O conto da mocinha solteira

bli
Fonte

Entrei em casa derrubando tudo. Cacete, cacete, cacete, era pra eu estar fazendo silêncio! Consegui entrar no quarto sem maiores estragos, tirando a roupa toda na maior aflição, essa blusa pinica, essa calça aperta, e foda-se, não vou tirar a maquiagem porque não é todo dia que dá pra gente ser um bom adulto.

Quando eu deito na cama, o mundo inteiro gira. Ok, ok, tudo bem, eu só preciso respirar devagarzinho. Meus ouvidos ainda estão zumbindo, reverberando o techno que eu ouvi a noite inteira, lá fora a luz do dia chegando preguiçosa e tímida. Luxo é saber que posso dormir até tarde amanhã. Não era exatamente a vida que eu imaginei que teria a essa altura, mas também não está ruim, aceito o que vier, tá de bom tamanho.

Reviro na cama, o álcool deixando minha pele febril. Estou cheia de energia demais para conseguir apagar, o corpo pulsando ainda, todo elétrico. Bom seria se eu tivesse trazido alguém pra casa, mas eu ando 100% sem saco pra essas conversas idiotas, todas as últimas vezes terminei querendo expulsar o fulano da cama, e além disso é sempre uma decepção mesmo, melhor ficar com a minha mão, que não tem contraindicações nem torra minha paciência.

Falando nisso.

Um suspiro sai trêmulo, um dedo alcançando a barra da minha calcinha fio dental. Caralho, esse cheiro de cigarro só sai do meu cabelo ano que vem. Tá, concentra. Separo bem as pernas, deixando o indicador passear por cima da renda, o toque suficiente para me fazer contrair de levinho – devo estar perto de ovular ou coisa assim, porque esses dias até se o pano da calça roça de um jeito mais tchan na minha perna eu já fico morrendo de tesão.

Em um minuto enfio a mão por dentro da calcinha. Já estou um pouquinho molhada, e dá um choque quando toco o meu clitóris bem de leve. Passo os dedos da minha entrada para o restante da vulva, lambuzando tudo, antes de achar o ponto certinho com o dedo médio.

Coordeno os movimentos circulares com as voltas que a minha cabeça alcoolizada dá, devagar, fechando os olhos sentindo o mundo girar novamente. A zonzeira dessa vez não me causa enjoo, só deixa mais fácil de desconectar da realidade, e minha mente começa uma peregrinação pelos arquivos guardados nas gavetas de “fantasias”.

Aquela vez que um cara meteu a mão dentro da minha saia enquanto a gente se pegava contra a parede da boate, aquele gif de squirting que eu vi outro dia no Tumblr, aquela menina que eu vi outro dia no metrô,  quando eu gozei me esfregando na minha ex-namorada, quando o ex-crush disse que queria me ouvir gemendo pra ele, quando eu fiquei sarrando no colo do meu ex ex dentro da piscina na frente de todo mundo…

Opa, opa. Não, espera. Ex errado. Até abro os olhos, chacoalhando a cabeça; sai demônio.

Tá, vamos retomar o raciocínio. Fecho os olhos, lembrando da sensação exata da língua de um peguete que por milagre era bom de oral. De-lí-cia quando ela deslizava devagarzinho dentre os meus lábios, quando ele fazia um biquinho e começava a sugar o meu clitóris sem pressa, separando os dedos dentro de mim, pressionando bem nos lugares certos, ele nunca parava, até eu gozar. Daí geralmente me virava de quatro, me fazia arrebitar bem a bunda, e antes de começar a me comer, me acertava um tapa que quase sempre me deixava marca. Nossa, deu até vontade mandar um “oi sumido” agora.

Tinha também aquela menina com quem eu nunca transei, e como me arrependo. A gente ficava se beijando por horas, ela tinha boca em formato de coração, usava sutiãs com bojo daqueles que desabotoam na frente, e eu adorava colocar as duas mãos por dentro da blusa dela, desfazer o fecho, porque ela sempre gemia muito gostoso quando eu beliscava os mamilos dela, sempre ficava muito molhada quando eu a tocava, abrindo as pernas e deslizando na parede, puxando meus cabelos. Que frustração nunca ter sentido o gosto da boceta dela, nem ter colado ela na minha, aposto que devia ser macia que nem o resto do corpo inteiro…

Eu paro um pouquinho, fico de bruços na cama, levanto os quadris. Agora eu tô muito molhada de verdade, meus músculos pulsando em pequenos espasmos. Geralmente eu tento evitar, mas com a percepção melada de álcool e tesão desse jeito, fica difícil. Como um ímã, meus pensamentos são atraídos para você, aquela vez que você estava me comendo de quatro no chão do seu quarto no meio de um ménage e eu secretamente só conseguia pensar “caralho eu amo dar pra você, podemos fazer isso de novo, podemos fazer isso pra sempre“, ou na primeira vez que você gozou na minha boca, seus gemidos estrangulados e fora de controle, ou você algemado na minha cama, teimando em se mexer, choramingando baixinho depois de eu ter te acertado um tapa e mandado ficar quieto;

– Mas eu não consigo ficar quieto!

Minha mão esquerda chega para o reforço, brincando ali de levinho na minha entrada, as pontas dos dedos penetrando só um pouquinho. Uma onda de adrenalina parte do meu ventre e desce pelas minhas pernas. Eu tô perto. O suor pingando das suas costas quando você se enterrava tão fundo dentro de mim que parecia que ia se perder lá, todas as vezes que você me comeu exatamente assim, segurando meus quadris enquanto eu me debatia de bruços na cama, sentindo cada centímetro do seu pau entrando e saindo, me contraindo ao seu redor e perguntando sem coordenação se você estava sentindo, se conseguia sentir, que eu estava gozando pra você, estava gozando no seu pau…

Não deu pra segurar. O orgasmo me atravessou de cima a baixo como um raio, eu me esfreguei na cama e deixei escapar uma torrente de obscenidades chamando o seu nome, meu cérebro completamente dominado.

Trêmula, abri os olhos, e rompeu-se a bolha erótica. Minha boca estava realmente seca, eu tremi só de pensar na ressaca do dia seguinte. Com os músculos relaxados, deitei na cama, esperando que dessa vez eu conseguisse dormir a noite inteira. Antes de apagar só pensava que bom, ainda bem que pelo menos na fantasia a gente pode fazer tudo que quiser.

 

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Sagitário

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Dobrei o corpo de tanto rir, apertando a minha barriga e tentando recuperar o ar. Suspirei várias vezes tentando fazer o oxigênio voltar a circular, limpando as lagriminhas que tinham saído dos cantinhos dos meus olhos. Estávamos há mais de uma hora vendo um vídeo sem sentido atrás do outro no YouTube, apoiando os pés na mesinha de centro bagunçada com a garrafa de vodka que já tínhamos terminado, os sucos para misturar, o pote de sorvete vazio e o bong de vidro. Ele jurou para mim que tinha um vídeo melhor ainda para mostrar, enquanto eu acendia o bong e mandava mais um trago para dentro, a brisa me fazendo sentir que estava flutuando a uns dois centímetros do sofá.

Será que era só a brisa?

Segurei a fumaça na boca e fui soltando devagar. Senti as minhas extremidades formigando de um jeito gostoso, e me servi de mais um copo de vodka com suco. Já tínhamos passado da metade da segunda garrafa. Sacudi a cabeça, rindo de lado. Teria eu encontrado um companheiro de copo a altura?

Ele me mostrou mais um vídeo completamente idiota e hilário e mais uma vez começamos a gargalhar no sofá. Só que dessa vez ele jogou os braços pra trás, acertando meu copo quase cheio no caminho.

E me dando um banho de vodka.

– Ai, caralho, porra! Desculpa, desculpa! – Ele pegou o copo no chão, todo desastrado, sem saber por onde começar a me secar. A frente do meu vestido ficou ensopada e gelou rapidamente, me fazendo arrepiar de um jeito bom. Ele ficou vermelho como um tomate, mortificado.

– Cara, relaxa, não tem problema…

– Desculpa mesmo…

Relaxa. – Eu queria rir, porque aquela devia ser a primeira vez na vida que não era eu que estava derrubando coisas. Geralmente era eu que estava me desculpando por ter virado bebida em alguém, sendo levantada no chão depois de um tombo, quebrando uma coisa nova logo depois de comprar. Olhei para ele, ele ainda estava sofrendo de vergonha. – Eu disse que não tem problema. Eu tava precisando de uma desculpa pra tirar esse vestido mesmo. – Me livrei da minha jaqueta, e observei com divertimento quando a expressão dele mudou rapidamente de constrangimento para atenção. – Aposto que você fez de propósito.

Eu tirei o vestido ensopado devagar, jogando no chão quando eu terminei. Mordi o lábio porque a ideia de estar só de calcinha e coberta de vodka na frente dele me deixava nervosa de um jeito bom. Como se tivessem ligado um motorzinho eu algum lugar embaixo da minha barriga.

Ele virou o restinho de bebida que tinha no copo. Eu engatinhei até ele, curtindo a ideia de estar praticamente nua enquanto ele ainda estava totalmente vestido. Cheguei bem pertinho da boca dele, e a gente sorriu junto. Era difícil bancar o sério naquele jogo de sedução, quando a gente tinha passado horas gargalhando junto. Quando a gente tinha passado horas falando sobre tudo e qualquer coisa sem nenhum requinte de sofisticação. A minha crueza e o meu entusiasmo tinham encontrado espelho nele e o tesão que eu estava sentindo era só mais uma maneira de a gente se divertir junto.

Quando a gente se beijou, foi rápido, foi desastrado, mas foi com aquela sede de quem nunca teve medo de nenhum de ir com tudo naquilo que dá vontade. Foi uma mistura de mãos e dedos e línguas e logo a gente não sabia onde um começava e o outro terminava. Sentia que estava ficando descabelada, me esfregando no corpo vestido dele com meu torso pregando de vodka e a sensação era de melar a calcinha.

Ele segurou os meus ombros, descendo a boca pelo meu pescoço, mordiscando e descendo a trilha que a bebida deixou no meu corpo.

– Acho que essa é minha nova combinação preferida. – Ele ofegou. – Álcool e você ao mesmo tempo. – Eu ri, balançando a cabeça. Estava muito mais que altinha há tempos já, e parecia que ele tinha tirado as palavras da minha boca. Ele me puxou com força, me fazendo ajoelhar em seu colo enquanto ele lambia toda minha barriga e a lateral do meu corpo.

Puxei o cabelo dele e ele gemeu baixinho. Eu mordi o lábio e levantei a sobrancelha, anotando a informação mentalmente para depois. Puxei de novo com mais força e a gente beijou mais uma vez. A mão dele invadiu a minha calcinha daquele mesmo jeito desajeitado, os dedos dele abrindo caminho e me tocando de maneira vigorosa. Desci da posição em que estava, ficando de quatro sobre ele, para garantir melhor acesso, enquanto arrancava a camiseta dele sem delicadeza nenhuma.

Ele olhava para cima, observando as reações no meu rosto enquanto me tocava, franzindo o cenho e mordendo os lábios, como se quisesse memorizar como me fazer gemer mais alto.

Não demorou e eu estava tremendo, praticamente rebolando contra a mão dele e quando ele sussurrou que queria me ver gozar eu obedeci na hora, como se fosse uma reação espontânea do meu corpo, sobre a qual minha mente não tinha nenhum poder.

Pisquei e sacudi a cabeça para clarear a visão – a sala estava enfumaçada e tudo parecia meio surreal. Ele se levantou do sofá e eu pesquei a ideia, deslizando meus joelhos para o chão e apoiando a meu torso no assento. Ele segurou minha cintura com as duas mãos e me comeu ali, o cheiro do suco de fruta e da maconha impregnando o ar e se misturando com o do nosso sexo. Pensei em muitas coisas; em como parecia que as mãos dele queimavam minha pele, em como ele parecia estar pegando fogo dentro de mim e como eu talvez estivesse gritando alto demais.

Aí ele pediu para eu gritar mais alto ainda.

Foi catártico. Nas mãos dele eu desmanchei, senti que não precisava esconder nem reprimir nada. Toda a minha existência pagã, torpe, libertina fazia sentido quando a gente estava ali, bêbados e suados, entregues um ao outro.

Desmontei no sofá quando acabou, tentando desembaralhar o meu cérebro. Quando ele pareceu voltar para o lugar, me veio a lembrança do vídeo que estávamos vendo antes. E assim recomecei a gargalhar de novo e ele sem nem saber do que eu estava rindo, começou a rir também.

Dizem que o mundo é dos loucos.

Naquela hora, ele foi.

 

Touro

sereno

 

O chiado da frigideira encheu a cozinha, enquanto ele ia organizando todos os ingredientes de maneira metódica.

– Se eu for arrumando enquanto cozinho, não fica bagunçado depois, entendeu?

Ele explicou, moendo pimenta rosa em cima do refogado. O solinho do violão saía da caixa de som, enquanto ele ia cozinhando sem pressa, servindo-se de mais um gole da cerveja chique.

– É belga. – Ele tinha me explicado assim que eu cheguei. Tinha feito muita propaganda das suas habilidades culinárias e eu estava com as expectativas muito altas. Entre um gole da cerveja escura e uma mordida do pratinho com queijos e castanhas, fomos papeando. A noite estava quente, a porta da varanda estava aberta. Eu adorava ouvir como ele falava sobre as coisas de maneira muito específica e entusiasmada. Estava me explicando há uns dez minutos todos os segredos do risoto perfeito, mas eu me sentia um pouco mal, porque só conseguia pensar que sempre adorei homem usando calça de moletom cinza, ainda mais quando tinha um corpo tão escultural quanto o dele. Era sempre tão bom passar o tempo na companhia dele, sempre tão doce e tranquila quanto o violão de sete cordas que sempre estava na sua playlist.

– O cheiro está muito bom. – Eu comentei, porque era verdade. Ele sorriu aquele sorriso charmoso, avisando que faltava só um pouco. Tampou a panela e veio me dar um beijo, segurando minha cintura de leve antes de escorregar as mãos para os meus ombros e fazer uma massagem de leve. – Meu Deus, o que eu fiz para merecer esse tratamento VIP?

– Ué, eu falei que ia cuidar de você hoje. – Eu suspirei, relaxando. Queria me contagiar com toda aquela serenidade. O alarme do telefone dele tocou, e ele voltou para o fogão. – Está pronto. Preparada para comer o melhor risoto de abóbora da sua vida?

Eu levantei um garfo.

– Nasci pronta.

***

Ele adorava dizer que orgasmos culinários podiam ser tão bons quanto os tradicionais. Eu passei a seriamente concordar depois do nosso jantar. A comida estava divina. Ele sempre me impressionava. A gente se dava também, mas a gente sabia que entre nós dois nunca seria mais do que sexo e amizade. E tudo bem. Às vezes é até melhor assim. Eu aproveitava aquele jeito brincalhão dele sem noias. Quando terminamos de comer, ele me levou para o sofá, e uma tigela de morangos com chantilly se materializou nas mãos dele.

Ele às vezes era tão clichê, mas por incrível que pareça, isso nunca me incomodou. Pelo contrário, aproveitamos cada um dos morangos. Ele tirou minha blusa, me lambuzou de chantilly e lambeu tudo para limpar.

Quando eu vi, já estava sem sutiã, com a barriga melada de doce, presa no colo dele enquanto a gente se beijava. Digo presa porque era exatamente essa a sensação que o beijo dele me dava. Parece que eu tinha entrado numa cela, e tinham jogado a chave fora. Era tão profundo e assertivo, que parecia que eu nunca mais ia conseguir sair. Estava acorrentada nos lábios dele.

Ele me segurava com força, me pressionava contra ele, meu shortinho minúsculo raspando naquela calça de moletom sem vergonha. Passei a mão pelo peito dele, bem devagar, antes de enfiá-la por dentro da calça logo de uma vez. Ele gemeu na minha boca, devolvendo o gesto e descendo a boca pelo meu peito, uma das mãos se embrenhando dentro por dentro dos meu shorts e da minha calcinha fio dental.

Ficamos assim por um bom tempo, brincando, provocando, para ver quem ia ceder primeiro. Mas desde o começo eu sabia que ia perder, e de bem com isso. De repente chutei meus shorts para longe, desci a calça dele até os tornozelos e me ajoelhei no chão, entre as pernas dele.

– Pena que não tem mais chantilly. – Eu disse com uma piscadinha, antes de colocar o pau dele inteiro na minha boca. Ele puxava o meu cabelo de levinho, na altura da nuca, enquanto eu ia provocando, torturando, até que ele me puxou de uma vez, me encaixou no seu colo, e começou a me comer devagarzinho, segurando meus quadris para me fazer rebolar.

Não demorou e ele gemeu alto no meu ouvido, me jogando de volta no sofá e enfiando o rosto entre as minhas pernas, me chupando lentamente até me fazer gozar. Depois, deitou a cabeça na minha barriga, resmungando que estava cansado. Eu ri. Respondi que podíamos dormir no sofá mesmo.

Assim fizemos.

 

Capricórnio

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Estava escorada no canto do sofá, bebericando meu vinho e atualizando a timeline do Facebook pela décima vez seguida. Olhei para minha amiga conversando animadamente num canto da sala com o tal boy que ela não parava de falar a respeito há uma semana. Rolei os olhos. As coisas que a gente faz para as amigas transarem. Pelo menos a bebida era farta. Eu dei de ombros enchendo mais uma taça de rosé.

Aquela festa estava um porre. Eu devia saber que ia ser roubada quando ela falou que “provavelmente só ia ter gente da pós”. As pessoas se espalhavam nos sofás, usando vestidos de crepe, comendo barquetes e citando nomes de pensadores. Bom, eu sou uma boa amiga. Valia o sacrifício, mas ela ter que me pagar uma cerveja depois.

Estava rindo sozinha de um vídeo de gatinho que não parava de travar no meu 3g quando ele chegou e se sentou ao meu lado.

– Vídeo de gatinho, hein? Vai com calma, essa é a porta de entrada para drogas mais pesadas. Daqui a pouco você vai estar mandando mensagem no grupo da família só pra ter com quem conversar.

Eu sorri.

– Não corro esse risco. Saí do grupo da família.

– Uau, uma rebelde autêntica.

– Isso aí. Além do mais, parece que eu já tenho com quem conversar. – Ele sorriu. Se apresentou, estendendo a mão. Reparei no sorriso. – Bebe um vinho comigo?

– Obrigado, mas eu estou só na água. – Eu levantei uma sobrancelha. – Eu não bebo. – Ele explicou, sorrindo de novo. Eu pisquei.

– Não por isso. Faço questão de beber por dois.

De repente, a festa deixou de ser chata. O papo fluiu. Com um estoque de rosé infinito, eu fui ficando cada vez mais falante. Reparei que talvez devia estar chamando atenção demais quando gargalhei de repente, quase fazendo o vinho sair pelo meu nariz. Todo mundo olhou para mim. Céus, aquela galera tinha álcool de graça e ninguém estava enchendo a cara? Oficialmente eu estava no mundo dos adultos.

Ele sorriu para mim. Eu reparei em todos os dentes. Ele tinha um sorriso lindo. Talvez eu estivesse bêbada.

Mais provavelmente eu estava bêbada E ele tinha um sorriso lindo.

Minha amiga segurou meu ombro com força, sussurrando no meu ouvido que estava indo para casa do tal boy. Eu sabia que ela estava eufórica. Ia querer saber todos os detalhes no dia seguinte. Depois ela se afastou e pareceu se dar conta de algo.

– Mas como você vai voltar?

– Relaxa, eu dou um jeito. – Porque eu já estava contando com isso desde o começo.

– Se você quiser posso te dar uma carona. – Ele disse. Nós duas o encaramos ao mesmo tempo. Ele levantou as duas mãos num gesto de defensiva, como se dissesse, “sem segundas intenções”.

Mas é claro.

– Viu? Tenho carona. Vai lá, aproveita.

***

– Eu não quero que você pense mal de mim porque eu estou te dando carona.

– Não, imagina.

– Eu tô falando sério. Não sou este tipo de cara.

Andávamos os dois pela calçada, tentando encontrar o carro dele. Finalmente paramos perto de um sedan vermelho. Eu estava prestes a me atracar com um cara que dirigia um sedan, meu Deus. Mas aí ele correu as mãos pelos cabelos cacheados cor de chocolate.

Foda-se o sedan. Tudo nele estava me atraindo como um ímã. O sarcasmo, a confiança serena, o sorriso.

– Muito bem. – Eu o encurralei contra a porta do carro. – Então vai dizer que você não quer me pegar?

Ele ficou sem ação por um segundo, mas logo se recompôs.

– Também não sou o tipo de cara que mente. – E com isso  segurou minha nuca com as duas mãos e me beijou.

Não foi de uma vez. Foi aos pouquinhos. Em progressão aritmética. Tipo seleção da Alemanha se aproximando em etapas da pequena área.

Quando finalmente a língua dele invadiu a minha boca, meus joelhos tinham virado geleia.

***

O caminho para casa foi marcado por amassos incisivos toda vez que um farol fechava. Ele enfiou a mão nos buracos do meu jeans para ter acesso às minhas coxas, e não a tirou de lá durante toda a viagem. Quando ele parou o carro na porta do meu prédio, ia abrindo a boca para chamá-lo para entrar.

Mas mudei de ideia.

Beijei ele mais uma vez, mordendo o lábio inferior dele com força para fazê-lo gemer. Abri o cinto de segurança e sentei no colo dele.

– O que você tá fazendo?

– O que parece?

– Mas…

– A rua tá vazia. Eu sempre tive essa fantasia, não diga que você vai negar.

Ele mordeu o lábio. Vi os seus olhos brilharem.

– A sua fantasia é transar comigo no carro para qualquer um que passar ver? – Eu assenti com a cabeça. – Você é maluca. Eu adorei, vem cá.

Retomamos o amasso, tentando nos livrar das roupas. O espaço era apertado e desconfortável, mas era claro que isso não era problema para nenhum dos dois. Ele tirou meu sutiã em meio segundo, a maior demonstração de habilidade que eu já vi de um homem na cama, e puxou o meu cabelo, descendo a boca pelo meu pescoço, ombro, colo, até chegar nos mamilos. Demorou-se por ali, sugando e mordendo de leve, enquanto as mãos apertavam a minha bunda.

Quando eu estava me contorcendo, enfiei minha mão dentro da cueca dele, rolando os olhos mentalmente para o fato de que era Calvin Klein. Comecei a tocá-lo devagar, provocando. Ele colocou o dedo indicador dentro da minha boca, e eu gemi imediatamente, como ele tinha adivinhado? Comecei a chupar o dedo dele como se fosse um boquete. Ele aguentou por mais dois segundos até arrancar minha calcinha.

Ele segurou meus quadris enquanto me penetrava com precisão cirúrgica. Eu olhava para a rua vazia e mal iluminada e a adrenalina de estar fazendo aquilo em público me dava um barato muito forte. Eu desci as mãos pelo meu corpo, tentando fazer alguma coisa com elas. Ele percebeu.

– Se toca. Eu quero ver.

Quem era esse cara, alguma espécie de robô do sexo da vida real? Obedeci imediatamente. Ele me olhava de um jeito muito safado, escaneando todo o meu corpo, demorando-se no movimento dos meus dedos, e voltando a me encarar. Não tinha como a brincadeira durar muito. Gozamos quase que ao mesmo tempo. Fiz questão de gritar o nome dele.

Só quando voltei para o banco do passageiro percebi que estava toda dolorida de cãimbras. Provavelmente amanhã sentiria as consequências dessa aventura nos meus músculos. Dei de ombros. Tinha valido a pena.

– E aí, quer subir? – Eu perguntei enquanto vestia as minhas roupas. – Mas toma cuidado que pode ser a porta de entrada para drogas mais pesadas. Tipo dormir de conchinha.

Ele sorriu de novo.

– Claro que eu quero.

Virgem

virgem

Nos conhecíamos há um tempo, sempre nos damos bem, mas por questão de timing, nunca tinha acontecido nada. Até que um dia, num bar comemorando o aniversário de um amigo em comum, ele se aproximou com ares de business e me perguntou se eu queria jantar com ele na próxima semana. Eu, que não sou convidada para jantares com tanta frequência assim, concordei. Fiquei espantada quando ele pediu o meu endereço para ir me buscar.

 

A noite foi uma delícia. O papo foi leve, divertido, despretensioso. Ele ouvia atentamente tudo que eu tinha a dizer, sempre me encorajando a dar mais detalhes. O seu senso de humor quase me fez cuspir o vinho depois de uma tirada particularmente sarcástica. A comida estava deliciosa, eu saí de lá com a cabeça enevoada de álcool, pensando que eu jamais imaginei me divertir tanto em um encontro assim tão como manda o figurino.

 

Ele me perguntou se eu já queria ir pra casa ou se queria esticar a noite em algum bar. Eu, que tenho pouca paciência quando se trata de conseguir o que eu quero, sugeri que tomássemos um drink em casa mesmo. Ele sorriu de lado, arqueou as sobrancelhas, parecendo satisfeito com o fato de eu ir direto ao ponto.

 

Na volta pra casa, ele repousou a mão na minha coxa enquanto o farol estava fechado. Eu olhei para ele e mordi meu lábio. A tensão sexual era palpável, e eu já não estava mais preocupada em como a gente ia fazer pra passar do clima de só amigos. Mas como é do meu feitio querer apimentar as coisas, fiz com que a mão dele subisse mais pela minha coxa, debaixo do meu vestido. Ele então se inclinou no banco e me beijou. Um beijo intenso, e insistente. Nos separamos quando o carro de trás buzinou. O farol tinha aberto há um tempo e nem tínhamos notado.

 

***

 

Pulamos o drink e fomos direto pra cama. Ele segurava os meus braços contra o colchão, investindo o corpo contra o meu, passando a língua pelo meu pescoço, mordendo, até chegar no meu ouvido.

 

– Eu quero te chupar.

 

Minha resposta atrevida se perdeu na garganta porque eu estava ocupada demais sentindo a onda de excitação que desceu do baixo ventre até o meu clitóris.

 

– Me fala o que você gosta. Você sabe que eu não vou parar até você chegar lá.

 

Eu sorri, porque se eu conhecesse aquele lado dele já tinha esquematizado este encontro há muito tempo. O instruí, dizendo como gostava e ele prestou atenção do mesmo jeito que fez durante o jantar. Depois, sumiu debaixo do lençol.

 

Ele seguiu as minhas instruções como se fosse um manual que ele sabia de cór. Passava a língua devagar, ia me sugando de leve, aumentando o ritmo com tanta precisão que ele parecia adivinhar qual era o próximo passo. Eu fiquei tão molhada que tinha certeza que tinha encharcado o lençol, e ele não parou até que eu soltei um gritinho, investi os quadris contra a boca dele, sentindo cada onda do orgasmo invadir meu corpo enquanto ele acompanhava as pulsações me penetrando com os dedos.

 

Eu fiquei paralisada, atônita com aquela demonstração de habilidade. Mas não parou por aí. Quando ele subiu de volta, estava ofegante, se esfregando em mim, parecia que queria me engolir. Senti o seu pau na minha entrada, provocando de leve, enquanto ele mordia o lóbulo da minha orelha. Eu estava muito sensível e gemi baixinho, abrindo as pernas. Ele grunhiu.

 

– Dá pra mim. – Ele ofegou no meu ouvido. – Dá gostoso pra mim, vai.

 

Teria respondido “com o maior prazer”, mas não deu, porque logo em seguida ele me invadiu, fazendo com que eu arqueasse a espinha, cravando minhas unhas nas costas dele. O sexo durou um tempão, e ele não parou até me fazer gozar de novo. Ele colocava toda a dedicação e foco a cada movimento. Quando acabou, eu senti que meu cérebro tinha virado uma geleia. Não tinha sobrado nem um neurônio para contar a história.

 

Aliás, minto. Sobrou um para que eu pudesse dizer, grogue de sono:
– A gente vai ter que fazer isso de novo.

Leão

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Virei o último gole do meu drink, lamentando que já tivesse acabado. A festa estava cheia, o grave no talo, e eu estava suada de tanto dançar. Era uma daquelas noites que eu me sentia eufórica, parecia que nada podia dar errado. E então reparei nele, dançando num canto.

Cabelos na altura do ombro, olhos cor de mel, expressão fechada. Até fisicamente ele parecia um leão. Correspondeu o olhar na hora. Me de uma encarada safada que se juntou ao álcool no meu sangue pra me acelerar. A camisa meio desabotoada me deixou muito curiosa para ver o que tinha embaixo. Murmurei um “miga, vou ali” e fui serpenteando pela pista. Ele terminou a cerveja. Quando eu cheguei perto o suficiente, olhei de novo. Para a minha surpresa, ele me puxou pelo braço para perto dele e me beijou. Assim, sem anestesia.

O beijo dele era territorial e autoritário. A língua dele percorreu todos os cantinho da minha boca. Uma mão me segurava na altura da nuca, como que para ter certeza de que eu não ia fugir.

Como se eu fosse fugir.

A outra desceu para minha cintura, colando meu corpo ao dele. Uma das suas coxas abriu caminho entre as minhas. Meu vestidinho curto subiu, minha calcinha colou nos jeans dele, enquanto ele apertava minha cintura e me beijava como se fosse pra uma plateia assistir. Eu estava adorando a performance. A batida da música alta ecoava nos meus ouvidos, parecendo que estava sincronizada com a minha pulsação.

Quando o beijo acabou, eu estava sem fôlego. Ele sorriu orgulhoso e me perguntou:

– Qual é o seu nome?

***

Quando ele abriu a porta do apartamento, me puxou de novo, me beijando com força, marcando meu pescoço, investindo o corpo contra o meu. Aos atropelos, chegamos no quarto. Ele fechou a porta com calma, acendeu a luz, e tirou a blusa. Minha boca secou. Eu fingi que não vi o sorrisinho que escapou no rosto dele. Se ele se cuidava e tinha orgulho disso, qual era o problema? Fui tomada pela mesma euforia de antes, começando um daqueles beijos famintos. Desci a boca pelo abdômen definido, beijando e lambendo cada um dos gominhos. Minha cabeça estava cheia de álcool, e eu só conseguia pensar, que delícia, que delícia, que delícia. Arranquei o cinto desajeitada, desci a cueca com pressa.

Ele agarrou minha nuca mais uma vez, investindo o quadril  com cuidado enquanto eu o chupava devagar. Estava tentando usar minha perícia ainda que o álcool deixasse os meus reflexos prejudicados. Ele grunhia sem ar, olhando pra mim de um jeito que me fazia sentir nua do melhor jeito possível.

Foi ele quem deu fim ao boquete, me levantando de novo, me colocando contra a parede e subindo meu vestido. Acertou um tapa estalado na minha bunda assobiando um “gostosa” bem baixinho. Se livrou do resto das nossas roupas, levantou meu quadril e me pegou no colo.

Eu mal consegui acreditar quando ele me segurou com as duas mãos na altura do quadril e começou a me comer, assim, sem nenhum apoio, sem encostar na parede, segurando meu peso inteiro e movimentando o quadril para dentro de mim com força e precisão. A demonstração de habilidade me deixou maluca, e eu agarrei os cabelos compridos, os ombros fortes, os braços definidos, sentindo os músculos flexionarem enquanto ele fazia força para me segurar no colo dele.

Ficamos suados, minha pele esfregando na dele, meus gemidos cada vez mais altos. Eu tinha os olhos fechados, dominada pela sensação de ser deliciosamente devorada. Quando abri, ele não estava olhando para mim. Segui a direção do seu olhar, e ele estava se encarando no espelho. Fiquei boquiaberta quando o vi admirando a flexão dos músculos no seu braço, o encaixe dos nossos quadris. Abri um sorriso entre os cabelos molhados pregados no meu rosto, querendo guardar pra mim cada detalhe daquela cena.

Deixamos marcas, nos arranhamos, nos mordemos, nos deliciamos um no outro. Quando acabou, estava dolorida e cansada. Pensei em ir pra casa, ele me convidou pra ficar.

Quando cheguei em casa no dia seguinte, achei seu telefone anotado num papel dentro da minha carteira.