Dia dos namorados (Masterpost)

Photo by Dainis Graveris on Unsplash

Ah, 12 de junho. Dia dos namorados, dia das namoradas, dos contatinhos, dia do amor. Para comemorar em grande estilo, um compilado dos posts mais românticos do blog – de contos eróticos, a dicas, a textos poéticos e vídeos.

Com certeza algum deles vai te inspirar!

Contos eróticos românticos para o dia dos namorados

Photo by Dainis Graveris on Unsplash

Dia dos namorados/Festa dos corações partidos – Um conto erótico bem romântico escrito especialmente para o dia dos namorados! Um cenário clássico; uma garota está apaixonada pelo amigo, mas acredita que está na friendzone. Chega o dia 12 e ela descobre que é correspondida.

12 Contos Eróticos com os 12 Signos do ZodíacoUma das séries mais lidas do blog! São 12 contos curtinhos com os signos do zodíaco – perfeitos pra mandar para aquele contatinho com o signo dele e garantir a diversāo mais tarde!

Presente de AniversárioUm conto erótico de sexo a três, M/H/H. Nele, um namorado decide surpreender a namorada com uma noite com o amigo deles, Gustavo.

Noite de Semana – Um conto bem romântico, bem meladinho, pra quem está apaixonado ou com vontade de se apaixonar – com uma surpresinha para meninas que querem explora a porta de trás dos namorados!

Qualquer Semelhança com a Realidade é Mera Coincidência – Um conto sobre a sensação inicial da paixão – e a vontade de se jogar de cabeça.

Sinestesia – Escrito para a Tertúlia Literária do Base Tango, os cinco sentidos são explorados num jogo de tesão proibido.

Dia dos namorados – Dicas de Sexo

Photo by Deon Black on Unsplash

28 Perguntas para Transar Melhor – Um questionário gratuito para conhecer o parceiro e apimentar as coisas. Baixe o pdf, abra um vinho, relaxe… E deixe as perguntas guiarem o clima!

Um Guia Prático para Meninas Comerem Seus Namorados – Por que não comemorar de um jeito muito especial e praticar o pegging pela primeira vez? Todas as dicas estão neste post bem completo!

(Mais) 6 Alternativas ao Pornô Tradicional que vão Satisfazer todas as suas Fantasias – Procurando inspiração nova para o sexo? Quer apimentar as coisas sem recorrer à pornografia mainstream? Este post tem tudo que você precisa!

Dia dos namorados – Vídeos e vlogs

Como Conversar com o Parceiro Sobre suas Fantasias Sexuais?

Minha Coleção de Sex Toys!

O que ninguém conta sobre namorar depois dos 25

Estando sozinho, namorando ou de contatinho em contatinho, o que não falta é opção para se inspirar e passar um bom dia 12!

Photo by Hello I’m Nik on Unsplash

Sete pecados, sete contos – Vaidade

Para Júlio, disciplina sempre foi o segredo da boa forma. No pain, no gain. Para manter o corpo sarado, ele sabia que precisava de dedicação, sem corpo mole. Por isso é que Júlio acordava cedo para correr antes do café. A alimentação era nos trinques. Ele levava marmita para a firma todos os dias para não ter o risco de comer errado. E ao sair do escritório, ia direto para a academia.

Aquele ali era o templo de Júlio. Nada mais glorioso que pisar no chão de PVA, deixar as pupilas se acostumarem com a luz fria, sentir o cheiro de suor dos corpos exaustos. Ali, Júlio estava em casa.

Naquela terça, entrando no vestiário, ele parou para admirar com carinho o formato do trapézio invertido saltando de seus ombros, conquistado com tanto esforço. Se trocou, colocou uma regata que deixava à mostra os volumosos braços e ia se preparando para suar quando alguém o chamou de volta.

– E aí, Julião? Coé, moleque?

No fundo do vestiário, sem camisa, ainda de óculos, com o celular na mão; lá estava o Cacique. O nome dele na verdade era Caique, mas ele tinha ganhado o apelido não só pela pele avermelhada – herança da ascendência indígena – também pela voz ressoante, o porte impressionante, e o jeitão sereno de ser.

Cacique era o melhor amigo de Júlio na academia.

Os dois sempre se motivavam no treino, e trocavam as melhores dicas para manter a forma. Por conta de Cacique, Júlio tinha trocado a proteína para hidrolisada (bem melhor) e estava adepto do pré-treino termodinâmico. Cacique estava sempre à par da novidades, e Júlio admirava sua dedicação. E ele também não deixava Júlio fazer os exercícios pela metade. Se dependesse do Cacique, a execução era sempre perfeita.

– Segura as costas… Traz embaixo… Isso, Julião…

Enquanto eles se revezavam nos halteres, Fernandinha chegou para puxar conversa. Ela era uma das meninas da academia que vivia dando mole para Júlio, cheia de risinhos e gracinhas. Quando ela se afastou, Júlio e Cacique se viraram para observar a bundinha empinada no suplex rosa choque.

– Boto fé que você ainda pega ela. – Cacique declarou. Júlio deu de ombros.

– Que é gostosinha, isso é.

***

Dois dias depois, depois de sair do banho, Júlio pediu benção para a mãe na cozinha e se jogou na cama de solteiro, o corpo dolorido do treino relaxado com a água quente. Pensando em trocar de roupa depois, pegou o celular para dar uma olhada no Insta. Nada de muito interessante, selfie da Fernandinha de biquíni, foto da ex com o barrigão e o noivo, até que chegou uma DM de Cacique.

Júlio abriu a mensagem; era uma foto. O torso nu e moreno do amigo, bronzeado de sol, refletia no espelho junto com o flash do celular. Os músculos de Cacique estavam impossivelmente esculpidos; os tríceps torneados. O abdome tinha os gominhos saltados, sulcos fundos separando os oblíquos, os mamilos escuros altivos no peitoral largo.

Júlio engoliu em seco.

o_caquice07: saca só os oblíquos! Te falei que o jejum intermitente dava resultado!

Mais tarde, quando Júlio gozou na sua mão e os braços de Cacique vieram à mente, ele disse a si mesmo que apenas queria saber como os tríceps do amigo podiam ser definidos daquela maneira.

Talvez fosse a hora de tentar o jejum intermitente também.

***

– Galera vai tomar um chope hoje depois… Vamos?

Fernandinha esticou um beicinho. Já era sexta-feira, e a movimentação na academia era perceptível. Júlio estava com um pouco de preguiça. Chope? Pra arruinar todo o trabalho da semana? Até parece. Mas Fernandinha estava usando um decote bem generoso, deixando à mostra os 300ml de silicone que ela tinha colocado em junho passado e Júlio passou a considerar. Mas ia ficar no suco, claro.

Passou a mão pelos cabelos curtos, e admirou a curva dos ombros no espelho. Os braços estavam suados, reluzentes. Os músculos inchados, definidos, o faziam estufar o peito. Que semana, leke. No pain, no gain.

– Tá monstrão, hein? – Cacique passou com ar de zombaria. Alguma coisa no fundo do estomago de Júlio se fechou como um punho.

– Tomar no seu cu.

– Que isso, Julião? Não to tirando onda não, cara. Tu tá definidasso mesmo, tá grandão.

O aperto se transformou em remorso, mas Júlio não tinha tempo pra esse tipo de sentimento; afinal, macho que é macho não fica com essas frescuras.

– Foi mal cara. To meio pilhado. Você vai pro chope?

– To pensando em ir sim. Mas não fico muito que amanhã acordo cedo. Você vai?

– Vou.

– Se quiser carona, eu to de carro.

– Demorou.

***

A água caiu no músculos doloridos e cansados de Júlio, fazendo com que seu corpo inteiro relaxasse. O chuveiro da academia era bem ruim; pinguinhos mixurucas e não esquentava direito. Mas Júlio estava tão exausto que não importava. O vestiário estava vazio. Era sempre assim; ele e Cacique era os últimos a largar os aparelhos.

No pain, no gain.

Ele massageou os ombros doloridos, quando ouviu os passos pesados de Cacique entrando no vestiário. O corpo de Júlio tencionou.

– Fernandinha vai hoje no chope?

– Vai, sim.

– É hoje hein, Julião? Tá no papo.

Júlio riu alto. Pensou no decote generoso de Fernanda mais cedo, melado de suor.

– Ela tá gostosa, né?

– Ela é bem gatinha.

– E você, Cacique? Tá de olho em alguma menina da academia?

Cacique despiu a toalha e entrou no chuveiro ao lado de Júlio. O amigo era corpulento, os quadris despontando em vincos fundos no baixo abdômen. Não que ele Júlio estivesse reparando.

– Nada, cara. De boa. Essas meninas aqui são muito bobinhas. Gosto de mulher com mais substância.

Júlio ficou intrigado com o que significava uma mulher com substância para os padrões de Cacique, mas decidiu ficar calado. Concentrou em terminar o banho rapidinho, o vapor de Axe enchendo o vestiário.

Fechou o registro, e saindo do chuveiro, os olhos passaram pelo corpo moreno de Cacique outra vez. Júlio sentiu uma clara pontada no baixo ventre. Os pelos escuros que enegreciam o peito sarado do amigo, sua pele queimada de sol, suas espaldas largas… Os olhos se demoraram na curva dos quadris do amigo, no volume perfeito das nádegas…

– Que foi cara? – Cacique perguntou. Júlio engoliu em seco.

– N-nada. – Gaguejou. – Eu é… Preciso treinar, cara. Comparando assim contigo estou fora de forma.

– Imagina. Eu só sou mais volumoso, só isso. Você tá grandão, Júlio.

– Aham. – Júlio balbuciou, fazendo menção de sair de vez da área dos chuveiros.

– Inclusive embaixo.

Júlio parou a ação no ato, ficando paralisado, o corpo estático. Olhando para baixo, viu que seu pau estava a meio mastro. A água pingava de seu corpo, a pele arrepiada. Suas bolas começavam a latejar. Será que ele conseguia alcançar a toalha antes que o seu pau ficasse duro de vez?

Não sabia o que dizer. Que desculpa dar? Estavam só os dois naquele banheiro. Rir, fazer piada, ignorar o comentário, ser engolido pelo chão… Tudo passou pela sua cabeça. Mas Cacique falou primeiro, com sua voz grave e serena.

– Isso daí é um problemão cara. Vem cá que eu te ajudo.

Como se estivesse hipnotizado, Júlio voltou para o chuveiro, deixando os pingos escassos receberem seu corpo outra vez. Cacique o fitava com olhar clínico, o mesmo olhar de professor que tinha quando corrigia a execução de Júlio nos exercícios.

– Tá tensionado. – Cacique disse. – Pra resolver tem que fazer assim, ó.

– Ah!

Júlio gemeu alto quando a mão áspera de Cacique envolveu seu pau, fazendo com que ele se enrijecesse de uma só vez. Parecia que todo o seu sangue tinha ido para sua virilha. Júlio achou que fosse desmaiar de tanto tesão.

– Tem que assim, Julião. Na maciota.

A mão de cacique passou a masturbar Júlio de maneira lenta, porém firme, e ele sentia que jorrar litros de porra a cada movimento do amigo. Os seus quadris se mexeram involuntariamente, e ele levou as mãos até os braços torneados de Cacique, as palmas apertando, sentindo seus músculos, o abdômen trincado, os vincos fundos do seu quadril até a sua virilha.

O pênis de Cacique era como o amigo; corpulento, intimidante. Júlio nunca tinha tocado o membro de outro homem; mas ao sentir o sangue pulsando dentro do pau do amigo, sua mente entrou em pane, e ele se lançou pra frente, atacando Cacique com um beijo desesperado, faminto, gemendo e se derramando na boca do amigo, mordendo seus lábios carnudos enquanto juntava os seus corpos, os dois paus agora se tocando, as glandes se esfregando uma na outra.

Não demorou para que os dois gozassem. A sensação de sentir o corpo de Cacique como uma muralha, firme e úmida, contra o seu fez com o que o pau de Júlio explodisse sêmen e ele gozasse como não gozava há tempos.

Não trocaram palavra quando saíram do vestiário, mas não foram tomar o chopinho.

Aproveitar a academia vazia no fim de semana para treinar pareceu uma ideia melhor para os dois.

FIM

Sete pecados, sete contos – Inveja

Dulce sempre foi vaidosa. De moça, fazia questão de estar sempre emperiquitada, fosse que

fosse até pra ir pra escola. Quando começou a ganhar seu próprio dinheiro, Dulce se mimava todos os meses com alguma coisinha; um batonzinho aqui, um rímelzinho acolá. Com o passar do tempo, Dulce foi ficando viciada em seguir todas as dicas das blogueiras chiques e à medida em que o salário aumentava, a qualidade das maquiagens também subia.

Nunca ocorreu para Dulce que o hábito fosse problemático. Pelo contrário. Dulce sentia um formigamento engraçado toda vez que chegava em casa com uma bendita sacolinha da Sephora, e gozava de pleno relaxamento ao lavar e enxugar todos os pincéis da Sigma como se fosse seus próprios filhinhos.

Foi só depois de se casar com Theo que a coisa toda começou a desandar.

Theo era um rapaz inteligente, cheiroso, educado e carinhoso. Genro que toda sogra pediu a Deus, ele sempre tratou Dulce a pão-de-ló, e ela se sentiu muito sortuda quando encontrava as amiga e ouvia as intermináveis reclamações de maridos que andavam feito trapo dentro de casa, achavam que lavar um copo era grande favor, e nem se dignavam a lavar as próprias cuecas freadas.

A única implicância de Theo era com as maquiagens de Dulce.

Começou com comentários sobre os preços dos tubinhos. “Precisa mesmo de outro?” “esse daí é igualzinho ao que você comprou semana passada” “lá vem você de novo com essas sacolas.” Theo dava muxoxos irritados toda vez que Dulce batia o pé para entrar na MAC nos passeios dominicais no shopping.

De começo, Dulce se fazia de manhosa, esticando um beicinho para o marido. “Poxa amorzinho, mas eu não estou bonita?” E antes ele até resmungava que sim, mas a implicância foi chegando a tal que ele começava a dizer que preferia mulheres naturais, que Dulce estava nova demais para virar perua.

Foi aí que a paciência de Dulce foi chegando ao fim, porque ela não sabia fazer um contorno perfeito e natural e um delineado de gatinho completamente simétrico pra ouvir desaforo de macho que não sabe a diferença de um Ruby Woo para Russian Red. O tom foi subindo de tal forma, que já não podiam tocar no assunto da maquiagem sem acabarem aos berros, e Dulce saía batendo as portas do apartamento, fula da vida.

Por fim, a coisa tomou tamanha proporção que Dulce propôs que eles fechassem a conta conjunta, para que ela pudesse comprar as próprias maquiagens com o dinheiro dela em paz. E decidiram não tocar mais no assunto, ainda que Theo se irritasse muito toda vez que Dulce começasse a se maquiar, ou a coleção de batons aumentasse na penteadeira.

Depois dessa história toda, o casamento que antes era cheio de paixão, foi esfriando aos pouquinhos, pois Dulce não conseguia conceber um homem tão gentil como Theo ser tão ignorante em se tratando de coisa simples feito maquiagem. Dulce era sempre elogiada por suas produções, e sabia que tinha bom gosto, acabava injuriada com a indiferença do marido diante do seu esmero em se empetecar.

E nessas, Dulce ficava cada vez mais tempo na casa da mãe aos fins de semana, aproveitando a tarde para ajudar nas tarefas enquanto ouvia o Domingão do Faustão. Ainda que mãe perguntasse se a filha não preferia estar com o marido, ela sempre dava uma desculpa esfarrapada para escapar do assunto. Mas num dia chegou uma vizinha insuportável para visitar, a tal da dona Glória do fim da rua, e Dulce supôs que a companhia do marido não seria assim tão ruim.

Portanto voltou para casa com o dia ainda claro, imaginando que iria encontrar Theo assistindo o futebol, ou cochilando no sofá. O que ela não imaginava era se deparar com tal cena quando entrou no quarto do casal.

Lá estava Theo, debruçado sobre a penteadeira de Dulce, tubinhos e maquiagens abertos e espalhados. A bagunça em cima da penteadeira deu lugar a um choque muito maior, quando Dulce caiu os olhos no marido, vestindo o hobby que Dulce ganhado no enxoval, aquele rosa-claro com renda francesa no decote. As pernas pálidas marido estavam enfiadas em um par de meias-calças sete oitavos, em tom nude e translúcidas, aquelas que Dulce usava apenas para dias de reuniões importantes no trabalho.

Mas o que mais a surpreendeu foi o rosto de Theo; os olhos verdes por trás de grossas camadas de rímel e os lábios tingidos de carmim vivo.

Theo arfou em choque.

– É… É uma brincadeira. –  Balbuciou. – Com o pessoal do escritório.

Em total silêncio, Dulce se aproximou na penteadeira, lentamente. Theo, trêmulo, continuava a murmurar qualquer coisa enquanto tentava guardar os cosméticos.

Ela segurou seu braço de maneira firme.

A maquiagem estava desastrosa. Os cílios grudados uns nos outros, o batom todo borrado. Ela percorreu o corpo de Theo com o olhar e levantou as sobrancelhas quando notou a calcinha de cetim que cobria sua virilha.

Suspirou.

– Este batom está todo borrado, Theo.  – Disse em voz baixa. – Deixa eu ajeitar para você.

Os olhos verdes se arregalaram, e Theo de súbito se calou. Dulce começou a refazer a maquiagem, com diligência e capricho. Segurou o queixo de Theo e enquanto passava a base, percebeu que nunca se deu conta das maçãs do rosto saltadas e proeminentes. Com uma sombra, fez valorizar o formato bonito dos olhos verdes.

Theo não disse nada. Apenas aceitou, complacente, que Dulce o maquiasse, embora ainda olhasse para a esposa com ares de horror. Mas o seu corpo o traíra. Por baixo da calcinha de cetim, Dulce podia ver o volume que crescia a cada movimento do pincel.

Dulce também foi começando a sentir uma mistura de euforia com formigamento, mais forte do que quando comprava cosméticos novos. Sua pele foi ficando mais quente, a tensão entre ela e o marido aumentando. Fazia muito tempo que ela não se sentia tão viva e poderosa.

Quando ela abriu o tubinho de batom vermelho e fez o contorno perfeito dos lábios grossos de Theo, podia sentir que estava molhada entre as pernas. O hálito quente do marido condensou no batom e ela foi acometida por desejo sôfrego e irreparável. Imediatamente arruinou sua pintura metendo a língua na boca de Theo, num beijo luxurioso e cheio de pecado como há tempos não acontecia.

Acabaram na cama um minuto de depois. Theo gemeu alto quando Dulce tocou seu pau intumescido por cima da calcinha, esfregando-se contra o corpo da mulher, tomado por tal onda de desejo que parecia fora de si. Quando gozou, manchou toda a renda, explodindo sêmen quente por dentro da lingerie.

Depois daquele dia, Dulce nunca mais foi para a casa da mãe aos domingos.

***

– Amor, o Flat Out Fabulous está quase acabando! – Theo gritou de dentro do quarto.

Na sala, Dulce alisava seu strap-on de vidro com carinho.

– De novo, Theo? Compramos um novo outro dia.

Theo engatinhou até a sala, usando um conjunto de calcinha e sutiã verde musgo, de cetim – com detalhes em renda preta. O rosto estava muito bem maquiado, Dulce estava orgulhosíssima de como as habilidades do marido tinham evoluído. Os lábios estavam pintados de rosa choque. Theo fez um beicinho enquanto se arrastava de quatro até a esposa.

– É que eu fico tão bem com ele, amorzinho.

– Fica mesmo. Tem razão. – Dulce sussurrou quando Theo fez um biquinho e se ajoelhou para chupar o strap-on, melando todo o vidro de batom rosa.

FIM

Cinco dicas para conversar com o parceiro sobre suas fantasias sexuais

Como ter a conversa sobre aquele fetiche com o parceiro em 5 dicas simples.

Falar sobre o que queremos na cama pode ser muito mais fácil do que você imagina!

Photo by Dainis Graveris on Unsplash

Uma das coisas que eu mais escuto nas minhas aventuras profissionais, é a famigerada pergunta, “como eu posso começar a conversar com o meu parceiro sobre minhas fantasias sexuais?” E embora seja mais comum ouvi-la de mulheres, não é incomum também que homens se sintam inseguros em trazer seus desejos para a relação. 

Por que é difícil falar sobre fantasias sexuais num relacionamento?

Sexo ainda é um tabu na nossa sociedade, e essa dificuldade tem muito a ver com isso. Aprendemos desde cedo que é errado discutir nossos desejos abertamente. Em se tratando de mulheres, a repressão é ainda mais forte. Somos muito cerceadas na nossa sexualidade e isso acaba afetando negativamente nossas vidas – fazendo com que mulheres tenham menos orgasmos e menos satisfação no sexo.

Além disso, existe a ideia de que falar de uma fantasia sexual para o parceiro pode ser ofensivo. Existe o medo de ser julgado, e existe também o medo do parceiro sentir que a proposta é um ataque – como se ele ou ela não fosse “bom de cama o suficiente.”

Mas não precisa ser assim! Aqui estão cinco técnicas fáceis e praticas pra iniciar essa conversa com o ser amado – e compartilhar as maravilhas de vivenciar essas fantasias em conjunto! 

1. Visitar um sex-shop juntos

Photo by Dainis Graveris on Unsplash

É muito comum ouvir das minha leitoras que elas adorariam trazer um vibrador para a cama, mas não sabem como abrir isso para o parceiro. Infelizmente, a nossa cultura machista faz com que os homens se sintam ameaçados por brinquedinhos 😦 Mas a solução para isso é ter muito claro; um brinquedinho não é feito para substituir ninguém, e sim aumentar o prazer a dois!

Uma maneira legal de introduzir o assunto, é sugerir uma visita conjunta a um sex-shop (pode ser online também)! Faça o parceiro ou parceira se sentir incluído na escolha; assim o brinquedo passar a ser algo que vocês dois compartilham. Além disso, existe uma infinidade de toys feitos para brincadeiras a dois, como vibradores controlados por controle remoto, anéis pensamos que vibram, luvas eróticas, etc. 

E vocês podem descobrir muita coisa juntos nesse passeio! 

2. Aprender sobre a anatomia um do outro

Photo: I Am the Clitoris

Aprender a ter prazer tem muito a ver com conhecer nossa anatomia – e infelizmente, nossa educação sexual deixa muuuuito a desejar nesse ponto. Para ambos os sexos existe uma lacuna enorme de conhecimentos importantes sobre nossos corpos. E desvendar esses mistérios pode ser a chave para o parceiro entender melhor o que voce gosta na cama.

Especialmente em se tratando de nós mulheres, o conhecimento sobre o clitóris e seu funcionamento ainda é muito pouco difundido. Veja aqui o vídeo que eu fiz sobre o funcionamento básico do clitóris se voce quer saber mais! 

Marcar um dia para “estudar” juntos e entender o que é gostoso com uma base científica é uma excelente maneira de comunicar seus desejos mais claramente.

Afinal, conhecimento é poder! 

3. Fazer um questionário de perguntas sobre fantasias sexuais

Tirar um tempo e conversar sobre a vida sexual é um passo importante para um casal, especialmente em relacionamentos longos – onde o sexo acaba se tornando parte da rotina e corre o risco de entrar no piloto automático.

Um exercício muito legal é fazer um questionário de perguntas um para o outro que possa servir de guia numa conversa sobre suas fantasias se voce não sabe como começar o assunto. Eu fiz um bem completo, que você pode baixar gratuitamente clicando aqui! 

Mas jogando no Google voce encontra vários outros exemplos de questionários e joguinhos para conhecer melhor os desejos do outro.

4. Mandar um conto erótico com o seu fetiche para o parceiro

Sei que claro minha opinião não é a mais imparcial, afinal eu escrevo contos eróticos. Mas eu acredito que eles são mesmo uma ferramenta muito poderosa para nos conhecermos melhor e também podem nos ajudar a comunicar nossas fantasias.

Se voce sempre quis experimentar ser amarrado, por exemplo, vale achar um conto que narre uma história com bondage. Depois, mande para o contatinho com aquela mensagem marota; “li e lembrei de você, que tal se a gente tentasse um dia?” 

Assim fica mais fácil para o outro visualizar a fantasia e também soltar a imaginação. E para quem como eu ama astrologia, eu fiz uma série de continhos eróticos com todos os signos do zodíaco. Procure o signo do ser amado, mande, e veja qual será a reação! 

5. Aprender a linguagem sexual de cada um

Cada um tem um jeito de demonstrar amor diferente, e isso também vale para tesão. Aprender a linguagem sexual de cada um pode ser chave para entender o que o parceiro deseja na cama e também como ele ou ela tenta te agradar.

É parecido com o teste das linguagens amorosas, e voce vai descobrir qual é o seu perfil. Na Internet existem muitas variações, mas o mais famoso é o “Erotic Blueprint Quiz,” que infelizmente só existe em Inglês. Mas vários outros portais oferecem opções, basta encontrar a que mais te agrada.

E aí, gostou das dicas? Então hora de colocá-las em prática. Acenda umas velas, coloque uma música, abra um vinho, e vá conversar com seu parceiro ou parceira sobre suas fantasias sexuais!

Ah! Não se esqueça que sexo bom é sexo seguro!

Photo by Dainis Graveris on Unsplash

Maio – Mês da Masturbação (Masterpost)

dainis-graveris-5SxCaMvv5Xw-unsplash
Foto: Dainis Graveris

Olá amores e amoras, tudo bem? Sabiam que maio é comemorado internacionalmente como o mês da masturbação? Claro que eu não poderia deixar vocês na mão numa ocasião dessas (rs), então está aqui um compilado de posts dos mais variados tipos sobre masturbação pra você se inspirar!

CONTOS ERÓTICOS SOBRE MASTURBAÇÃO:

75551300_452718442333724_5085622895277872928_n

O conto da mocinha solteira – Um continho curto e rápido sobre todas as fantasias de uma mulher solteira na hora de soltar a imaginação

Reencontro de faculdade – Parte 1 – Um conto erótico de sexo à três com dois ex (menino e menina); longo e com vários detalhes pra te inspirar!

Noite de Semana – Um conto bem romântico, bem meladinho, pra quem está apaixonado ou com vontade de se apaixonar – com uma surpresinha para meninas que querem explora a porta de trás dos namorados!

Como (não) resistir a uma tentação – Um conto erótico para aquela saudade de farrear, de sexo casual, de bagunça; pra quem está confinado nessa quarentena.

RECOMENDAÇÕES: 

underwear-2157358_1920

(Mais) 6 Alternativas ao Pornô Tradicional que Vão Realizar Todas as Suas Fantasias – Uma lista de todas as melhores alternativas à pornografia mainstream pra você que já zerou o pornhub e quer diversificar o material de apoio.

A história do strip-tease que não foi (e agora foi, pra todo mundo) – Uma história pessoal para você dar a volta por cima, se achar gostosa pra caralho com um strip-tease exclusivo dessa que vos fala.

(Mais) Oito Instagrams safadinhos para seguir – Uma lista com os perfis mais sexys do Instagram, pra apimentar o seu feed!

SEX TOYS:

WhatsApp Image 2020-05-29 at 15.41.46 (1)

Luva erótica – Um detalhe simples que pode revolucionar sua vida sexual – Um brinquedinho inesperado e baratinho que pode fazer toda a diferença na sua masturbação!

Sugador clitoriano – Amor verdadeiro, amor eterno – Uma review sincerona do meu sex toy preferido que revolucionou minha vida!

Sybian Sex Machine: O vibrador perfeito? – Um vibrador dos vibradoes, o brinquedo dos brinquedos. Pra você que está podendo investir em um sex toy de luxo, dá uma olhada no Sybian.

VÍDEOS SOBRE MASTURBAÇÃO:

maxresdefault

Vlog – Minha coleção de sex toys! – Um vlog contando sobre todos os meus sex toys – como usá-los, e quais eu mais gosto.

Vlog: Masturbação feminina – Um vídeo contando minha história com a masturbação sendo mulher: Desde a culpa, até aprender a lidar com minha própria sexualidade.

Vlog – Guia básico da pepeka – Um vídeo pra você entender direitinho como funciona uma periquita, e quais os maravilhosos mecanismos que podem te dar mais prazer!

Gostou? Então não perde tempo, e bota essas mãozinhas pra jogo!

Uma entrevista de autora erótica para autora erótica

Um papo entre duas escritoras sobre sexo, arte – e como juntar os dois.

Que delícia poder trazer esse papo aqui! A Ida J é uma escritora erótica baseada em Amsterdam talentosíssima, e alguém que eu tenho grande prazer de trabalhar lado a lado na BERLINABLE! Ela foi uma das primeiras autoras recrutadas para o nosso time, e é uma pessoa de personalidade contagiante – a gente “bateu” logo de cara! Resolvemos fazer um papo bem sincero sobre o que significa escrever erótica pra gente, e fiquei muito feliz com o resultado!

ida j

Lembro que te conheci pela primeira vez na Pornceptual, estávamos as duas lendo para a BERLINABLE; as duas arrasando de lingerie. Agora eu tenho o prazer de te entrevistar, até porque agora já conheço bem o seu trabalho. 

Minha primeira pergunta é; até que ponto você empresta suas experiências pessoais para suas histórias. Acho que todos nós nos inspiramos em nossas vidas, é claro, mas sempre que eu leio suas histórias, fico impressionada com o quanto eu me identifico! São tantos detalhes que ressoam, a coisa toda da assadura no comecinho de Weeknight me vem à mente, por exemplo. Porque é muito real! Me fale um pouco sobre como sua experiência influencia o seu trabalho.

Olha, pra ser sincera, meus contos são 100% inspirados na minha vida! Não sei se é queimação de filme falar isso… Mas é a verdade. Como escritora, eu gosto muito de brincar com as ferramentas que diferentes formatos me dão. Nos meus roteiros, que exigem uma escrita mais técnica e distanciada, a minha experiência pessoal não é a influência mais forte. É claro que é como você falou, como escritores nossa vida sempre influencia o que a gente escreve… Mas nos meus contos eróticos eu realmente pego as minhas noites de sexo e transformo em histórias na maior parte das vezes.

Acho que tem muito de vulnerabilidade, deixar um conto erótico sexy, eu acho que é o formato em que mais faz sentido brincar com nossa experiência pessoal – porque são relatos de fantasias. Então eu uso bastante da minha experiência. Outra coisa que rola nos meus contos é escrever sobre coisas que eu queria que tivessem acontecido e acabaram não acontecendo… é uma maneira de dar vazão ao meu tesão reprimido. Hahaha.

E sobre a parte da assadura… eu acho que o sexo é diversão! Em geral, gosto de colocar um pouco de comédia nos meus contos, deixarem eles próximos da vida real, traduzir o ridículo da sedução também. Gosto de trazer essa leveza nas minhas histórias. Existe muita culpa em relação a sexo, especialmente à sexualidade feminina, então imprimir esse lado engraçado é uma maneira também de me apoderar dos meus desejos.

Depois disso, conte-nos a história de Pimenta, como você começou a escrever erótica? Eu sei que você também escreve sobre o tema da saúde sexual, para você as duas coisas estão relacionadas? 

Comecei há muito tempo! Eu escrevo desde criança – escrevi meu primeiro livrinho aos seis anos – e quando entrei na adolescência tudo que era meio picante me deixava interessada. Eu tinha uma tendência muito forte a pensar em sexo desde que descobri o que era, e aos doze anos escrevi o que eu considero minha primeira peça erótica. Era um relato de sonho erótico do ponto de vista de um cara que estava me comendo. E sendo sincera, não é nada fofinho, é bem direto ao assunto! Acho que isso de ter um eu-lírico masculino me deixou mais solta.

Depois disso, durante toda minha adolescência li e escrevi muita fanfic – principalmente as NC-17, que tinham cenas de sexo. Acho que isso formou muito do skillset que uso hoje no meu trabalho.

Sobre a saúde sexual, com certeza as duas coisas estão relacionadas. Pra mim, o problema é que a gente aprende sobre saúde sexual do ponto de vista puramente biológico, é formal e distanciado. Parece que uma coisa são os processos, os cuidados que precisamos ter. Outra totalmente diferente é o tesão, a diversão, aquelas coisas que fazem a gente querer transar de verdade.

No meu ponto de vista, essa separação é a raiz de muitos problemas. Falar sobre camisinha, sobre ISTs, é tabu, é corta-tesão. Acho que não pode ser assim. No meu blog eu faço questão de misturar os dois assuntos – que no fim são a mesma coisa. Tirar este estigma das informações importantes e entender como o desejo e a saúde andam juntos.

Uma das coisas que eu tenho mais orgulho de ter feito na BERLINABLE foi o concurso MAKECONDOMSSEXY, ano passado, justamente por causa disso. Sempre tive vontade de falar do uso de camisinha no contexto da erótica. E fiquei tão feliz que os outros autores entraram na pira! O seu conto, The Madness of Last Night, é uma loucura, porque é cheio de cenas de orgia e sexo louco. E tudo isso promovendo sexo seguro. Não tem que ser uma coisa ou outra.

Voltando ao seu Blog, até que ponto essa paixão pela erótica e pelos tópicos relacionados à sexualidade é algo moral ou político para você? Você acha que é importante que nós, como escritores, tentemos influenciar o que você poderia chamar de cultura sexual – coisas como consentimento, sexo seguro, mas também incentivando as pessoas a experimentar coisas que de outra forma não teriam a oportunidade de experimentar?

Com certeza, e digo isso por experiência própria. Cresci num estado tradicional, minha relação com minha sexualidade era de muita, muita culpa. Pra você ter uma ideia, eu chorava toda vez que me masturbava! Falei inclusive sobre isso no meu canal do YouTube.

Comecei a fazer o blog porque queria ser a mulher que eu precisava quando eu era mais nova. Quanta culpa eu teria deixado de sentir se na época das minhas descobertas houvesse uma mulher que falasse de maneira natural sobre sexo. Sem culpa. Acho muito importante naturalizar os nossos desejos, especialmente para meninas mais novas.

E também aprendi muito sobre sexo lendo e escrevendo erótica – muito antes de começar a fazer! Aprendi sobre consentimento, sobre teoria queer, sobre fetiches… essas informações foram muito preciosas na minha formação, mudaram minha visão sobre o sexo, sobre meu corpo e sobre os meus desejos. E eu descobri muitos fetiches lendo sobre as fantasias de outros!

Acho que a erótica é uma ferramenta muito poderosa para conhecermos outras maneiras de viver o sexo. E eu sinto que esse é um legado que preciso passar para frente no meu trabalho. Foi introduzida a muita coisa que revolucionou minha vida sexual por outros autores; hoje em dia penso que falando das minhas fantasias e experiências de maneira totalmente franca, posso fazer o mesmo pelos meus leitores.

Já que estamos falando dessa questão política e da franqueza sobre a posição ideológica, estou interessada em ouvir sua posição sobre o anonimato no que diz respeito à escrita erótica.

Isso é totalmente pessoal. Na BERLINABLE temos vários autores que escrevem com um pseudônimo, e vários que usam o nome real. Acho que depende da vida que a pessoa leva. Essa é a liberdade que a erótica garante; ela te permite viver fantasias num mundo que pode estar descolado das dificuldades do dia-a-dia.

Para mim em particular, foi uma decisão pensada. Eu já tinha o blog, mas era uma coisa mais pessoal. Escrevia contos, mas não divulgava. Eu morava em São Paulo, trabalhava na área de comunicação, e estava muito infeliz por não poder ser sincera em relação aos temas que eram importantes pra mim.

Quando decidi largar meu emprego e vir para Berlim, tomei também a decisão de começar a divulgar meus contos, levar o blog a sério, dar a cara pra bater. Tive uma conversar séria comigo mesma e decidi a partir dali que ia enfrentar qualquer consequência que isso tivesse, seja na minha vida profissional, amorosa ou familiar. Era o quanto eu sentia que sem poder me expressar completamente eu estava infeliz.

Por sorte, deu muito certo! Na verdade, as pessoas passaram a me respeitar muito quando comecei a me colocar. Acho que quando é autentico, isso transparece, e as pessoas de identificam de alguma forma.

Então, não sei muito sobre sua criação, mas quando Salvador e eu conversamos, ele mencionou a sexualidade cheia de culpa como uma influência real em sua vida e no que ele escreve. E mesmo em contextos mais liberais, ainda existe muita vergonha nas histórias, e isso, naturalmente, chega a material erótico de qualquer tipo. Dito isto, essa vergonha também é algo para brincar, uma fonte de grande excitação em muitos casos. As normas de gênero são semelhantes, restritivas, mas cheias de potencial sexual. Sem querer soar muito Judtih Butler, mas queria saber o que você pensa a respeito, me conte como essas coisas batem pra você.

Acho que existe algo muito sexy na rebeldia. No desafio à norma. Todos nós, escritores de erótica, somos outsiders no fundo, né. Eu sinto que essa rebeldia aparece no meu desejo porque eu gosto muito de brincar com as barreiras de gênero. Inverter os papéis com um homem, vê-los maquiados, distorcer as expectativas da sociedade… isso tudo me excita muito. E sim, acho que tem a ver com esse desejo de brincar com o que é tabu.

Afinal das contas, sexo ainda é tabu na nossa sociedade, então o tabu acaba sendo a matéria-prima do nosso trabalho. Acho que o ofício de um escritor erótico é pegar este tabu e dar significado a ele, dar a ele uma forma que provoque emoção nos leitores.

Dia dos namorados/Festa dos corações partidos

couples-tumblr-photographyblack-and-white-couple-love-vwscocqt.jpg
Fonte

Me espreguicei na cadeira e espiei o céu lá fora; o estava limpo, era noite de lua cheia. Ótimo. Como se não bastasse, ainda por cima era noite de lua cheia. Estralei os dedos, me preparando para fazer uma pausa. Desci pela timeline do Instagram, mais uma vez passando por dúzias de fotos de casal, declarações de amor, #mozão. Senhor, será que meus amigos sempre foram bregas assim ou o dia dos namorados traz a tona o pior das pessoas?

Suspirei. Bom, talvez o dia dos namorados traz à tona o que há de pior em mim também, já que passei o dia inteiro amargando minha solteirice e amaldiçoando o capitalismo. Sério, eu nunca ligo muito pra isso se estou com alguém, mas parece que essas datas são feitas pra fazer a gente se sentir um lixo por não ter ninguém.

O telefone vibrou na minha mão. Mensagem da Alice.

“Miga, não esquece da festa no gramado da reitoria. Traz catuaba se der.”

Eu mordi os lábios, olhando pra lua cheia de novo.

“Estudando :/ Não vai dar.”

“Deixa de ser ridícula.”

O telefone vibrou de novo, ela estava me ligando. Rolei os olhos.

– Meu, eu tenho que acabar essa apresentação até sexta!

– Ah, para né. Você ainda tem tempo. Deixa de besteira e vem logo.

– Não tô no clima.

– Cara, você vai ficar aí nessa vibe de fossa em pleno dia dos namorados? Pelo menos aqui tá todo mundo bebendo junto, vamos celebrar nossa encalhação.

– Não sei…

– Vai, você anda precisando distrair a cabeça. A gente vai fazer uma fogueira e queimar os nomes de quem a gente quer esquecer. É sua chance.

Eu me olhei no espelho, um moletom felpudo, cabelos ensebados presos no coque mais desastroso que eu já fiz, um pacote vazio de Passatempo em cima da mesa.

– Tá bom, vai. Mas vou demorar pra chegar. Preciso me arrumar.

***

Com certeza aquela devia ser a noite mais fria do ano. A perspectiva de uma fogueira me animou, assim como a de álcool. Será que alguém ia levar vinho quente?

Depois de lavar os cabelos e passar uma maquiagenzinha só pra tirar um pouco da minha cara de ontem, enfiei as pernas em meias de lã, coloquei o casaco mais grosso que tinha no armário, e chamei um Uber. Depois, desci pelas minhas conversas do WhatsApp, abrindo uma de uma semana e meia antes. A última mensagem era dele.

“Ué, vc já foi?”

Suspirei, olhando para as letrinhas. Depois tomei um susto quando vi que ele estava online. Meu coração acelerou. Esperei alguns segundos, torcendo para que a barrinha do “digitando” aparecesse. Nada. Ele devia estar falando com  ela, ou com milhões de outros contatinhos. De repente senti uma vontade enorme de não ir à festa, mas o meu celular avisou que o Uber tinha chegado.

***

O conselho da Alice não tinha sido de todo ruim. Depois de um tempo na festa, meu humor tinha realmente melhorado consideravelmente. Estava realmente fazendo um frio absurdo, e nos amontoamos em volta da fogueira, ingerindo doses indecentes de álcool. Alguém tinha feito a playlist mais dor de cotovelo da história, incluindo muito feminejo e clássicos do anos 90 tipo Survivor das Destiny’s Child, e o rolê estava tão divertido que com certeza os casais presentes não trocariam a noite por um fondue à luz de velas.

– Cheguei! – Disse Leo, que tinha voltado do estacionamento. – Mais bebida, e os coraçõezinhos, como prometido!

– Caramba, é sério? – Perguntei.

– Lógico! – Ela foi logo distribuindo os coraçõezinhos de papel vermelho e algumas canetas. – Gente, prestem atenção, é pra escrever o nome do crush que quer esquecer que a gente vai queimar todos na fogueira.

– E se tiver mais de um?

– Ué, pega quantos precisar, eu trouxe um monte.

Desatamos a rir, e eu fui logo pegando um coraçãozinho. Sentei num banco afastado, querendo ficar longe de olhares curiosos e escrevi o nome dele. Olhei para a fogueira. Bom, realmente, eu precisava esquecer aquele amor não correspondido de uma vez por todas, não dava mais pra continuar naquela situação. Tinha me enganado tempo demais e agora até a nossa amizade estava estragada.

– Oi. – Achei estava realmente começando a ouvir coisas depois de tanta cachaça, mas quando me virei ele estava realmente inteirinho na minha frente. Meu coração começou a bater tão forte que eu me senti até um pouco tonta, a boca secando.

– Você não tava na praia?? – Arfei, rezando para que meu tom de voz não saísse trêmulo demais.

– Tava, mas resolvi voltar antes. Passar o dia dos namorados na praia com a família realmente ia transbordar minha cota de autocomiseração.

Ri sem graça. Ele ajeitou os cabelos.

– Parece que a festa tá legal.

– Aham, tá ótima.

Cara, que merda. Se eu soubesse que ele viria, jamais teria saído de casa. Virei o restante da catuaba que tinha no meu copo.

– Quer ir pegar uma bebida?

Queria responder que não, mas não tive coragem.

– Claro.

Passamos a andar de volta para a fogueira. Fuzilei a Alice com o olhar, mas ela deu de ombros sinalizando que também não sabia que ele estaria ali.

– Senti falta de conversar com você essa semana. – Nossa, ele foi direto ao ponto. Não esperava que fosse tocar no assunto tão cedo.

– Pois é, acabei ficando muito ocupada com a apresentação de sexta.

– Por que você foi embora aquele dia?

Engoli em seco. Que ótimo, tudo que me faltava era aquele interrogatório.

– Você estava ocupado. Eu não queria ficar na festa sozinha.

– Você ficou puta que eu peguei ela?

– Claro que não!

– Se ficou, não tem problema. Pode me falar.

Eu senti que estava ficando com vontade chorar. Engoli em seco com raiva. Que merda. Já estava bêbada, se ele não colaborasse eu ia acabar falando uma besteira enorme e estragando tudo. Que ódio. Enchi mais um copo de catuaba. Ele abriu uma cerveja.

– Bom, é que a gente tinha ido juntos e eu acho meio migué deixar amigo em rolê para casar na balada. Mas sussa também, não foi nada de mais.

– Então por que você não respondeu?

– Já falei, tava ocupada.

Ele suspirou, Andando tínhamos chegado debaixo de uma árvore mais ou menos afastada da fogueira onde estavam todos.

– Eu sei que as coisas ficaram estranhas.

– Não ficaram estranhas. A gente só se pegou bêbado num rolê, eu sei que não teve nada a ver. – Omiti a parte do “na verdade eu sonhei com isso por meses e aí finalmente aconteceu, e achei que a festa ia ser nosso primeiro date, e você pegou outra fulana na minha frente, mas ok”.

– Eu não queria ter pegado ela.

– Ok?

– Eu te chamei pra festa porque queria pegar você. De novo. – Eu senti minha respiração parar, meu coração ao pulos. Ainda estava magoada, e com raiva, mas não podia negar que eu queria ouvir aquilo. Ele esfregou os olhos cor de mel. – Me desculpa. Foi uma babaquice.

– Tudo bem, esquece isso. É melhor assim pra não estragar a amizade.

– É, então. Só que já foi.

– Como assim?

– A amizade. Faz tempo que eu não quero ser só seu amigo. E eu ia te dizer isso na festa, eu te chamei porque queria que a gente ficasse, mas aí você tava toda fria, parecia que não tava interessada, que não queria ficar comigo. Eu fiquei puto e fiz uma infantilidade. Na hora eu percebi que tinha sido besteira. Daí eu fui viajar e fiquei pensando que era melhor deixar pra lá, que ia passar, pra tudo voltar ao normal. Só que você não me respondia e eu fui ficando doido. Eu tô gostando de você de verdade, cara. E se você só quer ser minha amiga eu juro que vou ficar de boa, mas então me explica porque você ficou puta. Porque eu sei que quando a gente se pegou foi incrível, não é possível que tenha sido incrível só pra mim.

Eu fiquei em choque. Virei o resto da bebida, sentindo meu rosto afoguear. Não era possível. Aquilo devia ser pegadinha. Nunca nada na minha vida amorosa dava certo. Essa história de se apaixonar pelo amigo era a maior furada da história e todo mundo sabe.

– Você não vai falar nada?

Minha vontade era de sair correndo, mas aguentei firme. Eu ia ter que ser corajosa. Nunca tinha me declarado para alguém que me correspondia, sempre dizia que gostava de alguém já no aguardo da rejeição, estava perdida.

– A Leo trouxe um coraçõezinhos de papel. Pra gente escrever o nome de quem quer esquecer e jogar na fogueira. – Eu tirei do bolso do moletom o coraçãozinho dobrado com o nome dele, e o abri. – Eu escrevi o seu. Porque eu tô apaixonada por você. Faz tempo.

O silêncio pesou entre nós dois. Ele ficou olhando do papel para o meu rosto, com os olhos arregalados. Eu estava juntando cada fibra do meu corpo num esforço para não. sair. correndo.

– A… Apaixonada?

Fiz um careta. Não queria ter usado essa palavra assim, logo de cara. Mas saiu. Além do mais, não era mentira. Dei de ombros.

– É.

Ele se aproximou de mim, e os gestos pareciam acontecer em câmera lenta. Acariciou as maçãs do meu rosto com as mãos, e eu estremeci com o toque, fechando os olhos. Tinha repassado tantas vezes nosso primeiro beijo na minha cabeça, me entristecido de pensar que nunca mais ia acontecer de novo, e ali estava ele, colando os lábios nos meus outra vez.

É um clichê dizer que quando a gente beija alguém que gosta de verdade é diferente, mas é a mais pura verdade. Colei minhas mãos na nuca dele, sentindo minha pele correr em arrepios quando a sua língua invadiu minha boca. O beijo pareceu durar horas, parecia que tínhamos nos transportado dali, os gritos e risadas da festa pararam de chegar aos meus ouvidos. Quando terminou, ele deu um beijinho na ponta do meu nariz e me sorriu de um jeito que eu achei que fosse cair dura ali mesmo.

– Eu também.

***

A gente mal conseguia se beijar durante a festa, de tanto que estávamos sorrindo. Ao fim, fomos para a minha casa, aos atropelos. Quando cheguei no quarto, me deparei com o computador e os livros em cima da escrivaninha, e o meu mau-humor do dia todo. Como pode uma pessoa mudar tanto de estado de espírito em tão pouco tempo?

A gente se largou na cama, e minha cabeça estava girando. Estava acontecendo, estava acontecendo, a gente ia transar, depois de tanto tempo pensando, querendo, fantasiando.

Os nossos beijinhos foram lentamente se tornando beijos profundos e lentos. Difícil passar da tensão inicial, difícil ir de amigos ao tesão assim, mas ele foi deixando de ser o meu e foi passando a ser um homem delicioso que me torturava com beijos intensos.

Ele prendeu minhas mãos na cama, invadindo minha boca de novo. Depois, segurou meus cabelos com força, mordendo meu queixo. Uma mão levemente hesitante apertou meu peito por cima de toda a roupa, eu dei um gemidinho baixo. Senti ele se esfregando em mim e de repente não tinha mais constrangimento, só desejo. Fomos nos livrando das roupas da maneira mais afoita possível, meses e meses de tensão finalmente explodindo.

Quando eu vi estava só de calcinha e ele só de cueca. A sensação da pele dele grudada na minha era indescritível, sentir o contorno dos braços dele contra as palmas das minhas mãos, meu corpo inteiro pulsando com a cada investida tímida dos quadris dele contra os meus.

– Espera. Preciso muito fazer um negócio. – Eu pedi com a voz engrolada de álcool e paixão. Desci pelo corpo dele, entoxicada com o cheiro da pele macia, tantas vezes quase perdi o juízo quando ele me abraçava e eu sentia o seu cheiro e agora ele estava ali, todo meu, era quase impossível de acreditar…

Me ajoelhei na cama, descendo sua cueca com cuidado, beijando a pele abaixo do seu umbigo. Falamos de sexo tantas vezes, por horas, detalhando um para o outro nossas fantasias, o que mais nos agradava na cama, em conversas que me torturavam a imaginação, era quase como se a gente já soubesse tudo que o outro queria.

O provoquei por muito tempo, até que finalmente tomei a sua glande entre os lábio e iniciei um boquete bem lento. Eu estava com tanta vontade fazer aquilo há tanto tempo, só a ideia estava fazendo com que ondinhas de excitação me percorressem o corpo inteiro. Ele gemeu alto, segurou meus cabelos, respondeu, e eu não podia acreditar. Ele era ainda mais sexy quando estava assim, nu e excitado, e sob o meu comando e ainda por cima, disse que era meu.

Ele me puxou pelos quadris, me fazendo ficar de quatro por cima dele, e meu coração parou quando ele me segurou com força, e puxou minha calcinha para o lado.

– Você não tem noção do tanto que você é gostosa.

Suspendi minha respiração quando senti sua língua passeando pela extensão da minha vulva, espalhando beijinhos. Tive que me segurar para não desmontar na cama, a excitação deixando minha cabeça totalmente enevoada. O tomei na boca outra vez, sentindo que ele me abria com os lábios, me deixando totalmente molhada, inchada de desejo. Continuava a me segurar firme pelo quadril, gemendo baixinho enquanto me chupava e ficou muito difícil manter a técnica. Passei a sugá-lo sem perícia, indo mais fundo que dava, minha vontade era de engolir ele inteiro, ter ele por dentro até me preencher inteirinha.

Até que parei com um estalo, gemendo bem alto quando ele sugou o meu clitóris de levinho.

– Por favor. – Eu supliquei, meu quadril se movimentando em espasmos involuntários. Ele gemeu com o pedido, me puxando para cima. Alcancei uma camisinha no criado, e ele a colocou com gestos impacientes, deitando o corpo sobre o meu. Eu segurei as suas costas, insistente, querendo tê-lo logo de uma vez dentro de mim, mas ele passou a ponta do indicador pela minha vulva supersensível. Eu gemi alto de novo, supliquei de novo, e ele me penetrou com dois dedos, estudando minhas reações com uma fome no olhar que seria capaz de fazer qualquer um se sentir sem ar.

– Nossa, eu quero muito. – Ele confessou num tom de voz pecaminoso, movimentando os dedos dentro de mim.

– Então vem logo. – Eu reclamei impaciente, e ele sorriu, posicionando o corpo entre as minhas pernas. Mas me torturou ainda mais, esfregando a glande contra mim, pressionando-a contra a minha entrada sem me penetrar, até que eu estava arfante, puxando os cabelos dele, levantando os quadris do colchão.

Quando ele finalmente entrou dentro de mim parecia que tinha entrado dentro do meu corpo inteiro. Podia senti-lo me atravessando, todos os nervos do meu corpo interligados. Não conseguíamos parar de nos beijar, eu gemia na sua boca, lambia seus lábios, o abraçava, me esfregava dele. É um clichê enorme, mas realmente sexo estando apaixonado é uma experiência completamente diferente, e para mim já fazia tempo demais desde a última vez.

Eu queria que a nossa primeira transa tivesse durado horas, mas o tesão acumulado, a adrenalina, o nervosismo, tudo viraram uma coisa só. Não consegui me segurar, a sensação dos olhos dele nos meus enquanto ele entrava dentro de mim gemendo alto era intensa demais. Ele segurou minha pernas, juntando-as para que eu ficasse ainda mais apertada, e me olhou de um jeito tão primitivo e safado que foi a gota d’água. Eu chamei o seu nome, balbuciando afoita que ia gozar.

– Goza bem alto então. – Veio a resposta, num tom de voz que até então eu desconhecia. O meu corpo obedeceu ao comando antes mesmo que minha mente pudesse registrá-lo. Eu gritei, gritei tão alto que senti minha garganta reclamar, me contraindo e pulsando ao redor dele.

Não demorou e ele segurou meus cabelos com força, mordendo o lóbulo da minha orelha e gemendo no meu ouvido também, os movimentos erráticos e imprecisos.

Uma onda do melhor cansaço do mundo me invadiu imediatamente após. Ele me abraçou, beijando a ponta do meu nariz com ternura outra vez e eu fui tomada por uma sensação de felicidade que há muito tempo não experimentava.

– Feliz dia dos namorados. -Eu murmurei sorrindo, olhando a lua ainda muito cheia e brilhante lá fora. Ele riu.

– Jesus, somos um clichê. – Depois alcançou o coração no criado mudo. – Eu vou guardar isso aqui como lembrança desse dia. – Foi minha vez de gargalhar.

– Que pena que nossa primeira transa foi tão rápida. – Eu disse, os olhos fechando de sono.

– A gente vai ter muito tempo pra praticar. Eu não pretendo ir pra lugar nenhum tão cedo.

Mais um conto publicado na plataforma Jmamuse!

Opa, gente! É com o maior prazer que eu venho contar pra vocês que mais um continho meu foi publicado em uma das minhas plataformas eróticas preferidas, a Jmamuse! Desta vez, em português! Corram lá para reler este que foi o primeiro conto publicado aqui no blog, e aproveitem para conferir o conteúdo que eles oferecem que voces nao vao se arrepender 😀

 

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência

couple-kiss-love-party-Favim.com-121110
Fonte

Passei cambaleando de levinho de volta ao salão, levando um susto quando o grupo sentado na mesa irrompeu em mais urros por causa do pôquer, jenga, ou sei lá que raios estavam jogando. Será que esse povo não cala a boca nunca? É como eu sempre digo, se as pessoas pudessem ouvir meu monólogo interno, eu não teria mais amigos.

Você está lá, sentado no sofá como te deixei, mastigando a bendita correntinha de novo. Que fixação oral essa sua hein, sorte minha. Já devia ter aprendido que essa história de beber sentado é perigosa, meu equilíbrio rateando. Foram vários shots, e infelizmente preciso admitir que você é mais resistente a álcool do que eu, de modo que meu cérebro já está enevoado e meus nervos pulsando um pouquinho mais do que deveriam com cada sensação.

A coisa é que você tem essa aura que me deixa irracional, e dá vontade de provocar só pra ver até onde você aguenta, até porque eu sei (e adoro) que o pavio é curto, então eu chego e me sento logo no seu colo porque a essa altura já está todo mundo bêbado mesmo e ninguém vai ligar. Você levanta as sobrancelhas que parecem ter vida própria de tão expressivas, e logo se alarga num sorriso que deixa a mostra todos os dentinhos muito brancos e retos, e eu juro, é K.O., sem chance de recuperação.

Você me enlaça pela cintura, os dedos dando a volta em mim inteira, e eu me inclino para te beijar. Você foge do beijo, a boca crispando e deixando o sorriso safado. Eu tento de novo, porque estou bêbada demais para sutilezas a essa altura. Você segura os dois lados do meu rosto, a expressão fica séria enquanto me encara com um olhar que parece que está derretendo até os meus ossos.

Quando a gente finalmente se beija, é aquela mistura de sensações que eu fico tentando encontrar uma descrição entre todas as minhas metáforas chiques. Cada segundo do seu beijo é como uma armadilha, você sabe exatamente como dar o próximo passo pra me deixar querendo sempre mais, minhas mãos apertando seus ombros porque se eu já não estivesse sentada provavelmente ia ter escorrido para o chão.

Os seus braços me seguram firme na cintura, e quando o beijo se parte você passa o dedão pelo meu lábio inferior antes de mordê-lo, e talvez as coisas fossem mais fáceis se você não fosse tão, tão venenosamente sexy, se o seu beijo não fosse tão aterrador, se o sorriso não fosse tão lindo, mas enfim, de que adianta tentar resistir numa batalha que eu já perdi.

Pressiono o meu corpo contra o seu, sua boca encontrando a alcinha da minha blusa para descê-la com os dentes, a língua contornando os traços da minha tatuagem no ombro. Estou toda arrepiada, tremendo no seu colo, e nessas horas é uma delícia ser assim em tamanho de bolso, dá a impressão que você consegue me tocar no corpo inteiro com as duas mãos, e que delícia é ficar com alguém que dá conta do recado, para variar.
Eu tensiono quando você segura meus cabelos altura na nuca, puxando com força para acessar a pele do meu pescoço. Um gemidinho involuntário escapa do fundo da minha garganta, sinto minha razão esvaindo com o tanto que eu te quero.

Deslizo o rosto pelos seus ombros, intoxicada com o cheiro do seu perfume, e olha que eu nem nunca gostei de perfume, subindo os lábios com beijinhos ébrios pela pele do seu pescoço.

– Não. – Você me segura pelos cabelos de novo. – Nada disso. É a regra, lembra?

Eu dou um miado de desaprovação.

– Ai mas que coisa, você é cheio de regras.

– Não pode. Se não eu não aguento, capaz de te comer aqui mesmo.

Porra, você não colabora com meu estado mental. Eu arranho a pele dos seus braços, grudando seu corpo no meu. Uma ideia doida se forma na minha cabeça, e eu já me animo, porque já diria minha melhor amiga, eu adoro péssimas ideias.

– Vem aqui comigo.

– Onde? – Céus, o sorriso de novo.

– No banheiro. Quer dizer. Eu vou primeiro, depois você vai. Ninguém vai notar.
Seus olhinhos castanhos brilham; não de medo, de intimidação, mas de antecipação. Nem uma hesitação, nem uma pergunta, nem um “pera-lá-você-é-louca-vamos-com-calma”.

– Tá bom. Dou um minuto e vou.

Meu deus, que resposta perfeita, que delícia de homem, em todos os sentidos. Delícia de beijo, delícia de corpo, delícia de risada, delícia de companhia.

Dessa vez eu devo ter perdido a noção, devo ter perdido o juízo de vez.

Quando a gente tranca a porta do banheiro, o mundo lá fora deixa de existir. A primeira coisa que eu faço é ir com a boca direto no seu pescoço, porque não gosto que me digam não. Finco os dentes, sugo, te marco, até que você segura meu rosto pelo queixo, olhando para mim com aquela expressão muito séria que eu aprendi a reconhecer como máxima excitação. Seu olhar é predatório, e eu sinto meu corpo tensionar com uma onda muito clara de tesão, mordendo o lábio inferior.

– Não. – Você torna a falar. – Não pode fazer isso. Não aguento. – Você puxa meu lábio para baixo com o dedão. Eu aproveito a oportunidade e deslizo meus lábios por ele, sugando, olhando nos seus olhos para te provar que não estou aqui pra brincadeira. Sua expressão se torna séria de novo. – Te odeio.

– Odeia nada.

Ajoelho na sua frente, desabotoando o cinto, te olhando e te desafiando a me mandar parar dessa vez. Só que você só se apoia na pia, uma mão encontrando a minha nuca.

Provocaria se a gente tivesse tempo, mas como é óbvio que não vai demorar para alguém ter que usar o banheiro com a quantidade de álcool sendo consumida, eu desço a calça jeans apertada e a cueca, e tomo o seu pau na boca.

Já me disseram que eu sou boa nisso, mas com você eu tenho certeza, porque na verdade eu poderia ficar horas te chupando. Vou o mais fundo que consigo, e você me empurra só um pouquinho. Adoro que você é gentil comigo sempre exceto nos momentos que não pedem gentileza, não me trata como se eu fosse quebrar.

O boquete é meio afoito e apressado, não tinha como ser de outro jeito. Até que você me segura de novo pelos cabelos (ok, vou precisar de uma hora pra desembaraçar todos os nós de novo) segurando seu pau pela base e deslizando pela minha boca e queixo. O ritmo desacelera, a conexão do nosso olhar tão intensa que é elétrica.

É como dizem, não existe nada mais sexy do que se sentir desejada.

Alguém bate na porta e nós dois nos sobressaltamos. Lembro de onde estou, de repente se dissolve a bolha em que a gente estava. Rimos de levinho.

– Já vai! – Eu me levanto, te masturbando de levinho enquanto a gente se beija. Você passa a língua pela minha boca, com um sorriso safado. – Vai ter que ficar pra depois.

Você arfa, sacudindo a cabeça.

– Você tá acabando comigo.

***
Nem lembro direito como passamos o resto da noite. Foi tudo um borrão. Acabamos durando muito na festa, os dois cheios de energia. Dançamos, bebemos, nos beijamos e esfregamos no sofá, nas paredes, na pista de dança, até deixarmos todo mundo com inveja da vontade que estávamos um do outro.

Entramos no quarto cambaleando, deixando as garrafas de cerveja quase vazias na mesinha. Eu tentei ir me apressando para a cama, mas você me puxou de volta pelo quadril, prendendo meus pulsos na porta, e me invadindo com mais um dos seus beijos.

Tento me soltar só pra te testar mesmo, e você me segura com mais força, mordendo meus lábios inchados. Depois, me pega no colo com facilidade para me levar para cama, só que acaba batendo com a cabeça no lustre no meio do caminho.

– De novo??

– Aff, eu vou arrancar esse negócio daqui amanhã.

– É você que é alto demais. – Caímos na cama e eu subo em cima de você, tentando arrancar sua blusa, enchendo seu rosto e pescoço de beijinhos. Nem estou me reconhecendo, nem sei que feitiço é esse que você colocou em mim, que eu ando avoada com a cabeça nas nuvens, como pode ser tão intenso e tão rápido, como foi acontecer isso agora, agora que eu finalmente me livrei da âncora que arrastava no pé pelos últimos dois anos, só pra cair direto na sua rede.

Você me joga de volta na cama, colocando o corpo sobre mim, as roupas sendo arrancadas com violência até os dois estarem nus, e o ritmo arrefecer novamente. Suas mãos apertam minha cintura, seu corpo ardendo em febre sobre o meu.

– Você é tão pequenininha. – O comentário sai sofrido. – Me deixa maluco. – Deixo escapar um gemido baixinho, e você se deita novamente, me puxando para o lado, uma mão descendo para a parte interna da minha coxa.

– Não, espera. – Eu faço menção de tirar a sua mão, e te explicar que sou sensível e complicada de agradar, e vai demorar até você saber fazer do jeito certo, e vamos deixar isso pra depois quando a gente se conhecer melhor, pra que perder tempo agora.

– Devagar, eu sei. Eu sei fazer, confia em mim.

Eu suspiro, relaxando, mas na verdade totalmente cética. Me preparo para ter que tirar sua mão dali logo, só que seus dedos deslizam por mim com a precisão exata, sem forçar.

Meus olhos se arregalam e eu solto um suspiro de surpresa.

O toque é perfeito, eu fico sem ar, afundando na cama, sentindo minha pele grudar de suor. O quarto está escuro, minha respiração está rasa, e eu me seguro nos lençóis. Abro as pernas involuntariamente, meus pensamentos dando um dó, nem quando eu me toco é bom desse jeito. Estou trêmula, sinto que vou explodir em mil pedacinhos a cada vez que você desliza os dedos por mim, a minha pele parecendo a ponto de desgrudar do meu corpo.

– Viu? – Você diz, a boca muito perto da minha. – Eu aprendi.

– Você aprendeu. – Eu confirmo com um sorriso meio tonto, gemendo logo em seguida.

– Eu sei como você gosta. Eu já te conheço.

Perco a noção do tempo, deixando você fazer mágica com as pontinhas dos dedos, gemendo alto no seu ouvido. Não sei se quero que você pare logo e se enfie de uma vez dentro de mim, ou se quero que você continue pra sempre, perdi completamente a capacidade de articular qualquer raciocínio.

– Eu… Ah! – Balbucio, tentando encontrar alguma coisa que faça sentido, porque eu quero que você saiba exatamente o que você está fazendo comigo. – É tão bom. – A frase sai num fio de voz. Você me beija de novo, terminando com daqueles beijinhos na pontinha do meu nariz, um sorriso orgulhoso e satisfeito nos lábios.

– Você está tão molhada. – E com este comentário você introduz um dedo em mim, depois o outro, apertando devagar contra o meu ponto G. Minha mão encontra o seu pau outra vez, apertando numa punheta descoordenada. Acho que perdi o controle dos meus braços.

Alcanço uma camisinha no criado-mudo, você me deixa virar para o lado, me segura firme pelos quadris, me penetrando daquele jeito impetuoso, sussurrando sacanagens engroladas no seu sotaque ao pé do meu ouvido.

Uma mão puxa meu cabelo com força na base da nuca, a outra me acerta um tapa forte na bunda, e eu peço mais, peço mais forte, quero estar toda dolorida e marcada amanhã. Cada vez que a gente transa supera a anterior, você parece um polvo se desdobrando para estimular meu corpo inteiro, a sensação de ter por dentro me fazendo ver estrelinhas.

Varamos a noite, sem conseguir parar, nos beijando e lambendo e chupando e tocando. Fomos dormir já ao amanhecer, vencidos pelo cansaço. Meu corpo estava doído, parecendo um trapo, quando você me puxou pra perto, me fez deitar no seu peito.

Abri os olhos e vi a rosa que você me deu no criado-mundo, a rosa que tinha me feito te notar, que tinha começado toda aquela loucura. Ela tinha desabrochado na água, estava vistosa e vermelha, e eu me perguntei meio grogue, se ela ia durar muito mais tempo antes de murchar.

 

Meus 12 contos com os 12 signos disponíveis em inglês na plataforma Jmamuse!

Oi, gente, tudo bem com todos? Quem está lembrado da minha série de 12 contos eróticos com os 12 signos do zodíaco que publiquei aqui no blog ano passado? Pois é, já faz um tempo que meus amigos aqui a gringa me pedem para ler, mas como eles estavam disponíveis só em português, acabavam não podendo.

Para o dia dos namorados por aqui, dia 14 de fevereiro, corri para conseguir traduzir tudo para o inglês e estou super honrada de vê-lo publicados no blog do Jmamuse, uma plataforma de arte erótica com uma curadoria incrível.

Então é isso! Dá uma passada lá, veja o que a Jmamuse tem para oferecer, e quem sabe, mande o link dos contos praquele @ gringo que você está cortejando no Tinder/WhatsApp/Instagram 😉

O link está aqui!