Sete pecados, sete contos: Vaidade

Para Júlio, disciplina sempre foi o segredo da boa forma. No pain, no gain. Para manter o corpo sarado, ele sabia que precisava de dedicação, sem corpo mole. Por isso é que Júlio acordava cedo para correr antes do café. A alimentação era nos trinques. Ele levava marmita para a firma todos os dias para não ter o risco de comer errado. E ao sair do escritório, ia direto para a academia.

Aquele ali era o templo de Júlio. Nada mais glorioso que pisar no chão de PVA, deixar as pupilas se acostumarem com a luz fria, sentir o cheiro de suor dos corpos exaustos. Ali, Júlio estava em casa.

Naquela terça, entrando no vestiário, ele parou para admirar com carinho o formato do trapézio invertido saltando de seus ombros, conquistado com tanto esforço. Se trocou, colocou uma regata que deixava à mostra os volumosos braços e ia se preparando para suar quando alguém o chamou de volta.

– E aí, Julião? Coé, moleque?

No fundo do vestiário, sem camisa, ainda de óculos, com o celular na mão; lá estava o Cacique. O nome dele na verdade era Caique, mas ele tinha ganhado o apelido não só pela pele avermelhada – herança da ascendência indígena – também pela voz ressoante, o porte impressionante, e o jeitão sereno de ser.

Cacique era o melhor amigo de Júlio na academia.

Os dois sempre se motivavam no treino, e trocavam as melhores dicas para manter a forma. Por conta de Cacique, Júlio tinha trocado a proteína para hidrolisada (bem melhor) e estava adepto do pré-treino termodinâmico. Cacique estava sempre à par da novidades, e Júlio admirava sua dedicação. E ele também não deixava Júlio fazer os exercícios pela metade. Se dependesse do Cacique, a execução era sempre perfeita.

– Segura as costas… Traz embaixo… Isso, Julião…

Enquanto eles se revezavam nos halteres, Fernandinha chegou para puxar conversa. Ela era uma das meninas da academia que vivia dando mole para Júlio, cheia de risinhos e gracinhas. Quando ela se afastou, Júlio e Cacique se viraram para observar a bundinha empinada no suplex rosa choque.

– Boto fé que você ainda pega ela. – Cacique declarou. Júlio deu de ombros.

– Que é gostosinha, isso é.

***

Dois dias depois, depois de sair do banho, Júlio pediu benção para a mãe na cozinha e se jogou na cama de solteiro, o corpo dolorido do treino relaxado com a água quente. Pensando em trocar de roupa depois, pegou o celular para dar uma olhada no Insta. Nada de muito interessante, selfie da Fernandinha de biquíni, foto da ex com o barrigão e o noivo, até que chegou uma DM de Cacique.

Júlio abriu a mensagem; era uma foto. O torso nu e moreno do amigo, bronzeado de sol, refletia no espelho junto com o flash do celular. Os músculos de Cacique estavam impossivelmente esculpidos; os tríceps torneados. O abdome tinha os gominhos saltados, sulcos fundos separando os oblíquos, os mamilos escuros altivos no peitoral largo.

Júlio engoliu em seco.

o_caquice07: saca só os oblíquos! Te falei que o jejum intermitente dava resultado!

Mais tarde, quando Júlio gozou na sua mão e os braços de Cacique vieram à mente, ele disse a si mesmo que apenas queria saber como os tríceps do amigo podiam ser definidos daquela maneira.

Talvez fosse a hora de tentar o jejum intermitente também.

***

– Galera vai tomar um chope hoje depois… Vamos?

Fernandinha esticou um beicinho. Já era sexta-feira, e a movimentação na academia era perceptível. Júlio estava com um pouco de preguiça. Chope? Pra arruinar todo o trabalho da semana? Até parece. Mas Fernandinha estava usando um decote bem generoso, deixando à mostra os 300ml de silicone que ela tinha colocado em junho passado e Júlio passou a considerar. Mas ia ficar no suco, claro.

Passou a mão pelos cabelos curtos, e admirou a curva dos ombros no espelho. Os braços estavam suados, reluzentes. Os músculos inchados, definidos, o faziam estufar o peito. Que semana, leke. No pain, no gain.

– Tá monstrão, hein? – Cacique passou com ar de zombaria. Alguma coisa no fundo do estomago de Júlio se fechou como um punho.

– Tomar no seu cu.

– Que isso, Julião? Não to tirando onda não, cara. Tu tá definidasso mesmo, tá grandão.

O aperto se transformou em remorso, mas Júlio não tinha tempo pra esse tipo de sentimento; afinal, macho que é macho não fica com essas frescuras.

– Foi mal cara. To meio pilhado. Você vai pro chope?

– To pensando em ir sim. Mas não fico muito que amanhã acordo cedo. Você vai?

– Vou.

– Se quiser carona, eu to de carro.

– Demorou.

***

A água caiu no músculos doloridos e cansados de Júlio, fazendo com que seu corpo inteiro relaxasse. O chuveiro da academia era bem ruim; pinguinhos mixurucas e não esquentava direito. Mas Júlio estava tão exausto que não importava. O vestiário estava vazio. Era sempre assim; ele e Cacique era os últimos a largar os aparelhos.

No pain, no gain.

Ele massageou os ombros doloridos, quando ouviu os passos pesados de Cacique entrando no vestiário. O corpo de Júlio tencionou.

– Fernandinha vai hoje no chope?

– Vai, sim.

– É hoje hein, Julião? Tá no papo.

Júlio riu alto. Pensou no decote generoso de Fernanda mais cedo, melado de suor.

– Ela tá gostosa, né?

– Ela é bem gatinha.

– E você, Cacique? Tá de olho em alguma menina da academia?

Cacique despiu a toalha e entrou no chuveiro ao lado de Júlio. O amigo era corpulento, os quadris despontando em vincos fundos no baixo abdômen. Não que ele Júlio estivesse reparando.

– Nada, cara. De boa. Essas meninas aqui são muito bobinhas. Gosto de mulher com mais substância.

Júlio ficou intrigado com o que significava uma mulher com substância para os padrões de Cacique, mas decidiu ficar calado. Concentrou em terminar o banho rapidinho, o vapor de Axe enchendo o vestiário.

Fechou o registro, e saindo do chuveiro, os olhos passaram pelo corpo moreno de Cacique outra vez. Júlio sentiu uma clara pontada no baixo ventre. Os pelos escuros que enegreciam o peito sarado do amigo, sua pele queimada de sol, suas espaldas largas… Os olhos se demoraram na curva dos quadris do amigo, no volume perfeito das nádegas…

– Que foi cara? – Cacique perguntou. Júlio engoliu em seco.

– N-nada. – Gaguejou. – Eu é… Preciso treinar, cara. Comparando assim contigo estou fora de forma.

– Imagina. Eu só sou mais volumoso, só isso. Você tá grandão, Júlio.

– Aham. – Júlio balbuciou, fazendo menção de sair de vez da área dos chuveiros.

– Inclusive embaixo.

Júlio parou a ação no ato, ficando paralisado, o corpo estático. Olhando para baixo, viu que seu pau estava a meio mastro. A água pingava de seu corpo, a pele arrepiada. Suas bolas começavam a latejar. Será que ele conseguia alcançar a toalha antes que o seu pau ficasse duro de vez?

Não sabia o que dizer. Que desculpa dar? Estavam só os dois naquele banheiro. Rir, fazer piada, ignorar o comentário, ser engolido pelo chão… Tudo passou pela sua cabeça. Mas Cacique falou primeiro, com sua voz grave e serena.

– Isso daí é um problemão cara. Vem cá que eu te ajudo.

Como se estivesse hipnotizado, Júlio voltou para o chuveiro, deixando os pingos escassos receberem seu corpo outra vez. Cacique o fitava com olhar clínico, o mesmo olhar de professor que tinha quando corrigia a execução de Júlio nos exercícios.

– Tá tensionado. – Cacique disse. – Pra resolver tem que fazer assim, ó.

– Ah!

Júlio gemeu alto quando a mão áspera de Cacique envolveu seu pau, fazendo com que ele se enrijecesse de uma só vez. Parecia que todo o seu sangue tinha ido para sua virilha. Júlio achou que fosse desmaiar de tanto tesão.

– Tem que assim, Julião. Na maciota.

A mão de cacique passou a masturbar Júlio de maneira lenta, porém firme, e ele sentia que jorrar litros de porra a cada movimento do amigo. Os seus quadris se mexeram involuntariamente, e ele levou as mãos até os braços torneados de Cacique, as palmas apertando, sentindo seus músculos, o abdômen trincado, os vincos fundos do seu quadril até a sua virilha.

O pênis de Cacique era como o amigo; corpulento, intimidante. Júlio nunca tinha tocado o membro de outro homem; mas ao sentir o sangue pulsando dentro do pau do amigo, sua mente entrou em pane, e ele se lançou pra frente, atacando Cacique com um beijo desesperado, faminto, gemendo e se derramando na boca do amigo, mordendo seus lábios carnudos enquanto juntava os seus corpos, os dois paus agora se tocando, as glandes se esfregando uma na outra.

Não demorou para que os dois gozassem. A sensação de sentir o corpo de Cacique como uma muralha, firme e úmida, contra o seu fez com o que o pau de Júlio explodisse sêmen e ele gozasse como não gozava há tempos.

Não trocaram palavra quando saíram do vestiário, mas não foram tomar o chopinho.

Aproveitar a academia vazia no fim de semana para treinar pareceu uma ideia melhor para os dois.

FIM

28 Perguntas para transar melhor

28 perguntas para conversar sobre fantasias sexuais com seu parceiro.

Oie pessoal, tudo bem? Já que estamos todos trancados nessa quarentena, fiz mais um questionário para melhorar a vida dos casais confinados!

São 28 perguntas, em inglês ou português, para falar sobre sexo com o parceiro e se abrir sobre duas fantasias. Pode ser que você já sabia algumas das informações, mas você pode se surpreender com o que vai descobrir! O download é gratuito, e fique livre para compartilhar. Só não esqueça de me creditar!

28 QUESTIONS TO HAVE BETTER SEX_by pimentacitrica

28 PERGUNTAS PARA TRANSAR MELHOR_por pimentacitrica

27 perguntas para conversar sobre saúde sexual

Oie! Nas minhas conversas com quem me acompanha por aqui ou no YouTube, existe sempre um medo de conversar com o parceiro sobre saúde sexual. Sobre HPV, infecções urinárias, testes de IST

É um assunto muito espinhoso mesmo, e muita gente não sabe por onde começar. Por isso, eu resolvi criar um questionário para conversar sobre saúde sexual.

Não é necessário seguir todas as perguntas à risca; é mais uma base para saber por onde começar a conversa. Eu diria que é sempre bom conversar sobre isso num ambiente calmo, com privacidade, e lógico; avisar a pessoa que você quer conversar sobre esse assunto. O método armadilha não funciona; todos os envolvidos precisam estar o mais à vontade possível.

Fiquem à vontade para baixar, usar, e compartilhar! Só lembrei de me creditar caso postem em outros lugares. Os templates estão disponíveis em português e inglês.

27 Perguntas Para Conversar Sobre Saúde Sexual por Pimenta Cítrica

27 Questions to Talk About Sexual Health by Pimenta Cítrica

 

Aos vinte e tantos

Uma parte de mim quer levantar acampamento outra vez, colocar a mochila nas costas e recomeçar em outro canto do mundo.
Uma parte de mim quer rotina, ter hora pra acordar e hora pra dormir, um apartamento cheio de plantas e uns dois ou três gatos pra fazer companhia.
Uma parte de mim quer experimentar sensações desconhecidas, ir pra cama todos os dias às cinco da manhã, misturar todos os tipos de álcool no copo, abrir uma cerveja pra curar a ressaca.
Uma parte de mim quer fazer jantares para os amigos, se exercitar regularmente, ler livros que alimentem a alma, cuidar da pele e da saúde.
Uma parte de mim quer conhecer todos os corpos e viver todas as paixões, entregar ao torpor da novidades, acordar em camas diferentes, me explodir muitas e muitas vezes com todo mundo que eu tiver direito.
Uma parte de mim quer compartilhar a vida com alguém especial e que me entenda e aceite com meus defeitos e limitações, sem ansiedade, sem insegurança, só a tranquilidade de um amor de verdade.
Uma parte de mim gosta de estar cada vez mais desapegada e quer ainda muito tempo para experimentar a vida com todos os seus deleites para que um dia eu possa, de fato, ter histórias que valham a pena contar.
Uma parte de mim anseia por reconhecimento e poder viver seguramente daquilo que eu amo.
Uma parte de mim diz que ainda há muita estrada pela frente, o caminho ainda é longo.
A outra está se perguntando com quantos anos afinal a vida começa de fato.

Meu projeto de série é finalista do concurso NETLABTV!

Sei que andei um pouquinho sumida do blog nas últimas semanas, mas juro que foi por motivo justo! Meu projeto de série de ficção, Casa das Princesas, é finalista de um dos mais importantes concursos de roteiro do país!

Pra quem não sabe, além de escrever contos, crônicas e tudo o mais, eu também sou roteirista. E em 2011, eu tava morando com duas mulheres maravilhosas, que me ensinaram e me inspiraram todos os dias e eu decidi que queria contar a nossa história. E agora, no momento que eu estava mais desacreditada do meu talento, mais perdida, mas sentindo que estava pedalando em falso, alguém leu essa história.

E achou que ela valia a pena.

Esse momento é muito especial pra mim porque a série representa tudo que eu gosto de fazer; escrever sobre mulheres, para mulheres. Escrevi porque não me via na tela, e queria me ver. Escrevi porque eu acho que as trajetórias das mulheres à minha volta são muito mais do que vemos nos filmes e nas séries. 

Nessa fase do concurso, os projetos finalistas estão abertos para o voto popular. Queria pedir o voto de vocês, é só fazer um cadastro rapidinho, e pode fazer muita diferença pra mim, pro projeto, pra representatividade feminina no audiovisual.

É só entrar neste link aqui, e votar no Casa das Princesas na categoria ficção. Obrigada desde já, e vamo que vamo!

 

 

Sinestesia

O conto abaixo foi escrito para a primeira Tertúlia Erótica da SESLA que rolou ontem em Coimbra. O tema do evento era os cinco sentidos e eu fiquei super honrada com o convite! Teve leitura dramática do conto juntamente com o restante da programação e eu fiquei muito feliz de ter contribuído. Espero que gostem e não esqueçam de curtir a página da SESLA no Face para ficarem por dentro dos próximos eventos!

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Visão

A culpa é minha. Deve ser, afinal, eu que quis vir. Acontece que eu também tenho direito de me divertir. Só que fica meio difícil, quando ele não tira os olhos de mim. O jantar inteiro foi assim. Parece que é de propósito, parece que ele gosta de me ver assim, tremendo na cadeira por causa dele.

Se eu vou querer mais vinho? Sim, por favor, pode encher. Minha visão já tá ficando meio borrada e ainda assim eu consigo sentir os malditos olhos dele em cima de mim. Será que ninguém mais percebe? Será que eu estou ficando doida? Eu tô tentando concentrar no papo que tá rolando do outro lado da mesa e eu sinto o olhar dele me queimando. É quase como se ele conseguisse fulminar o fecho do meu sutiã, e do jeito que esse vestido é decotado a mesa inteira ia ver meus peitos.

Talvez seja coisa da minha cabeça. Afinal, ele está sentado na minha frente, para onde mais ele iria olhar? Eu respiro fundo pra criar coragem, correndo os olhos pela superfície da mesa. Tigela, pãezinhos, cinzeiro, vela, garfo, faca. Quando eu levanto o olhar, ele está me encarando de frente. O olhar dele é constrangedor. Ele sorri de canto de boca, um sorriso mínimo, quase imperceptível, antes de baixar os olhos pelo meu pescoço, pelo meu colo, pela curvinha do decote. É como se minha pele tivesse sido lambida por uma labareda, eu juro que dá para sentir o caminho que os olhos dele estão fazendo.

Eu viro o restante do vinho. Puta calor aqui, hein? Ajeito o vestido para o decote não ficar tão sem vergonha, e ainda assim ele não. para. de. olhar.

Paladar

Hora da sobremesa. Hora do xeque mate. É agora ou nunca. Eu sei que ela está me olhando quando eu me sirvo de um morango. Escolho um bem maduro, bem vermelho, bem suculento. A pontinha da minha língua passa pela pontinha da fruta. Ela arregala os olhos quando percebe o que eu estou fazendo. Vou passando a língua em círculos bem devagar, sem tirar os olhos dela. Ela está tão corada que até o seu colo está ruborizado, o prato de sobremesa cheio de frutas intocado. Eu passo a chupar a pontinha do morango Os outros continuam a conversa animada na mesa, sem notar o que a gente está fazendo.

Eu quero que ela saiba que é isso que eu quero fazer com ela. Não tiro nunca o morango da boca, só um pedacinho, até ele estar começando a derreter. Como eu queria que fosse o clitóris dela se enrijecendo contra a minha língua, eu tenho certeza que ia ser tão, tão mais gostoso, só de imaginar o gosto da boceta dela meu pau fica duro. Os nós dos dedos ela estão brancos de segurar a borda da mesa com força, e eu sei que ela pode sentir, porque eu posso sentir também, e quando eu fecho os olhos porque não aguento mais a textura do morango muda, se torna lisa e escorregadia e dá pra sentir, dá pra sentir o calor do corpo dela contra o meu rosto, ela se contorcendo na minha boca enquanto eu chupo devagar, devagar, bemmm devagar porque eu quero aproveitar cada gotinha, quero sentir o gosto de cada cantinho e dobrinha, pensar em tê-la pra mim deixa o meu pau latejando dentro da cueca.

Quando eu mordo o morango ele explode na minha boca, uma bagunça, e que delícia seria poder me lambuzar nela desse jeito, vou me embrenhando como eu queria me embrenhar nela, ir devorando e abrindo ela todinha pra mim, puta que pariu, eu quero fazer ela gemer, eu quero que ela sinta o tesão que eu sinto toda vez que ela está por perto, eu quero ela sentando na minha cara, gozando na minha língua e…

Eu abro os olhos. Ela está com cara de quem está sem respirar há muitos minutos. O sumo da fruta está escorrendo pelo meu queixo, tem gosto de gozo, e eu não sei como ninguém mais notou o que acabou de acontecer.

Tato

Eu pisco para ver se meu cérebro pega no tranco. Olho ao redor pra checar se ninguém percebeu, mas está todo mundo absorto num assunto qualquer. A renda da minha calcinha esta tão encharcada que grudou no vestido, e por um momento de pânico eu penso que posso ter manchado a cadeira. Me ajeito no assento. Puta que pariu, tô tão molhada que é até desconfortável. Eu estou um pouco trêmula, meu corpo sentindo pequenos choques como se quisesse a língua dele de volta em mim. Como isso é possível?

Bom, se é assim que vai ser, também sei brincar. Mais um pouco de vinho, e me sirvo de uma uva. Ele recosta na cadeira, com uma cara safada que me dá vontade de acertar um tapa, sabendo exatamente o efeito que ele tem sobre mim. Eu levo a fruta à boca, estourando contra o meu céu da boca, aproveitando para umedecer o indicador na saliva, antes de checar se todo mundo continua distraído e descer a mão pelo meu corpo, separando a fenda do vestido estupidamente curto. Ele fica boquiaberto quando percebe o que eu estou fazendo.

O quê, ele achou que só ele fosse capaz de surpreender?

Passo a pontinha dos meus dedos pelo alto da minha coxa; minha pele está fervendo. O toque de leve me fez arrepiar, todos os meus nervos tão eletrizados que a resposta é instantânea. Quando eu alcanço a barra da calcinha sinto a umidade através do tecido, passeando os dedos de leve por ali, me contraindo tanto que eu chego a me encolher na cadeira.

Ele continua de queixo caído, observando incrédulo enquanto eu toco uma em plena mesa de jantar. Eu tô tão excitada que chego a ficar tonta, quase não resistindo à provocação, quase puxando a calcinha pro lado e me tocando até em gozar na frente de todo mundo, gemendo bem alto, chamando o nome dele pra todo mundo saber quem é responsável por eu perder a compostura desse jeito.

Eu grudo as costas no encosto da cadeira, abrindo mais as pernas, olhando para ele por detrás da pálpebras semicerradas, respirando devagar enquanto vou aumentando a pressão dos meus dedos, fazendo movimentos circulares bem lentos. Logo eu enfio a mão dentro da calcinha, me tocando do jeito que eu já sei fazer, e mordendo meu lábio para não deixar nenhum gemido escapar.

Ele corre os olhos arregalados pelo meu corpo, o vestido afrouxando no meu decote, com uma expressão de desejo que beira o pânico. Depois derruba o guardanapo no chão, agachando debaixo da mesa para  pegar.

Eu separo as pernas.

Sei que minha calcinha é transparente.

Sei que ele consegue ver tudo.

A situação só aumenta o meu torpor e eu puxo a calcinha para o lado com um dos dedos me expondo completamente, antes de largar o elástico.

Ele emerge de novo na cadeira, pálido. Eu paro que eu estava fazendo. Parece que a bolha erótica estourou e de repente estamos muito conscientes do que está acontecendo.

Audição

Meus ouvidos estão zumbindo. Eu não consigo acreditar no que acabou de acontecer, no que eu acabei de ver. Só lembrar faz meu pau pressionar o zíper da calça. Minha vontade era de arrancar aquela calcinha, rasgar em duas,e começar a chupar ela debaixo da mesa mesmo.

Eu pisco algumas vezes, pra ver se o aturdimento vai embora. Meu pau tá tão duro que até dói. Eu vejo ela toda corada na minha frente, os lábios vermelhos, linda, ela é tão linda e eu não imaginei, dessa vez ela realmente me surpreendeu, e eu preciso fazer alguma coisa, não dá mais pra esperar um segundo.

Pensa rápido, pensa rápido.

– Puta, olha só o que eu fiz… Derrubei vinho na minha calça.

– Ih, tem que limpar logo senão mancha.

– Tem uns shorts do Marcelo lá dentro, daí você já coloca de molho.

– Eu sei onde está. – Ela diz, a voz trêmula no começo, mas se firmando depois. – Te mostro.

Eu levanto com as mãos escondendo a suposta mancha, que na verdade é a minha pica querendo explodir dentro da calça. A essa altura já liguei o foda-se se eles estão percebendo ou não. Ouço os passos dela atrás de mim, fechando a porta da quarto.

– Você enlouqueceu e tá me enlouquecendo junto. – A bronca obviamente perde um pouco do efeito com os acontecimento recentes.

– Só falta agora você continuar fingindo que não quer. – Tá na cara que nós dois estamos à flor da pele, uma mistura de tesão com raiva que está borbulhando há tempo demais.

– Querer é lógico que eu quero, só que não está certo.

– A gente já foi longe demais agora.

– Para…

– Não. Eu não vou parar. Eu tava a ponto de te colocar de quatro na mesa e te comer na frente de todo mundo. Você tava se tocando, toda molhada por minha causa e eu quero sentir. Eu quero provar. – Ela sacode a cabeça.

– Isso é loucura.

– A gente já parou de resistir faz tempo. – Ela suspira, derrotada. Eu tô com vontade de ver ela chorar só pra ter certeza, certeza, que ela sente a mesma coisa que eu, mas eu sei que sim, eu sinto que sim, eu vi. – Você sabe.- Ela enterra o rosto nas mãos e eu tiro elas de lá imediatamente, prendendo na porta atrás dela. Ela está tão perto, muito mais perto do que jamais esteve, e eu juro que ainda tenho o gosto do gozo dela na minha boca, misturado com o morango. – Deixa eu sentir. Eu quero sentir o quanto eu te deixei molhada com a minha língua agora há pouco.

– Para, a gente tem que voltar. – Ela se vira para ir embora mas eu prendo ela na porta de novo.

– Quando eu vi. – Eu começo, afundando o rosto no pescoço dela, e quase sem reconhecer minha própria voz, que está saindo num grunhido. – Eu queria rasgar a sua calcinha, queria rasgar o seu vestido, queria te fazer sentar na minha cara até você me implorar pra eu parar de te chupar porque você não aguenta mais. Eu quero tirar a sua calcinha agora, deixa, por favor… – Um gemido escapa, porque só de pensar, só de pensar eu tô quase a ponto de perder o juízo, meu pau já melou minha cueca inteira. Ela geme baixinho em resposta e eu colo nossos corpos, e aí a gente geme junto, minhas mãos descendo pelo vestido dela, apertando com força, os peitos, a cintura, o quadril, caralho, eu quero arrebentar esse pano todo AGORA.

Gemo de novo quando aperto a bunda dela por debaixo do vestido, e passo meus dedos pela calcinha. Parece que eu esqueci de respirar enquanto desço a calcinha até os joelhos, acho que eu tô prestes a desmaiar porque todo o meu sangue desceu pro meu pau.

Olfato

Já esqueci de tudo, acho que até do meu nome. Ele morde o lóbulo da minha orelha, ainda sussurrando indecências, mas o discurso está cada vez mais embolado e sem sentido. As mãos dele sobem me apertando por cima do vestido, antes de desamarrar o fecho e abri-lo. Ele desabotoa meu sutiã e em mais ou menos três segundos estou praticamente nua, minha calcinha prendendo minhas pernas na altura dos joelhos.

E a única coisa que eu consigo sentir é o cheiro dele, aquele cheiro que ele sempre fica impregnado em mim quando ele me cumprimenta, aquele cheiro daquele moletom que ele me emprestou uma vez e eu nunca devolvi, aquele cheiro que pra mim é cheiro de sexo, de desejo, de pecado. Eu estou tremendo da cabeça aos pés, de adrenalina e tesão, tudo misturado.

Ele morde o meu pescoço com força, se esfregando em mim, e eu puxo ele pra mais perto, se tivesse como acho que a gente se fundia. Ele me vira de volta pra ele, e eu estou completamente entorpecida.

– Me diz que você me quer também. Eu preciso ouvir.

Eu resgato o último fio de voz que tenho pra responder.

– Eu quero.

FIM

Ensaio fotográfico: Shower sessions

Pois é, fazia um tempo que eu estava querendo fazer essas fotos. Quem me acompanha no Instagram sabe que eu curto tirar umas fotos sem roupa, mas dessa vez queria experimentar com a estética um pouquinho. Sorte minha que a minha amiga mega talentosa Julia Rabello embarcou na pira e o ensaio saiu.

Eu nunca me senti muito bem com o meu corpo, e fazer fotos desse tipo foi uma forma de empoderamento pra mim. Às vezes é muito fácil a gente se perder nas pressões do Photoshop, dos corpos perfeitos. Eu queria provar pra mim mesma que dá pra ser sexy sem precisar ter peitão, virilha sarada, tudo isso.

De uns tempos pra cá, meu corpo mudou bastante, e eu tenho me sentido bem desconfortável com ele. Mas esse foi um dos motivos pra fazer essa sessão: Ele pode não ser perfeito, pode ter dobrinhas, machinhas, estrias, mas por mais que seja difícil pra mim, esse é um exercício para eu ter coragem de me expor sem querer fingir que tudo é perfeito – não é, todo mundo tem defeitos e são eles que tornam as pessoas interessantes.

Enfim, chega de falar! Vamos às fotos:

Elétrica

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Eu levo um choque toda a vez que a sua pele encosta da minha. É uma descarga de adrenalina que percorre meu corpo inteiro, inutiliza minha mente, deixa tudo uma névoa densa de vontade que me sufoca, me intoxica, me envenena.

Eu quero me arrebentar em você, de novo e de novo, e de novo, até eu estar em mil caquinhos espalhada pelo chão do seu quarto, que você quase me mata quando você faz essa cara de que não vai pra lugar nenhum, porque eu sei que não vai, eu sei que você vai continuar exatamente aqui, dizendo que vai perder o controle, que quer me apertar, me marcar, me bater, me fazer gritar o suficiente para o prédio inteiro ouvir. Vai continuar arrancando cada fio de autocontrole com os dentes, me fazer dizer que eu sou sua, porque eu sou, estou entregue, viciada, desorientada, absolutamente a mercê do seu toque, dessa dor deliciosa que você me provoca lá na alma. Eu tenho certeza que nasci pra isso, para estar no seus braços exatamente assim, uma amante contumaz, meio alcóolatra, descontrolada, egoísta, mas que te quer tanto que te inunda como um tsunami toda vez.

Vem logo se enfiar nos meus lençóis, você é gasolina para o fogo que eu tenho por dentro, e e estou em carne viva, em chamas, inflamada, vulcânica, absolutamente incandescente por você.

Digressão

Já faz tanto tempo que eu ando só, provando experiência de contato intenso em tempo curto, tão livre de amarras e sonhando com outro portos, que parece que a minha alma já tinha evaporado. Estava pairando por aí esperando condensar e cair como tempestade, inundando paragens distantes.

Você a trouxe de volta com um solavanco.

Já faz tempo que eu estou vivendo esta existência de beija-flor, sentando em bares para conversar como se tivesse um espelho na minha frente, e não pessoas reais, porque eu sempre soube que era só pra satisfazer o meu ego, e as minhas necessidades, e a minha vontade de ter o meu alterego com o melhor de mim (aquela de língua afiada e batom vermelho que eu sempre quis ser) sendo desejado e admirado.

Porque é mais fácil, e mais simples, e talvez a verdade é que eu ainda me assusto com as minhas sombras e aquelas minhas reações descontroladas e o pior de tudo a vulnerabilidade e eis que do nada estou muito consciente de mim e do que está à minha volta. Quando eu estava flutando por aí, de repente as sensações são ásperas e ameaçadoras e eu estou aqui me perguntando se na verdade eu só encontro maneiras de estar sempre de passagem.

Mas fora da minha neblina dói bem mais quando você finca os dentes na minha pele com mais força do que eu aguento de um jeito que me faz ter certeza que a realidade fora da minha bolha pode ser mais doída, mas também é infinitamente mais incrível.

Então estou saindo de nada para lugar nenhum, porque se é pra eu aprender alguma coisa com isso ainda nem sei o que é, mas saiba que você trouxe minha alma de volta, e ela está aqui, inteirinha, toda remendada, no ponto pra se estilhaçar.

 

“Tough girl in the fast lane
No time for love, no time for hate
No drama, no time for games
Tough girl whose soul aches
I come home, on my own
Check my phone
Nothing, though
Act busy, order in
Pay TV, it’s agony
I may cry, ruining my makeup
Wash away all the things you’ve taken
And I don’t care if I don’t look pretty
Big girls cry
When their hearts are breaking”