Reencontro de faculdade – Parte 2

PRIMEIRA PARTE AQUI

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Quando eu entrei no quarto dos dois, tinha o mesmo cheiro do quarto da Marie que ela costumava dividir com duas amigas, na Aclimação. Tenho uma memória olfativa muito aguçada, é terrível, e tem gente que tem cheiros muito característicos. O da Marie era meio doce, porque ela sempre usava óleo de amêndoas, mas também tinha alguma outra coisa que eu não conseguia identificar.

Eu matei a caipirinha com um último gole, sorrindo meio nervosa para os dois ali na minha frente. Tá certo, não vou nem fingir que não tinha pensado em ficar mais uma vez com o Lucas e a Marie, e quando soube que os dois estavam juntos com os dois ao mesmo tempo (apesar de que esse sentimento apareceu depois do choque e do ciúme inevitáveis), mas era diferente estar ali realmente naquela posição.

– Alguém vai falar alguma coisa? – Pedi, levemente aflita. – Assim eu fico nervosa.

– Pra ser sincero, quem tem que estar nervoso aqui sou eu. Vou ter que dar conta das duas. É muita areia pro meu caminhãozinho. Muita pressão. Ninguém pensa no sofrimento dos homens.

Eu desatei a rir.

– Realmente, é de dar dó.

– Mas é claro! – Ele ajeitou os óculos, andando em direção a nós duas. – Muita expectativa da sociedade, uma covardia até, eu estar indo pra cama com as duas mulheres mais gostosas que eu já peguei, ao mesmo tempo. Tsc.

Eu corei. O Lucas sempre tinha sido daquele jeito, tímido, tímido, tímido, até que em algum momento soltava aquelas coisas inesperadas. Eu olhei pra Marie, como quem diz, “você tirou a sorte grande hein”, e ela me encarou de volta, os olhos dizendo “eu sei”.

Eu mordi meus lábios, suspirando pra afastar o nervosismo de vez e a beijei de novo. Naquela hora me doeu um pouco que a gente tivesse se afastado, que eu nunca tinha dito pra ela que eu admirava muito a mulher que ela tinha se tornado, e que ela tinha sido muito importante pra mim. Mas logo esses pensamentos nostálgicos foram empurrados da minha mente.

– Gente, desculpa meu comentário babaca, mas assim, cês tão realizando meu sonho do segundo ano de faculdade.

A Marie rolou os olhos.

– Você podia fazer algo de mais útil com a boca em vez de ficar falando besteira.

– Um bom ponto. – O Lucas concordou, dando de ombros e se aproximando. Ele colocou uma mão no rosto da Marie com carinho, e os dois trocaram um sorriso cúmplice antes do beijo. Assim, que casal. Eles eram lindos e mais lindos ainda juntos e a minha noite já estaria de bom tamanho se eu fosse só sentar e assistir. Quando eles se soltaram, o Lucas virou pra mim, colocou a mão livre na base da minha nuca e me encarou por um segundo, os olhos castanhos amendoados enormes por trás dos óculos grossos. Um pouco intimidante, um pouco hipnotizante. Talvez na mesma proporção.

Ele provocou um pouco, chegando bem perto e esfregando os lábios nos meus. A boca dele era vermelhinha e carnuda, os lábios curvados para baixo, e sempre foi a característica que eu mais gostava dele. Segurei os dois lados do seu queixo e finquei os dentes no lábio inferior, porque porra, fazia muito tempo que eu estava morrendo de vontade de fazer aquilo. Eu me lembro da sensação de beijá-lo pela primeira vez, de sentir que meus joelhos tinham virado geleia. E mesmo depois de tanto tempo, incrível, parecia que eu estava sentindo a mesma coisa.

Quando ele se afastou, eu ri baixinho porque os óculos dele estavam levemente embaçados. Ele acariciou meu lábio inferior de leve com o dedão, puxando a Marie para perto com a outra mão.  Ela esfregou os lábios nos nossos antes de me beijar de novo, aí o Lucas puxou o meu cabelo e mordeu o meu pescoço, e nossa. De repente eu lembrei que fazia bastante tempo desde minha última transa, tipo, bem mais tempo do que eu gostaria de admitir. Alguma coisa fez clique dentro de mim.

O amasso ficou bem mais desesperado de repente, um monte de mãos trôpegas tentando encontrar caminhos por entre roupas e corpos suados, toda a tensão da noite toda, o álcool, a adrenalina, agindo de uma vez só. Segurei a cinturinha da Marie, enquanto ela enfiou as mãos dentro do meu vestido de algodão para apertar a minha bunda. Puxei a blusa dela para cima, revelando um sutiã verde marca-texto (veja só, então a Marie que eu conhecia ainda dava sinais de vida) escondendo os seios perfeitos. Realmente, gostosa ela sempre tinha sido, mas o tal pilates e a dieta paleo e não sei mais o que estavam fazendo efeito, o corpo dela estava forte e definido, eu fiquei boquiaberta e me perguntei por talvez um segundo se eu não poderia de repente abandonar minha rotina de uma garrafa de vinho e um pedação de queijo por dia.

O Lucas finalmente tirou os óculos, colocando eles em cima da cama de maneira desajeitada, antes de sentar na beirada da cama e puxar nós duas (a Marie pelo cós do short) para o colo dele. Eu e ela trocamos olhares. Mas confesso que talvez se estivesse no lugar dele ia querer fazer o mesmo. Até pior.

Ele inclinou o torso um pouco para trás, apoiando-se nas mãos, eu e Marie uma em cada perna. Eu cheguei pertinho, fingi que ia beijá-lo por um tempo só pra torturar, até que Marie acabou com a brincadeira, mordendo meu lábio com força. Demos um beijo triplo e eu lembrava vagamente, bem vagamente, que já tínhamos feito aquilo antes em alguma festa embalados por muito Velho Barreiro, mas aquilo era completamente diferente. Depois, eu e Marie descemos beijinhos em cada lado do pescoço do Lucas – o que custa apreciar o menino um pouquinho – trocando olhares safados.

Ao mesmo tempo, fomos subindo as mãos devagar pelas coxas do Lucas, apertando sobre o short. Ele jogou a cabeça pra trás, respirando forte, as bochechas corando por debaixo das sardas, os olhos fechados fazendo os cílios muito compridos e pretos contrastarem com a pele muito branca. Um gemido gutural escapou quando eu e Marie apertamos o pênis dele por cima do short, e nós trocamos mais um olhar cúmplice. Provocamos por ali por um tempinho, até que eu desabotoei a braguilha e nós duas enfiamos a mão dentro da cueca do Lucas.

Ele gemeu alto, o quadril dando um espasmo.

Ok, definitivamente eu estava há tempo demais sem sexo.

Ele abriu os olhos, nublados de tesão, encarando a Marie, que respondeu com um sorriso. Os dois se beijaram de novo, e ela sussurrou alguma coisa no ouvido dele que eu não consegui escutar.

– Assim não vale, poxa. – Reclamei. Ela não respondeu, só arqueou as sobrancelhas com aquela expressão de quem está prestes a aprontar. Me beijou mais uma vez, com aquele beijo mandão de sempre, e desceu para se ajoelhar na minha frente. Eu fiz menção de falar alguma coisa, tentando entender o que se passava. O Lucas tirou minha mão da sua cueca (não sem antes fazer um biquinho), e me segurou pelo quadril para que eu me ajeitasse no seu colo e ficasse totalmente de frente para a Marie. Depois, segurou meus dois braços atrás das minhas costas, de forma de que fiquei imobilizada. Com a mão livre, ele puxou meu cabelo na altura da nuca. – Por que eu to achando que vocês já tinham combinado isso antes? Eu to sentindo que caí numa armadilha.

A Marie riu de lado, sacudindo os cabelos de novo e separando minhas pernas na altura dos joelhos. Depois, ela subiu o meu vestido até quase chegar na minha virilha, sem nunca deixar de encarar. Os olhos da Marie eram meio sobrenaturalmente grandes, cor de mel quase verdes, e dava pra contar as manchinhas nas íris dela. A Marie sempre olhava pra pessoas como se fosse engolir; seja de raiva, de alegria, de tesão, dificilmente ela dispensava indiferença a algo ou alguém. Nisso a gente sempre foi muito parecida, talvez uma razão de tantos embates de ideias anos atrás.

Enfim.

Ela mordeu a lateral do meu joelho esquerdo, subindo beijos molhados pelas minhas coxas. A sensação era um misto de cócegas e arrepio, eu me contorci no colo do Lucas, que continuava a me segurar bem firme. Quando ela tirou minha calcinha, eu já tinha fechado os olhos.

A Marie é do tipo de pessoa que nunca faz nada pela metade. Tudo dela tem que ser o melhor, e com o oral não poderia ser diferente. Nunca tinha esquecido das nossas noites intermináveis, transas que duravam horas a fio, como ela se empenhava em me fazer gozar três, quatro vezes. A habilidade continuava a mesma. Ela me chupava de maneira focada e intensa, e eu sentia minha respiração sair do controle, meu corpo começando a suar.

Sentia o pau do Lucas sob o short, e me esfregava nele de leve enquanto a Marie me chupava. Ele continuava me segurando firme, o que me enlouquecia mais ainda, mas em determinado momento me soltou, descendo as alças do meu vestido e sutiã para apertar os meus peitos. Uma das minhas mãos livres desceu imediatamente para puxar os cabelos da Marie, e a outra se esgueirou novamente para dentro da cueca do Lucas. Eu estava me sentindo totalmente exposta, pulsando, parecia que todos os nervos do meu corpo estavam na ponta da língua da Marie, e ouvir o Lucas gemendo no meu ouvido enquanto eu fazia uma punheta desajeitada estava a ponto de me enlouquecer.

Puxei os cabelos da Marie com força para ela subir, porque era a minha vez. Estava esbaforida e vermelha, completamente desmontada. Me virei para beijar o Lucas antes de levantar e empurrar a Marie para a cama, tirando o que me restava do vestido com pressa. Me livrei do short dela de uma vez, desabotoei o sutiã chamativo e me deitei sobre ela. Estávamos as duas agora só de calcinha, e eu podia sentir o olhar do Lucas sobre a gente, mas naquele momento só uma coisa importava. Eu precisava chupar a Marie de novo, e JÁ.

Tanto tempo gasto naquela fantasia, tantas vezes eu tinha gozado sozinha pensando naquilo, em descer minha língua por cada cantinho dela só mais uma vez. Eu lembro de chamá-la de “boceta de mel” só para irritá-la na época em que a gente estava junta, mas a brincadeira tinha um fundo de verdade. Eu separei as suas coxas e comecei a chupá-la.

Devagar, tentando lembrar cada truquezinho que ela gostava. Ouvia os seus gemidos e a respiração entrecortada do Lucas, caprichando o máximo que eu podia no oral. Fiquei por ali um bom tempo.

Até ela gozar.

Ela segurou meu cabelo com força, arqueando o corpo para frente, se esfregando em mim, como fazia antes. Depois, desmontou na cama. Eu olhei para o Lucas, uma mão dentro do short, a camiseta no chão, os olhos arregalados, a boca inchada. Arqueei uma sobrancelha com aquele olhar de “fica esperto porque se eu realmente quiser eu roubo sua mulher”, antes de me livrar da minha calcinha e me deitar sobre o corpo suado da Marie. Sorri na boca dela antes de a gente se beijar mais uma vez, puxando os quadris para cima para que a gente pudesse colar velcro como se deve.

Me esfreguei nela, o corpo inteiro pulsando, e ela me abraçou, grudou inteira em mim. Cada investida dos nossos quadris um contra o outro me fazia ver estrelinhas, parecia que mundo inteiro tinha sido reduzido a nós duas, eu nem conseguia mais ligar o cérebro pra pensar em nada.

Mas aí, de repente, junto com todo o estímulo, senti uma língua deslizando na minha entrada. Gritei de leve, tentando entender o que estava acontecendo, quando percebi que o Lucas tinha se ajoelhado na cama e estava chupando nós duas enquanto a gente se esfregava.

Meu corpo quase desligou a chave geral quando a ideia se formou na minha cabeça. Parei o beijo, gemendo no ombro da Marie que não parava de arranhar as minhas costas. O Lucas apertava a minha bunda, meu clitóris beijando o dela enquanto ele ia beijando nas duas, e quando ele enfiou dois dedos dentro de mim não durei muito, não deu.

Soquei colchão com o punho fechado, gemendo alto contra a pele da Marie. Ela sorriu para mim, gemendo baixinho com uma careta. Provavelmente o Lucas não tinha parado.

– Acho que eu quero gozar de novo. – Ela sussurrou.

– Ah, é? – Eu respondi sem ar.

– Correção. Acho que eu quero que você me faça gozar de novo.

Eu ri de leve, deitando de costas na cama. A Marie se levantou, puxou o Lucas pelos cabelos para um beijo desastrado. Depois me deu um dos travesseiros. Eu mordi o lábio, tentando não rir porque o nível de endorfina estava meio ridículo naquele momento, ajeitando o travesseiro sob a minha nuca.  A Marie ajeitou os cabelos, respirou fundo e se ajoelhou em cima do meu rosto, as mãos segurando firme na cabeceira de madeira atrás de mim.

Eu segurei os quadris dela, fechando os olhos e passando a língua devagar por toda a extensão da sua vulva. Ela gemeu alto. Eu sabia que ela estava muito sensível, e também muito molhada; encharcada na verdade. Saber o motivo daquilo fez a minha cabeça rodar. Comecei a sugar o clitóris dela de levinho, antes de passear com a língua por ela inteira outra vez. Ia demorar um pouquinho para ela gozar de novo, então eu ia ter que fazer tudo com delicadeza. Ela gemeu quando o Lucas fez alguma coisa que eu não vi, e aí senti as mãos dele nas minhas coxas.

Um dos dedos dele me penetrou, curvando dentro de mim. Eu gemi abafado, surpresa com o choque de desejo que percorreu todo o meu corpo. Ele começou a fazer movimentos circulares com o dedão no meu clitóris, pressionando meu ponto G por dentro, e eu tive me concentrar bastante para não me atrapalhar toda no que estava fazendo. Ouvi um pacote de camisinha sendo aberto e ok, na verdade aquela era ideia era incrível e quando ele segurou meu quadril e deslizou pra dentro de mim de uma vez só eu tive que parar um pouco para não gritar.

Desse ponto pra frente durou muito pouco; estávamos os três sensíveis demais, depois de tempo demais. Lucas me comia com força, imprimindo movimento aos quadris a cada investida, enquanto a Marie tensionava o corpo na minha língua. Os dois estavam se beijando, eu podia ouvir, e eu desci um dedo para complementar o estímulo, sentindo minha vulva inteira contrair.

O Lucas foi o primeiro a gozar, com a série de estocadas fortes que puxaram o meu orgasmo. A Marie não demorou muito mais, gemendo alto e se esfregando em mim a cada onda. Caímos os três na cama, cada um para um lado. Os três exaustos, cobertos de saliva, gozo, suor.

– Bom, acho que todos o nossos colegas ouviram a gente transar. – A Marie desatou a rir.

– No caso de nós duas, não seria a primeira vez.

– Não mesmo. – O Lucas confirmou. Ele tirou a camisinha e eu estava lutando para manter os olhos abertos depois de toda aquela maratona sexual. Ele beijou a Marie, preguiçoso, os dois sorrindo um para o outro, os olhos brilhando de amor. E naquela hora eu senti uma fisgada por dentro, eu estava tão acostumada a estar só há tanto tempo, era tão rotineiro e natural, mas eu me perguntei como seria, ter alguém pra me beijar daquele jeito, me olhar daquele jeito.

A Marie veio me fazer uma conchinha, beijando meu ombro de leve e sorrindo para mim. O Lucas me ajeitou na curva do seu ombro, empurrando os cabelos lisos para longe da testa suada. Eu olhei para as pernas da Marie, as minha e as dele, um degrade de tons.  Era como se misturassem café com leite o resultado fosse a cor da minha pele, e uau, eu devia estar chapada ainda e nem percebi.

Pensei em estar de volta na Europa, vendo as fotos dos dois nas redes sociais, na estrada que nos levaria de volta a São Paulo na noite seguinte, nas pessoas que nos tornávamos, e a minha cabeça pesou. Um banho seria uma boa, mas minha mente apagou antes. Dormimos os três enrolados uns nos outros, a chuva fina ainda caindo lá fora.

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Naquele ano novo

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Fonte: Pinterest

Tinha acabado de fazer 18 anos quando conheci a T. Estava passando as férias em uma cidadezinha do interior de Minas chamada Lagoa da Prata, que eu sempre ia para visitar meu amigo Gabriel. Só que aquelas férias eram diferentes: Tinha acabado de me formar no ensino médio e era maior de idade, o que significava que eu ia garantir legalmente o suprimento de álcool de todo rolê.

Num dia sem fazer nada ao redor da lagoa, ela chegou. Pôs a minha adultisse no chão. A T. usava uma jaqueta de couro, óculos escuros, tinha um corte de cabelo descolado. Ela tinha 18 anos há pouco tempo também, mas já tinha saído da casa dos pais há anos, para cursar o ensino médio em outra cidade. Ela contou que tinha acabado de terminar um relacionamento, que era complicado, porque ela morou por um ano com a menina. Acendeu um cigarro, ajeitou a jaqueta e ficou contemplando a lagoa.

Naquela época, eu era uma pamonha. Nunca fui tímida, mas eu era insegura demais para ficar a vontade na presença dos outros. Não sabia como agir, não sabia me colocar, tinha medo e vergonha de soar errada. Tinha vergonha de ser tão magrela, usava as bermudas que roubava do meu pai, meu cabelo estava eternamente preso num rabo de cavalo sem graça. Ainda ia demorar muito tempo para eu conseguir me sentir confortável para ser a pessoa que eu era.

Fiquei interessada na T. logo de cara, mas imaginei que ela nunca ia me querer de volta. Imagina, a menina era toda experiente, até morado com outra garota tinha, e eu no máximo tinha dado uns amassos em banheiros públicos depois de muito álcool. Além disso, ela tinha acabado de terminar o namoro, estava chateada. Afastei a ideia da minha cabeça e passamos dias ótimos, fazendo piadas enquanto andavamos de uma ponta a outra da cidade, pensando em como ia ser o futuro quando a vida parecia uma página em branco.

Quando chegou o reveillón, falamos para a mãe do meu amigo que íamos passar a virada na única boate da cidade. Mentira deslavada porque nos achávamos cool demais para nos misturar com o resto do pessoal que não usava all star e não ouvia The Clash. Em vez disso, nos juntamos eu, meu amigo, a T. e outro amigo nosso e alugamos (usando a minha  carteira de identidade, com muito orgulho) um quarto num hotel podreirinha da cidade. O hotel era bem antigo, o quarto parecia de uma casa velha mal assombrada. Mas para nós nada podia ser mais uma celebração da nossa liberadade do que nos trancarmos naquele quarto com um monte de álcool e cheetos e assistirmos show da virada.

Já passava das uma, estávamos todos bêbados rindo do esforço da repórter da Globo para continuar preenchendo a transmissão dos fogos de Copacabana quando ela obviamente não tinha mais nada pra falar. Eu estava deitada em uma das camas do quarto, a T. do meu lado, quando por algum motivo, em algum momento, ela começou a fazer carinho na minha perna, a mão subindo debaixo da minha bermuda.

Gelei. Não sei se os meninos perceberam. Tentei agir normalmente, continuar a conversa, mas a minha voz foi morrendo, até que eu fiquei calada. Com 18 anos, apesar de já ter tido um namoro longo, minha experiência em se tratando das putarias era quase zero, tanto com meninos quanto meninas. Minha vida amorosa tinha sido muito confusa e platônica até então, meus encontros eram sempre rápidos, em situações estranhas, quase sempre com gente tão inexperiente quando eu.

A T. não era inexperiente.

Era uma coisa tão simples, uma carinho na parte detrás da minha coxa. Eu já tinha ido muito mais longe do que aquilo. Mas mesmo assim, parecia que os nervos da minha perna estavam diretamene conectados com o meu cérebro. Eu fui ficando encolhida, minha respiração foi ficando mais rasa. Eu tentava disfarçar, com medo que os meninos entendessem a situação, mas sentia que eu ia ficando cada vez mais excitada. Tenho a lembrança nítida da sensação da mão dela acariciando minha perna e sentindo minha calcinha ficando molhada, pulsando de tesão. Acho que foi uma das vezes em que eu fiquei mais excitada na vida.

Aquilo durou muito tempo. Não sei se ela não sabia se eu estava interessada, ou só queria me torturar mesmo, mas o fato que é que para mim pareceram horas. Eu sentia que a qualquer momento ia vazar e molhar o lençol. A excitação foi lentamente derrubando a minha vergonha e depois de muito hesitar, eu alcancei a perna dela, coberta por calças jeans, devagarzinho para retribuir o carinho. Não sabia o que fazer, mas não queria que aquilo acabasse. Tentava soltar o ar devagar pela boca para não arfar.

Foi então que ela falou bem baixinho para mim, “eu voto a gente ir para o banheiro”, com a maior gentileza do mundo. Parecia que ela podia captar o meu nervosismo, e queria me deixar a vontade. Eu acho que só fiz que sim com a cabeça com aquele entusiasmo característico dos adolescentes.

Fomos. Eu olhei para o chão, com vergonha de encarar meus amigos, que claro, já tinham notado o clima muito antes de mim até e estavam torcendo por nós duas. Entramos no banheiro que também tinha aquele ar de casa velha. A luz não funcionava, mas eu por dentro achei melhor assim. Lembro que entrava um fiozinho de iluminação pela janela, provavelmente de um poste na rua. A gente se encostou na porta e começamos a nos beijar.

Sinceramente, eu perdi a noção do tempo. Passamos horas naquele banheiro. Ela me passava a sensação de estar 100% segura do que fazia, e eu, do alto da minha inexperiência, abandonei o controle do meu próprio corpo e simplesmente me deixei levar. Quando eu vi, estava de calcinha e sutiã na frente dela. Eu nunca tinha ido tão longe com ninguém. De repente fiquei muito consciente de que pela primeira vez estava numa situação em que poderia ir até o fim e de fato transar com alguém. A perspectiva me assustava um pouco, não sabia se estava pronta. Mas ela não forçou a barra. Pelo contrário.

Desceu a mão pelo meu corpo, com perícia de quem sabe o que está fazendo. Desceu para dentro da minha calcinha, foi passando os dedos por toda a minha boceta bem devagar, até que eu relaxei. Aí ela começou a tocar o meu clióris no ponto exato, do jeito certo. Eu gemi alto. Nunca ninguém tinha feito aquilo comigo antes. Eu não conseguia mais raciocinar. Todas as minhas inseguranças viraram fumaça. Eu abri as pernas o máximo que dava, me apoiando na porta atrás dela. Eu sentia que não seria capaz de lidar com todo o tesão que eu estava sentindo, parecia que eu ia desmaiar, ou explodir, ou gritar.

Depois entramos na banheira vazia (que não funcionava) e lá ficamos até o amanhecer. Não fizemos muito mais do na porta – bem que eu tentei retribuir as carícias, mas não fui tão bem sucedida na missão. Ficamos nos beijando, as mãos em todos os lugares, até que a gente percebeu que estava amanhecendo.

Depois disso, vi a T. algumas outras vez, em episódios aleatórios. Nunca mais ficamos. Mas aquele reveillón abriu um mundo de possibilidades para mim, e eu sinto que eu não fui mais a mesma pessoa.

Astrologia sexy: 12 contos eróticos com os 12 signos do zodíaco

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Fonte: Pinterest

Pois é, a série chegou ao fim. Vou confessar que foi muito divertido para mim escrever os contos com cada um dos signos, tentando descrever o jeitinho de cada um no sexo sem cair nos clichês de sempre. Foi uma aventura e tanto, produzir tantos contos diferentes em tão pouco tempo. Tive muita dificuldade pra conseguir escrever o conto de sagitário; não imaginava que ia ser tão difícil falar sobre meu próprio signo. Mas agora a série está aí, está pronta, e eu espero que vocês se divirtam tanto lendo quanto eu me diverti escrevendo. Todos os links estão aqui embaixo. Usem, abusem, mandem prozamigo, pros crush, pra todo mundo.

Ah, não se preocupem. O conteúdo do blog não para, tem bastanteee continho ainda por vir, e provavelmente uma nova série que começará em breve 😉

Aries – 21 de março a 19 de abril

Touro  – 20 de abril a 20 de maio

Gêmeos – 21 de maio a 20 de junho

Câncer – 21 de junho a 22 de julho

Leão – 23 de julho a 22 de agosto

Virgem – 23 de agosto a 22 de setembro

Libra – 23 de setembro a 22 de outubro

Escorpião – 23 de outubro a 21 de novembro

Sagitário – 22 de novembro a 21 de dezembro

Capricórnio – 22 de dezembro a 19 de janeiro

Aquário – 20 de janeiro a 18 de fevereiro

Peixes – 19 de fevereiro a 20 de março

 

Câncer

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Cheguei na cozinha e a observei fazendo força para conseguir abrir o vinho com o saca-rolhas. As coxas desapareciam dentro da camisola de algodão fininho, o pano quase transparente deixando à mostra a calcinha branca fio dental fazendo um trabalho bem sem vergonha de esconder a bunda empinada. Subi os olhos pela curva da cintura e os cabelos longos e cacheados. Ela finalmente conseguiu abrir o vinho e encheu uma taça.

A abracei por trás, segurando-a na altura da cintura, sentindo a curvinha do quadril que eu sempre achava uma delícia. Senti que ela tensionou na hora, se desvencilhando do meu abraço.

Pisquei aturdida por um segundo. Depois, rolei os olhos.

– Meu, não é possível que você tá puta de verdade.

– Me deixa. – Ela resmungou fazendo menção de sair da cozinha. Eu segurei o seu pulso, a trazendo de volta.

– Não, não, peraí, vem cá. Vai ficar de birra? – Ela levantou as sobrancelhas.

– Não tô de birra. – Eu continuei a encarando. Ela deu de ombros num trejeito afetado. – Quer conversar com ele, conversa. Pra mim foda-se.

– Não tá parecendo foda-se não.

– Eu tenho que achar tudo normal, né? Você ficar de conversinha como ex e eu ainda tenho que ficar de boa. – Ela tentou sair mais uma vez.

– Espera aí, podemos conversar? – Ela suspirou irritada. – Primeiro que eu não tô de conversinha, a gente tava falando de uma vaquinha para dar presente para um amigo em comum, aliás eu já te expliquei isso. E segundo que você é maluca se você acha que eu vou ter interesse em qualquer ex que seja quando eu tenho isso tudo na minha frente.

O canto da boca dela tremeu. Ela quis sorrir. Mas não cedeu.

Caramba, que menina difícil.

– Você é a menina mais gostosa do mundo inteiro. – Eu continuei, e senti que ela tinha amolecido. Fui me aproximando. – Eu quero te apertar, te chupar, te comer o dia inteiro. Tem zero motivo pra você ficar nessa noia.

– Mas…

– Mas nada. Vem cá, vai. – Eu a pressionei contra a parede da cozinha, coloquei minha coxa entre as pernas dela, enfiei meu rosto na sua nuca. Ela tinha cheiro de baunilha. Eu beijei a pele do pescoço, lambendo,sentindo o gosto dela, subindo até o lóbulo de sua orelha. Mordi e ela ofegou. – Me deixa te fazer gozar.

– Para… – Ela resmungou naquela voz que eu já conhecia quando ela queria fazer charminho.

– Só uma vez, vai… Deixa? – Não esperei a resposta e roubei um beijo. Ela logo passou as mãos pela minha cintura, me envolvendo como um polvo. Ela me beijava devagar, insistente, como se quisesse me engolir. Pressionei o meu corpo contra o dela, enfiando as mãos por debaixo da camisola. Passei pela pele macia da barriga, apertei os dois peitos com força. Ela gemeu alto, como sempre. Adorava o quanto ela sempre respondia aos meus toques.

Quando eu desci minha mão de volta pelo corpo dela, calcinha minúscula estava encharcada. Gemi na boca dela, passando meus dedos pela renda molhada de leve, provocando. Ela me segurava, me arranhava, se agarrava em mim, e não parava de me beijar por um segundo.

Deslizei a calcinha para baixo e ela soltou um gritinho gutural quando eu separei  os seus lábios com o indicador e o anelar, correndo a pontinha do dedo do meio pelo seu clitóris. Senti o corpo dela estremecer quando comecei a fazer movimentos circulares, devagar, do jeito que eu sabia que sempre funcionava.

Não demorou e ela desgrudou os lábios dos meus, gemendo alto. Sentia suas coxas dando pequenos espasmos enquanto eu continuava tocando no mesmo lugar, do mesmo jeito. Desci a outra mão para penetrá-la com o dedo, curvando dentro dela para achar o lugar certo. A boceta dela escorria na minha mão, ela tentava abrir mais as pernas a ponto de quase rasgar a calcinha presa na altura dos joelhos. Ela pediu para eu ir mais forte e eu obedeci, sentindo que ela se contraía ao redor do meu dedo, investindo os quadris contra mim como se tivesse perdido a capacidade de controlá-los.

Ela me beijou de novo quando gozou, sua língua passando pela minha boca sem ritmo, sem coordenação. Ficamos ali as duas arfando, até que eu sorri.

– Que delícia. – Ela torceu o nariz.

– Não pensa você que eu esqueci que você estava de papinho com o ex só por causa disso. Eu não esqueci! – Ela subiu a calcinha e saiu pisando duro pelo corredor. Eu suspirei, exasperada.

Hora do segundo round.

 

Áries

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Meu apelido para ela era menina maluquinha. E caía muito bem, eu pensava, enquanto ela espalhava as pinturas pelo chão, andando nas pontas dos pés cobertos por meinhas puídas entre elas. Ela falava sem parar, me explicando como cada uma delas iria entrar na exposição, gesticulando de um jeito que fazia a camisetinha fina subir e deixar a barriga dela à mostra. Eu só observava, entre os goles da minha cerveja, deixando meus olhos passearem pelas coxas alvas até elas desaparecerem na calcinha de algodão preto.

– Entendeu?? – Ela me perguntou em tom acusatório. Eu tinha me distraído totalmente.

– Entendi sim, claro.

Ela me fitou por uns segundos, apertando os olhos, a mão na cintura, com cara de brava. Depois suspirou contrafeita e continuou a explicação. Falou por mais um tempo até desabar no chão, no meio das pinturas.

– Tô exausta.

– Tô vendo. Eu acho que você merece relaxar um pouco. – Eu comecei, engatinhando até ela. – Vem cá, depois você continua.

– Não, eu ainda tenho um monte de coisa pra fazer! – Ela exclamou num rosnado.

– Mas você já trabalhou um monte hoje, merece relaxar, vai. Vem cá.

Ela sorriu, e eu soube que tinha vencido. Eu ofereci minha garrafa de cerveja, ela se serviu de um gole. Quando ela me devolveu, passei o vidro gelado pelos ombros dela. Estava fazendo muito calor naqueles dias. Ela arrepiou.

Aproveitei que ela tinha baixado a guarda para me aproximar mais ainda e roubar um beijo. Segurei o queixo dela com uma das mãos, e a outra subi por debaixo da camiseta. Adorava o beijo dela. Era tão cheio de energia, daqueles que parecia ser uma injeção de adrenalina direto na jugular. Eu escorreguei os lábios para a orelha dela, mordendo de leve e sussurrando:

– Vem pra cama comigo. Você não quer estragar as pinturas, né?

Ficamos num amasso entusiasmado por um tempo. Ela arranhava minhas costas, puxava meu cabelo, fazendo barulhinhos de impaciência. Eu achava graça. Geralmente eu sempre era a afobada quando se tratava de sexo, mas ela conseguia me superar. Subi as mãos para acariciar um mamilo por cima do pano fininho e ela mordeu meus lábios com força. Eu separei o beijo e ela me olhava com o cenho franzido, quase como com raiva por eu tê-la excitado.

Eu ri.

– Vira de costas. – Ela já abriu a boca pra reclamar. – Eu quero te fazer uma massagem! – Ela me olhou de novo com aquela carinha desconfiada e virou, a contragosto.

Eu a ajudei a tirar a blusa, admirando a extensão da pele sardenta das costas dela. Massageei os seus ombros e fui descendo devagarinho ao longo da espinha. Deixei meus dedos afundaram nas covinhas logo acima da bunda e fui plantando beijinhos  por ali, descendo para as laterais do corpo até chegar na cintura. Depois, desci a calcinha de algodão.

Mordi a coxa dela de brincadeira, e retomei os beijos por ali. Ela se mexeu na cama, reclamando contra o travesseiro. Eu a torturei mais um pouco, o máximo que deu, até que senti que ela estava prestes a me chutar. Fiz com que ela se virasse de novo na cama, separei suas pernas gentilmente e cheguei bem perto da sua boceta, respirando forte por ali.

– Para de me fazer cócegas, cacete! – Ela reclamou com a voz estrangulada e a fiz calar a boca passando minha língua devagar pelo clitóris dela. Ela soltou um gemido alto. Parecia que as reclamações tinham acabado.

Me deliciei nela. Eu sempre adorava chupá-la porque ela ficava muito molhada. Alternava minha língua entre o clitóris e o restante da vulva, sugando e lambendo, aproveitando bem o gosto dela. A penetrei com a língua devagarzinho, até ela estar levantando os quadris da cama e puxando os meus cabelos e deslizei dois dedos para dentro com bastante facilidade, afinal ela já estava bem molhada.

Abri minhas próprias pernas, involuntariamente me esfregando contra a cama conforme os gemidos dela ficavam mais altos. Ela era tão apertada por dentro, e estava toda inchada e aberta, dava vontade de morder. O gosto dela me enlouquecia, adorava passar minha língua por cada centímetro e cantinho enquanto ela tremia. Estava convencida de que daquela vez ela ia realmente arrancar os meus cabelos de tanto puxar, até que ela convulsionou na cama, gritando bem alto.

Adorava quando ela gozava na minha boca.

Subi pelo corpo dela, e aí quem estava impaciente era eu. Me livrei do pijama bem desajeitada, enquanto ela ria de mim, sacudindo os cabelos ruivos e curtos para longe do rosto. Tirei o sorriso da boca dela com um beijo, nossa saliva se misturando com o gozo dela.

Finalmente me livrei da minha calcinha, e colei nossos corpos de novo. Só que dessa vez, sem roupa para atrapalhar. Separei as minhas pernas. Gemi quando senti nossos quatro pares de lábios se esfregando. Eu investia meu corpo contra o dela, até que ela se cansou e inverteu nossas posições.

Sentou-se sobre o meu quadril, deixando os seios empinados na altura da minha boca e retomamos o ritmo. Gozei escondendo meu rosto no peito dela. Caí de volta na cama, e ela ficou me fazendo carinho por uns dois segundos.

Depois levantou-se de um salto, e continuou a mexer com as pinturas.

Eu fiquei ali, a admirando enquanto ela separava suas telas, nua.

Suspirei. Para alguém que se cansava tão rápido das coisas, eu só queria que ela demorasse muito para se cansar de mim.