Quem tem medo de educação sexual?

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Nunca vou esquecer a primeira aula de educação sexual que eu tive. Tinha dez anos de idade, estava na quarta série. Numa aula de ciências, em que o currículo programático nos mandava estudar sobre os sistemas do corpo humano, finalmente chegamos ao sistema reprodutor.

Estávamos todos na sala muito empolgados e curiosos, muito mais do que jamais estivemos para conhecer nossos órgãos. Aturando muitas piadinhas e risadinhas, a professora nos conduziu pela matéria. Aprendemos quais eram e onde ficavam nossos órgãos reprodutores. Aprendemos como funciona a menstruação. Aprendemos como ocorre a fecundação de um óvulo.

Ao longo da minha adolescência, nos anos seguintes, aprofundamos os temas. Falamos de sexo seguro, de preservativos. Aprendemos sobre os sintomas de ISTs. Falamos de ciclo reprodutivo e métodos anticoncepcionais. Falamos sobre ginecologia, urologia e acompanhamento médico para a saúde sexual.

Minha educação sexual na escola me ofereceu o básico do básico, e muitas vezes deixou a desejar. Não foi no banco da escola que aprendemos sobre orientação sexual, sobre identidade de gênero e transsexualidade. Quem sabe isso teria evitado que um dos meus melhores amigos, gay, sofresse uma tentativa de espancamento de colegas no segundo ano do ensino médio? Mal e mal falamos de masturbação, e jamais ouvi dizer que era normal que mulheres também fizessem. Talvez isso teria evitado a culpa terrível que eu senti quando comecei a me masturbar. Nunca tocamos no assunto de consentimento. Quem sabe isso poderia ter evitado muitos estupros e assédios sofridos pelas minhas amigas e colegas ao longo dos anos?

Quando a gente queria uma informação mais picante recorria à Internet, às revistas como a Capricho, ou às amigas mais experientes. As informações sobre orgasmo, sobre sexo oral, sobre fantasias sexuais, tudo isso era tabu. Mas o básico do básico, para conhecer o meu corpo, eu aprendi na escola.

Ensinar educação sexual é ensinar sobre saúde

Muito triste ter que dizer uma coisa tão óbvia, mas conhecer como nosso corpo funciona é uma questão de saúde. Como cuidar bem de nós mesmos, ou saber quando há algo de errado, é essencial para que possamos viver vidas mais saudáveis. Por isso também temos aulas sobre como funcionam todos os sistemas do nosso corpo. Precisamos conhecer o funcionamento do sistema digestivo, do nosso aparelho respiratório, do nossos sistema nervoso.

Por que seria diferente com o sistema reprodutor?

A educação sexual oferece informações essenciais para que os jovens possam navegar a sua sexualidade com consciência sobre infecções sexualmente transmissíveis, métodos anticoncepcionais, e sua saúde em geral.

Estamos em 2018. Não é possível que vamos achar que jovens não fazem sexo, ou que se negarmos este tipo de informação, adolescentes vão entrar em abstinência sexual. A descoberta da sexualidade é uma parte natural da vida, e o sexo só é perigoso quando é feito sem informação. Conversar com seus filhos é fundamental para que as escolhas quanto ao sexo sejam conscientes e não traumáticas.

Eu fui perder minha virgindade depois dos vinte anos, enquanto outros colegas o fizeram aos quinze. Recebemos a mesma educação sexual, e isso não influenciou na nossa inicialização.

O desmonte não vem de agora

A educação sexual, bem como o progresso educacional, vem sofrendo ataques sistemáticos há alguns anos, provenientes da ingerência religiosa que quer promover a ignorância a todo custo em nosso país. Porém estamos agora diante do ataque mais flagrante à educação sexual de qualidade no Brasil.

O projeto intitulado Escola Sem Partido, que vem ganhando força com o levante conservador/religioso que vivemos no Brasil atualmente, propõe eliminar a educação sexual do currículo de ciências biológicas dos ensinos fundamental e médio. A justificativa se baseia numa paranoia que estes ensinamentos serviriam para “moldar o juízo moral” dos jovens.

Eu de verdade queria muito saber quem em sã consciência acredita que o interesse dos adolescentes por sexo vem da escola e não o contrário. Não é de agora que os jovens procuram saber todo o tipo de informação sobre o tema assim que começam a sentir as primeiras pontadas da puberdade. Sexo é uma parte natural da condição humana, e uma parte importante do nosso amadurecimento.

Existe abundância de informação de todo tipo sobre o sexo na Internet. Não sei como dizer isso sem ser direta: É ingenuidade acreditar que adolescentes não vão se informar sobre sexo se a escola não oferecer mais educação sexual. Estaremos apenas negando a parte mais técnica e chata da informação – justamente a mais importante para a nossa saúde.

Este é o pior momento para fazer isso

Aprender sobre educação sexual na escola é aprender sobre o funcionamento do nosso corpo e nossa saúde, mas é também levantar pontos importantes sobre o sexo que podem deixar nossa sociedade mais justa e segura. Este é o pior momento para negar aos jovens informações tão preciosas, por vários motivos.

Estamos vivendo epidemias de DSTs, principalmente entre os casais heterossexuais

O Brasil está passando por um aumento perigoso nos casos de diversas infecções sexualmente transmissíveis, que podem ser prevenidas com o uso de preservativo. Ano passado, o país sofreu uma epidemia de sífilis, doença que há muitos anos estava praticamente erradicada. Ademais, o HIV vem se espalhando entre os jovens de uma maneira silenciosa. Os casos dobraram em menos de dez anos, e entre os grupos de risco, estão as mulheres heterossexuais em relacionamentos estáveis (vítimas muitas vezes da infidelidades de seus parceiros “cidadãos de bem” e “defensores da família”).

Falar sobre o uso de preservativos, sobre como as DSTs são transmitidas, quais suas causas e consequências, e como preveni-las, é parte fundamental do currículo de educação sexual e uma informação essencial para qualquer jovem antes que a vida sexual se inicie. Estamos vivendo um momento crítico em relação a infecções que podem ser fatais, e negar este tipo de informação com toda certeza agrava – e muito – o quadro.

Estamos matando nossos LGBTs

Quer uma estatística deprimente? O Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo – um a cada 19 horas. São cidadãos, jovens, velhos, que trabalham, sonham, dão duro todos os dias. Sou eu. São os meus amigos. São os LGBTs na periferia que sofrem ainda mais discriminação e violência.

Sim, precisamos abordar orientação sexual nas escolas, porque é uma questão de humanidade. O Brasil tem um problema crônico e gravíssimo de homofobia, cujas raízes estão calcadas na ignorância a respeito do tema. Não venha me falar de religião. Todas as religiões, inclusive a cristã, pregam tolerância e amor ao próximo. LGBTs existem, são vulneráveis e estão sendo vítimas de violência, todos os dias. A sua religião aprova isso? Aposto que não.

Não existe curso para aprender a ser gay, minha gente. Quem dera os treze anos do governo do PT tivessem tanto a pauta LGBT em mente quanto a direita conservadora gosta de alardear. Se estamos a mercê de uma agenda gay, porque ainda somos o país mais perigoso NO MUNDO para um homossexual viver? Só podemos parar esta violência educando sobre orientação sexual, e estimulando uma sociedade igualitária e tolerante (não estamos mais na idade das trevas, estamos em 2018, vamos começar a agir de acordo, por favor).

Educação sexual é uma ferramenta de proteção para mulheres e crianças

Além das informações básicas sobre DSTs, e doenças como câncer de mama e de colo de útero, a educação sexual é fundamental para as mulheres. Nada menos que cinco mulheres morrem por dia no nosso país por questões relacionadas à gravidez. Em 2014, os abortos clandestinos levaram 200.000 brasileiras aos hospitais por complicações decorridas do procedimento.

Não vou discutir descriminalizar aborto aqui, isso pode ser assunto para outro post. Minha questão é, se somos totalmente contra a interrupção da gravidez não desejada, precisamos oferecer às mulheres a informação e as ferramentas adequadas para que ela possa prevenir que isso aconteça – isso inclui acesso à meios contraceptivos. Anticoncepcionais, preservativos, pílula do dia seguinte.

Mais do que garantir o acesso das mulheres a estes recursos, é fundamental que elas saibam usá-los corretamente. Somente uma educação sexual de qualidade pode garantir que as brasileiras tenham as informações corretas para viver sua sexualidade de maneira plena e segura.

Ou vocês vão me dizer que acreditam que a partir de agora todo mundo só vai transar pra se reproduzir?

Sem contar o número alarmante de abusos e estupros de crianças e adolescentes no Brasil, cuja maioria ainda acontece dentro de casa. Crianças, em sua maioria mulheres, são vítimas dos abusos de pais e padrastos, como no horrorizante caso recente do homem que estuprou a filha sistematicamente por dois anos, como compensação pelos gastos que tinha com ela com coisas como roupa e alimentação. Aprender o que é sexo na escola e saber diferenciar o que pode ser feito do que é abuso pode ser o que salva uma criança de uma situação dessas.

De maneira geral, não podemos confiar apenas que os pais passem informações sobre educação sexual para os filhos, simplesmente porque por mais bem intencionados ou informados que sejam, educação sexual é principalmente conhecimento científico.

Informar detalhadamente sobre o funcionamento do corpo, sobre infecções sexualmente transmissíveis e métodos anticoncepcionais deve ser dever de quem tem o conhecimento especializado na área. Não esperamos que os pais ensinem aos seus filhos sobre números complexos, sobre como resolver uma equação de saponificação, ou o funcionamento do sistema nervoso. Este conhecimento pode ser complementado em casa, mas é primeiramente dever da escola.

Estamos na contramão do mundo

Dar passos para trás em relação a educação sexual nas escolas é fazer justamente o contrário do que o resto das nações está fazendo, principalmente as mais desenvolvidas. Na Alemanha, onde eu moro, a educação sexual é obrigatória nas escolas, e não engloba apenas os aspectos biológicos do funcionamento do corpo humano, mas também questões de identidade de gênero, sexualidade e relacionamentos.

Numa decisão histórica, a Escócia, país onde vivi por um breve período, acaba de aprovar uma lei que torna obrigatório o ensino sobre a população LGBT+ nas escolas. O novo currículo contará com aulas sobre homofobia e a história dos movimentos sociais LGBT, protegendo e acolhendo alunos da comunidade desde cedo.

A própria UNESCO recomenda a educação sexual como parte do currículo escolar como maneira de garantir que os jovens tenham uma vida sexual segura e responsável, já que as pesquisas apontam que mais informações garantem uma relação mais sadia com o sexo, e não o contrário.

Negar informação é uma forma de oprimir

Do ponto de vista ético, temos o dever enquanto sociedade de dar aos nosso jovens as ferramentas necessárias para que eles entrem na vida adulta capazes de cuidarem de si mesmos. Olhando para as estatísticas atuais, fica claro que omitir informações preciosas neste caso é uma forma de violência, já que estamos negando aos nossos conhecimento que interfere em saúde física e psicológica.

Falando em especial do caso das mulheres, para mim está muito claro que a nossa sexualidade é uma das ferramentas mais utilizadas para a prática da opressão. A liberdade e autonomia femininas começam a ser restringidas em relação nosso corpo desde que somos crianças – somos vigiadas e cerceadas em relação a nossa aparência, como nos vestimos e comportamos e se espalha por todos os aspectos de nossas vidas – nossa sexualidade é associada ao nosso caráter e pode impactar nossas escolhas profissionais, de relacionamento e na maternidade.

Para mim garantir mais liberdade para as mulheres passa necessariamente pela libertação sexual. Devolver para as mulheres sua autonomia sexual é um ato de empoderamento real, porque para além de podermos fazer o que quisermos, retiramos da mão do opressor uma das suas principais armas para nos controlar.

Basicamente, para exemplificar, numa sociedade em que o caráter de uma mulher não está associado ao que ela veste, uma saia curta não pode ser uma justificativa aceitável para um estupro. Numa sociedade em que a maternidade não é vista como punição à mulher pelo ato sexual, os pais precisam assumir seus deveres paternos com responsabilidade e diligência.

A quem serve este salto para trás?

Bom, se a educação sexual é uma fonte de saúde física e mental, a quem interessaria retirar este direito dos nossos jovens? Pessoalmente eu concordo com a ideia de que o que testemunhamos no Brasil hoje é um levante da masculinidade tóxica. Homens que cresceram acreditando que merecem glória e afeto por terem nascido homens e sentem ameaçados e cerceados com a possibilidade de mais igualdade, e querem reafirmar sua relevância dentro da sociedade resgatando valores antigos de uma época em que eles se sentiam mais respeitados e valorizados – mesmo que às custas da opressão de outrem.

No fim, os homens sempre gozaram de mais liberdade sexual e como consequência tiveram mais acesso à informação sobre o tema. Para um homem falar sobre sexo, masturbação, fantasias sexuais, é um sinal de virilidade. Meninos são encorajados a iniciarem a sua vida sexual cedo, e o sexo é considerado coisa de homem, algo que os meninos devem ouvir e falar sobre como uma parte do processo de amadurecimento.

Portanto fica claro que o retrocesso serve apenas para uma parte da população. Não estamos negando conhecimento a todos – estamos negando conhecimento principalmente a mulheres, crianças, e LGBTs. Com isso, quem continua ditando as regras da sexualidade no Brasil são os homens – e o sexo continua a servir como algo que existe apenas para satisfazê-los.

A parte mais cruel disso tudo é que estamos negando proteção básica e saúde a quem mais precisa. São justamente as mulheres, os homossexuais e transsexuais e as crianças os grupos mais vulneráveis e mais propensos a sofrer com abusos, doenças sexualmente transmissíveis e gestações indesejadas.

Para mim, usar religião para justificar um retrocesso dessas proporções, num país cuja população já sofre com as consequências de educação sexual inadequada, é imoral. Educação sexual só assusta quem tem a ganhar mantendo nossos jovens no escuro e em risco. E quem não depende somente da escola para se informar e se proteger.

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Vlog – Dúvidas e mitos sobre HPV

Você já ouviu falar bastante sobre o assunto, talvez você já tenha sido diagnosticada com ela, mas ninguém senta para mandar a real sobre HPV. Como se transmite, como se previne, como se transmite a vacina? Bom, eu vim aqui responder.

Precisamos falar sobre camisinha

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Fonte: Getty Images

Pois é, gente. No encalço do dia internacional de luta contra a AIDS, primeiro de dezembro, vamos falar sobre essa coisinha de plástico que foi criada pra que a gente pudesse transar por aí sem ter que lidar com gravidez indesejada nem doenças sexualmente transmissíveis.

Primeiro, alguns dados que por mais que sejam repetidos vezes e vezes, parecem que não entram na cabeça da galera: Em 2014 um estudo revelou que os casos de infecção por HIV no Brasil aumentou 50% em seis anos. Sim, você leu direito. CINQUENTA POR CENTO.  

Isso sem contar outras doenças sexualmente transmissíveis. A cada ano, mais de um milhão de pessoas contraem gonorreia. Os casos de herpes genital ultrapassam 600.000. Sem falar na atual epidemia de sífilis que está acontecendo no país, cuja principal causa é justamente a falta de uso do preservativo.

Cruzo esses dados estatísticos com a minha vivência pessoal e a de muitas amigas e eu começo a ver um padrão muito preocupante. Muitos homens não fazem questão ou mesmo se recusam a usar camisinha na hora do sexo. As desculpas são muitas. Já ouvi muitos relatos de homens que não conseguem manter uma ereção com camisinha, ou que pedem pra começar sem, ou a clássica, “não dá pra sentir nada, é como chupar bala com papel”. Inúmeras vezes aconteceu comigo de eu pegar a camisinha e o sujeito me perguntar, “ué, mas você não toma pílula?”

Eu me pergunto, será que os homens acham que são imunes aos riscos do sexo inseguro?

Sinceramente, está difícil de entender vocês, rapazes. Primeiro e óbvio que você não me conhece direito, nem sabe sobre a minha saúde. Então pra que se colocar em risco desse jeito? Outra que, em uma one night stand, como é que você vai saber se eu tomo a pílula regularmente? Você confia cegamente nisso o suficiente para não se preocupar nem um pouco com uma gravidez indesejada?

É fato estatístico que os homens morrem mais cedo e vão menos ao médico. E quando eu ouço e vivo este tipo de coisa, ainda fico abismada com a displicência com a qual muitos homens tratam a saúde e o bem-estar. Próprio e dos outros ao seu redor. É fato que muitas mulher também não gostam e se recusam a usar camisinha. É fato também que ser soropositivo não é sentença, e os tratamentos de hoje garantem qualidade de vida para os portadores de HIV. Mas o tratamento é para a vida inteira, e uma coisa tão simples quanto camisinha pode prevenir. De novo, pra que arriscar?

Não quero mentir e ser moralista, e dizer que nunca escapei e transei sem camisinha, porque não é verdade. Já dei minhas escorregadas sim, mas acho que isso não é exemplo pra ninguém. Principalmente nos momentos em que não tenho parceiro fixo, sempre levo a camisinha na bolsa. Agora, o que é impressionante é em 90% dos casos, sou eu quem toca no assunto, ou pega a camisinha.

A impressão que dá é que se eu não falasse nada, rolaria sem. A minoria dos caras com quem eu transei tomou a iniciativa de colocar a camisinha. Quando converso com as minhas amigas sobre o assunto, escuto a mesma coisa. Sem contar as vezes que eu fui pressionada a não usar, culminando numa vez que eu me recusei incisivamente a transar sem camisinha com um cara que estava insistindo muito que “não tinha nada”, e tive que escutar um “ah, então você é uma dessas mulheres egoístas?”.  Respondi que era sim, peguei minhas coisas e fui embora.

Claro que este sujeito foi o ápice, mas essa sensação de que você está sendo “chata” quando pede para o cara encapar o menino é frequente. Eu só queria entender, porque na minha cabeça, é uma coisa mútua. Eu estou me protegendo e te protegendo. Deveria ser natural para os homens também quererem se preservar, mas parece que não é com eles.

Uma vez tive uma conversa séria com um peguete sobre isso, e ele me disse que tinha dificuldade que manter a ereção com a camisinha, e que ele achava que isso prejudicava muito a performance. Ele até me mostrou pesquisas que estão sendo feitas para criar preservativos mais ergonômicos e modernos, para substituir os que temos agora.

Eu acho que é muito bom que a gente possa ter em breve camisinhas mais confortáveis, mas não dá pra esperar esse dia e ter sexo desprotegido até lá. Ah, e mais uma coisa. Não existe isso de “camisinha pequena demais para o meu pau”, tá? Aqui está uma foto de uma cantora que colocou uma camisinha até o joelho para provar que não existe. Se o seu pinto é maior do que isso, você precisa ser estudado pela ciência. Estamos combinados?

Um momento de prazer não vale o risco

Pessoalmente, eu também prefiro transar sem camisinha. Eu também acho mais gostoso. Mas eu acho que precisa entrar na cabeça dos caras que não dá pra fazer sem quando você acabou de conhecer a pessoa. Tem que ser automático na cabeça das pessoas, sexo = preservativo. Se quiser fazer sem, podemos fazer os exames e aí começamos.

O que nos leva a outro assunto. Uma em cada cinco pessoas contaminadas pelo vírus HIV não sabe. Lembrando que quando a AIDS não está sendo tratada é que o risco de transmissão é maior. Estou acostumada a fazer os exames de sangue para DSTs anualmente, junto com o papanicolau, o ultrassom, etc. Acho que como nós mulheres já estamos acostumadas a cuidar da nossa saúde sexual, fica mais natural incorporar na rotina.

Agora, para os homens, que já vão menos ao médico, parece que fazer este tipo de exame é raridade. O ex namorado de uma amiga recebeu a notícia que uma menina com quem saiu um tempo era soropositiva. Minha amiga insistiu para que ele fosse fazer o exame, já que eles estavam transando sem preservativo, e ele ia deixando sempre para amanhã, como se não fosse problema dele. No fim, ela foi se consultar primeiro, para saber o resultado.

No meu último relacionamento, eu tinha acabado de fazer todos os meus exames quando começamos a namorar. Usávamos camisinha, e pedi para que ele também fizesse os testes pra gente poder transar sem. Adivinha quem enrolou e adiou? Transamos sem camisinha, com a promessa de que ele faria os exames logo, mas no fim, eu que tive que refazer os exames.

Eu acho que eu nem deveria ter que pedir uma coisa dessas duas vezes, é o mínimo de consideração e respeito com alguém com quem você se importa. Mas eu ouço esse tipo de história o tempo todo. Os meninos não querem ir fazer o teste. Lembrando que o exame é feito gratuitamente pelo SUS e o resultado sai na hora. É fácil e rápido. Não tem desculpa, gente. Não tem.

Detesto ter que dar essa bronca sobre uma coisa que deveria ser óbvia, mas aparentemente é necessário. E de novo: Sei que muitas meninas também não gostam e se recusam a usar camisinha, mas o meu papo hoje é com os meninos. Sexo é uma delícia, e não deve ser motivo para transtorno e tristeza.

Se cuidar e se prevenir é algo que você deve fazer por você, pela sua saúde. E também pelas pessoas com quem você se relaciona. As que você vai namorar e as que você vai passar só uma noite. Sexo é troca, e requer cuidado mútuo.

Então vamos usar camisinha. De morango, de limão, de uva, que esquenta, que esfria, com ranhuras, extragrande, que brilha no escuro, que vibra. Mas vamos usar. Da próxima vez que você ver um comercial de camisinha na TV, saiba: É pra você. Eles estão falando com você.