Como (não) resistir a uma tentação

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Fonte: Best-Bumblebee (Tumblr)

– Vou fazer mais um drink. – Eu sinalizei, levantando. – Alguém quer alguma coisa?

– Pega uma cerveja pra mim? – O Murilo me pediu, me entregando sua long neck vazia. – Você é a melhor. – Ele piscou e eu saí rindo, passando no espelho do corredor para checar se a maquiagem ainda estava ok. Por enquanto, tudo sob controle.

Estava tentando tirar o gelo da fôrma para finalizar minha caipivodka, quando ouvi a porta do apartamento se abrindo. Da cozinha, dava para ouvir ele colocando as chaves e o capacete na mesinha do corredor. O volume do pessoal na sala ficou bem alto de repente quando viram que ele chegou. Ouvi ele cumprimentando todo mundo, dizendo que estava animado para noite, que ia só tomar um banho rápido.

Respirei fundo, tomando umas duas goladas do meu drink antes de voltar para a sala. Ele estava justamente saindo e nos esbarramos no corredor.

– Oi. – Eu disse, talvez um pouquinho mais alto do que o normal que afinal aquele era o meu terceiro drink. Vi ele me escanear, meu rosto, meu corpo, a roupa que eu estava usando, e percebi a mudança em sua linguagem corporal. Ele tinha ficado tenso, como sempre. Fiz força para não rolar os olhos.

– Oi. – Ele respondeu meio sem jeito, me dando um beijo apressado e sumindo para os fundos do apartamento. Eu já estava bem cansada de ser tratada como se ele tivesse visto o próprio demônio em forma de gente toda vez que a gente se esbarrava em situações daquele tipo. Dei de ombros me convencendo que aquilo não iria estragar o meu humor.

Voltei para a sala, avisando logo que a próxima música era escolha minha. Murilo me agradeceu a cerveja, eu relaxei na poltrona, apreciando o meu drink. Noites como aquela tinham se tornado corriqueiras e eu não podia estar mais feliz. É sempre bom sentir que a gente faz parte de algo. Finalmente tinha encontrado a minha turma, e sempre estávamos inventando uma coisa para fazer. Às vezes era só uma tarde tranquila tomando cervejas no parque, às vezes era provando no restaurante hype do momento. Muitas vezes era saindo para aproveitar uma balada e voltar só no outro dia. Geralmente fazíamos um bom esquenta no apartamento dos meninos – o mais próximo do centro – e era sempre em noites assim que ele nunca ia.

Estava convencida que talvez daquela vez fosse ser diferente. Até que ele apareceu no vão da sala vestindo moletom, com o cabelo molhado e a toalha sobre o ombro. Na mesma hora todo mundo começou a protestar.

– Porra, cara, não é possível!

– Você disse que ia só tomar um banho!

– Foi mal gente, mas depois de entrar no banho, percebi que tô morto. Não vou dar conta. – Ele se desculpou, e olhou de relance para mim. Eu não consegui me segurar. Sacudi a cabeça em sinal de reprovação, enquanto, como sempre, todo mundo insistia para ele mudar de ideia – em vão.

Depois de ceder que ia pelo menos tomar algumas cervejas até a gente sair, ele sentou no outro canto da sala, como se eu estivesse com alguma doença contagiosa pelo ar. A conversa e as bebidas rolaram normalmente, até que lá pelas tantas a Aline avisou que era melhor a gente ir ou íamos perder a lista. Todo mundo se levantou, checando celulares, casacos, maços de cigarro, e fomos nos enfileirando para sair.

– Tem certeza que não vai?

– Fica pra próxima. – Ele se justificou, como sempre. – Prometo.

Eu fingi que estava procurando meu celular, esperei todo mundo sair.

– Já vou! – Eu gritei do corredor. Fui para os fundos do apartamento e o encurralei antes que ele conseguisse se esconder no quarto. – Ei! Podemos dar uma palavrinha?

Ele piscou algumas vezes, claramente desconfortável.

– Claro, o que você manda?

– É impressão minha ou você tá fugindo de mim? – Senti que ele congelou por um segundo antes de bufar.

– O quê? Lógico que não. De onde você tirou isso?

– Toda vez que a gente sai pra balada é a mesma coisa. Você fica sabendo que eu vou e decide miar.

– É pura coincidência cara, não noia. Eu só ando bem cansado mesmo…

– É? Menos na semana que eu tava viajando, né? Hoje mesmo eu ouvi você falando pra todo mundo que ia e quando viu que eu tava aqui, magicamente mudou de ideia.

– Lógico que não, meu, não pira! Eu só percebi que tava mais cansado do que imaginava…

– Para de me fazer de burra, eu não sou burra. O que está acontecendo? Eu tô começando a achar que devia parar de vir nos rolês, para deixar você mais à vontade.

A gente se encarou por longos segundos, até que ele suspirou.

– Você tem razão.

– Cara, por quê?

– Acho que você sabe porque.

Foi a minha vez de suspirar. Bom, pelo menos ele não me odiava. As minhas suspeitas mais íntimas tinham se confirmado – aquela tensão sexual louca que eu sentia sempre que a gente estava no mesmo cômodo não era coisa da minha cabeça. Saber que ele também me queria me fez surgir um frio na barriga. Mas era pior saber que o desejo era mútuo e aquilo não podia acontecer nunca.

– Pensei que talvez fosse coisa da minha cabeça.

– Ana! Vem logo!

– Já vou! – Eu gritei. – Acho que a gente é adulto o suficiente pra não fazer nenhuma besteira se não quiser. Você sabe muito bem que eu respeito você…

– É claro que eu sei.

– Você e o seu relacionamento. Enfim, faz como você achar melhor, mas até quando você vai evitar os seus rolês com os seus amigos por minha causa? – Eu o encarei por alguns segundos. Inclusive fazia muito tempo que não o via tão de perto assim – era sempre de relance, sempre apressado. Tinha até esquecido que ele era mais gato de perto, mas engoli em seco firme no meu propósito de ser alguém que não veio ao mundo pra dificultar a vida de ninguém. Dei as costas e fui embora.

***

Na semana seguinte, eu estava aproveitando o solzinho bacana que estava fazendo, distraída e presa na música que tocava nos meus fones de ouvido. Combinávamos de fazer a bendita festa na piscina há meses, e finalmente tinha feito um fim de semana de sol. Me servi de mais um gole do meu drink, observando o líquido dar mil voltinhas no canudo de plástico – Onde a Aline tinha arranjado aquelas coisas mesmo? – Quando um “oi” perto do meu ouvido quase me fez derrubar a bebida toda.

– Caralho, que susto!

– Foi mal! – Ele se desculpou. O segundo susto foi quase maior do que o primeiro. Nem acreditava que daquela vez ele tinha ido. Eu sorri de canto.

– Oi. – Ele sorriu de volta, um sorriso cúmplice. Eu estava feliz que ele tinha me levado a sério, e ele sabia. Ele se sentou ao meu lado e abriu uma cerveja. Eu relaxei na minha cadeira de sol – finalmente os dias de estranheza tinham ficado para trás.

***

Pelo menos era o que eu achava. Mais para o fim da tarde o nível alcoólico de todos já tinha subido consideravelmente, assim como o volume da música. Tinha conseguido raptar a playlist, e estava botando todo mundo para ir até o chão com a minha clássica seleção *escracho anos 2000*, quando ele segurou meu cotovelo e me fez subir até ficar de pé novamente. Já tinha sofrido muita censura na vida, mas ser impedida de rebolar no meio do refrão de Atoladinha era infração gravíssima, e eu realmente tive que me segurar para não voar no pescoço dele.

– Que porra?? – Eu gritei, me desvencilhando dele.

– Já tá bom, não precisa dançar mais. – Ele disse dando de ombros, com um sorrisinho no canto da boca.

– Como é que é??? – Meu sangue talhou.

– Você tá muito sapeca. – Ele disse, como se fosse uma justificativa válida. Deu pra ver que ele também já estava pra lá de altinho, não tirava da cara aquela expressão de divertimento. Se eu soubesse que ele ia começar a me encher a paciência, jamais teria insistido para ele aparecer nos rolês. Fiquei fula e me segurei ao máximo para não rodar a bahiana

– Acho que isso aí é problema seu. – Respondi o mais ríspida possível para a mensagem de que eu não tinha gostado penetrar a névoa de álcool dele. Depois saí pisando duro, fui para o outro canto da sala e rebolei duas vezes mais.

***

Não nos falamos o resto da noite. Estava tomando um chá gelado bem necessário para abaixar o meu nível alcoólico, apreciando o restinho de luz do sol que ainda estava visível da varanda. O resto do pessoal estava dançando no terraço, mas eu realmente queria ver o pôr-do-sol, por isso tinha descido. A melhor vista do apartamento com certeza era dali.

Ele abriu a porta da varanda com dois cigarros perfeitamente bolados na mão. Estava com aquela expressão de quem sabia que tinha feito coisa errada, os dois olhos arregalados. Ele me ofereceu um dos cigarros.

– Fica como pedido de desculpas?

– Desculpas aceitas. – Eu concordei, acendendo o cigarro. Ele se sentou na cadeira vazia ao meu lado.

– Não quis fazer papel de babaca com você não.

– Relaxa. Tava todo mundo bêbado e eu tenho um problema pessoal com censura.

– É, mas eu não queria te censurar.

– Eu sei, só-

– O problema não era você dançar. O problema é que fica difícil resistir.

– Olha, eu…

– Talvez porque eu não quero. Resistir.

Abri a boca para dizer alguma coisa, mas fechei logo depois. Fiquei sem fala. Ele me encarou com tanto intento que parecia que estava me queimando com o olhar. Eu fiquei ali paralisada. Os segundos se arrastaram, e eu não sabia o que fazer. Dava pra afiar uma faca em toda aquela tensão.

Ele se aproximou devagar. Eu engoli em seco. Sabia que estávamos prestes a nos beijar, mas ainda assim, era difícil de acreditar que realmente ia acontecer. Ele não parou de me encarar um segundo, até estar bem perto, descendo o olhar para a minha boca. Então senti os dedos dele na minha nuca e finalmente nossos lábios se tocaram.

Eu já tinha imaginado aquilo algumas vezes, mas toda vez que a cena aparecia na minha cabeça, eu empurrava ela lá para o fundinho da minha mente. Mas aquilo era real. E era um beijo explosivo, daqueles que prenuncia problema, daqueles que deixa a gente zonza.

Senti as mãos dele descerem da minha nuca para os meus ombros, enquanto os lábios acompanhavam indo para o meu pescoço. Ele desceu as alcinhas do meu biquíni, me fazendo arrepiar, e deixou uma trilha de beijos pelos meus ombros nus. Senti que ele dava mordidinhas, as mãos continuaram descendo, pelas minhas costas, depois minha cintura, depois o meu quadril. Foi aí então que aconteceu um estalo.

Eu saí do meu estado de estupor e passei minhas mãos pela nuca dele, enquanto ele me puxou para a beirada da cadeira, se encaixando entre as minhas pernas. De repente nosso beijo se tornou sôfrego, a única coisa que eu conseguia pensar é “por que eu não fiz isso antes?”. Me pendurei no pescoço dele, enquanto a gente ia se beijando como se quisesse engolir um ao outro. As mãos dele desceram para as minhas coxas, apertando com força e subindo para debaixo da minha saia. Agora que a gente tinha finalmente começado, sabia que não ia dar pra parar.

Quando eu vi ele tinha me pegado no colo, com as pernas encaixadas na cintura dele, e a gente estava indo para dentro do apartamento. Com certeza o pessoal ia perceber o nosso sumiço, mas naquela altura foda-se. Eu sabia que a Aline ia ceder o quarto dela de bom grado, ela sempre foi quem mais torceu pra que algo acontecesse entre a gente, inclusive era quem insistia que a gente ia ficar mais cedo ou mais tarde enquanto eu balançava a cabeça e respondia que nunca ia rolar.

A gente entrou no quarto quase derrubando tudo – clichê de cena de filme,  eu sei. Ele me jogou em cima da coberta peludinha que eu adorava e eu comecei a dar risada sozinha. Naquele momento, aquela decisão egoísta, inconsequente e inflamada de álcool parecia a decisão mais óbvia do mundo. Eu estava com aquela moleza no corpo depois de tomar sol o dia inteiro, ainda mais à flor da pele do que o normal, e cada toque dele ardia de levinho, me causando arrepios.

Ele arrancou o sutiã do meu biquíni num gesto impaciente, prendendo meus braços na cama enquanto continuava a me torturar com mordidas e beijos violentos. Naquele passo, eu ia ficar toda marcada. Não vou mentir que adorei a ideia.

Quando ele chegou no osso do meu quadril, deixou mais uma mordida e diminuiu o passo, parando para admirar a tatuagem que eu tinha ali.

– Sempre ficava louco pra ver de perto. – Ele disse num sussurro rouco, contornando as linhas com a língua. Depois, deitou a cabeça ali no meu quadril e voltou a me encarar. Engoli em seco porque era difícil olhar daquele jeito pra ele sabendo o que a gente já tinha feito, o que estávamos prestes a fazer. Ele escaneou meu corpo mais uma vez, como se ele também tivesse gastado muito tempo imaginando se um dia aquilo ia acontecer, até que seu olhar voltou para a minha tatuagem, e depois desceu para a calcinha do meu biquíni. Vi ele suspirando abafado antes de separar um pouco as minhas pernas e arrastar a calcinha para o lado.

Eu gritei de leve, de susto e de prazer, quando ele começou a me chupar de maneira implacável, confirmando minhas suspeitas mais secretas de que também tinha um pendor natural pra sacanagem. Eu estremeci, tensionando o corpo e segurando o cabelo dele instintivamente.

– Como você é sensível. – Ele sussurrou num tom de voz tão sujo que puta que pariu. – Fica comigo, vai. – Ele continuou a me chupar mais um tempo naquela posição até que parou, ainda segurando a lateral da minha calcinha e eu o vi correndo o olhar por mim inteira de um jeito obsceno. A exposição gerou uma pontada clara de excitação, me fazendo contrair. Ele desceu a minha calcinha de uma vez, descendo para se ajoelhar no chão e meu puxando para a beirada da cama sem delicadeza alguma.

Mordi minha mão pra não gritar de novo, enquanto ele apertava meu quadril com força e me abria inteira com a língua, gemendo alto, como se aquela situação causasse tanto tesão nele quanto em mim, e era indecente. Eu podia sentir o meu autocontrole me escapando. Eu estava ficando encharcada, tremendo inteira, enquanto ele me devorava como se eu fosse uma fruta.

Eu desmanchei na cama e naquele cobertor fofinho, apreciando estar sendo deliciosamente reverenciada. Fazia tempo demais desde o último oral realmente bom que eu tinha recebido, e as habilidades dele com os lábios e os dedos não deixavam nenhum pouco a desejar. Ele curvou os dedos dentro de mim, sabendo o ponto exato que queria acertar, estimulando a haste do meu clitóris por dentro enquanto o sugava por fora e o efeito foi de alucinar. Quando eu gozei ele grunhiu com cada contração ao redor dos dedos dele. Eu estava ocupada demais pendendo minha cabeça para trás  e levantando meu quadril para acompanhar cada onda do orgasmo.

Precisei de um momento para voltar a respirar normalmente, esfregando os olhos para minha visão, clarear, quando ele começou a rir. Abri os olhos com raiva, achando que ele estava rindo da minha cara, quando vi que ele estava olhando em direção à porta do quarto.

– A porta estava aberta o tempo todo! – Ele comentou, levantando para fechar.

– Putz… Espero que ninguém tenha descido nesse meio tempo.- Eu comentei. Bom, pelo menos estávamos entre amigos. Ouvi ele trancar a porta, e andar em direção à cama. Eu olhei direto para a sunga dele e ele percebeu, me encarando de volta com um ar muito safado. Eu mal podia acreditar que tinha perdido aquilo tudo por tanto tempo.

Desci a sunga dele, ajoelhando na cama. Ele puxou o meu cabelo, me guiando para começar um boquete, e a gente não parou de se encarar um segundo. A conexão era eletrizante, só me deixava mais excitada, e eu estava adorando que ele não me tratava como uma boneca de porcelana, mas sim como uma mulher adulta, que estava ali para aproveitar tanto quanto ele.

Relaxei a garganta, respirei pelo nariz e fui o mais fundo que consegui, sentindo ele apertar a minha nuca. O trouxe mais pra perto pelos quadris e comecei a movimentar a cabeça, bem devagar no começo, depois aumentando a intensidade dos movimentos. Meus reflexos estavam ainda mais descoordenados do que de costume, e acabou sendo um boquete bagunçado, sem refinamento algum, mas a julgar pelos espasmos involuntários do quadril dele e pelos seus gemidos guturais, ele não tinha muito do que reclamar. Continuei por um bom tempo, até que ele puxou meu cabelo com força.

– Para. Não é assim que eu quero gozar. – Olhei para cima e ele estava corado, com os lábios inchados, ofegante, os olhos turvos. Era muito sexy, e eu não resisti a continuar a tortura.

– Tem certeza? – Perguntei, passando a língua pela glande dele, esfregando os lábios ali sem parar de encará-lo. Ele mordeu os lábios.

– Você não presta, puta que pariu.

Ele me jogou na cama, separando minhas pernas com força e depois molhou dois dedos na boca bem generosamente e levou até a minha entrada. Eu já estava mais do que molhada o suficiente, aquilo era só firula, mas não dava pra mentir que estava amando ver que a mente dele era tão suja quanto a minha, e algum lugar no fundinho de mim alguma coisa gritava que aquilo ia ser problema, mas com certeza eu podia lidar com aquilo no dia seguinte.

– Nossa. – Ele arfou. – Parece seda por dentro.

Caralho. Ele queria me deixar maluca? Tirei os dedos dele de dentro de mim, puxando os seus ombros para que ele me comesse logo de uma vez. Uma camisinha se materializou nas mãos dele, e aí finalmente, FINALMENTE, ele estava dentro de mim. O tempo se estendeu e distorceu; parecia que os segundos duravam horas, todo o meu foco na sensação primitiva e deliciosa que era sentir ele me comer daquele jeito. Vi ele segurando a cabeceira da cama para se apoiar e meter bem forte. Sinceramente, tudo se misturava. Acho que o sexo deve ter durado pouco, talvez – afinal eram meses de tensão sexual acumulada. Mas minha percepção estava seriamente comprometida.

Fui derretendo no pau dele, as unhas fincadas na pele das costas. Ele gemia açorado no meu ouvido, e eu sabia que ele estava prestes a gozar. Eu queria que durasse muito mais, a noite inteira, mas só de saber que aquilo estava acontecendo, que era realmente ele ali, em cima de mim, ao meu redor, por dentro, a minha cabeça girava.

Quando eu gozei de novo, ele gozou junto. Gememos um na boca do outro com cada espasmo. Não conseguíamos parar de nos encarar, incrédulos. Era um misto de “assim que todo sexo deveria ser” com “que porra a gente vai fazer agora que sabe que é bom assim”. Ele não disse nada, nem eu. Apenas tirou a camisinha, deitou ao meu lado para que a gente pudesse tirar um merecido cochilo.

O mundo real podia esperar até a gente acordar.

Naquele ano novo

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Fonte: Pinterest

Tinha acabado de fazer 18 anos quando conheci a T. Estava passando as férias em uma cidadezinha do interior de Minas chamada Lagoa da Prata, que eu sempre ia para visitar meu amigo Gabriel. Só que aquelas férias eram diferentes: Tinha acabado de me formar no ensino médio e era maior de idade, o que significava que eu ia garantir legalmente o suprimento de álcool de todo rolê.

Num dia sem fazer nada ao redor da lagoa, ela chegou. Pôs a minha adultisse no chão. A T. usava uma jaqueta de couro, óculos escuros, tinha um corte de cabelo descolado. Ela tinha 18 anos há pouco tempo também, mas já tinha saído da casa dos pais há anos, para cursar o ensino médio em outra cidade. Ela contou que tinha acabado de terminar um relacionamento, que era complicado, porque ela morou por um ano com a menina. Acendeu um cigarro, ajeitou a jaqueta e ficou contemplando a lagoa.

Naquela época, eu era uma pamonha. Nunca fui tímida, mas eu era insegura demais para ficar a vontade na presença dos outros. Não sabia como agir, não sabia me colocar, tinha medo e vergonha de soar errada. Tinha vergonha de ser tão magrela, usava as bermudas que roubava do meu pai, meu cabelo estava eternamente preso num rabo de cavalo sem graça. Ainda ia demorar muito tempo para eu conseguir me sentir confortável para ser a pessoa que eu era.

Fiquei interessada na T. logo de cara, mas imaginei que ela nunca ia me querer de volta. Imagina, a menina era toda experiente, até morado com outra garota tinha, e eu no máximo tinha dado uns amassos em banheiros públicos depois de muito álcool. Além disso, ela tinha acabado de terminar o namoro, estava chateada. Afastei a ideia da minha cabeça e passamos dias ótimos, fazendo piadas enquanto andavamos de uma ponta a outra da cidade, pensando em como ia ser o futuro quando a vida parecia uma página em branco.

Quando chegou o reveillón, falamos para a mãe do meu amigo que íamos passar a virada na única boate da cidade. Mentira deslavada porque nos achávamos cool demais para nos misturar com o resto do pessoal que não usava all star e não ouvia The Clash. Em vez disso, nos juntamos eu, meu amigo, a T. e outro amigo nosso e alugamos (usando a minha  carteira de identidade, com muito orgulho) um quarto num hotel podreirinha da cidade. O hotel era bem antigo, o quarto parecia de uma casa velha mal assombrada. Mas para nós nada podia ser mais uma celebração da nossa liberadade do que nos trancarmos naquele quarto com um monte de álcool e cheetos e assistirmos show da virada.

Já passava das uma, estávamos todos bêbados rindo do esforço da repórter da Globo para continuar preenchendo a transmissão dos fogos de Copacabana quando ela obviamente não tinha mais nada pra falar. Eu estava deitada em uma das camas do quarto, a T. do meu lado, quando por algum motivo, em algum momento, ela começou a fazer carinho na minha perna, a mão subindo debaixo da minha bermuda.

Gelei. Não sei se os meninos perceberam. Tentei agir normalmente, continuar a conversa, mas a minha voz foi morrendo, até que eu fiquei calada. Com 18 anos, apesar de já ter tido um namoro longo, minha experiência em se tratando das putarias era quase zero, tanto com meninos quanto meninas. Minha vida amorosa tinha sido muito confusa e platônica até então, meus encontros eram sempre rápidos, em situações estranhas, quase sempre com gente tão inexperiente quando eu.

A T. não era inexperiente.

Era uma coisa tão simples, uma carinho na parte detrás da minha coxa. Eu já tinha ido muito mais longe do que aquilo. Mas mesmo assim, parecia que os nervos da minha perna estavam diretamene conectados com o meu cérebro. Eu fui ficando encolhida, minha respiração foi ficando mais rasa. Eu tentava disfarçar, com medo que os meninos entendessem a situação, mas sentia que eu ia ficando cada vez mais excitada. Tenho a lembrança nítida da sensação da mão dela acariciando minha perna e sentindo minha calcinha ficando molhada, pulsando de tesão. Acho que foi uma das vezes em que eu fiquei mais excitada na vida.

Aquilo durou muito tempo. Não sei se ela não sabia se eu estava interessada, ou só queria me torturar mesmo, mas o fato que é que para mim pareceram horas. Eu sentia que a qualquer momento ia vazar e molhar o lençol. A excitação foi lentamente derrubando a minha vergonha e depois de muito hesitar, eu alcancei a perna dela, coberta por calças jeans, devagarzinho para retribuir o carinho. Não sabia o que fazer, mas não queria que aquilo acabasse. Tentava soltar o ar devagar pela boca para não arfar.

Foi então que ela falou bem baixinho para mim, “eu voto a gente ir para o banheiro”, com a maior gentileza do mundo. Parecia que ela podia captar o meu nervosismo, e queria me deixar a vontade. Eu acho que só fiz que sim com a cabeça com aquele entusiasmo característico dos adolescentes.

Fomos. Eu olhei para o chão, com vergonha de encarar meus amigos, que claro, já tinham notado o clima muito antes de mim até e estavam torcendo por nós duas. Entramos no banheiro que também tinha aquele ar de casa velha. A luz não funcionava, mas eu por dentro achei melhor assim. Lembro que entrava um fiozinho de iluminação pela janela, provavelmente de um poste na rua. A gente se encostou na porta e começamos a nos beijar.

Sinceramente, eu perdi a noção do tempo. Passamos horas naquele banheiro. Ela me passava a sensação de estar 100% segura do que fazia, e eu, do alto da minha inexperiência, abandonei o controle do meu próprio corpo e simplesmente me deixei levar. Quando eu vi, estava de calcinha e sutiã na frente dela. Eu nunca tinha ido tão longe com ninguém. De repente fiquei muito consciente de que pela primeira vez estava numa situação em que poderia ir até o fim e de fato transar com alguém. A perspectiva me assustava um pouco, não sabia se estava pronta. Mas ela não forçou a barra. Pelo contrário.

Desceu a mão pelo meu corpo, com perícia de quem sabe o que está fazendo. Desceu para dentro da minha calcinha, foi passando os dedos por toda a minha boceta bem devagar, até que eu relaxei. Aí ela começou a tocar o meu clióris no ponto exato, do jeito certo. Eu gemi alto. Nunca ninguém tinha feito aquilo comigo antes. Eu não conseguia mais raciocinar. Todas as minhas inseguranças viraram fumaça. Eu abri as pernas o máximo que dava, me apoiando na porta atrás dela. Eu sentia que não seria capaz de lidar com todo o tesão que eu estava sentindo, parecia que eu ia desmaiar, ou explodir, ou gritar.

Depois entramos na banheira vazia (que não funcionava) e lá ficamos até o amanhecer. Não fizemos muito mais do na porta – bem que eu tentei retribuir as carícias, mas não fui tão bem sucedida na missão. Ficamos nos beijando, as mãos em todos os lugares, até que a gente percebeu que estava amanhecendo.

Depois disso, vi a T. algumas outras vez, em episódios aleatórios. Nunca mais ficamos. Mas aquele reveillón abriu um mundo de possibilidades para mim, e eu sinto que eu não fui mais a mesma pessoa.

Astrologia sexy: 12 contos eróticos com os 12 signos do zodíaco

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Fonte: Pinterest

Pois é, a série chegou ao fim. Vou confessar que foi muito divertido para mim escrever os contos com cada um dos signos, tentando descrever o jeitinho de cada um no sexo sem cair nos clichês de sempre. Foi uma aventura e tanto, produzir tantos contos diferentes em tão pouco tempo. Tive muita dificuldade pra conseguir escrever o conto de sagitário; não imaginava que ia ser tão difícil falar sobre meu próprio signo. Mas agora a série está aí, está pronta, e eu espero que vocês se divirtam tanto lendo quanto eu me diverti escrevendo. Todos os links estão aqui embaixo. Usem, abusem, mandem prozamigo, pros crush, pra todo mundo.

Ah, não se preocupem. O conteúdo do blog não para, tem bastanteee continho ainda por vir, e provavelmente uma nova série que começará em breve 😉

Aries – 21 de março a 19 de abril

Touro  – 20 de abril a 20 de maio

Gêmeos – 21 de maio a 20 de junho

Câncer – 21 de junho a 22 de julho

Leão – 23 de julho a 22 de agosto

Virgem – 23 de agosto a 22 de setembro

Libra – 23 de setembro a 22 de outubro

Escorpião – 23 de outubro a 21 de novembro

Sagitário – 22 de novembro a 21 de dezembro

Capricórnio – 22 de dezembro a 19 de janeiro

Aquário – 20 de janeiro a 18 de fevereiro

Peixes – 19 de fevereiro a 20 de março

 

Sagitário

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Dobrei o corpo de tanto rir, apertando a minha barriga e tentando recuperar o ar. Suspirei várias vezes tentando fazer o oxigênio voltar a circular, limpando as lagriminhas que tinham saído dos cantinhos dos meus olhos. Estávamos há mais de uma hora vendo um vídeo sem sentido atrás do outro no YouTube, apoiando os pés na mesinha de centro bagunçada com a garrafa de vodka que já tínhamos terminado, os sucos para misturar, o pote de sorvete vazio e o bong de vidro. Ele jurou para mim que tinha um vídeo melhor ainda para mostrar, enquanto eu acendia o bong e mandava mais um trago para dentro, a brisa me fazendo sentir que estava flutuando a uns dois centímetros do sofá.

Será que era só a brisa?

Segurei a fumaça na boca e fui soltando devagar. Senti as minhas extremidades formigando de um jeito gostoso, e me servi de mais um copo de vodka com suco. Já tínhamos passado da metade da segunda garrafa. Sacudi a cabeça, rindo de lado. Teria eu encontrado um companheiro de copo a altura?

Ele me mostrou mais um vídeo completamente idiota e hilário e mais uma vez começamos a gargalhar no sofá. Só que dessa vez ele jogou os braços pra trás, acertando meu copo quase cheio no caminho.

E me dando um banho de vodka.

– Ai, caralho, porra! Desculpa, desculpa! – Ele pegou o copo no chão, todo desastrado, sem saber por onde começar a me secar. A frente do meu vestido ficou ensopada e gelou rapidamente, me fazendo arrepiar de um jeito bom. Ele ficou vermelho como um tomate, mortificado.

– Cara, relaxa, não tem problema…

– Desculpa mesmo…

Relaxa. – Eu queria rir, porque aquela devia ser a primeira vez na vida que não era eu que estava derrubando coisas. Geralmente era eu que estava me desculpando por ter virado bebida em alguém, sendo levantada no chão depois de um tombo, quebrando uma coisa nova logo depois de comprar. Olhei para ele, ele ainda estava sofrendo de vergonha. – Eu disse que não tem problema. Eu tava precisando de uma desculpa pra tirar esse vestido mesmo. – Me livrei da minha jaqueta, e observei com divertimento quando a expressão dele mudou rapidamente de constrangimento para atenção. – Aposto que você fez de propósito.

Eu tirei o vestido ensopado devagar, jogando no chão quando eu terminei. Mordi o lábio porque a ideia de estar só de calcinha e coberta de vodka na frente dele me deixava nervosa de um jeito bom. Como se tivessem ligado um motorzinho eu algum lugar embaixo da minha barriga.

Ele virou o restinho de bebida que tinha no copo. Eu engatinhei até ele, curtindo a ideia de estar praticamente nua enquanto ele ainda estava totalmente vestido. Cheguei bem pertinho da boca dele, e a gente sorriu junto. Era difícil bancar o sério naquele jogo de sedução, quando a gente tinha passado horas gargalhando junto. Quando a gente tinha passado horas falando sobre tudo e qualquer coisa sem nenhum requinte de sofisticação. A minha crueza e o meu entusiasmo tinham encontrado espelho nele e o tesão que eu estava sentindo era só mais uma maneira de a gente se divertir junto.

Quando a gente se beijou, foi rápido, foi desastrado, mas foi com aquela sede de quem nunca teve medo de nenhum de ir com tudo naquilo que dá vontade. Foi uma mistura de mãos e dedos e línguas e logo a gente não sabia onde um começava e o outro terminava. Sentia que estava ficando descabelada, me esfregando no corpo vestido dele com meu torso pregando de vodka e a sensação era de melar a calcinha.

Ele segurou os meus ombros, descendo a boca pelo meu pescoço, mordiscando e descendo a trilha que a bebida deixou no meu corpo.

– Acho que essa é minha nova combinação preferida. – Ele ofegou. – Álcool e você ao mesmo tempo. – Eu ri, balançando a cabeça. Estava muito mais que altinha há tempos já, e parecia que ele tinha tirado as palavras da minha boca. Ele me puxou com força, me fazendo ajoelhar em seu colo enquanto ele lambia toda minha barriga e a lateral do meu corpo.

Puxei o cabelo dele e ele gemeu baixinho. Eu mordi o lábio e levantei a sobrancelha, anotando a informação mentalmente para depois. Puxei de novo com mais força e a gente beijou mais uma vez. A mão dele invadiu a minha calcinha daquele mesmo jeito desajeitado, os dedos dele abrindo caminho e me tocando de maneira vigorosa. Desci da posição em que estava, ficando de quatro sobre ele, para garantir melhor acesso, enquanto arrancava a camiseta dele sem delicadeza nenhuma.

Ele olhava para cima, observando as reações no meu rosto enquanto me tocava, franzindo o cenho e mordendo os lábios, como se quisesse memorizar como me fazer gemer mais alto.

Não demorou e eu estava tremendo, praticamente rebolando contra a mão dele e quando ele sussurrou que queria me ver gozar eu obedeci na hora, como se fosse uma reação espontânea do meu corpo, sobre a qual minha mente não tinha nenhum poder.

Pisquei e sacudi a cabeça para clarear a visão – a sala estava enfumaçada e tudo parecia meio surreal. Ele se levantou do sofá e eu pesquei a ideia, deslizando meus joelhos para o chão e apoiando a meu torso no assento. Ele segurou minha cintura com as duas mãos e me comeu ali, o cheiro do suco de fruta e da maconha impregnando o ar e se misturando com o do nosso sexo. Pensei em muitas coisas; em como parecia que as mãos dele queimavam minha pele, em como ele parecia estar pegando fogo dentro de mim e como eu talvez estivesse gritando alto demais.

Aí ele pediu para eu gritar mais alto ainda.

Foi catártico. Nas mãos dele eu desmanchei, senti que não precisava esconder nem reprimir nada. Toda a minha existência pagã, torpe, libertina fazia sentido quando a gente estava ali, bêbados e suados, entregues um ao outro.

Desmontei no sofá quando acabou, tentando desembaralhar o meu cérebro. Quando ele pareceu voltar para o lugar, me veio a lembrança do vídeo que estávamos vendo antes. E assim recomecei a gargalhar de novo e ele sem nem saber do que eu estava rindo, começou a rir também.

Dizem que o mundo é dos loucos.

Naquela hora, ele foi.

 

Touro

sereno

 

O chiado da frigideira encheu a cozinha, enquanto ele ia organizando todos os ingredientes de maneira metódica.

– Se eu for arrumando enquanto cozinho, não fica bagunçado depois, entendeu?

Ele explicou, moendo pimenta rosa em cima do refogado. O solinho do violão saía da caixa de som, enquanto ele ia cozinhando sem pressa, servindo-se de mais um gole da cerveja chique.

– É belga. – Ele tinha me explicado assim que eu cheguei. Tinha feito muita propaganda das suas habilidades culinárias e eu estava com as expectativas muito altas. Entre um gole da cerveja escura e uma mordida do pratinho com queijos e castanhas, fomos papeando. A noite estava quente, a porta da varanda estava aberta. Eu adorava ouvir como ele falava sobre as coisas de maneira muito específica e entusiasmada. Estava me explicando há uns dez minutos todos os segredos do risoto perfeito, mas eu me sentia um pouco mal, porque só conseguia pensar que sempre adorei homem usando calça de moletom cinza, ainda mais quando tinha um corpo tão escultural quanto o dele. Era sempre tão bom passar o tempo na companhia dele, sempre tão doce e tranquila quanto o violão de sete cordas que sempre estava na sua playlist.

– O cheiro está muito bom. – Eu comentei, porque era verdade. Ele sorriu aquele sorriso charmoso, avisando que faltava só um pouco. Tampou a panela e veio me dar um beijo, segurando minha cintura de leve antes de escorregar as mãos para os meus ombros e fazer uma massagem de leve. – Meu Deus, o que eu fiz para merecer esse tratamento VIP?

– Ué, eu falei que ia cuidar de você hoje. – Eu suspirei, relaxando. Queria me contagiar com toda aquela serenidade. O alarme do telefone dele tocou, e ele voltou para o fogão. – Está pronto. Preparada para comer o melhor risoto de abóbora da sua vida?

Eu levantei um garfo.

– Nasci pronta.

***

Ele adorava dizer que orgasmos culinários podiam ser tão bons quanto os tradicionais. Eu passei a seriamente concordar depois do nosso jantar. A comida estava divina. Ele sempre me impressionava. A gente se dava também, mas a gente sabia que entre nós dois nunca seria mais do que sexo e amizade. E tudo bem. Às vezes é até melhor assim. Eu aproveitava aquele jeito brincalhão dele sem noias. Quando terminamos de comer, ele me levou para o sofá, e uma tigela de morangos com chantilly se materializou nas mãos dele.

Ele às vezes era tão clichê, mas por incrível que pareça, isso nunca me incomodou. Pelo contrário, aproveitamos cada um dos morangos. Ele tirou minha blusa, me lambuzou de chantilly e lambeu tudo para limpar.

Quando eu vi, já estava sem sutiã, com a barriga melada de doce, presa no colo dele enquanto a gente se beijava. Digo presa porque era exatamente essa a sensação que o beijo dele me dava. Parece que eu tinha entrado numa cela, e tinham jogado a chave fora. Era tão profundo e assertivo, que parecia que eu nunca mais ia conseguir sair. Estava acorrentada nos lábios dele.

Ele me segurava com força, me pressionava contra ele, meu shortinho minúsculo raspando naquela calça de moletom sem vergonha. Passei a mão pelo peito dele, bem devagar, antes de enfiá-la por dentro da calça logo de uma vez. Ele gemeu na minha boca, devolvendo o gesto e descendo a boca pelo meu peito, uma das mãos se embrenhando dentro por dentro dos meu shorts e da minha calcinha fio dental.

Ficamos assim por um bom tempo, brincando, provocando, para ver quem ia ceder primeiro. Mas desde o começo eu sabia que ia perder, e de bem com isso. De repente chutei meus shorts para longe, desci a calça dele até os tornozelos e me ajoelhei no chão, entre as pernas dele.

– Pena que não tem mais chantilly. – Eu disse com uma piscadinha, antes de colocar o pau dele inteiro na minha boca. Ele puxava o meu cabelo de levinho, na altura da nuca, enquanto eu ia provocando, torturando, até que ele me puxou de uma vez, me encaixou no seu colo, e começou a me comer devagarzinho, segurando meus quadris para me fazer rebolar.

Não demorou e ele gemeu alto no meu ouvido, me jogando de volta no sofá e enfiando o rosto entre as minhas pernas, me chupando lentamente até me fazer gozar. Depois, deitou a cabeça na minha barriga, resmungando que estava cansado. Eu ri. Respondi que podíamos dormir no sofá mesmo.

Assim fizemos.

 

Câncer

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Cheguei na cozinha e a observei fazendo força para conseguir abrir o vinho com o saca-rolhas. As coxas desapareciam dentro da camisola de algodão fininho, o pano quase transparente deixando à mostra a calcinha branca fio dental fazendo um trabalho bem sem vergonha de esconder a bunda empinada. Subi os olhos pela curva da cintura e os cabelos longos e cacheados. Ela finalmente conseguiu abrir o vinho e encheu uma taça.

A abracei por trás, segurando-a na altura da cintura, sentindo a curvinha do quadril que eu sempre achava uma delícia. Senti que ela tensionou na hora, se desvencilhando do meu abraço.

Pisquei aturdida por um segundo. Depois, rolei os olhos.

– Meu, não é possível que você tá puta de verdade.

– Me deixa. – Ela resmungou fazendo menção de sair da cozinha. Eu segurei o seu pulso, a trazendo de volta.

– Não, não, peraí, vem cá. Vai ficar de birra? – Ela levantou as sobrancelhas.

– Não tô de birra. – Eu continuei a encarando. Ela deu de ombros num trejeito afetado. – Quer conversar com ele, conversa. Pra mim foda-se.

– Não tá parecendo foda-se não.

– Eu tenho que achar tudo normal, né? Você ficar de conversinha como ex e eu ainda tenho que ficar de boa. – Ela tentou sair mais uma vez.

– Espera aí, podemos conversar? – Ela suspirou irritada. – Primeiro que eu não tô de conversinha, a gente tava falando de uma vaquinha para dar presente para um amigo em comum, aliás eu já te expliquei isso. E segundo que você é maluca se você acha que eu vou ter interesse em qualquer ex que seja quando eu tenho isso tudo na minha frente.

O canto da boca dela tremeu. Ela quis sorrir. Mas não cedeu.

Caramba, que menina difícil.

– Você é a menina mais gostosa do mundo inteiro. – Eu continuei, e senti que ela tinha amolecido. Fui me aproximando. – Eu quero te apertar, te chupar, te comer o dia inteiro. Tem zero motivo pra você ficar nessa noia.

– Mas…

– Mas nada. Vem cá, vai. – Eu a pressionei contra a parede da cozinha, coloquei minha coxa entre as pernas dela, enfiei meu rosto na sua nuca. Ela tinha cheiro de baunilha. Eu beijei a pele do pescoço, lambendo,sentindo o gosto dela, subindo até o lóbulo de sua orelha. Mordi e ela ofegou. – Me deixa te fazer gozar.

– Para… – Ela resmungou naquela voz que eu já conhecia quando ela queria fazer charminho.

– Só uma vez, vai… Deixa? – Não esperei a resposta e roubei um beijo. Ela logo passou as mãos pela minha cintura, me envolvendo como um polvo. Ela me beijava devagar, insistente, como se quisesse me engolir. Pressionei o meu corpo contra o dela, enfiando as mãos por debaixo da camisola. Passei pela pele macia da barriga, apertei os dois peitos com força. Ela gemeu alto, como sempre. Adorava o quanto ela sempre respondia aos meus toques.

Quando eu desci minha mão de volta pelo corpo dela, calcinha minúscula estava encharcada. Gemi na boca dela, passando meus dedos pela renda molhada de leve, provocando. Ela me segurava, me arranhava, se agarrava em mim, e não parava de me beijar por um segundo.

Deslizei a calcinha para baixo e ela soltou um gritinho gutural quando eu separei  os seus lábios com o indicador e o anelar, correndo a pontinha do dedo do meio pelo seu clitóris. Senti o corpo dela estremecer quando comecei a fazer movimentos circulares, devagar, do jeito que eu sabia que sempre funcionava.

Não demorou e ela desgrudou os lábios dos meus, gemendo alto. Sentia suas coxas dando pequenos espasmos enquanto eu continuava tocando no mesmo lugar, do mesmo jeito. Desci a outra mão para penetrá-la com o dedo, curvando dentro dela para achar o lugar certo. A boceta dela escorria na minha mão, ela tentava abrir mais as pernas a ponto de quase rasgar a calcinha presa na altura dos joelhos. Ela pediu para eu ir mais forte e eu obedeci, sentindo que ela se contraía ao redor do meu dedo, investindo os quadris contra mim como se tivesse perdido a capacidade de controlá-los.

Ela me beijou de novo quando gozou, sua língua passando pela minha boca sem ritmo, sem coordenação. Ficamos ali as duas arfando, até que eu sorri.

– Que delícia. – Ela torceu o nariz.

– Não pensa você que eu esqueci que você estava de papinho com o ex só por causa disso. Eu não esqueci! – Ela subiu a calcinha e saiu pisando duro pelo corredor. Eu suspirei, exasperada.

Hora do segundo round.

 

Capricórnio

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Estava escorada no canto do sofá, bebericando meu vinho e atualizando a timeline do Facebook pela décima vez seguida. Olhei para minha amiga conversando animadamente num canto da sala com o tal boy que ela não parava de falar a respeito há uma semana. Rolei os olhos. As coisas que a gente faz para as amigas transarem. Pelo menos a bebida era farta. Eu dei de ombros enchendo mais uma taça de rosé.

Aquela festa estava um porre. Eu devia saber que ia ser roubada quando ela falou que “provavelmente só ia ter gente da pós”. As pessoas se espalhavam nos sofás, usando vestidos de crepe, comendo barquetes e citando nomes de pensadores. Bom, eu sou uma boa amiga. Valia o sacrifício, mas ela ter que me pagar uma cerveja depois.

Estava rindo sozinha de um vídeo de gatinho que não parava de travar no meu 3g quando ele chegou e se sentou ao meu lado.

– Vídeo de gatinho, hein? Vai com calma, essa é a porta de entrada para drogas mais pesadas. Daqui a pouco você vai estar mandando mensagem no grupo da família só pra ter com quem conversar.

Eu sorri.

– Não corro esse risco. Saí do grupo da família.

– Uau, uma rebelde autêntica.

– Isso aí. Além do mais, parece que eu já tenho com quem conversar. – Ele sorriu. Se apresentou, estendendo a mão. Reparei no sorriso. – Bebe um vinho comigo?

– Obrigado, mas eu estou só na água. – Eu levantei uma sobrancelha. – Eu não bebo. – Ele explicou, sorrindo de novo. Eu pisquei.

– Não por isso. Faço questão de beber por dois.

De repente, a festa deixou de ser chata. O papo fluiu. Com um estoque de rosé infinito, eu fui ficando cada vez mais falante. Reparei que talvez devia estar chamando atenção demais quando gargalhei de repente, quase fazendo o vinho sair pelo meu nariz. Todo mundo olhou para mim. Céus, aquela galera tinha álcool de graça e ninguém estava enchendo a cara? Oficialmente eu estava no mundo dos adultos.

Ele sorriu para mim. Eu reparei em todos os dentes. Ele tinha um sorriso lindo. Talvez eu estivesse bêbada.

Mais provavelmente eu estava bêbada E ele tinha um sorriso lindo.

Minha amiga segurou meu ombro com força, sussurrando no meu ouvido que estava indo para casa do tal boy. Eu sabia que ela estava eufórica. Ia querer saber todos os detalhes no dia seguinte. Depois ela se afastou e pareceu se dar conta de algo.

– Mas como você vai voltar?

– Relaxa, eu dou um jeito. – Porque eu já estava contando com isso desde o começo.

– Se você quiser posso te dar uma carona. – Ele disse. Nós duas o encaramos ao mesmo tempo. Ele levantou as duas mãos num gesto de defensiva, como se dissesse, “sem segundas intenções”.

Mas é claro.

– Viu? Tenho carona. Vai lá, aproveita.

***

– Eu não quero que você pense mal de mim porque eu estou te dando carona.

– Não, imagina.

– Eu tô falando sério. Não sou este tipo de cara.

Andávamos os dois pela calçada, tentando encontrar o carro dele. Finalmente paramos perto de um sedan vermelho. Eu estava prestes a me atracar com um cara que dirigia um sedan, meu Deus. Mas aí ele correu as mãos pelos cabelos cacheados cor de chocolate.

Foda-se o sedan. Tudo nele estava me atraindo como um ímã. O sarcasmo, a confiança serena, o sorriso.

– Muito bem. – Eu o encurralei contra a porta do carro. – Então vai dizer que você não quer me pegar?

Ele ficou sem ação por um segundo, mas logo se recompôs.

– Também não sou o tipo de cara que mente. – E com isso  segurou minha nuca com as duas mãos e me beijou.

Não foi de uma vez. Foi aos pouquinhos. Em progressão aritmética. Tipo seleção da Alemanha se aproximando em etapas da pequena área.

Quando finalmente a língua dele invadiu a minha boca, meus joelhos tinham virado geleia.

***

O caminho para casa foi marcado por amassos incisivos toda vez que um farol fechava. Ele enfiou a mão nos buracos do meu jeans para ter acesso às minhas coxas, e não a tirou de lá durante toda a viagem. Quando ele parou o carro na porta do meu prédio, ia abrindo a boca para chamá-lo para entrar.

Mas mudei de ideia.

Beijei ele mais uma vez, mordendo o lábio inferior dele com força para fazê-lo gemer. Abri o cinto de segurança e sentei no colo dele.

– O que você tá fazendo?

– O que parece?

– Mas…

– A rua tá vazia. Eu sempre tive essa fantasia, não diga que você vai negar.

Ele mordeu o lábio. Vi os seus olhos brilharem.

– A sua fantasia é transar comigo no carro para qualquer um que passar ver? – Eu assenti com a cabeça. – Você é maluca. Eu adorei, vem cá.

Retomamos o amasso, tentando nos livrar das roupas. O espaço era apertado e desconfortável, mas era claro que isso não era problema para nenhum dos dois. Ele tirou meu sutiã em meio segundo, a maior demonstração de habilidade que eu já vi de um homem na cama, e puxou o meu cabelo, descendo a boca pelo meu pescoço, ombro, colo, até chegar nos mamilos. Demorou-se por ali, sugando e mordendo de leve, enquanto as mãos apertavam a minha bunda.

Quando eu estava me contorcendo, enfiei minha mão dentro da cueca dele, rolando os olhos mentalmente para o fato de que era Calvin Klein. Comecei a tocá-lo devagar, provocando. Ele colocou o dedo indicador dentro da minha boca, e eu gemi imediatamente, como ele tinha adivinhado? Comecei a chupar o dedo dele como se fosse um boquete. Ele aguentou por mais dois segundos até arrancar minha calcinha.

Ele segurou meus quadris enquanto me penetrava com precisão cirúrgica. Eu olhava para a rua vazia e mal iluminada e a adrenalina de estar fazendo aquilo em público me dava um barato muito forte. Eu desci as mãos pelo meu corpo, tentando fazer alguma coisa com elas. Ele percebeu.

– Se toca. Eu quero ver.

Quem era esse cara, alguma espécie de robô do sexo da vida real? Obedeci imediatamente. Ele me olhava de um jeito muito safado, escaneando todo o meu corpo, demorando-se no movimento dos meus dedos, e voltando a me encarar. Não tinha como a brincadeira durar muito. Gozamos quase que ao mesmo tempo. Fiz questão de gritar o nome dele.

Só quando voltei para o banco do passageiro percebi que estava toda dolorida de cãimbras. Provavelmente amanhã sentiria as consequências dessa aventura nos meus músculos. Dei de ombros. Tinha valido a pena.

– E aí, quer subir? – Eu perguntei enquanto vestia as minhas roupas. – Mas toma cuidado que pode ser a porta de entrada para drogas mais pesadas. Tipo dormir de conchinha.

Ele sorriu de novo.

– Claro que eu quero.

Áries

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Meu apelido para ela era menina maluquinha. E caía muito bem, eu pensava, enquanto ela espalhava as pinturas pelo chão, andando nas pontas dos pés cobertos por meinhas puídas entre elas. Ela falava sem parar, me explicando como cada uma delas iria entrar na exposição, gesticulando de um jeito que fazia a camisetinha fina subir e deixar a barriga dela à mostra. Eu só observava, entre os goles da minha cerveja, deixando meus olhos passearem pelas coxas alvas até elas desaparecerem na calcinha de algodão preto.

– Entendeu?? – Ela me perguntou em tom acusatório. Eu tinha me distraído totalmente.

– Entendi sim, claro.

Ela me fitou por uns segundos, apertando os olhos, a mão na cintura, com cara de brava. Depois suspirou contrafeita e continuou a explicação. Falou por mais um tempo até desabar no chão, no meio das pinturas.

– Tô exausta.

– Tô vendo. Eu acho que você merece relaxar um pouco. – Eu comecei, engatinhando até ela. – Vem cá, depois você continua.

– Não, eu ainda tenho um monte de coisa pra fazer! – Ela exclamou num rosnado.

– Mas você já trabalhou um monte hoje, merece relaxar, vai. Vem cá.

Ela sorriu, e eu soube que tinha vencido. Eu ofereci minha garrafa de cerveja, ela se serviu de um gole. Quando ela me devolveu, passei o vidro gelado pelos ombros dela. Estava fazendo muito calor naqueles dias. Ela arrepiou.

Aproveitei que ela tinha baixado a guarda para me aproximar mais ainda e roubar um beijo. Segurei o queixo dela com uma das mãos, e a outra subi por debaixo da camiseta. Adorava o beijo dela. Era tão cheio de energia, daqueles que parecia ser uma injeção de adrenalina direto na jugular. Eu escorreguei os lábios para a orelha dela, mordendo de leve e sussurrando:

– Vem pra cama comigo. Você não quer estragar as pinturas, né?

Ficamos num amasso entusiasmado por um tempo. Ela arranhava minhas costas, puxava meu cabelo, fazendo barulhinhos de impaciência. Eu achava graça. Geralmente eu sempre era a afobada quando se tratava de sexo, mas ela conseguia me superar. Subi as mãos para acariciar um mamilo por cima do pano fininho e ela mordeu meus lábios com força. Eu separei o beijo e ela me olhava com o cenho franzido, quase como com raiva por eu tê-la excitado.

Eu ri.

– Vira de costas. – Ela já abriu a boca pra reclamar. – Eu quero te fazer uma massagem! – Ela me olhou de novo com aquela carinha desconfiada e virou, a contragosto.

Eu a ajudei a tirar a blusa, admirando a extensão da pele sardenta das costas dela. Massageei os seus ombros e fui descendo devagarinho ao longo da espinha. Deixei meus dedos afundaram nas covinhas logo acima da bunda e fui plantando beijinhos  por ali, descendo para as laterais do corpo até chegar na cintura. Depois, desci a calcinha de algodão.

Mordi a coxa dela de brincadeira, e retomei os beijos por ali. Ela se mexeu na cama, reclamando contra o travesseiro. Eu a torturei mais um pouco, o máximo que deu, até que senti que ela estava prestes a me chutar. Fiz com que ela se virasse de novo na cama, separei suas pernas gentilmente e cheguei bem perto da sua boceta, respirando forte por ali.

– Para de me fazer cócegas, cacete! – Ela reclamou com a voz estrangulada e a fiz calar a boca passando minha língua devagar pelo clitóris dela. Ela soltou um gemido alto. Parecia que as reclamações tinham acabado.

Me deliciei nela. Eu sempre adorava chupá-la porque ela ficava muito molhada. Alternava minha língua entre o clitóris e o restante da vulva, sugando e lambendo, aproveitando bem o gosto dela. A penetrei com a língua devagarzinho, até ela estar levantando os quadris da cama e puxando os meus cabelos e deslizei dois dedos para dentro com bastante facilidade, afinal ela já estava bem molhada.

Abri minhas próprias pernas, involuntariamente me esfregando contra a cama conforme os gemidos dela ficavam mais altos. Ela era tão apertada por dentro, e estava toda inchada e aberta, dava vontade de morder. O gosto dela me enlouquecia, adorava passar minha língua por cada centímetro e cantinho enquanto ela tremia. Estava convencida de que daquela vez ela ia realmente arrancar os meus cabelos de tanto puxar, até que ela convulsionou na cama, gritando bem alto.

Adorava quando ela gozava na minha boca.

Subi pelo corpo dela, e aí quem estava impaciente era eu. Me livrei do pijama bem desajeitada, enquanto ela ria de mim, sacudindo os cabelos ruivos e curtos para longe do rosto. Tirei o sorriso da boca dela com um beijo, nossa saliva se misturando com o gozo dela.

Finalmente me livrei da minha calcinha, e colei nossos corpos de novo. Só que dessa vez, sem roupa para atrapalhar. Separei as minhas pernas. Gemi quando senti nossos quatro pares de lábios se esfregando. Eu investia meu corpo contra o dela, até que ela se cansou e inverteu nossas posições.

Sentou-se sobre o meu quadril, deixando os seios empinados na altura da minha boca e retomamos o ritmo. Gozei escondendo meu rosto no peito dela. Caí de volta na cama, e ela ficou me fazendo carinho por uns dois segundos.

Depois levantou-se de um salto, e continuou a mexer com as pinturas.

Eu fiquei ali, a admirando enquanto ela separava suas telas, nua.

Suspirei. Para alguém que se cansava tão rápido das coisas, eu só queria que ela demorasse muito para se cansar de mim.

 

Libra

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– Eu disse nada de celular. – Ele me repreendeu, entrando na hidromassagem.

– Desculpa, desculpa, eu tava só mandando uma mensagem. – Eu expliquei só a metade, quando a verdade inteira era “eu tava contando pra uma amiga o que está acontecendo porque não vou conseguir guardar só pra mim”. Ele colocou as taças ao lado da hidro, cada uma com duas framboesas e duas folhinhas de hortelã congeladas. Eu sorri enquanto ele enchia as duas de champanhe. Com ele era sempre assim, sempre coisas belas e coisas boas. E toda vez que eu comentava do seu bom gosto, ele respondia com um, “lógico, eu gosto de você”.

Ele deu um golinho do champanhe e eu coloquei o celular de lado. Ele me abraçou por trás, beijando minha nuca com os lábio gelados. Senti um arrepio cortando a minha espinha.

– A água tá muito boa mesmo.

– Eu falei. – Foi a minha resposta, enquanto eu sentia um segundo arrepio me atravessar quando ele passeava as mãos pela minha cintura, por cima do maiô. Olhei para as luzes da cidade sob a névoa do outono, as estrelas faiscantes acima. Lá estava eu, bebendo champanhe dentro de uma hidromassagem num terraço na companhia de um homem que parecia ter saído dos meus sonhos. Aquela viagem parecia pertencer à vida de outra pessoa, como se fosse uma realidade paralela.

O que não significava que eu não ia aproveitar.

Bebi um pouco do champanhe, deixando as bolhinhas fazerem cócegas no meu céu da boca até derreterem. Me virei, colando nossos corpos. Nos beijamos com gostinho de framboesa e hortelã, a água quente da hidro e a primeira dose de álcool da noite fazendo todos os meus músculos relaxarem.

Ele sorriu no beijo, dizendo que tinha esquecido da música. Alcançou o controle remoto, ligando o som e fazendo tocar uma das minhas músicas preferidas. Eu fiquei boquiaberta.

– É essa, né? – Eu fiz que sim com a cabeça. – Eu prestei atenção, tá vendo?

Ele se sentou do outro lado da hidro, dando mais goladas do champanhe, enquanto a gente retomava a conversa da tarde sobre os nosso tempos de rebeldia no ensino médio. Em dado momento ele mordeu o lábio, balançando a cabeça de vergonha. O charme dele era tão cativante que era quase insuportável, e eu só conseguia pensar, “ai, meu Deus, eu acho que eu tô apaixonada, fodeu”.

A mistura de não querer ficar sozinha com meus pensamentos por mais nenhum segundo e um desejo súbito de correr minhas mãos pelos braços dele me fez atravessar a hidro num impulso. Eu me sentei no colo dele, colocando as mãos espalmadas pelos ombros, descendo pelos braços bem torneados, até a barriga bem definida. Fiquei me perguntando se algum dia ele deixaria de me fascinar tanto. Explodi uma framboesa na boca antes de beijá-lo outra vez. Piscina, banheira, hidromassagem e afins sempre tiveram o dom de me provocar uma injeção de libido, e estar ali no colo dele certamente piorava a situação.

Nos beijamos por muito tempo. Ele segurava as laterais do meu rosto enquanto me provocava com mordidinhas. Eu podia sentir sua ereção dentro da sunga, se esfregando contra o meu maiô, e ficava cada vez mais zonza. Investia o meu corpo contra o dele, passando as unhas pelo seu couro cabeludo e puxando os cabelos curtos. Ele sabia me deixar impaciente.

Eu estava praticamente soluçando de desejo na boca dele quando ele finalmente resolveu fazer alguma coisa. Inverteu nossas posições, me pressionando contra a parede da hidro com aqueles braços de dar inveja em qualquer rato de academia. Olhou fundo nos meus olhos, aquele olhar cheio de tesão e malícia, mas sempre com um fundo de ternura, e subiu as mãos pelas coxas, me fazendo tremer de levinho.

Puxou a lateral do maiô para o lado, me deixando exposta. Eu estava pulsando e gemi sem querer quando ele passou o dedão por toda a extensão da minha boceta, de cima pra baixo. Me agarrei nele, cravando minhas unhas nos seus bícepes enquanto ele ia fazendo círculos no meu clitóris bem devagarzinho. Passou o indicador por toda a fenda até chegar na minha entrada, me penetrando de levinho, para recomeçar todo o processo. Ele continuou até que eu o beijei com força, e ele enfiou dois dedos de uma vez dentro de mim. Logo seus dedos acharam aquele ponto mágico (como ele sempre conseguia encontrar tão rápido? Devia fazer um mapinha e vender na Internet, com certeza meus outros peguetes se beneficiariam) e em um minuto eu estava pregada na parede da hidro, completamente desmontada. Alcancei as alças do meu maiô e desamarrei desajeitada, querendo me livrar daquilo logo.

Ele me ajudou a tirar o maiô, e desceu os lábios pelo meu pescoço e colo, chupando, mordendo marcando, bem devagar. Minha pele estava queimando, e ele queria diminuir o passo? Quando ele tomou um dos meus mamilos na boca, eu quase gritei, puxando os cabelos dele. Ele riu de leve.

– Água te deixa maluca mesmo.

– Eu avisei. – Eu resmunguei, puxando os quadris dele para perto sem muita coordenação. Ele segurou minha cintura, me encaixou no seu colo e começou a me penetrar. A água deixava tudo mais difícil, tirando um pouco da lubrificação natural, e fazendo com que a invasão doesse um pouquinho. Eu estava tão excitada que aquilo só me deixou com mais tesão.

Eu o abracei, sentindo meu corpo vibrando no dele, cada investida me causando uma dor deliciosa. Só conseguia lembrar de um amigo dizendo pra mim “o amor dói”, enquanto eu lambia a pele molhada dele, querendo registrar cada detalhe daquele momento nas minhas memórias.

Gozei enquanto olhava para as estrelas, ele segurando o meu corpo firme em cada espasmo. Encostei minha testa no ombro dele, relaxando meu corpo trêmulo, sentindo minha pele reverberar. Só conseguir pensar que paixões podem até não durar pra sempre.

Mas elas nos fazem viver uma vida em cada dia.

 

Escorpião

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Ele deu trabalho.

Cheguei no hostel morta, pensando que eu deveria realmente botar o pé no freio e não virar as noites na gandaia se eu tivesse que viajar logo cedo no dia seguinte, porque ter que carregar mala com ressaca e gosto de cabo de guarda-chuva na boca estava foda. O mocinho da recepção me atendeu na maior lerdeza, e eu impaciente só queria que ele me desse logo a chave do quarto para eu dormir até a dor de cabeça passar. Ele não conseguia encontrar minha reserva e eu tentava me manter calma, até que saiu de dentro da área do staff um sujeito tão deslumbrante que quase fez a minha ressaca passar instantaneamente.

Cabelos loiros e longos presos no coquinho da moda, braços cobertos de tatuagens, estilo bem fashionista de se vestir. Eu imediatamente desejei que não estivesse tanto com cara de ontem, quando ele me mediu de cima a baixo sem esboçar nenhuma reação. Perguntou ao colega qual era o problema e em dois segundos encontrou minha reserva, me entregando as chaves. Eu agradeci sem graça, e ele acenou indiferente, terminando de bolar um cigarro. Avisou ao mocinho que ia sair para fumar e eu fiquei pregada no chão, pensando em como eu ia conseguir descobrir qual era o nome dele.

***

Viagem é um negócio estranho, você conhece aquele sujeito que está mochilando há dez meses, aquele casal da dinamarca que chegou ontem, aquelas meninas que já passaram pelos lugares que você vai passar e de repente parece que todo mundo é amigo de infância. Já era o segundo dia que saíamos todos junto com o staff. Uma das meninas que dividia o quarto comigo estava pegando o mocinho que me recepcionou no primeiro dia. O amigo gato dele nunca aparecia, e eu estava ficando decepcionada, até que ele de repente se materializou na boate, bolando mais um cigarro.

Àquela altura eu já estava no terceiro shot, e sorri para ele entre o canudo da minha bebida. Ele sorriu minimamente de volta, só com o canto da boca, me encarando por trás dos cílios longos. Não se demorou no olhar, passando para cumprimentar todo mundo. Quando chegou na minha vez, ele colocou a mão bem no fim das minhas costas, quase na bunda. Eu não deixei barato, colando meu corpo no dele, e sentindo um estalo percorrer toda a minha pele. Ele me soltou e nem olhou para mim, terminou de cumprimentar todo mundo e foi para um canto. Eu suspirei, exasperada. Era óbvio quem estava ganhando e quem estava perdendo naquele jogo.

A noite foi passando num borrão. Sempre tinha alguém que chegava que conhecia alguém, e eu estava virando shot atrás de shot sem ter que desembolsar um centavo. Pedi uma água para dar uma baixada no meu nível alcóolico e me virei para ver o grupo do staff gritando e pulando ao som do último hit do Bruno Mars. Ele só olhava de canto, rindo baixinho, claramente deslocado. Eu, que sabe-se Deus por que tenho uma queda por gente blasé, só faltei colocar o babador.

Toda vez que ele tinha que passar, se esfregava em mim. Para pedir licença descia as mãos pela minha cintura e apertava, ou então se espremia atrás de mim, fazendo com que a gente ficasse colado. Eu já estava bem bêbada, e sem paciência para aquela tortura. Não entendia se ele me queria ou estava só me provocando, e se queria, quando ia fazer alguma coisa. Ele obviamente estava se divertindo em ter o controle da situação e me ver me contorcendo. A atmosfera estava carregada de tensão sexual quando num momento de particular distração do grupo, ele segurou meu braço na altura no cotovelo e sussurrou no meu ouvido, “vamos ali fumar um cigarro”. Em um minuto tínhamos nos empirulitado para área de fumantes, eu tinha certeza que ninguém dos nossos amigos tinha nem notado o que aconteceu, e não pude negar que me impressionei com as suas habilidades de sedução ninja.

Ele bolou um cigarro e eu fiquei olhando os seus dedos habilidosos alisando a seda, imaginando mil e uma putarias – céus, será que pensar essas coisas toda hora é normal?? – até que ele selou o cigarro com a língua e me deu. O papo começou a fluir, e e longe de todos ele me surpreendeu. Estava genuinamente desarmado, e levamos uma conversa relaxada e natural sobre tudo. Ele falava baixo, sem afetação, não se expressava de uma maneira hiperbólica, não precisava se autoafirmar. Ele era, simplesmente era, sem arrogância, confiante o suficiente para trocar ideias sem tentar me impressionar a cada duas frases.

Continuamos a conversa dando uma volta no quarteirão. A noite estava agradável e o papo foi ficando uma delícia. Paramos na esquina e a conversa foi arrefecendo. Ele me encarou com os olhos claros, e eu senti como se ele estivesse furando um buraco em mim. Eu sorri. Sou péssima em sutilezas.

– O que foi?

– Nada.

– Nada? Você vai me dizer por que me chamou pra dar uma volta ou vai ficar parado me olhando?

Ele sorriu de lado, aquele mesmo sorriso sem vergonha de quem está adorando jogar.

– Eu sou tímido. – Ele disse, dando de ombros, num tom que misturava sarcasmo e seriedade na mesma medida. Ele só podia estar de sacanagem.

– Ah, é? Eu não sou. Tô a fim de você. – Ele deu uma risadinha, se apoiou no muro com ares de cerimônia. Me puxou pra perto pela cintura, subiu a mão pressionando as minhas costas, até a minha nuca. O rosto dele estava bem próximo, ele estava respirando na minha boca, e eu estava intoxicada – de álcool, de tesão, de juventude. Ele chegou bem perto, quase me beijou, quase. Aí puxou o meu cabelo na altura na nuca, me afastando de novo e inclinando o rosto para acompanhar minha reação. Eu soltei um gemidinho de desespero e ele sorriu satisfeito, segurou meu queixo e me beijou um beijo que eu senti da sola dos pés até a raiz dos cabelos.

***

Nos demoramos mais um tempo na boate, enquanto dançávamos com o resto do pessoal. Até que ele virou pra mim e murmurou um “vamos” tão decidido que eu me senti um coelhinho indo para o abate. Voltamos para o hostel, entramos no quarto que ele dividia com dos meninos. Eu perguntei se ele não ia voltar. Ele explicou que tinha combinado com o cara de ele passar a noite em outro lugar. Eu levantei uma sobrancelha, porque ele estava planejando aquela armadilha desde o começo e eu tinha caído direitinho.

Ainda bem.

Ele me fez deitar na cama bagunçada, separando minhas pernas com o joelho. Quando desceu o peso sobre o meu corpo, enfiou as mãos por dentro da minha blusa, segurando minha cintura, e me beijando daquele jeito que parecia que ia sugando o ar de dentro dos meus pulmões. Ele ondulava os quadris, rebolava, raspando o pau em mim por debaixo da calça, e eu estava sentindo a visão escurecer de tão excitada. A tensão da noite inteira tinha me deixado em ponto de bala, e ele continuava a pressionar o corpo contra o meu, de uma maneira tão insistente que era quase opressiva. Eu sentia que eu era uma das presas daquelas cobras que matam por sufocamento, quanto mais eu me mexia, mais presa ficava.

Cada movimento me ateava fogo. Meu corpo estava em brasas quando ele começou a finalmente ir tirando minhas peças de roupa. Uma a uma, bem devagar, me torturando mais. Cada beijo parecia ser direto na carne, direto no nervo. Transar com ele dava a sensação de ser rasgada por uma faca, que ia muito fundo, só que em vez de causar dor, causava prazer.

Perdi a noção do tempo. Perdi o controle dos meus músculos. Perdi o filtro das minhas palavras. Fui reduzida aos meus instintos mais básicos. Na cama dele, eu me senti fêmea, me senti dominada pelos meus desejos, o quarto inteiro cheio de feromônio. Tudo era sexo. Não conseguia pensar mais em mais nada quando ele me chupava, só esperar que a língua dele me tocasse de novo, de novo e de novo, enquanto eu me abria, me esfregava na maciez molhada dos lábios dele. Não consegui pensar em mais nada enquanto ele me comia, concentrada absolutamente na sensação do pau dele me preenchendo, o gosto do suor dele na minha boca, os rasgos que eu abria com as unhas nas suas costas.

Quando acabou, eu estava exausta. Mas podia sentir que o corpo dele ainda vibrava ao lado do meu. Descansamos um pouco. Começamos a nos tocar de leve, fazendo um carinho, reparando o que podia fazer o outro se arrepiar. Não demorou começamos de novo. O cansaço não tinha como competir com a energia sexual que ele tinha despertado em mim, o ar estava tão elétrico que dava a impressão de que dava para riscar um fósforo entre nós dois. Fui caçada e devorada por ele, uma presa devidamente abatida, uma, duas, três, quatro vezes.

Paramos ao amanhecer. Ele adormeceu dentro de mim, me prometendo mais uma noite antes que eu deixasse a cidade.