona uma periquita, e quais os maravilhosos mecanismos que podem te dar mais prazer!

Gostou? Então não perde tempo, e bota essas mãozinhas pra jogo!

Uma entrevista de autora erótica para autora erótica

Um papo entre duas escritoras sobre sexo, arte – e como juntar os dois.

Que delícia poder trazer esse papo aqui! A Ida J é uma escritora erótica baseada em Amsterdam talentosíssima, e alguém que eu tenho grande prazer de trabalhar lado a lado na BERLINABLE! Ela foi uma das primeiras autoras recrutadas para o nosso time, e é uma pessoa de personalidade contagiante – a gente “bateu” logo de cara! Resolvemos fazer um papo bem sincero sobre o que significa escrever erótica pra gente, e fiquei muito feliz com o resultado!

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Lembro que te conheci pela primeira vez na Pornceptual, estávamos as duas lendo para a BERLINABLE; as duas arrasando de lingerie. Agora eu tenho o prazer de te entrevistar, até porque agora já conheço bem o seu trabalho. 

Minha primeira pergunta é; até que ponto você empresta suas experiências pessoais para suas histórias. Acho que todos nós nos inspiramos em nossas vidas, é claro, mas sempre que eu leio suas histórias, fico impressionada com o quanto eu me identifico! São tantos detalhes que ressoam, a coisa toda da assadura no comecinho de Weeknight me vem à mente, por exemplo. Porque é muito real! Me fale um pouco sobre como sua experiência influencia o seu trabalho.

Olha, pra ser sincera, meus contos são 100% inspirados na minha vida! Não sei se é queimação de filme falar isso… Mas é a verdade. Como escritora, eu gosto muito de brincar com as ferramentas que diferentes formatos me dão. Nos meus roteiros, que exigem uma escrita mais técnica e distanciada, a minha experiência pessoal não é a influência mais forte. É claro que é como você falou, como escritores nossa vida sempre influencia o que a gente escreve… Mas nos meus contos eróticos eu realmente pego as minhas noites de sexo e transformo em histórias na maior parte das vezes.

Acho que tem muito de vulnerabilidade, deixar um conto erótico sexy, eu acho que é o formato em que mais faz sentido brincar com nossa experiência pessoal – porque são relatos de fantasias. Então eu uso bastante da minha experiência. Outra coisa que rola nos meus contos é escrever sobre coisas que eu queria que tivessem acontecido e acabaram não acontecendo… é uma maneira de dar vazão ao meu tesão reprimido. Hahaha.

E sobre a parte da assadura… eu acho que o sexo é diversão! Em geral, gosto de colocar um pouco de comédia nos meus contos, deixarem eles próximos da vida real, traduzir o ridículo da sedução também. Gosto de trazer essa leveza nas minhas histórias. Existe muita culpa em relação a sexo, especialmente à sexualidade feminina, então imprimir esse lado engraçado é uma maneira também de me apoderar dos meus desejos.

Depois disso, conte-nos a história de Pimenta, como você começou a escrever erótica? Eu sei que você também escreve sobre o tema da saúde sexual, para você as duas coisas estão relacionadas? 

Comecei há muito tempo! Eu escrevo desde criança – escrevi meu primeiro livrinho aos seis anos – e quando entrei na adolescência tudo que era meio picante me deixava interessada. Eu tinha uma tendência muito forte a pensar em sexo desde que descobri o que era, e aos doze anos escrevi o que eu considero minha primeira peça erótica. Era um relato de sonho erótico do ponto de vista de um cara que estava me comendo. E sendo sincera, não é nada fofinho, é bem direto ao assunto! Acho que isso de ter um eu-lírico masculino me deixou mais solta.

Depois disso, durante toda minha adolescência li e escrevi muita fanfic – principalmente as NC-17, que tinham cenas de sexo. Acho que isso formou muito do skillset que uso hoje no meu trabalho.

Sobre a saúde sexual, com certeza as duas coisas estão relacionadas. Pra mim, o problema é que a gente aprende sobre saúde sexual do ponto de vista puramente biológico, é formal e distanciado. Parece que uma coisa são os processos, os cuidados que precisamos ter. Outra totalmente diferente é o tesão, a diversão, aquelas coisas que fazem a gente querer transar de verdade.

No meu ponto de vista, essa separação é a raiz de muitos problemas. Falar sobre camisinha, sobre ISTs, é tabu, é corta-tesão. Acho que não pode ser assim. No meu blog eu faço questão de misturar os dois assuntos – que no fim são a mesma coisa. Tirar este estigma das informações importantes e entender como o desejo e a saúde andam juntos.

Uma das coisas que eu tenho mais orgulho de ter feito na BERLINABLE foi o concurso MAKECONDOMSSEXY, ano passado, justamente por causa disso. Sempre tive vontade de falar do uso de camisinha no contexto da erótica. E fiquei tão feliz que os outros autores entraram na pira! O seu conto, The Madness of Last Night, é uma loucura, porque é cheio de cenas de orgia e sexo louco. E tudo isso promovendo sexo seguro. Não tem que ser uma coisa ou outra.

Voltando ao seu Blog, até que ponto essa paixão pela erótica e pelos tópicos relacionados à sexualidade é algo moral ou político para você? Você acha que é importante que nós, como escritores, tentemos influenciar o que você poderia chamar de cultura sexual – coisas como consentimento, sexo seguro, mas também incentivando as pessoas a experimentar coisas que de outra forma não teriam a oportunidade de experimentar?

Com certeza, e digo isso por experiência própria. Cresci num estado tradicional, minha relação com minha sexualidade era de muita, muita culpa. Pra você ter uma ideia, eu chorava toda vez que me masturbava! Falei inclusive sobre isso no meu canal do YouTube.

Comecei a fazer o blog porque queria ser a mulher que eu precisava quando eu era mais nova. Quanta culpa eu teria deixado de sentir se na época das minhas descobertas houvesse uma mulher que falasse de maneira natural sobre sexo. Sem culpa. Acho muito importante naturalizar os nossos desejos, especialmente para meninas mais novas.

E também aprendi muito sobre sexo lendo e escrevendo erótica – muito antes de começar a fazer! Aprendi sobre consentimento, sobre teoria queer, sobre fetiches… essas informações foram muito preciosas na minha formação, mudaram minha visão sobre o sexo, sobre meu corpo e sobre os meus desejos. E eu descobri muitos fetiches lendo sobre as fantasias de outros!

Acho que a erótica é uma ferramenta muito poderosa para conhecermos outras maneiras de viver o sexo. E eu sinto que esse é um legado que preciso passar para frente no meu trabalho. Foi introduzida a muita coisa que revolucionou minha vida sexual por outros autores; hoje em dia penso que falando das minhas fantasias e experiências de maneira totalmente franca, posso fazer o mesmo pelos meus leitores.

Já que estamos falando dessa questão política e da franqueza sobre a posição ideológica, estou interessada em ouvir sua posição sobre o anonimato no que diz respeito à escrita erótica.

Isso é totalmente pessoal. Na BERLINABLE temos vários autores que escrevem com um pseudônimo, e vários que usam o nome real. Acho que depende da vida que a pessoa leva. Essa é a liberdade que a erótica garante; ela te permite viver fantasias num mundo que pode estar descolado das dificuldades do dia-a-dia.

Para mim em particular, foi uma decisão pensada. Eu já tinha o blog, mas era uma coisa mais pessoal. Escrevia contos, mas não divulgava. Eu morava em São Paulo, trabalhava na área de comunicação, e estava muito infeliz por não poder ser sincera em relação aos temas que eram importantes pra mim.

Quando decidi largar meu emprego e vir para Berlim, tomei também a decisão de começar a divulgar meus contos, levar o blog a sério, dar a cara pra bater. Tive uma conversar séria comigo mesma e decidi a partir dali que ia enfrentar qualquer consequência que isso tivesse, seja na minha vida profissional, amorosa ou familiar. Era o quanto eu sentia que sem poder me expressar completamente eu estava infeliz.

Por sorte, deu muito certo! Na verdade, as pessoas passaram a me respeitar muito quando comecei a me colocar. Acho que quando é autentico, isso transparece, e as pessoas de identificam de alguma forma.

Então, não sei muito sobre sua criação, mas quando Salvador e eu conversamos, ele mencionou a sexualidade cheia de culpa como uma influência real em sua vida e no que ele escreve. E mesmo em contextos mais liberais, ainda existe muita vergonha nas histórias, e isso, naturalmente, chega a material erótico de qualquer tipo. Dito isto, essa vergonha também é algo para brincar, uma fonte de grande excitação em muitos casos. As normas de gênero são semelhantes, restritivas, mas cheias de potencial sexual. Sem querer soar muito Judtih Butler, mas queria saber o que você pensa a respeito, me conte como essas coisas batem pra você.

Acho que existe algo muito sexy na rebeldia. No desafio à norma. Todos nós, escritores de erótica, somos outsiders no fundo, né. Eu sinto que essa rebeldia aparece no meu desejo porque eu gosto muito de brincar com as barreiras de gênero. Inverter os papéis com um homem, vê-los maquiados, distorcer as expectativas da sociedade… isso tudo me excita muito. E sim, acho que tem a ver com esse desejo de brincar com o que é tabu.

Afinal das contas, sexo ainda é tabu na nossa sociedade, então o tabu acaba sendo a matéria-prima do nosso trabalho. Acho que o ofício de um escritor erótico é pegar este tabu e dar significado a ele, dar a ele uma forma que provoque emoção nos leitores.

(Mais) 6 Alternativas ao Pornô Tradicional que Vão Realizar Todas as Suas Fantasias

Seis alternativas deliciosas à pornografia mainstream para aliviar o tesão sem alimentar a indústria pornográfica tradicional.

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Fonte: Jota

Pois é, meu povo. O mudo está em quarentena, e a gente sabe que quando o pessoal fica à toa, assistir pornografia é o que a Internet mais faz.

Porém, eu tenho muitas reservas com a pornografia tradicional. São muitos os problemas criados por essa indústria, e por causa disso, eu resolvi nos idos de 2016, fazer um post com seis alternativas ao pornô tradicional. Post este que continua entre os mais acessados do blog até hoje!

De lá pra cá, muita coisa mudou, e o post acabou ficando desatualizado. Algumas dicas que eu deu já não valem mais (RIP Tumblr ;_;) e já surgiu muita coisa picante e saliente para esquentar essa nossa quarentena sem ter que sustentar uma indústria que faz milhões explorando mulheres!

Então, sem mais delongas, vamos às minhas dicas de seis alternativas à pornografia tradicional:

Literatura Erótica

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É, eu sei que eu sou suspeita pra falar, afinal, contos eróticos são parte da minha profissão. Mas eu vou continuar defendendo, afinal eu sinto que quando a gente lê pornografia, a gente acaba descobrindo um monte de coisa sobre a gente mesmo. Eu passei a adolescência lendo fanfics eróticas, o que me ensinou muito sobre sexo muito antes de eu estar fazendo sexo.

Além disso, tem uma coisa passiva na maneira como a gente consome pornografia mainstream. A informação é passada diretamente, não tem tensão nenhuma. Com erótica, é diferente. A sua imaginação precisa participar, construir um cenário, preencher os detalhes… Então é uma maneira bem mais saudável de lidar com as próprias fantasias, na minha opinião.

Eu recomendo os meus continhos, claro! Mas também tem dá pra encontrar muuuuuita coisa no Amazon, de graça ou baratinho!

Ah, e pra quem le em ingles, duas dicas boas: O site Literotica tem conteúdo até não acabar mais para todos os fetiches. São mais de 50.000 histórias gratuitas! E eu estou trabalhando como editora chefe de uma editora erótica aqui em Berlim! O nome é BERLINABLE, e o foco das histórias é a diversidade e sex-positivity. Dá pra baixar os livros por aqui!

Games Eróticos

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Andamos bem grudadinhos no celular, ainda mais durante a quarentena. E no mundo dos apps, claro que a putaria nunca poderia ficar de fora. As lojas de apps estão apinhadas com jogos eróticos dos mais variados, desde simulações tipo Second Life, passando por cenários fantásticos que lembram Hentai, até jogos com mais romance. São muitas as opções, mas para baixar a maioria é preciso ser maior de 18 anos. Ficou curioso? Dá uma olhada nessas recomendações aqui.

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Podcast é a mídia do momento, e é claro que a putaria ia acabar migrando para lá. O mercado de áudio pornográfico oferece muitas opções, e a boa noticia é que vários sites são especializados em erotismo para mulheres. O mais famoso deles, o americano Dipsea, conta com áudios de mais ou menos 10 minutos, super bem produzidos, que propõe uma experiencia imersiva para o usuário: Efeitos sonoros, gemidos, suspiros… Tudo para fazer a coisa ficar mais real. O serviço é pago num esquema de assinatura, mas você pode fazer uma experiência gratuita de uma semana.

Outra boa alternativa ao pornô tradicional são os audiobooks; nada mais do que literatura erótica me formato de áudio. Dá pra achar muitas opções no Audible, filiado ao Amazon.

Patreon & OnlyFans

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E vamos de #packdopezinho. O Patreon e OnlyFans são uma ferramentas para criadores de conteúdo receberem apoio financeiros dos fãs. Como são plataformas mais permissivas, natural que quem estivesse trabalhando com conteúdo adulto migrasse pra lá. O esquema é mais democrático do que a pornografia tradicional – porque voce está consumido direto da fonte, sem o intermédio de um aparato industrial escroto.

Além da vantagem de conteúdo erótico sendo produzido por gente real, nessas plataformas há a possibilidade de interagir com quem cria. Sao muito os perfis, para todo o tipo de gosto, mas vou deixar aqui alguns dos que acompanho; Aja Jane, Stefania Ferraro, e o conteúdo da Almond, uma artista baseada em Berlim que faz pornografia feminista. Ela não está nestas plataformas mas dá pra achar o trampo dela aqui.

Ilustrações Eróticas

https://www.instagram.com/p/BvPlluBnaHc/

Para muita gente o que dá tesão é a coisa mais real possível, mas arte erótica também pode ser incrivelmente excitante. O Instagram está apinhado com criadores muito talentosos que publicam ilustrações picantes que são capazes de mexer com a imaginação. Nada de novo sob o sol né, afinal, a gente já via nas esculturas gregas que elas eram feitas para seduzir.

A diferença agora é a acessibilidade a um grande universo de conteúdo que atende muitos nichos – ou seja, por mais específico que seja o seu fetiche, voce vai achar o que está procurando. Alguns dos meus perfis preferidos são as ilustrações da Alicia Rihko, que eu coloquei aí em cima, do Alpha Channeling, e a conta de curadoria do Jmamuse.

Dá pra achar bastante coisa navegando no Instagram, e de quebra alguns desses artistas disponibilizam prints e até cadernos de colorir pra venda. Você resolve o seu tesão e ainda ajuda os artistas! Não poderia ser melhor.

E aí? Gostou? Inspiração não vai faltar nessa quarentena, né? E caso voce tenha mais alguma dica pra complementar a lista, deixa aqui embaixo nos comentários!

Sugador clitoriano – Amor verdadeiro, amor eterno

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Bom, não é de hoje que eu digo que o vibrador é o melhor amigo de qualquer mulher. Na verdade, eu fiz até um vídeo mostrando toda a minha coleção de sex toys. Mas com a minha mais recente aquisição, o sugador clitoriano, meus amigos… Foi diferente.

Desde que esse produto surgiu no mercado que eu estava louca pra testar, mas o preço me desanimava. Isso porque o principal que achamos à venda, o Womanizer, sai por em média setenta euros. O negócio é que o estímulo clitoriano é para mim a melhor forma de sentir prazer, e a ideia de ter um brinquedinho que SUGA o meu clitóris como no sexo oral… Era bem tentadora.

Foi numa feliz coincidência do destino que encontrei o Satisfyer, um modelo mais em conta, por nada menos que METADE do preço normal. No fim, paguei vinte e cinco euros no meu numa promoção relâmpago. Como já estava de olho no estimulador clitoriano, quando vi a promoção não pensei duas vezes. E foi a melhor coisa que eu fiz.

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Fonte

Como o sugador clitoriano funciona?

Basicamente, a brincadeira é um estímulo que simula a sucção do clitóris. Eu sou bastante sensível, então fiquei com medo do negócio ser POTENTE DEMAIS pra mim, mas fiquei bem feliz com o resultado. O meu tem DEZ intensidades diferentes, mas eu só consigo ir até a segunda rs.

O estímulo é idêntico ao do sexo oral? Não. A real é que nenhum brinquedo pode substituir outra pessoa 100%, né? É parecido, mas diferente. Uma sensação nova. O grande diferencial, é que o brinquedo se concentra totalmente no clitóris, que afinal é o nosso principal órgão de prazer.

Mas e aí, o sugador clitoriano é tudo isso mesmo?

Bom… É. No último mês, todos os outros brinquedinhos ficaram obsoletos. Não, não é um milagre, óbvio que nada vai fazer você gozar baldes em segundos. Mas eu nunca tive orgasmos tão fortes e tão rapidamente com um brinquedo antes. E olha que como eu sou sensível, às vezes sou meio chata de agradar.

Segurando o cabo por cima, dá pra apoiar o Satisfyer na barriga e ter aquele orgasmo bem preguiçoso. O brinquedinho também é super fácil de usar no sexo com parceirxs, e é uma possibilidade ótima para ampliar as possibilidades nas transas.

Resumindo, o preço é salgado, é. Mas na minha opinião, vale a pena.

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Carinha de quem está apaixonada rs

No Brasil, o sugador clitoriano mais em conta sai por em média R$ 200,00 mas os preços variam de marca para marca. Minha dica é ficar de olho em promoções para conseguir por um preço mais baixo.

Eu estou em lua de mel com o meu sugador, não vou nem mentir. Foi o meu dinheiro mais bem investido em muito tempo. Digamos que já recebi o retorno do que eu paguei em (muitos) orgasmos!

Vlog – Por que mulheres lésbicas têm mais orgasmos que as héteros?

A ciência não mente: Mulheres lésbicas têm mais orgasmos e vidas sexuais mais felizes que as héteros. Mas por que existe essa diferença? Os homens são tão ruins assim de cama?

A resposta é mais simples do que parece, e está na anatomia feminina.

Comprando a pílula do dia seguinte na Alemanha

Para comprar a pílula do dia seguinte na Alemanha, é preciso passar por uma entrevista. Conto a minha experiência com tudo que você precisa saber.

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Foto: Reproductive Health Supplies Coalition

 

Moro em Berlim há três anos, e a experiência de comprar a pílula do dia seguinte por aqui foi um tanto surpreendente e estressante, por isso resolvi compartilhar com vocês.

Como contei em alguns vlogs, tomei anticoncepcional por quase dez anos, e decidi parar logo que me mudei para a Alemanha. Estava sentindo que a pílula me fazia mal, e parei de tomá-la por uma decisão consciente. Foi uma das melhores decisões que eu já tomei, mas isso é assunto para outro post. Fato é, que por conta disso, nunca havia precisado tomar a pílula do dia seguinte enquanto morava no Brasil.

Mesmo assim, conhecia bem o procedimento, porque acompanhei amigas que precisaram do tal “plano B”. Então eu sempre tive na cabeça que era uma coisa muito simples; só chegar na farmácia, pedir, e comprar. A pílula do dia seguinte também é bem barata no Brasil. Morando aqui na Alemanha, eu tinha na minha cabeça que o processo seria igualmente – ou até mais simples. Mas tive uma grande surpresa quando precisei deste recurso de emergência.

Foi numa tarde de domingo, em silencioso desespero, que eu fui fazer a pesquisa. A camisinha tinha estourado na noite anterior e para piorar, eu estava justamente no meu dia fértil. Decidi que ia tomar a pílula do dia seguinte pela primeira vez, abri o Google para descobrir onde poderia comprar. E foi aí que eu vi que a coisa não é tão simples assim.

Na Alemanha, é preciso passar por uma entrevista para comprar a pílula do dia seguinte

Quer dizer, já melhorou muito. Até 2015, a pílula não era vendida sem receita. Hoje em dia é possível comprar diretamente nas farmácias. Porém, pra isso, é preciso passar por uma entrevista com o farmacêutico, que tem o direito legal de negar a venda caso julgue conveniente.

A entrevista é uma coisa automática. Claro que é um pouco constrangedor, mas no meu caso, como já tinha lido a respeito, estava preparada. O farmacêutico me perguntou o motivo da necessidade da pílula do dia seguinte, se eu estava ciente de como funcionava, se eu já tinha tomado alguma vez antes e quando, meus hábitos em geral e meus hábitos sexuais, além de algumas perguntas sobre o histórico de saúde da minha família.

Depois de responder tudo, ele me explicou o funcionamento da pílula, me perguntou se eu entendia que era um procedimento emergencial e não podia ser usado como anticoncepcional regularmente, orientou que eu poderia ter efeitos colaterais, e me alertou que caso eu vomitasse nas próximas três horas iria precisar tomar outra vez.

Na hora de pagar, mais uma surpresa: O preço. Um pouco mais de 30 euros, o que é bastante. Para se ter uma ideia, eu gasto em média 20 numa compra de supermercado semanal. No Brasil, a pílula do dia seguinte é subsidiada – e também deve ser oferecida gratuitamente pelo SUS. Por aqui, até absorventes são taxados como itens de luxo, então não é de se surpreender que o preço seja alto.

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Na Alemanha, existem as Drugstores e Farmácias (Apotheke), e a pílula só pode ser encontrada em farmácias! Foto: © Hyde Flippo

Tomar a pílula foi uma experiência bem ruim, para ser sincera. Primeiro que eu não menstruei de cara como geralmente acontece – na verdade minha menstruação atrasou por dois meses, e eu fiquei totalmente paranoica que tinha engravidado mesmo as chances sendo pequenas. Depois que eu senti que ela deixou meu corpo super desregulado, e eu fiquei bem esquisita e indisposta por um tempão. É óbvio que a pílula do dia seguinte é um recurso que deve ser usado apenas em casos de emergência.

A pílula do dia seguinte é um recurso importante – mas como lidar com ele?

Essa história toda me deixou pensando muito. Afinal, o aborto é legalizado aqui na Alemanha, e na minha experiência pessoal, eu sinto muito mais igualdade de gênero no meu dia-a-dia do que no Brasil. Ainda assim, sinto que estamos mais avançados com a pílula do dia seguinte, mesmo a saúde reprodutiva da mulher sendo o maior tabu do mundo!

Dificultar o acesso é uma coisa boa? No fim das contas, a entrevista foi constrangedora porém indolor, e o farmacêutico me deu informações preciosas para eu poder administrar a pílula de maneira responsável e eficaz. MAS não podemos esquecer que eu estou em Berlim. A cidade mais liberal da Alemanha, de longe. O poder de negar a compra pode não significar muito aqui, uma das capitais do hedonismo do mundo, mas em cidades menores e redutos católicos, pode sim ser um problema.

Enfim, eu não tenho nenhuma conclusão sobre o assunto. Queria dividir minha experiência, para brasileirxs que precisem comprar a pílula do dia seguinte em terras germânicas saberem o que esperar. A melhor prevenção continua sendo sempre o uso do preservativo, mas que eu estou aliviada que a pílula do dia seguinte existe, ah, pode ter certeza que estou.

E no Brasil, com a criminalização do aborto, ela se torna mais importante ainda.

Vlog – Guia básico da pepeka

No vídeo dessa semana, udo de mais importante que você precisa saber sobre a anatomia da vagina, seu funcionamento e como cuidar dela direitinho.

Luva erótica – Um detalhe simples que pode revolucionar sua vida sexual

Já ouviu falar da luva erótica? Não? Pois bem, esse acessório prático e barato pode fazer maravilhas pela sua vida sexual.

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Vocês não imaginam do que essa luvinha é capaz

Não é segredo para ninguém que sou fã de brinquedinhos sexuais e estou sempre atenta à novidades neste mercado. Se fosse por mim, teria um closet inteirinho dedicado a eles, porém minha conta bancária di$$corda. O mercado de sex shops e acessórios de fetiche pode ser bem caro, por isso quando eu encontro sex toys por preços mais em conta fico logo doida pra experimentar.

Numa dessas minhas aventuranças na Internet em sex shops virtuais, acabei topando com a luva erótica, ou luva masturbatória, cuja existência eu desconhecia até então. Bom, minha única reação foi me perguntar por que raios eu nunca tinha ouvido falar disso antes???

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Sex toys bons, bonitos e baratos? Trabalhamos! Fonte: Amazon.com

O brinquedo é literalmente uma luva de silicone, parecida com aquelas que a gente usa pra lavar a louça e não estragar a unha, então taí uma boa desculpa caso alguém que não deveria ache o acessório nos seus pertences 😉

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Fonte

O lance é que a luva erótica tem ranhuras e texturas para aumentar o prazer, seja solo ou acompanhado. Parecida com os dedais para masturbação, o diferencial é que, bom, todos os cinco dedinhos entram na brincadeira. Dependendo no modelo, há textura na palma da mão também.

As luvas oferecem várias opções diferentes, com texturas que prometem os mais variados estímulos. Algumas contam com uma ranhura especial para o estímulo dos mamilos na palma da mão, outras com dedos parecidos com um butt plug clássico, e por aí vai. A imaginação é o limite.

Por causa disso, as possibilidades são muitas, o que faz com a que a luva erótica seja um brinquedo muito versátil. E eu costumo dizer que ela é um sex toy dos mais democráticos; pode ser usada para estímulo clitoriano, prostático, vaginal, peniano, mamilar, para a penetração anal e vaginal, prática de fisting, no sexo lésbico, gay, hétero e o que mais você quiser inventar.

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Olha só esta luvinha bem gófica para fetichista nenhuma botar defeito! Fonte: Amazon.com

As luvas eróticas em geral devem ser higienizadas como qualquer acessório sexual, mas são em sua grande maioria laváveis, o que deixa tudo muito mais prático. A melhor parte é o preço: A minha eu encomendei pelo Amazon e paguei cinco euros. Os preços podem variar mas não ficam muito longe disso.

A que eu comprei foi esta daqui, mas existem outras parecidas disponíveis. Com frete para o Brasil infelizmente são poucas as opções, mas vale uma pesquisa em sex shops locais em busca do produto. Também dá pra encontrar em sites tipo Aliexpress!

Eu não poderia estar mais feliz com minha ~luvinha mágica. Seja para uma noite sozinha procurando bons contos eróticos, para impressionar uma mina num date, para um fio terra caprichado, ela está comigo em todos os momentos, por um ótimo custo benefício.

Vlog – Testei a camisinha feminina!

Enrolei um tempão para testar o preservativo feminino por desconfiar se ele ia funcionar bem. Como colocar, como tirar? Será que incomoda? A resposta é: Tudo é muito mais tranquilo do que você provavelmente imagina!

Quem tem medo de educação sexual?

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Fonte

Nunca vou esquecer a primeira aula de educação sexual que eu tive. Tinha dez anos de idade, estava na quarta série. Numa aula de ciências, em que o currículo programático nos mandava estudar sobre os sistemas do corpo humano, finalmente chegamos ao sistema reprodutor.

Estávamos todos na sala muito empolgados e curiosos, muito mais do que jamais estivemos para conhecer nossos órgãos. Aturando muitas piadinhas e risadinhas, a professora nos conduziu pela matéria. Aprendemos quais eram e onde ficavam nossos órgãos reprodutores. Aprendemos como funciona a menstruação. Aprendemos como ocorre a fecundação de um óvulo.

Ao longo da minha adolescência, nos anos seguintes, aprofundamos os temas. Falamos de sexo seguro, de preservativos. Aprendemos sobre os sintomas de ISTs. Falamos de ciclo reprodutivo e métodos anticoncepcionais. Falamos sobre ginecologia, urologia e acompanhamento médico para a saúde sexual.

Minha educação sexual na escola me ofereceu o básico do básico, e muitas vezes deixou a desejar. Não foi no banco da escola que aprendemos sobre orientação sexual, sobre identidade de gênero e transsexualidade. Quem sabe isso teria evitado que um dos meus melhores amigos, gay, sofresse uma tentativa de espancamento de colegas no segundo ano do ensino médio? Mal e mal falamos de masturbação, e jamais ouvi dizer que era normal que mulheres também fizessem. Talvez isso teria evitado a culpa terrível que eu senti quando comecei a me masturbar. Nunca tocamos no assunto de consentimento. Quem sabe isso poderia ter evitado muitos estupros e assédios sofridos pelas minhas amigas e colegas ao longo dos anos?

Quando a gente queria uma informação mais picante recorria à Internet, às revistas como a Capricho, ou às amigas mais experientes. As informações sobre orgasmo, sobre sexo oral, sobre fantasias sexuais, tudo isso era tabu. Mas o básico do básico, para conhecer o meu corpo, eu aprendi na escola.

Ensinar educação sexual é ensinar sobre saúde

Muito triste ter que dizer uma coisa tão óbvia, mas conhecer como nosso corpo funciona é uma questão de saúde. Como cuidar bem de nós mesmos, ou saber quando há algo de errado, é essencial para que possamos viver vidas mais saudáveis. Por isso também temos aulas sobre como funcionam todos os sistemas do nosso corpo. Precisamos conhecer o funcionamento do sistema digestivo, do nosso aparelho respiratório, do nossos sistema nervoso.

Por que seria diferente com o sistema reprodutor?

A educação sexual oferece informações essenciais para que os jovens possam navegar a sua sexualidade com consciência sobre infecções sexualmente transmissíveis, métodos anticoncepcionais, e sua saúde em geral.

Estamos em 2018. Não é possível que vamos achar que jovens não fazem sexo, ou que se negarmos este tipo de informação, adolescentes vão entrar em abstinência sexual. A descoberta da sexualidade é uma parte natural da vida, e o sexo só é perigoso quando é feito sem informação. Conversar com seus filhos é fundamental para que as escolhas quanto ao sexo sejam conscientes e não traumáticas.

Eu fui perder minha virgindade depois dos vinte anos, enquanto outros colegas o fizeram aos quinze. Recebemos a mesma educação sexual, e isso não influenciou na nossa inicialização.

O desmonte não vem de agora

A educação sexual, bem como o progresso educacional, vem sofrendo ataques sistemáticos há alguns anos, provenientes da ingerência religiosa que quer promover a ignorância a todo custo em nosso país. Porém estamos agora diante do ataque mais flagrante à educação sexual de qualidade no Brasil.

O projeto intitulado Escola Sem Partido, que vem ganhando força com o levante conservador/religioso que vivemos no Brasil atualmente, propõe eliminar a educação sexual do currículo de ciências biológicas dos ensinos fundamental e médio. A justificativa se baseia numa paranoia que estes ensinamentos serviriam para “moldar o juízo moral” dos jovens.

Eu de verdade queria muito saber quem em sã consciência acredita que o interesse dos adolescentes por sexo vem da escola e não o contrário. Não é de agora que os jovens procuram saber todo o tipo de informação sobre o tema assim que começam a sentir as primeiras pontadas da puberdade. Sexo é uma parte natural da condição humana, e uma parte importante do nosso amadurecimento.

Existe abundância de informação de todo tipo sobre o sexo na Internet. Não sei como dizer isso sem ser direta: É ingenuidade acreditar que adolescentes não vão se informar sobre sexo se a escola não oferecer mais educação sexual. Estaremos apenas negando a parte mais técnica e chata da informação – justamente a mais importante para a nossa saúde.

Este é o pior momento para fazer isso

Aprender sobre educação sexual na escola é aprender sobre o funcionamento do nosso corpo e nossa saúde, mas é também levantar pontos importantes sobre o sexo que podem deixar nossa sociedade mais justa e segura. Este é o pior momento para negar aos jovens informações tão preciosas, por vários motivos.

Estamos vivendo epidemias de DSTs, principalmente entre os casais heterossexuais

O Brasil está passando por um aumento perigoso nos casos de diversas infecções sexualmente transmissíveis, que podem ser prevenidas com o uso de preservativo. Ano passado, o país sofreu uma epidemia de sífilis, doença que há muitos anos estava praticamente erradicada. Ademais, o HIV vem se espalhando entre os jovens de uma maneira silenciosa. Os casos dobraram em menos de dez anos, e entre os grupos de risco, estão as mulheres heterossexuais em relacionamentos estáveis (vítimas muitas vezes da infidelidades de seus parceiros “cidadãos de bem” e “defensores da família”).

Falar sobre o uso de preservativos, sobre como as DSTs são transmitidas, quais suas causas e consequências, e como preveni-las, é parte fundamental do currículo de educação sexual e uma informação essencial para qualquer jovem antes que a vida sexual se inicie. Estamos vivendo um momento crítico em relação a infecções que podem ser fatais, e negar este tipo de informação com toda certeza agrava – e muito – o quadro.

Estamos matando nossos LGBTs

Quer uma estatística deprimente? O Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo – um a cada 19 horas. São cidadãos, jovens, velhos, que trabalham, sonham, dão duro todos os dias. Sou eu. São os meus amigos. São os LGBTs na periferia que sofrem ainda mais discriminação e violência.

Sim, precisamos abordar orientação sexual nas escolas, porque é uma questão de humanidade. O Brasil tem um problema crônico e gravíssimo de homofobia, cujas raízes estão calcadas na ignorância a respeito do tema. Não venha me falar de religião. Todas as religiões, inclusive a cristã, pregam tolerância e amor ao próximo. LGBTs existem, são vulneráveis e estão sendo vítimas de violência, todos os dias. A sua religião aprova isso? Aposto que não.

Não existe curso para aprender a ser gay, minha gente. Quem dera os treze anos do governo do PT tivessem tanto a pauta LGBT em mente quanto a direita conservadora gosta de alardear. Se estamos a mercê de uma agenda gay, porque ainda somos o país mais perigoso NO MUNDO para um homossexual viver? Só podemos parar esta violência educando sobre orientação sexual, e estimulando uma sociedade igualitária e tolerante (não estamos mais na idade das trevas, estamos em 2018, vamos começar a agir de acordo, por favor).

Educação sexual é uma ferramenta de proteção para mulheres e crianças

Além das informações básicas sobre DSTs, e doenças como câncer de mama e de colo de útero, a educação sexual é fundamental para as mulheres. Nada menos que cinco mulheres morrem por dia no nosso país por questões relacionadas à gravidez. Em 2014, os abortos clandestinos levaram 200.000 brasileiras aos hospitais por complicações decorridas do procedimento.

Não vou discutir descriminalizar aborto aqui, isso pode ser assunto para outro post. Minha questão é, se somos totalmente contra a interrupção da gravidez não desejada, precisamos oferecer às mulheres a informação e as ferramentas adequadas para que ela possa prevenir que isso aconteça – isso inclui acesso à meios contraceptivos. Anticoncepcionais, preservativos, pílula do dia seguinte.

Mais do que garantir o acesso das mulheres a estes recursos, é fundamental que elas saibam usá-los corretamente. Somente uma educação sexual de qualidade pode garantir que as brasileiras tenham as informações corretas para viver sua sexualidade de maneira plena e segura.

Ou vocês vão me dizer que acreditam que a partir de agora todo mundo só vai transar pra se reproduzir?

Sem contar o número alarmante de abusos e estupros de crianças e adolescentes no Brasil, cuja maioria ainda acontece dentro de casa. Crianças, em sua maioria mulheres, são vítimas dos abusos de pais e padrastos, como no horrorizante caso recente do homem que estuprou a filha sistematicamente por dois anos, como compensação pelos gastos que tinha com ela com coisas como roupa e alimentação. Aprender o que é sexo na escola e saber diferenciar o que pode ser feito do que é abuso pode ser o que salva uma criança de uma situação dessas.

De maneira geral, não podemos confiar apenas que os pais passem informações sobre educação sexual para os filhos, simplesmente porque por mais bem intencionados ou informados que sejam, educação sexual é principalmente conhecimento científico.

Informar detalhadamente sobre o funcionamento do corpo, sobre infecções sexualmente transmissíveis e métodos anticoncepcionais deve ser dever de quem tem o conhecimento especializado na área. Não esperamos que os pais ensinem aos seus filhos sobre números complexos, sobre como resolver uma equação de saponificação, ou o funcionamento do sistema nervoso. Este conhecimento pode ser complementado em casa, mas é primeiramente dever da escola.

Estamos na contramão do mundo

Dar passos para trás em relação a educação sexual nas escolas é fazer justamente o contrário do que o resto das nações está fazendo, principalmente as mais desenvolvidas. Na Alemanha, onde eu moro, a educação sexual é obrigatória nas escolas, e não engloba apenas os aspectos biológicos do funcionamento do corpo humano, mas também questões de identidade de gênero, sexualidade e relacionamentos.

Numa decisão histórica, a Escócia, país onde vivi por um breve período, acaba de aprovar uma lei que torna obrigatório o ensino sobre a população LGBT+ nas escolas. O novo currículo contará com aulas sobre homofobia e a história dos movimentos sociais LGBT, protegendo e acolhendo alunos da comunidade desde cedo.

A própria UNESCO recomenda a educação sexual como parte do currículo escolar como maneira de garantir que os jovens tenham uma vida sexual segura e responsável, já que as pesquisas apontam que mais informações garantem uma relação mais sadia com o sexo, e não o contrário.

Negar informação é uma forma de oprimir

Do ponto de vista ético, temos o dever enquanto sociedade de dar aos nosso jovens as ferramentas necessárias para que eles entrem na vida adulta capazes de cuidarem de si mesmos. Olhando para as estatísticas atuais, fica claro que omitir informações preciosas neste caso é uma forma de violência, já que estamos negando aos nossos conhecimento que interfere em saúde física e psicológica.

Falando em especial do caso das mulheres, para mim está muito claro que a nossa sexualidade é uma das ferramentas mais utilizadas para a prática da opressão. A liberdade e autonomia femininas começam a ser restringidas em relação nosso corpo desde que somos crianças – somos vigiadas e cerceadas em relação a nossa aparência, como nos vestimos e comportamos e se espalha por todos os aspectos de nossas vidas – nossa sexualidade é associada ao nosso caráter e pode impactar nossas escolhas profissionais, de relacionamento e na maternidade.

Para mim garantir mais liberdade para as mulheres passa necessariamente pela libertação sexual. Devolver para as mulheres sua autonomia sexual é um ato de empoderamento real, porque para além de podermos fazer o que quisermos, retiramos da mão do opressor uma das suas principais armas para nos controlar.

Basicamente, para exemplificar, numa sociedade em que o caráter de uma mulher não está associado ao que ela veste, uma saia curta não pode ser uma justificativa aceitável para um estupro. Numa sociedade em que a maternidade não é vista como punição à mulher pelo ato sexual, os pais precisam assumir seus deveres paternos com responsabilidade e diligência.

A quem serve este salto para trás?

Bom, se a educação sexual é uma fonte de saúde física e mental, a quem interessaria retirar este direito dos nossos jovens? Pessoalmente eu concordo com a ideia de que o que testemunhamos no Brasil hoje é um levante da masculinidade tóxica. Homens que cresceram acreditando que merecem glória e afeto por terem nascido homens e sentem ameaçados e cerceados com a possibilidade de mais igualdade, e querem reafirmar sua relevância dentro da sociedade resgatando valores antigos de uma época em que eles se sentiam mais respeitados e valorizados – mesmo que às custas da opressão de outrem.

No fim, os homens sempre gozaram de mais liberdade sexual e como consequência tiveram mais acesso à informação sobre o tema. Para um homem falar sobre sexo, masturbação, fantasias sexuais, é um sinal de virilidade. Meninos são encorajados a iniciarem a sua vida sexual cedo, e o sexo é considerado coisa de homem, algo que os meninos devem ouvir e falar sobre como uma parte do processo de amadurecimento.

Portanto fica claro que o retrocesso serve apenas para uma parte da população. Não estamos negando conhecimento a todos – estamos negando conhecimento principalmente a mulheres, crianças, e LGBTs. Com isso, quem continua ditando as regras da sexualidade no Brasil são os homens – e o sexo continua a servir como algo que existe apenas para satisfazê-los.

A parte mais cruel disso tudo é que estamos negando proteção básica e saúde a quem mais precisa. São justamente as mulheres, os homossexuais e transsexuais e as crianças os grupos mais vulneráveis e mais propensos a sofrer com abusos, doenças sexualmente transmissíveis e gestações indesejadas.

Para mim, usar religião para justificar um retrocesso dessas proporções, num país cuja população já sofre com as consequências de educação sexual inadequada, é imoral. Educação sexual só assusta quem tem a ganhar mantendo nossos jovens no escuro e em risco. E quem não depende somente da escola para se informar e se proteger.