Sobre a minha terra

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Fonte: Nasa

A minha terra fica muito, muito longe. É preciso sair do continente, dobrar a esquina ali no Atlântico, e descer direto, até um cantinho do mundo em que você achou que já não tinha mais nada.

Só que ela está lá, e é imensa.

Tem prédios enormes, cheiro de peixe nas feiras, ondas que quebram com força na areia, fábricas que empoeiram o ar, música tocando em todos os lugares. Também tem rios mortos, dinheiro manchado de sangue circulando nas ruas, sereno misturado com medo assim que cai a noite.

Mas principalmente, tem gente. Muita gente, provavelmente muito mais do que você já viu na sua vida. Gente que acorda cedo e demora muito pra chegar no trabalho, gente que gosta mais de frio do que calor, gente que fica doente se o time perde, gente que prefere gato a cachorro, gente que fala uma língua só existe lá e que parece uma colcha de retalhos, cheia de meandros e pedacinhos e voltas pra dar conta de tanta ideia diferente. Tanta gente, que nasce, cresce, vive a vida inteira e você nem sabe. Você nem viu.

A minha terra, ela é um soco no peito, ela é um ferro em brasa, ela te atravessa e vai contigo pra todos os lugares, não te deixa esquecer. Eu posso estar aqui, posso me vestir como você, comer como você, beber como você, o tempo pode até apagar meu sotaque, você pode não imaginar. Mas lá no fundo, eu sei exatamente de onde eu vim, e isso me faz ser quem eu sou.

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Um recado endereçado

O que aconteceu é só nosso. Porque mesmo que a gente tentasse, não tem o que dizer. Não tem o que explicar. Nem horas de prosa narrativa da mais prolixa seria capaz de fazer outras pessoas entenderem algo que não pode ser decodificado em palavras, sintaxe, sujeito e predicado.

O que aconteceu é só meu. O que aconteceu é só seu.

O que aconteceu é só nosso. Porque eu floresço em você, sou alguém mais livre, mais forte, mais verdadeira. E você desabrocha em mim, como foi, como eu encontrei alguém diferente de quem tinha deixado.

Eu nunca estive tão nua. Você vai me despindo com os olhos, os lábios, os gestos, as palavras.

Até só restar minha alma, inteira e cristalina, iluminando os cantinhos do seu quarto cheio de penumbra.

Não tem nada pra dizer. Eu sei, você sabe. Agora o tempo vai passar. Quem sabe aonde a vida vai me levar, quem eu vou me tornar, o que vai acontecer.

Mas uma coisa é certa: Eu sou mais feliz porque eu te tive um dia.

Mais um verão

 

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Fonte 

Fui feliz pela primeira vez aos vinte anos, e o que ninguém conta sobre felicidade é que ela amarga também. Nunca tinha sentido medo de perder, e de repente eu tinha muito. Tive medo de perder tudo; pessoas, oportunidades, momentos, tive medo de me perder de mim mesma.
Mas mesmo com todo esse pavor, a verdade é que eu acabei perdendo muito também. Perdi muita gente. Perdi muita coisa. Perdi amigos, perdi amores, perdi sonhos, e me perdi de mim, muitas e muitas vezes. O que eu não imaginava é que eu ia ganhar muita coisa. Quando alguma coisa se vai, geralmente vem outra em troca. A vida às vezes me levou por caminhos que eu nem podia imaginar. Acabei ganhando pessoas e memórias que acrescentaram muito, quando eu já achava que tinha tudo.
Hoje é meu aniversário. E às vezes eu me sinto muito velha, mais velha do que jamais estive; pesam as decepções, pesam as frustrações, pesam os “e se”. Mas eu também me supreendo com a minha energia, minha capacidade de ver magia em tudo, em continuar sonhando, alto, muito, sem esmorecer.
Eu nunca tive menos certezas na vida. Tudo é um grande ponto de interrogação. Não sei o que me reserva o dia de amanhã, não sei quem vai chegar, quem vai partir, aonde eu vou parar, tem vezes que eu não sei nem quem sou eu.
Mas eu não tenho mais o medo de perder. Algumas coisas são passageiras, outras são permanentes. Mas mesmo quando tudo se vai, só depende de mim fazer casa nova.
E hoje eu sei que consigo.

Relato: Diagnóstico e tratamento de câncer de mama pelo SUS

O texto abaixo relata o diagnóstico e tratamento do câncer de mama pelo Sistema Único de Saúde. Poderia ser o relato de muitas mulheres, mas é o relato da minha mãe. Em 2009 ela foi diagnosticada com um tumor na mama direita. Minha mãe sempre fez tudo que os médicos recomendam à risca. Nunca bebeu, fumou, sempre se alimentou bem, praticou exercícios, dormiu cedo. O diagnóstico devassou nossas vidas na época, e o tratamento, embora ágil, esteve longe de ser humanizado como uma paciente com câncer necessita. Imagino que deve ser bem pior conseguir tratamento especializado longe dos grandes centros, em pacientes com demais complicações, com filhos pequenos que não tem com quem deixar, etc. A intenção do relato é mostrar um raio x sincero de como foi o tratamento pelo SUS do ponto de vista de quem sentiu na pele como é depender dele em um caso extremo como esse. Queria agradecer à minha mãe pela coragem de compartilhar esse momento tão doloroso da vida dela. Caso você queira ler mais do que ela escreve, pode encontrar mais textos aqui.

Em novembro de 2009 fui encaminhada pela minha ginecologista ao hospital público Pérola Byington, em São Paulo. O motivo: estava com um nódulo grande na mama direita. De posse da mamografia e do ultrassom, me dirigi ao hospital que atendia mulheres com câncer e que não possuíam plano de saúde.

Chegando lá, logo me perguntaram se eu havia trazido algum encaminhamento. Diante de minha resposta positiva fui imediatamente dirigida para a triagem, que na verdade era uma sala grande onde inúmeras mulheres aguardavam ser chamadas. Depois de esperar por uma hora mais ou menos, chamaram o meu nome e me fizeram apenas duas perguntas: Minha idade e se eu era fumante.

Relatei que jamais fumei. Então uma médica veio examinar a minha mama e concluiu que precisaria fazer uma biópsia. Me pediram pra aguardar porque a biópsia seria feita no mesmo dia.

Depois de umas duas horas de espera, a médica voltou com uma enfermeira e realizaram o procedimento ali mesmo na maca do ambulatório.

Me entregaram um papel dizendo que o resultado sairia em três dias.

Passado este tempo retornei ao hospital, cheia de medo e torcendo para não ser nada.
Quando chamaram o meu nome uma outra médica me atendeu. Ela pegou meu resultado em meio a dezenas de outros que estavam em cima da sua mesa e disse:

– Você sabe o que você tem não é?

– Câncer? – Respondi.

– Sim. Mas a gente vai tratar.

De lá ela já me encaminhou para outra médica que me informou que eu e muitas outras mulheres iríamos ser operadas em um regime de mutirão.

Isto mesmo. Mutirão.

Me pediram hemograma e um raio X do pulmão. Fizeram uma anamnese para investigar possíveis riscos de diabetes e hipertensão. Como estava tudo certo, disseram que o melhor seria me operar o mais rápido possível, afinal, segundo a própria médica, “você tem um câncer aí”.

Ela me disse também que achava “bobagem” preservar a minha mama e que depois caso eu quisesse poderia fazer a reconstrução.

Marcaram a cirurgia para dali a quinze dias.
A sensação que eu tinha era que precisavam resolver o problema o mais rápido possível, pois várias mulheres estavam na mesma situação que eu.

Sem alternativa, acuada, deprimida e sem ao menos conhecer o médico que iria me operar compareci ao hospital no dia e horários marcados.

Fui a primeira a ser operada em meio a dezenas de outras mulheres naquele mutirão.

Quando acordei da anestesia me colocaram em uma enfermaria com mais três pacientes; todas operadas de câncer de mama, entre elas uma garota de 24 anos.

Mais tarde uma enfermeira veio fazer os procedimentos, medir pressão, pulso, enfim curativos pós operatórios. Meu corpo estava cheio de hematomas e com um dreno que ficaria por dez dias. A enfermeira disse simplesmente que era para eu me levantar e tomar banho.

Aleguei que estava ainda.muito tonta e tinha medo de cair.

Ela respondeu que se eu precisasse, isto mesmo, se eu precisasse ela me ajudaria.
Consegui tomar o banho com um mínimo de ajuda possível.

Depois de dois dias tive alta, sem sequer saber o nome do médico que me operou.

Compareci por vários dias ao hospital para fazer curativos e tirar o dreno. Porém, tudo em regime ambulatorial. Depois que retiraram os pontos recebi um relatório contendo os dados de minha cirurgia e as condições de minha saúde naquele momento; que, segundo o relatório, eram estáveis.

Tudo muito frio e impessoal.

Isto sem falar que aquele hospital era na época o melhor em atendimento para mulheres portadoras de câncer sem plano de saúde. O Brasil também estava vivendo um momento melhor e eu estava na melhor cidade do país em termos de atendimento médico, mesmo público.

De lá para cá não sei como andam as coisas no SUS.

Confesso que percebi que o queriam era agilidade para resolver o problema e salvar a vida das mulheres, mas o lado humano deixou muito a desejar. Como eu não tinha escolha minha única alternativa era me submeter ao tratamento que me propuseram… Cirurgia, quimioterapia.

Quando você é surpreendida com um diagnóstico destes parece que seu mundo desaba e a sensação que se tem é que chegou o fim. A experiência foi extremamente difícil e dolorosa. Traumática mesmo. Mas era o que se podia fazer diante das circunstâncias.

E assim foi.

Maíra de Freitas

São estimados quase 60.000 casos de câncer de mama por ano no Brasil. A lei federal 12.732 prevê que após o diagnóstico, o tratamento pelo SUS deve ser iniciado em até 60 dias, mas a lei ainda está longe de se aproximar da realidade. De acordo com o seu site oficial, o hospital Pérola Byington tem investido na humanização do seu tratamento, criando até um blog para acompanhar as iniciativas neste sentido. Porém, o blog não é atualizado desde 2013.

Muitos instiutos e ONGs oferecem tratamento psiclógico gratuito para pacientes com câncer de mama. Para se informar sobre esse serviço na sua cidade, procure o conselho regional de psicologia.

A Playboy e a libertação sexual que não serve à mulher

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Hugh Hefner e a coelhinha Bonnie J Halpin – Fonte

A morte de Hugh Hefner, fundador da Playboy, no mês passado, reacendeu a polêmica que acompanha a revista desde o seu nascimento. Novamente, Hugh foi acusado de machismo, misginia, assédio, e de usar a sexualidade das mulheres para lucro próprio. Diante disso, muitos saíram em sua defesa, alegando que a Playboy fez sim, muito pela libertação sexual e inclusive contribuíu diretamente com causas consideradas feministas, apoiando financeiramente fundações pró-aborto no Estados Unidos.

A Playboy fez parte da minha vida desde quando eu era criança. Nunca vou esquecer do outdoor com a Tiazinha mascarada, coberta apenas por um boá preto e o texto que dizia, “olá, sobrinhos”. No início da adolescência, no fuzuê da descoberta da minha bissexualidade, baixei muitos ensaios e acho que alguns deles são de grande refinamento estético – principalmente os da Playboy Brasil, a americana sempre foi meio farofada mesmo.

Até então, sabia muito pouco sobre a história da revista e sobre o seu fundador, mas isso mudou quando eu comecei a assistir Girls of The Playboy Mansion, no E! O reality mostrava a rotina de Hefner e suas três (principais) namoradas, Holly, Bridget e Kendra. O programa era muito divertido, e mostrava uma vida ótima; as três meninas pareciam se dar bem e adorar a vida que levavam, a atmosfera de glamour e poligamia amigável transparecia muito natural. Hefner era um coadjuvante na série – sem dúvida as três namoradas brilhavam mais – mas quando ele aparecia, até dava para ententer porque jovens atraentes iam querer se relacionar com um senhor de mais de oitenta anos.

Hefner demonstrava ser uma simpatia; carismático, carinhoso, divertido, inteligente. Suas aparições e depoimentos pontuais no reality pintavam a imagem de um homem respeitoso e bem-intencionado. Era fácil esquecer que existia uma relação de poder enorme entre Hefner e suas namoradas, talvez por um desejo natural que a gente tem de que o mundo seja mais simples às vezes.

Claro, as coisas não eram bem assim.

Desde o início da Playboy, Hefner se apresentou para o público com uma imagem de glamour, sofisticação e libertação sexual. E desde o começo também usou métodos pouco ortodoxos para alcançar o sucesso. O primeiro ensaio da revista foi com fotos de Marilyn Monroe – feitas antes da fama, e compradas por 500 dólares. A marca Playboy se fez às custas da sexualização da mulher, especialmente de tirá-la de seu domínio.

Quando Kim Kardashian foi convidada para posar para a revista, no início da sua carreira, ela aceitou desde que as fotos não revelassem nudez total. Um approach estranho para uma revista de nudez, talvez. Mas esses eram os termos. A sessão de fotos foi veiculada no reality de Kim, o Keeping Up With The Kardashians, e ela foi pressionada a tirar cada vez mais peças de roupa até sua mãe e agente ter que intervir.

Na minha opinião, essa cena é emblemática do quanto a Playboy se utiliza de suas modelos como produtos – sob o verniz da libertação sexual.

Sem moralismo. Putaria é comigo mesmo, vocês sabem. E acho que ensaios sensuais podem sim ser empoderadores. O problema, como eu já falei antes, é que a objetificação da mulher acontece quando a sua sexualidade é tirada do seu domínio para servir ao outro – para o olhar masculino, ou para vender algo. A Playboy se utiliza dela para os dois – a libertação sexual que ela vende não é para satisfazer a fantasia das mulheres que estão posando – é cuidadosamente customizada para atender ao imaginário masculino.

Alguns anos após a estreia de Girls of The Playboy Mansion as três namoradas originais saíram da mansão – e terminaram seu relacionamento com Hugh Hefner. Foi então que Holly Madison, a namorada “número um”, públicou uma autobiografia contando das suas experiências na Playboy. Longe de ser um conto de fadas, a vida de Holly na mansão foi um episódio traumático. Ela relata em detalhes como Hefner mantinha as coelhinhas em regime rígido, incluindo toque de recolher, e pouco dinheiro. O ambiente da mansão era tóxico, com muitas drogas, e Hefner instigando a competição entre as meninas para se sentir mais poderoso.

Infelizmente, nada disso surpreende muito. Muitos são os homens que usam de um discurso de empoderamento feminino para conseguir poder, sexo, ou os dois. Hefner fez pouco caso das críticas que a Playboy recebeu ao longo dos anos, defendendo que a revista  contribuiu para a libertação sexual nos Estados Unidos e no mundo. O que pode até ser verdade, mas a libertação sexual de quem? Fica claro que nesse jogo, as mulheres foram apenas peças para o lucro e a exploração masculinas.

O problema não é tirar a roupa, o problema não é falar de sexo. O problema é reservar a seção de fotos sensuais apenas para as mulheres, e a seção de entrevistas revolucionárias apenas para os homens. O problema é vender o tesão e as fantasias femininas como existentes única e exclusivamente para atender aos homens.

Fica claro que a Playboy é um reflexo de como o  próprio Hefner viveu sua vida: Com libertinagem e glamour, mas dispensando tratamento sub-humano às mulheres fizeram a revista – e o seu pai – serem um sucesso.

Atenção, jovens! O Outubro Rosa também é para vocês

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Fonte: Flávia Totoli

Os números estão aí, e não são bons. Embora ainda raro, o câncer de mama em mulheres jovens está aumentando. Entre 2010 e 2015, houve um aumento de 2,6% nos casos em mulheres abaixo dos 40 anos. Com o agravante de que o câncer é mais difícil de ser detectado em tecidos mais jovens, e muitas vezes ele pode ser mais agressivo que em mulheres mais velhas.

Porém, não é um caso para alarmismo. É um caso para prevenção. Como em quase todo tipo de câncer, o diagnóstico precoce é a melhor arma na luta contra o tumor. Pessoalmente, acho que a campanha do Outubro Rosa tem se desvirtuado bastante, e é preciso retomar o seu propósito original: Falar de prevenção ao câncer de mama e saúde da mulher.

Muitas vezes estive em consultas com médicos displicentes com a minha saúde por causa da pouca idade, mesmo eu tenho histórico de câncer de mama na família. Por isso, é importante que a gente se aproprie da nossa saúde, faça o autoexame, e procure segunda opinião sempre que sentir que o médico não está nos levando a sério. Uma dica que funcionou comigo, caso você seja atendida por plano de saúde, é denunciar o clínico ao SAC do plano. Fiz isso uma vez quando um ginecologista se recusou a fazer o ultrassom das mamas, mesmo eu insistindo que tinha dois casos de câncer na família. O médico foi notificado, e o plano me indicou uma segunda ginecologista que pediu o exame.

Por sorte, eu nunca tive nenhum nódulo, e tenho seios bem pequenos, o que facilita na hora do autoexame. Mas os casos de tumores em mulheres abaixo dos 35 são mais comuns do que se pode imaginar. Abaixo reuni relatos de diversas mulheres jovens e suas experiências com a saúde das mamas:

Bruna, 25 anos

Ano passado, minha mãe foi diagnosticada com câncer de mama. 2016 foi um ano muito difícil. Eu sempre que lembrava fazia o autoexame, mesmo me achando nova e acho que errado também hahaha. É meio esquisito e nunca senti nada. Aos 22 anos coloquei silicone. E na ecografia mamária foram detectado dois nódulos na mama direita. Os medicos disseram que é comum entre as mulheres e na minha idade nao seria nada demais. Os nódulos foram retirados na cirurgia do implante. A biópsia não acusou nada também.

Fui ao meu médico no final do ano passado, pois gostaria de engravidar. Na nova ecografia apareceram três nódulos na mesma mama. Ou seja, em nem três anos eles voltaram… Saí chorando, pois o medo de passar futuramente por tudo que a mãe passou me assustou, né. Mas segui com os planos de engravidar, e estou quase ganhando já. Após amamentar, voltarei ao médico, vou marcar com o mastologista que cuida da minha mãe para facilitar a comunicação. Acredito que ficarão mais de olho em mim pelo histórico.


Lívia Beatriz, 26 anos

Quando eu era criança, eu adorava fazer o autoexame. Só porque eu achava bonito ser uma mulher adulta fazendo coisas de adulta, como muitas crianças. Daí, sempre fiz regurlamente. Até encontrar um caroço, aos 18 anos. Já pensei que era câncer. Mas era só um nódulo grande mesmo. Fiz a cirurgia para retirar porque ele estava um pouco grande mas o ginecologista mesmo falou que não tinha necessidade. O recomendado é tirar quando tem mais ou menos 1cm e ele tinha mais que o dobro. Daí, achei melhor tirar. O que achei louco na época é que eu ainda fazia só de zoeira mesmo. Fiquei com medo de achar mais hahaha mas tem que fazer, né… porque quando menos esperamos, pode rolar.


Luíza*, 27 anos

Este ano eu resolvi fazer um ultrassom das mamas e axilas, simplesmente por nunca ter feito antes, e achar necessária sua realização. Em abril marquei o exame, estava em uma onda de consultas, pois pretendo cuidar mais de minha saúde. Durante o ultrassom a médica percebeu a presença de algo diferente na mama esquerda. Ela disse que o meu tecido mamário é muito heterogêneo, ou seja, muita “confusão” entre a distribuição do parênquima e da gordura. O que a médica encontrou foi um suposto nódulo bem pequeno, não seria nem sensível ao toque. Só que ela não tinha certeza se era um nódulo ou um lóbulo de gordura, devido à constituição heterogênea da minha mama. Ela me informou que ainda que fosse um nodulo as características seriam de benignidade, então me pediu apenas para fazer o controle. Claro que minha mente assustada e hipocondríaca não sossegou né? Marquei mastologista na mesma semana. Ele me deu informações bem semelhantes, e pediu para fazer controle em seis meses com a médica de confiança dele em um laboratório específico. Os meses foram passando, e nos últimos dias minha ansiedade explodia em meu corpo. Enfim no momento do exame, a médica teve a certeza que se tratava de um nódulo, e que quase todas características exceto uma poderiam o configurar como fibroadenoma, um tipo de nódulo benigno. Para quem não sabe, a chance de ter esse tipo de nodulo é enorme. Meu médico me informou que entre 10 mulheres da minha idade (27 anos) 3 têm nodulo do tipo. Bom, essa única característica que não excluía a malignidade de cara foi necessária para me prescrever uma biópsia. Aí eu surtei. Sem contar os relatos de familiares que me falaram que o procedimento da punção doía muito. Levei o laudo do ultrassom para meu mastologista, e ele me deu a opção de fazer mais de um tipo de exame para verificar a natureza do nodulo. Por fim, eu optei por fazer uma mamotomia. Esse exame tem anestesia local, então juro que a gente não sente nada. E no próprio exame se retira o nódulo por completo, então a gente fica um pouco menos preocupada na hora de fazer o controle a cada seis meses por ultrassom (o que não deixo nunca mais de fazer). Durante o exame colocam um chip no lugar da extração para marcar qualquer crescimento eventual na área. Ahhh o chip não para a gente no aeroporto, perguntei pro doce de médico que fez o procedimento. Graças a Deus o resultado saiu rápido e não mostrou sinal de malignidade. Os achados foram sugestivos de fibroadenoma. Só que preciso fazer sempre controle, apesar desse tipo de nódulo não se transmutar. Não tenho dúvidas que vou manter ansiedade cada vez que fizer um exame do tipo, mas aconselho todas mulheres a fazerem um ultrassom, ainda que não sintam nódulos apalpáveis ou que sejam jovens. Mesmo que não encontrem nada, é bom criar esse hábito; conhecer a constituição e aspecto do seu peito; e também mesmo o nodulo benigno vai crescendo, mesmo que lentamente, e algum dia sentir ele no toque vai ser ainda mais horripilante. Isso sem contar com a possibilidade de aparecer um câncer em uma mulher com menos de 30 anos, o que não deixa de ser uma possibilidade. E o câncer de mama na mulher mais jovem é muito mais agressivo. Então por favor, todas se cuidem!


Gabriela, 25 anos

Desde os oito anos de idade eu sou muito peituda. Tive um desenvolvimento hormonal precoce e era uma pequena criança com peitões. Por ter os seios muito grandes, sempre tive muita dificuldade em fazer o tal do autoexame. Li em cartilhas, a ginecologista me ensinou, mas mesmo assim, é difícil. Tenho muita pele, gordura e tecido para conseguir sentir direito se há algo de diferente ou não. E mesmo que haja, muitas vezes uma leve diferença é sinal de uma alteraçãoo hormonal do ciclo menstrual e daí fica muito mais dificil de auto-diagnosticar. Já passei por ginecologistas que nem encostaram no meu peito, dizendo que eu era “muito nova e sem casos próximos de câncer na familia, por isso não precisava tirar a blusa não”. Outros, melhores médicos, me examinaram e, felizmente, nunca foi detectado nada anormal.


Márcia, 30 anos

Eu tenho vários cistos e alguns nódulos nas duas mamas. Quando eu descobri fiquei muito bolada. Aí o que se faz é acompanhar a cada seis meses por dois anos e se não houver alteração nesse período, fazer o ultrassom preventivo anualmente. Felizmente são nódulos todos benignos e hoje faço o exame só anualmente, mas sempre dá aquele medinho toda vez, né? Outra coisa é que como minha mama é cheia de cistos, o autoexame é praticamente inútil porque não dá pra distinguir direito o que é cisto ou nódulo, o que é uma merda. Mas todas as médicas que já fui repetiram que é muito difícil esse tipo de nódulo que eu tenho virar câncer, então hoje não me estresso muito com isso.


Bruna, 26 anos

Quando eu tinha uns 20 anos, tive um susto em relação à minha saúde mamária. Um caroço apareceu na minha mama esquerda, era duro e pequeno. Como não gerava nenhum incômodo, eu não dei atenção ao caroço de imediato e ele cresceu muito rapidamente. Em uns 10 dias cresceu tanto que chegou a deformar meu mamilo. Meu peito ficou inchado, quente, vermelho e doía quando eu erguia o braço esquerdo. Além disso, duas vezes havia saído leite do meu mamilo. E então, finalmente, eu fui ao médico.
Fizemos um ultrassom mamário e até então eu estava bem tranquila. Quando chegaram os resultados, vimos que o ultrassom indicava um tumor de alguns centímetros, esse tumor vinha de uma inflamação, mas era necessário verificar se o tumor era benigno ou maligno e para isso era necessário fazer uma biópsia – só que nada disso me foi explicado!
Meu médico tinha tantos dedos pra falar comigo e nada era dito objetivamente, ao invés de ser dito palavras como tumor, câncer, exame TAL, eram usados termos genéricos como “coisa pior”, e eu não conseguia entender com que exatamente eu estava lidando. O tom sério assumido e o excesso de hesitações do médico, só me apavorava mais!
Quando eu perguntei se era grave, ele me respondeu “é um tumor, né, claro que é, você já ouviu falar de tumor?” (sim, ele tinha esse jeito meio grosseiro). Eu que não sabia nada de tumores, entendi ali por essa informação e por todos as hesitações que ele estava dando na conversa, que eu estava com câncer. Quando ele me disse que teria que fazer uma biópsia pra saber se era benigno ou maligno, pra mim era só uma questão de saber se eu ia viver ou morrer. O que eu havia entendido até aquele momento era:
TUMOR = CÂNCER.
CÂNCER BENIGNO = UM CÂNCER BAD MAS QUE TEM CURA
CÂNCER MALIGNO = MORRE
Mas ao mesmo tempo que eu “recebia essa notícia bombástica” sobre a minha saúde, eu não me sentia acolhida. Eu queria fazer várias perguntas, mas meu médico me tratava desse jeito meio grosseiro, meio brincando e não me respondia nada objetivamente. Eu não entendia quais seriam os próximos passos, nada. Foi uma semana difícil! Então eu resolvi ir em outro médico, um que eu não me sentisse intimidada de falar e perguntar exatamente o que eu queria, porque escutar que você tem um tumor (que na minha cabeça era um câncer) e não se sentir a vontade de fazer as perguntas que você precisa, é horrível.
No outro mastologista eu descobri que se tratava de uma mastite, uma inflamação mamária – no meu caso, muito intensa -, que geralmente acontece em período de amamentação, mas também pode ocorrer com mulheres que fumam (que era meu caso) ou por algum traumatismo. O leite que saía do meu peito, no caso, não era leite e sim pus. Foram retirados do meu peito quase duas seringas de pus. Fiquei na iminência de fazer uma cirurgia pra tirar completamente o nódulo, mas após tratar a infecção ele praticamente desapareceu. Agora só tenho que ficar mais atenta a esse peito para acompanhar se não há nenhuma anormalidade.
No mais, deu tudo certo, e era muito mais tranquilo do que parecia no início.
Fica como aprendizado que é importante sim fazer as perguntas que você quer fazer para seu médico para não haver desencontros na comunicação em uma coisa tão importante quanto saúde. E sim, buscar segunda opinião é sempre válido.

Caso você não tenha certeza de como fazer o autoexame, informe-se aqui.
Caso você queira saber mais sobre sintomas precoces do câncer de mama, clique aqui.
*Nome alterado a pedido da autora do relato.

Falando sério

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Fonte

Eu gosto de você. Gosto do seu corpo coberto de tatuagens, gosto do seu jeito manso, gosto dos nossos dias perdidos em ressaca no seu apartamento, gosto desse seu sotaque que eu não consigo entender antes do terceiro drink, gosto quando o álcool mela a nossa comunicação e faz tudo ficar mais fácil, gosto das marcas dos seus dedos no meu pescoço e na minha bunda no dia seguinte, gosto do seu pendor pra autodestruição tão parecido com o meu.

Mas você não imagina que às vezes quando a gente tá junto e eu já tô muito bêbada eu ainda penso no meu ex namorado, tem tanta coisa sobre mim que você nunca vai saber, tem tanta vida me esperando em dois cantos diferentes do mundo, e aqui eu nem existo, eu sou só um sopro e pra você eu sou só uma miragem, o que acontece aqui está desconectado do resto da minha vida, entende, e o efêmero é o que faz ser bom, eu gosto da folga de ser quem eu sou, a bagagem às vezes pesa, então se a gente puder deixar ela um tempo no guarda-volumes melhor.

Eu não gosto quando você blefa e se faz de difícil, para que complicar as coisas, mas se tem que ser assim, tudo bem, porque eu estou cansada do jogo mas ainda sei jogar, mas eu queria que você entendesse que se a gente está aqui junto é por algum motivo, seja pela putaria ou pela companhia, às vezes é tão exaustivo manter a pose, às vezes a gente se sente só, e tá todo mundo morrendo de medo de se estrepar, mas paciência, aproveita que eu to aqui de mãos livres sem bagagem pra te fazer um cafuné ou te arranhar as costas, e depois, depois é depois, você não ve que a gente ta perdendo tempo, se você puder parar de fingir eu agradeço, até porque eu me irrito muito com o fato de que funciona e eu fico querendo te ver toda vez que você some, eu não sou sua, nem nunca vou ser, mas agora posso ser, só um pouco, só um pedaço, só uma parte que existe agora e depois vai ser como se nunca tivesse existido.

As buscas mais inusitadas dos leitores do blog

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Fonte: Gentequebusca

Que a Internet é terra de ninguém, a gente já sabe. Você digita um treco no Google, uma coisa leva a outra, e de repente está vendo se existem abacates que nascem sem caroço ou numa compilação de dez horas de vídeo de gato.

Nessa combinação louca de algoritimos e palavras-chave, os caminhos que nos guiam pela web são misteriosos. Mas para mim, que escrevo sobre erotismo, é mais divertido ainda checar os termos de busca que fazem os leitores pararem aqui. Muita coisa inesperada, engraçada, e até que serve de inspiração. Achei que seria uma boa dividir com vocês, que afinal são quem fazem meu blog ter sentido, e mostrar essa parte divertida de quem está do outro lado, criando conteúdo. Aproveitem!

“Eu quero vídeo de sexo com muita pimenta”

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Fonte: Giphy

Pode ficar à vontade, mas parcimônia na hora de escolher as partes do corpo para brincar. Pode ser bem mais ardido do que se imagina!

“Porque paulista detesta mineiro”

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Fonte: Giphy

Imagino que este mineiro curioso tenha vindo para cá por causa deste post. Mas os paulistas não detestam os mineiros, certo, abigos paulistas?

“pimenta citrica dicas para masturbar”

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Fonte: Giphy

Grata pela preferência. Volte sempre! 😀

“pq os homens pedem pra transar sem camisinha”

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Fonte: Giphy

Imagino que por causa deste puxão de orelha. E então, meninos, POR QUÊ????

“contos eróticos musica pop”

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Fonte: Giphy

Caramba, é uma ótima ideia, mas acho que seria mais ou menos uma fanfic.

“contos eroticos sexo com pimenta”

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Fonte: Giphy

Acho que a seção de busca está querendo me dizer alguma coisa… Provavelmente o tema do próximo continho.

“contos elas gostam de chupar e punheta”

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Fonte: Giphy

Isso é muito pessoal. Tem que perguntar para cada “ela”.

“contos eroticos torturei o pinguelo dela”

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Fonte: Giphy

Seja lá quem for você realmente espero que você não tenha feito isso!

“mohlar dormindo d calcinha mohlada d tesao”

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Fonte: Giphy

Digitando com uma mão só, né? Quem nunca ¯\_(ツ)_/¯

“contos porno nao sentia minhas pernas”

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Fonte: Giphy

Taí uma fantasia específica

“conto erótico signo de escorpiao raiva”

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Fonte: Giphy

Se tá na Internet é verdade.

“conto erótico hortelã”

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Fonte: Giphy

Que refrescante!

“conto erotico torturei ela com pimenta”

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Fonte: Giphy

Tortura obviamente está em alta.

É uma delícia ler as buscas pra mim porque a coisa mais gostosa da natureza do sexo é justamente se divertir com ele, sem levar as coisas a sério demais. A linha entre o sexy e o ridículo é tênue, e é melhor ainda quando as coisas se misturam. Espero que vocês continuem frequentando o blog como um espaço livre para loucuras sem julgamentos e que o Google traga muito mais leitores sedentos por putaria pra mim 😉

Laceração

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Fonte: Wattpad

Que loucura isso aqui. Parece que a gente está numa bolha isolada do universo inteiro. O frio na barriga que eu sinto é claustrofóbico. É exaustivo ficar perto de você. Meus nervos ficam tão hiperativos que eu preciso de dias pra me recuperar das ressacas que você me causa.

Parece que o seu toque se encaixa no meu corpo com precisão cirúrgica. Eu estou vendo você me olhar desse jeito como se você achasse que eu sou demais pra você, e quem sabe deve ser mesmo, não é isso que todo mundo acha sempre, então diz. Fala o meu nome. Estala a consoante no céu da boca. Deixa as vogais derraparem nas arestas do seu sotaque. Eu quero ouvir você me chamar, quero ouvir meu nome estourando da sua boca como uma bolha de sabão. Eu quero existir nos seus lábios. Eu quero existir. Eu quero existir nos outros, quero sentir o que eu penso e o que eu sinto faz algum sentido para além dos meus momentos de solidão com a máquina de escrever. Estou cansada de ir, de voltar, de tentar, eu quero me desmontar, eu quero me deixar revirar, eu quero a verdade para além das personalidades inoxidáveis que a gente inventa. Toda história tem sempre dois lados, ninguém é exemplar o tempo todo, não quero ser nada, mais nada, não quero mais nenhum adjetivo chique, eu só quero a invasão do seu beijo febril, a dor do seu toque, todas as filosofias esquecidas no pé da cama. Só você, o meu nome, e as nossas inseguranças, brincando juntas na escuridão.

O tempo da alma

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Fonte: Tumblr

É quase a mesma coisa. Quando eu esperava o 847P sentindo Itaim Bibi no meio da Lapa, a música alta nos ouvidos, pensando na taça de vinho que me aguardava em casa, é quase a mesma coisa de estar aqui esperando a U7 sentido Rathaus Spandau em Kreuzberg. Só que não é. Porque eu não sou mais a mesma pessoa.

Dizem que quando a gente muda para um lugar novo, a alma chega atrasada. Eu queria um corte brusco; realmente me livrar das coisas e situações que me deixavam segura e confortável, para me redescobrir, longe das características circunstanciais que ameaçavam me engolir. Queria ter coragem para priorizar o que realmente importa para mim.

O processo, porém, é muito mais difícil do que eu tinha imaginado, nas pequenas coisas do dia-a-dia. Queria conhecer pedaços meus que eu não conseguia acessar, mas estar sem a segurança de se cercar de pessoas que sabem quem a gente é é desafiador e desconfortável.

Eu vim, mas minha alma ficou para trás. Talvez com medo de vir também e se transformar em outra coisa – o desconhecido é sempre assustador.

E embora a resistência também tenha sido parte do processo, agora eu vejo que mesmo exacutando as mesmas tarefas simples do cotidiano, minha alma não é mais a mesmo. E às vezes é confuso. Me refazer, redescobrir o que eu gosto e não gosto, quero e não quero, me importo e não me importo.

Às vezes eu acho mesmo que o maior medo sempre foi o de ser livre. Porque eu sempre desejei muito a liberdade, mas eu tinha medo das mudanças que ela podia me causar.

Mas uma coisa é certa; agora que minha alma chegou, se instalou, se contaminou e se transformou, ela não volta a ser a mesma nunca mais.