Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência

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Passei cambaleando de levinho de volta ao salão, levando um susto quando o grupo sentado na mesa irrompeu em mais urros por causa do pôquer, jenga, ou sei lá que raios estavam jogando. Será que esse povo não cala a boca nunca? É como eu sempre digo, se as pessoas pudessem ouvir meu monólogo interno, eu não teria mais amigos.

Você está lá, sentado no sofá como te deixei, mastigando a bendita correntinha de novo. Que fixação oral essa sua hein, sorte minha. Já devia ter aprendido que essa história de beber sentado é perigosa, meu equilíbrio rateando. Foram vários shots, e infelizmente preciso admitir que você é mais resistente a álcool do que eu, de modo que meu cérebro já está enevoado e meus nervos pulsando um pouquinho mais do que deveriam com cada sensação.

A coisa é que você tem essa aura que me deixa irracional, e dá vontade de provocar só pra ver até onde você aguenta, até porque eu sei (e adoro) que o pavio é curto, então eu chego e me sento logo no seu colo porque a essa altura já está todo mundo bêbado mesmo e ninguém vai ligar. Você levanta as sobrancelhas que parecem ter vida própria de tão expressivas, e logo se alarga num sorriso que deixa a mostra todos os dentinhos muito brancos e retos, e eu juro, é K.O., sem chance de recuperação.

Você me enlaça pela cintura, os dedos dando a volta em mim inteira, e eu me inclino para te beijar. Você foge do beijo, a boca crispando e deixando o sorriso safado. Eu tento de novo, porque estou bêbada demais para sutilezas a essa altura. Você segura os dois lados do meu rosto, a expressão fica séria enquanto me encara com um olhar que parece que está derretendo até os meus ossos.

Quando a gente finalmente se beija, é aquela mistura de sensações que eu fico tentando encontrar uma descrição entre todas as minhas metáforas chiques. Cada segundo do seu beijo é como uma armadilha, você sabe exatamente como dar o próximo passo pra me deixar querendo sempre mais, minhas mãos apertando seus ombros porque se eu já não estivesse sentada provavelmente ia ter escorrido para o chão.

Os seus braços me seguram firme na cintura, e quando o beijo se parte você passa o dedão pelo meu lábio inferior antes de mordê-lo, e talvez as coisas fossem mais fáceis se você não fosse tão, tão venenosamente sexy, se o seu beijo não fosse tão aterrador, se o sorriso não fosse tão lindo, mas enfim, de que adianta tentar resistir numa batalha que eu já perdi.

Pressiono o meu corpo contra o seu, sua boca encontrando a alcinha da minha blusa para descê-la com os dentes, a língua contornando os traços da minha tatuagem no ombro. Estou toda arrepiada, tremendo no seu colo, e nessas horas é uma delícia ser assim em tamanho de bolso, dá a impressão que você consegue me tocar no corpo inteiro com as duas mãos, e que delícia é ficar com alguém que dá conta do recado, para variar.
Eu tensiono quando você segura meus cabelos altura na nuca, puxando com força para acessar a pele do meu pescoço. Um gemidinho involuntário escapa do fundo da minha garganta, sinto minha razão esvaindo com o tanto que eu te quero.

Deslizo o rosto pelos seus ombros, intoxicada com o cheiro do seu perfume, e olha que eu nem nunca gostei de perfume, subindo os lábios com beijinhos ébrios pela pele do seu pescoço.

– Não. – Você me segura pelos cabelos de novo. – Nada disso. É a regra, lembra?

Eu dou um miado de desaprovação.

– Ai mas que coisa, você é cheio de regras.

– Não pode. Se não eu não aguento, capaz de te comer aqui mesmo.

Porra, você não colabora com meu estado mental. Eu arranho a pele dos seus braços, grudando seu corpo no meu. Uma ideia doida se forma na minha cabeça, e eu já me animo, porque já diria minha melhor amiga, eu adoro péssimas ideias.

– Vem aqui comigo.

– Onde? – Céus, o sorriso de novo.

– No banheiro. Quer dizer. Eu vou primeiro, depois você vai. Ninguém vai notar.
Seus olhinhos castanhos brilham; não de medo, de intimidação, mas de antecipação. Nem uma hesitação, nem uma pergunta, nem um “pera-lá-você-é-louca-vamos-com-calma”.

– Tá bom. Dou um minuto e vou.

Meu deus, que resposta perfeita, que delícia de homem, em todos os sentidos. Delícia de beijo, delícia de corpo, delícia de risada, delícia de companhia.

Dessa vez eu devo ter perdido a noção, devo ter perdido o juízo de vez.

Quando a gente tranca a porta do banheiro, o mundo lá fora deixa de existir. A primeira coisa que eu faço é ir com a boca direto no seu pescoço, porque não gosto que me digam não. Finco os dentes, sugo, te marco, até que você segura meu rosto pelo queixo, olhando para mim com aquela expressão muito séria que eu aprendi a reconhecer como máxima excitação. Seu olhar é predatório, e eu sinto meu corpo tensionar com uma onda muito clara de tesão, mordendo o lábio inferior.

– Não. – Você torna a falar. – Não pode fazer isso. Não aguento. – Você puxa meu lábio para baixo com o dedão. Eu aproveito a oportunidade e deslizo meus lábios por ele, sugando, olhando nos seus olhos para te provar que não estou aqui pra brincadeira. Sua expressão se torna séria de novo. – Te odeio.

– Odeia nada.

Ajoelho na sua frente, desabotoando o cinto, te olhando e te desafiando a me mandar parar dessa vez. Só que você só se apoia na pia, uma mão encontrando a minha nuca.

Provocaria se a gente tivesse tempo, mas como é óbvio que não vai demorar para alguém ter que usar o banheiro com a quantidade de álcool sendo consumida, eu desço a calça jeans apertada e a cueca, e tomo o seu pau na boca.

Já me disseram que eu sou boa nisso, mas com você eu tenho certeza, porque na verdade eu poderia ficar horas te chupando. Vou o mais fundo que consigo, e você me empurra só um pouquinho. Adoro que você é gentil comigo sempre exceto nos momentos que não pedem gentileza, não me trata como se eu fosse quebrar.

O boquete é meio afoito e apressado, não tinha como ser de outro jeito. Até que você me segura de novo pelos cabelos (ok, vou precisar de uma hora pra desembaraçar todos os nós de novo) segurando seu pau pela base e deslizando pela minha boca e queixo. O ritmo desacelera, a conexão do nosso olhar tão intensa que é elétrica.

É como dizem, não existe nada mais sexy do que se sentir desejada.

Alguém bate na porta e nós dois nos sobressaltamos. Lembro de onde estou, de repente se dissolve a bolha em que a gente estava. Rimos de levinho.

– Já vai! – Eu me levanto, te masturbando de levinho enquanto a gente se beija. Você passa a língua pela minha boca, com um sorriso safado. – Vai ter que ficar pra depois.

Você arfa, sacudindo a cabeça.

– Você tá acabando comigo.

***
Nem lembro direito como passamos o resto da noite. Foi tudo um borrão. Acabamos durando muito na festa, os dois cheios de energia. Dançamos, bebemos, nos beijamos e esfregamos no sofá, nas paredes, na pista de dança, até deixarmos todo mundo com inveja da vontade que estávamos um do outro.

Entramos no quarto cambaleando, deixando as garrafas de cerveja quase vazias na mesinha. Eu tentei ir me apressando para a cama, mas você me puxou de volta pelo quadril, prendendo meus pulsos na porta, e me invadindo com mais um dos seus beijos.

Tento me soltar só pra te testar mesmo, e você me segura com mais força, mordendo meus lábios inchados. Depois, me pega no colo com facilidade para me levar para cama, só que acaba batendo com a cabeça no lustre no meio do caminho.

– De novo??

– Aff, eu vou arrancar esse negócio daqui amanhã.

– É você que é alto demais. – Caímos na cama e eu subo em cima de você, tentando arrancar sua blusa, enchendo seu rosto e pescoço de beijinhos. Nem estou me reconhecendo, nem sei que feitiço é esse que você colocou em mim, que eu ando avoada com a cabeça nas nuvens, como pode ser tão intenso e tão rápido, como foi acontecer isso agora, agora que eu finalmente me livrei da âncora que arrastava no pé pelos últimos dois anos, só pra cair direto na sua rede.

Você me joga de volta na cama, colocando o corpo sobre mim, as roupas sendo arrancadas com violência até os dois estarem nus, e o ritmo arrefecer novamente. Suas mãos apertam minha cintura, seu corpo ardendo em febre sobre o meu.

– Você é tão pequenininha. – O comentário sai sofrido. – Me deixa maluco. – Deixo escapar um gemido baixinho, e você se deita novamente, me puxando para o lado, uma mão descendo para a parte interna da minha coxa.

– Não, espera. – Eu faço menção de tirar a sua mão, e te explicar que sou sensível e complicada de agradar, e vai demorar até você saber fazer do jeito certo, e vamos deixar isso pra depois quando a gente se conhecer melhor, pra que perder tempo agora.

– Devagar, eu sei. Eu sei fazer, confia em mim.

Eu suspiro, relaxando, mas na verdade totalmente cética. Me preparo para ter que tirar sua mão dali logo, só que seus dedos deslizam por mim com a precisão exata, sem forçar.

Meus olhos se arregalam e eu solto um suspiro de surpresa.

O toque é perfeito, eu fico sem ar, afundando na cama, sentindo minha pele grudar de suor. O quarto está escuro, minha respiração está rasa, e eu me seguro nos lençóis. Abro as pernas involuntariamente, meus pensamentos dando um dó, nem quando eu me toco é bom desse jeito. Estou trêmula, sinto que vou explodir em mil pedacinhos a cada vez que você desliza os dedos por mim, a minha pele parecendo a ponto de desgrudar do meu corpo.

– Viu? – Você diz, a boca muito perto da minha. – Eu aprendi.

– Você aprendeu. – Eu confirmo com um sorriso meio tonto, gemendo logo em seguida.

– Eu sei como você gosta. Eu já te conheço.

Perco a noção do tempo, deixando você fazer mágica com as pontinhas dos dedos, gemendo alto no seu ouvido. Não sei se quero que você pare logo e se enfie de uma vez dentro de mim, ou se quero que você continue pra sempre, perdi completamente a capacidade de articular qualquer raciocínio.

– Eu… Ah! – Balbucio, tentando encontrar alguma coisa que faça sentido, porque eu quero que você saiba exatamente o que você está fazendo comigo. – É tão bom. – A frase sai num fio de voz. Você me beija de novo, terminando com daqueles beijinhos na pontinha do meu nariz, um sorriso orgulhoso e satisfeito nos lábios.

– Você está tão molhada. – E com este comentário você introduz um dedo em mim, depois o outro, apertando devagar contra o meu ponto G. Minha mão encontra o seu pau outra vez, apertando numa punheta descoordenada. Acho que perdi o controle dos meus braços.

Alcanço uma camisinha no criado-mudo, você me deixa virar para o lado, me segura firme pelos quadris, me penetrando daquele jeito impetuoso, sussurrando sacanagens engroladas no seu sotaque ao pé do meu ouvido.

Uma mão puxa meu cabelo com força na base da nuca, a outra me acerta um tapa forte na bunda, e eu peço mais, peço mais forte, quero estar toda dolorida e marcada amanhã. Cada vez que a gente transa supera a anterior, você parece um polvo se desdobrando para estimular meu corpo inteiro, a sensação de ter por dentro me fazendo ver estrelinhas.

Varamos a noite, sem conseguir parar, nos beijando e lambendo e chupando e tocando. Fomos dormir já ao amanhecer, vencidos pelo cansaço. Meu corpo estava doído, parecendo um trapo, quando você me puxou pra perto, me fez deitar no seu peito.

Abri os olhos e vi a rosa que você me deu no criado-mundo, a rosa que tinha me feito te notar, que tinha começado toda aquela loucura. Ela tinha desabrochado na água, estava vistosa e vermelha, e eu me perguntei meio grogue, se ela ia durar muito mais tempo antes de murchar.

 

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Sinestesia

O conto abaixo foi escrito para a primeira Tertúlia Erótica da SESLA que rolou ontem em Coimbra. O tema do evento era os cinco sentidos e eu fiquei super honrada com o convite! Teve leitura dramática do conto juntamente com o restante da programação e eu fiquei muito feliz de ter contribuído. Espero que gostem e não esqueçam de curtir a página da SESLA no Face para ficarem por dentro dos próximos eventos!

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Visão

A culpa é minha. Deve ser, afinal, eu que quis vir. Acontece que eu também tenho direito de me divertir. Só que fica meio difícil, quando ele não tira os olhos de mim. O jantar inteiro foi assim. Parece que é de propósito, parece que ele gosta de me ver assim, tremendo na cadeira por causa dele.

Se eu vou querer mais vinho? Sim, por favor, pode encher. Minha visão já tá ficando meio borrada e ainda assim eu consigo sentir os malditos olhos dele em cima de mim. Será que ninguém mais percebe? Será que eu estou ficando doida? Eu tô tentando concentrar no papo que tá rolando do outro lado da mesa e eu sinto o olhar dele me queimando. É quase como se ele conseguisse fulminar o fecho do meu sutiã, e do jeito que esse vestido é decotado a mesa inteira ia ver meus peitos.

Talvez seja coisa da minha cabeça. Afinal, ele está sentado na minha frente, para onde mais ele iria olhar? Eu respiro fundo pra criar coragem, correndo os olhos pela superfície da mesa. Tigela, pãezinhos, cinzeiro, vela, garfo, faca. Quando eu levanto o olhar, ele está me encarando de frente. O olhar dele é constrangedor. Ele sorri de canto de boca, um sorriso mínimo, quase imperceptível, antes de baixar os olhos pelo meu pescoço, pelo meu colo, pela curvinha do decote. É como se minha pele tivesse sido lambida por uma labareda, eu juro que dá para sentir o caminho que os olhos dele estão fazendo.

Eu viro o restante do vinho. Puta calor aqui, hein? Ajeito o vestido para o decote não ficar tão sem vergonha, e ainda assim ele não. para. de. olhar.

Paladar

Hora da sobremesa. Hora do xeque mate. É agora ou nunca. Eu sei que ela está me olhando quando eu me sirvo de um morango. Escolho um bem maduro, bem vermelho, bem suculento. A pontinha da minha língua passa pela pontinha da fruta. Ela arregala os olhos quando percebe o que eu estou fazendo. Vou passando a língua em círculos bem devagar, sem tirar os olhos dela. Ela está tão corada que até o seu colo está ruborizado, o prato de sobremesa cheio de frutas intocado. Eu passo a chupar a pontinha do morango Os outros continuam a conversa animada na mesa, sem notar o que a gente está fazendo.

Eu quero que ela saiba que é isso que eu quero fazer com ela. Não tiro nunca o morango da boca, só um pedacinho, até ele estar começando a derreter. Como eu queria que fosse o clitóris dela se enrijecendo contra a minha língua, eu tenho certeza que ia ser tão, tão mais gostoso, só de imaginar o gosto da boceta dela meu pau fica duro. Os nós dos dedos ela estão brancos de segurar a borda da mesa com força, e eu sei que ela pode sentir, porque eu posso sentir também, e quando eu fecho os olhos porque não aguento mais a textura do morango muda, se torna lisa e escorregadia e dá pra sentir, dá pra sentir o calor do corpo dela contra o meu rosto, ela se contorcendo na minha boca enquanto eu chupo devagar, devagar, bemmm devagar porque eu quero aproveitar cada gotinha, quero sentir o gosto de cada cantinho e dobrinha, pensar em tê-la pra mim deixa o meu pau latejando dentro da cueca.

Quando eu mordo o morango ele explode na minha boca, uma bagunça, e que delícia seria poder me lambuzar nela desse jeito, vou me embrenhando como eu queria me embrenhar nela, ir devorando e abrindo ela todinha pra mim, puta que pariu, eu quero fazer ela gemer, eu quero que ela sinta o tesão que eu sinto toda vez que ela está por perto, eu quero ela sentando na minha cara, gozando na minha língua e…

Eu abro os olhos. Ela está com cara de quem está sem respirar há muitos minutos. O sumo da fruta está escorrendo pelo meu queixo, tem gosto de gozo, e eu não sei como ninguém mais notou o que acabou de acontecer.

Tato

Eu pisco para ver se meu cérebro pega no tranco. Olho ao redor pra checar se ninguém percebeu, mas está todo mundo absorto num assunto qualquer. A renda da minha calcinha esta tão encharcada que grudou no vestido, e por um momento de pânico eu penso que posso ter manchado a cadeira. Me ajeito no assento. Puta que pariu, tô tão molhada que é até desconfortável. Eu estou um pouco trêmula, meu corpo sentindo pequenos choques como se quisesse a língua dele de volta em mim. Como isso é possível?

Bom, se é assim que vai ser, também sei brincar. Mais um pouco de vinho, e me sirvo de uma uva. Ele recosta na cadeira, com uma cara safada que me dá vontade de acertar um tapa, sabendo exatamente o efeito que ele tem sobre mim. Eu levo a fruta à boca, estourando contra o meu céu da boca, aproveitando para umedecer o indicador na saliva, antes de checar se todo mundo continua distraído e descer a mão pelo meu corpo, separando a fenda do vestido estupidamente curto. Ele fica boquiaberto quando percebe o que eu estou fazendo.

O quê, ele achou que só ele fosse capaz de surpreender?

Passo a pontinha dos meus dedos pelo alto da minha coxa; minha pele está fervendo. O toque de leve me fez arrepiar, todos os meus nervos tão eletrizados que a resposta é instantânea. Quando eu alcanço a barra da calcinha sinto a umidade através do tecido, passeando os dedos de leve por ali, me contraindo tanto que eu chego a me encolher na cadeira.

Ele continua de queixo caído, observando incrédulo enquanto eu toco uma em plena mesa de jantar. Eu tô tão excitada que chego a ficar tonta, quase não resistindo à provocação, quase puxando a calcinha pro lado e me tocando até em gozar na frente de todo mundo, gemendo bem alto, chamando o nome dele pra todo mundo saber quem é responsável por eu perder a compostura desse jeito.

Eu grudo as costas no encosto da cadeira, abrindo mais as pernas, olhando para ele por detrás da pálpebras semicerradas, respirando devagar enquanto vou aumentando a pressão dos meus dedos, fazendo movimentos circulares bem lentos. Logo eu enfio a mão dentro da calcinha, me tocando do jeito que eu já sei fazer, e mordendo meu lábio para não deixar nenhum gemido escapar.

Ele corre os olhos arregalados pelo meu corpo, o vestido afrouxando no meu decote, com uma expressão de desejo que beira o pânico. Depois derruba o guardanapo no chão, agachando debaixo da mesa para  pegar.

Eu separo as pernas.

Sei que minha calcinha é transparente.

Sei que ele consegue ver tudo.

A situação só aumenta o meu torpor e eu puxo a calcinha para o lado com um dos dedos me expondo completamente, antes de largar o elástico.

Ele emerge de novo na cadeira, pálido. Eu paro que eu estava fazendo. Parece que a bolha erótica estourou e de repente estamos muito conscientes do que está acontecendo.

Audição

Meus ouvidos estão zumbindo. Eu não consigo acreditar no que acabou de acontecer, no que eu acabei de ver. Só lembrar faz meu pau pressionar o zíper da calça. Minha vontade era de arrancar aquela calcinha, rasgar em duas,e começar a chupar ela debaixo da mesa mesmo.

Eu pisco algumas vezes, pra ver se o aturdimento vai embora. Meu pau tá tão duro que até dói. Eu vejo ela toda corada na minha frente, os lábios vermelhos, linda, ela é tão linda e eu não imaginei, dessa vez ela realmente me surpreendeu, e eu preciso fazer alguma coisa, não dá mais pra esperar um segundo.

Pensa rápido, pensa rápido.

– Puta, olha só o que eu fiz… Derrubei vinho na minha calça.

– Ih, tem que limpar logo senão mancha.

– Tem uns shorts do Marcelo lá dentro, daí você já coloca de molho.

– Eu sei onde está. – Ela diz, a voz trêmula no começo, mas se firmando depois. – Te mostro.

Eu levanto com as mãos escondendo a suposta mancha, que na verdade é a minha pica querendo explodir dentro da calça. A essa altura já liguei o foda-se se eles estão percebendo ou não. Ouço os passos dela atrás de mim, fechando a porta da quarto.

– Você enlouqueceu e tá me enlouquecendo junto. – A bronca obviamente perde um pouco do efeito com os acontecimento recentes.

– Só falta agora você continuar fingindo que não quer. – Tá na cara que nós dois estamos à flor da pele, uma mistura de tesão com raiva que está borbulhando há tempo demais.

– Querer é lógico que eu quero, só que não está certo.

– A gente já foi longe demais agora.

– Para…

– Não. Eu não vou parar. Eu tava a ponto de te colocar de quatro na mesa e te comer na frente de todo mundo. Você tava se tocando, toda molhada por minha causa e eu quero sentir. Eu quero provar. – Ela sacode a cabeça.

– Isso é loucura.

– A gente já parou de resistir faz tempo. – Ela suspira, derrotada. Eu tô com vontade de ver ela chorar só pra ter certeza, certeza, que ela sente a mesma coisa que eu, mas eu sei que sim, eu sinto que sim, eu vi. – Você sabe.- Ela enterra o rosto nas mãos e eu tiro elas de lá imediatamente, prendendo na porta atrás dela. Ela está tão perto, muito mais perto do que jamais esteve, e eu juro que ainda tenho o gosto do gozo dela na minha boca, misturado com o morango. – Deixa eu sentir. Eu quero sentir o quanto eu te deixei molhada com a minha língua agora há pouco.

– Para, a gente tem que voltar. – Ela se vira para ir embora mas eu prendo ela na porta de novo.

– Quando eu vi. – Eu começo, afundando o rosto no pescoço dela, e quase sem reconhecer minha própria voz, que está saindo num grunhido. – Eu queria rasgar a sua calcinha, queria rasgar o seu vestido, queria te fazer sentar na minha cara até você me implorar pra eu parar de te chupar porque você não aguenta mais. Eu quero tirar a sua calcinha agora, deixa, por favor… – Um gemido escapa, porque só de pensar, só de pensar eu tô quase a ponto de perder o juízo, meu pau já melou minha cueca inteira. Ela geme baixinho em resposta e eu colo nossos corpos, e aí a gente geme junto, minhas mãos descendo pelo vestido dela, apertando com força, os peitos, a cintura, o quadril, caralho, eu quero arrebentar esse pano todo AGORA.

Gemo de novo quando aperto a bunda dela por debaixo do vestido, e passo meus dedos pela calcinha. Parece que eu esqueci de respirar enquanto desço a calcinha até os joelhos, acho que eu tô prestes a desmaiar porque todo o meu sangue desceu pro meu pau.

Olfato

Já esqueci de tudo, acho que até do meu nome. Ele morde o lóbulo da minha orelha, ainda sussurrando indecências, mas o discurso está cada vez mais embolado e sem sentido. As mãos dele sobem me apertando por cima do vestido, antes de desamarrar o fecho e abri-lo. Ele desabotoa meu sutiã e em mais ou menos três segundos estou praticamente nua, minha calcinha prendendo minhas pernas na altura dos joelhos.

E a única coisa que eu consigo sentir é o cheiro dele, aquele cheiro que ele sempre fica impregnado em mim quando ele me cumprimenta, aquele cheiro daquele moletom que ele me emprestou uma vez e eu nunca devolvi, aquele cheiro que pra mim é cheiro de sexo, de desejo, de pecado. Eu estou tremendo da cabeça aos pés, de adrenalina e tesão, tudo misturado.

Ele morde o meu pescoço com força, se esfregando em mim, e eu puxo ele pra mais perto, se tivesse como acho que a gente se fundia. Ele me vira de volta pra ele, e eu estou completamente entorpecida.

– Me diz que você me quer também. Eu preciso ouvir.

Eu resgato o último fio de voz que tenho pra responder.

– Eu quero.

FIM