Sete pecados, sete contos – Inveja

Dulce sempre foi vaidosa. De moça, fazia questão de estar sempre emperiquitada, fosse que

fosse até pra ir pra escola. Quando começou a ganhar seu próprio dinheiro, Dulce se mimava todos os meses com alguma coisinha; um batonzinho aqui, um rímelzinho acolá. Com o passar do tempo, Dulce foi ficando viciada em seguir todas as dicas das blogueiras chiques e à medida em que o salário aumentava, a qualidade das maquiagens também subia.

Nunca ocorreu para Dulce que o hábito fosse problemático. Pelo contrário. Dulce sentia um formigamento engraçado toda vez que chegava em casa com uma bendita sacolinha da Sephora, e gozava de pleno relaxamento ao lavar e enxugar todos os pincéis da Sigma como se fosse seus próprios filhinhos.

Foi só depois de se casar com Theo que a coisa toda começou a desandar.

Theo era um rapaz inteligente, cheiroso, educado e carinhoso. Genro que toda sogra pediu a Deus, ele sempre tratou Dulce a pão-de-ló, e ela se sentiu muito sortuda quando encontrava as amiga e ouvia as intermináveis reclamações de maridos que andavam feito trapo dentro de casa, achavam que lavar um copo era grande favor, e nem se dignavam a lavar as próprias cuecas freadas.

A única implicância de Theo era com as maquiagens de Dulce.

Começou com comentários sobre os preços dos tubinhos. “Precisa mesmo de outro?” “esse daí é igualzinho ao que você comprou semana passada” “lá vem você de novo com essas sacolas.” Theo dava muxoxos irritados toda vez que Dulce batia o pé para entrar na MAC nos passeios dominicais no shopping.

De começo, Dulce se fazia de manhosa, esticando um beicinho para o marido. “Poxa amorzinho, mas eu não estou bonita?” E antes ele até resmungava que sim, mas a implicância foi chegando a tal que ele começava a dizer que preferia mulheres naturais, que Dulce estava nova demais para virar perua.

Foi aí que a paciência de Dulce foi chegando ao fim, porque ela não sabia fazer um contorno perfeito e natural e um delineado de gatinho completamente simétrico pra ouvir desaforo de macho que não sabe a diferença de um Ruby Woo para Russian Red. O tom foi subindo de tal forma, que já não podiam tocar no assunto da maquiagem sem acabarem aos berros, e Dulce saía batendo as portas do apartamento, fula da vida.

Por fim, a coisa tomou tamanha proporção que Dulce propôs que eles fechassem a conta conjunta, para que ela pudesse comprar as próprias maquiagens com o dinheiro dela em paz. E decidiram não tocar mais no assunto, ainda que Theo se irritasse muito toda vez que Dulce começasse a se maquiar, ou a coleção de batons aumentasse na penteadeira.

Depois dessa história toda, o casamento que antes era cheio de paixão, foi esfriando aos pouquinhos, pois Dulce não conseguia conceber um homem tão gentil como Theo ser tão ignorante em se tratando de coisa simples feito maquiagem. Dulce era sempre elogiada por suas produções, e sabia que tinha bom gosto, acabava injuriada com a indiferença do marido diante do seu esmero em se empetecar.

E nessas, Dulce ficava cada vez mais tempo na casa da mãe aos fins de semana, aproveitando a tarde para ajudar nas tarefas enquanto ouvia o Domingão do Faustão. Ainda que mãe perguntasse se a filha não preferia estar com o marido, ela sempre dava uma desculpa esfarrapada para escapar do assunto. Mas num dia chegou uma vizinha insuportável para visitar, a tal da dona Glória do fim da rua, e Dulce supôs que a companhia do marido não seria assim tão ruim.

Portanto voltou para casa com o dia ainda claro, imaginando que iria encontrar Theo assistindo o futebol, ou cochilando no sofá. O que ela não imaginava era se deparar com tal cena quando entrou no quarto do casal.

Lá estava Theo, debruçado sobre a penteadeira de Dulce, tubinhos e maquiagens abertos e espalhados. A bagunça em cima da penteadeira deu lugar a um choque muito maior, quando Dulce caiu os olhos no marido, vestindo o hobby que Dulce ganhado no enxoval, aquele rosa-claro com renda francesa no decote. As pernas pálidas marido estavam enfiadas em um par de meias-calças sete oitavos, em tom nude e translúcidas, aquelas que Dulce usava apenas para dias de reuniões importantes no trabalho.

Mas o que mais a surpreendeu foi o rosto de Theo; os olhos verdes por trás de grossas camadas de rímel e os lábios tingidos de carmim vivo.

Theo arfou em choque.

– É… É uma brincadeira. –  Balbuciou. – Com o pessoal do escritório.

Em total silêncio, Dulce se aproximou na penteadeira, lentamente. Theo, trêmulo, continuava a murmurar qualquer coisa enquanto tentava guardar os cosméticos.

Ela segurou seu braço de maneira firme.

A maquiagem estava desastrosa. Os cílios grudados uns nos outros, o batom todo borrado. Ela percorreu o corpo de Theo com o olhar e levantou as sobrancelhas quando notou a calcinha de cetim que cobria sua virilha.

Suspirou.

– Este batom está todo borrado, Theo.  – Disse em voz baixa. – Deixa eu ajeitar para você.

Os olhos verdes se arregalaram, e Theo de súbito se calou. Dulce começou a refazer a maquiagem, com diligência e capricho. Segurou o queixo de Theo e enquanto passava a base, percebeu que nunca se deu conta das maçãs do rosto saltadas e proeminentes. Com uma sombra, fez valorizar o formato bonito dos olhos verdes.

Theo não disse nada. Apenas aceitou, complacente, que Dulce o maquiasse, embora ainda olhasse para a esposa com ares de horror. Mas o seu corpo o traíra. Por baixo da calcinha de cetim, Dulce podia ver o volume que crescia a cada movimento do pincel.

Dulce também foi começando a sentir uma mistura de euforia com formigamento, mais forte do que quando comprava cosméticos novos. Sua pele foi ficando mais quente, a tensão entre ela e o marido aumentando. Fazia muito tempo que ela não se sentia tão viva e poderosa.

Quando ela abriu o tubinho de batom vermelho e fez o contorno perfeito dos lábios grossos de Theo, podia sentir que estava molhada entre as pernas. O hálito quente do marido condensou no batom e ela foi acometida por desejo sôfrego e irreparável. Imediatamente arruinou sua pintura metendo a língua na boca de Theo, num beijo luxurioso e cheio de pecado como há tempos não acontecia.

Acabaram na cama um minuto de depois. Theo gemeu alto quando Dulce tocou seu pau intumescido por cima da calcinha, esfregando-se contra o corpo da mulher, tomado por tal onda de desejo que parecia fora de si. Quando gozou, manchou toda a renda, explodindo sêmen quente por dentro da lingerie.

Depois daquele dia, Dulce nunca mais foi para a casa da mãe aos domingos.

***

– Amor, o Flat Out Fabulous está quase acabando! – Theo gritou de dentro do quarto.

Na sala, Dulce alisava seu strap-on de vidro com carinho.

– De novo, Theo? Compramos um novo outro dia.

Theo engatinhou até a sala, usando um conjunto de calcinha e sutiã verde musgo, de cetim – com detalhes em renda preta. O rosto estava muito bem maquiado, Dulce estava orgulhosíssima de como as habilidades do marido tinham evoluído. Os lábios estavam pintados de rosa choque. Theo fez um beicinho enquanto se arrastava de quatro até a esposa.

– É que eu fico tão bem com ele, amorzinho.

– Fica mesmo. Tem razão. – Dulce sussurrou quando Theo fez um biquinho e se ajoelhou para chupar o strap-on, melando todo o vidro de batom rosa.

FIM

Um guia prático para meninas comerem seus namorados

Como convencer o seu boy a liberar o bumbum e as melhores técnicas na hora de fazer acontecer.

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Foto: Dainis Graveris

Por onde começar a conversa do sexo anal com o boy? Vem na minha:

É 2020 e o pegging, ou boa e velha inversão de papéis no sexo, não deveria mais ser tabu. Até porque, se a nossa geração curte muito um beijo grego, esse é próximo passo natural. Porém, para muitos homens, existe uma resistência. Então vamos começar do começo: Como convencer o seu namorado a liberar a porta de trás? Aqui vou listar uma série de argumentos que são tiro e queda.

 

  • Ter prazer anal não te faz gay

Bom, na verdade só uma coisa te faz gay (ou bi): Sentir atração por outros homens. Preferencia sexual não tem nada a ver com que em que parte do corpo alguém gosta de ser tocado. E aliás, o que há de errado em ser gay? Vamos trabalhar essa homofobia internalizada.

  • Você precisa conhecer seu ponto G

Já diria a sábia Sandy; é possível ter prazer anal. E para quem tem próstata, não é só prazer. É um puta prazer. A próstata é um dos pontos mais sensíveis do corpo humano e você está deixando de conhecer seu corpo por bobeira.

  • A próstata é um órgão sexual feito pra ser explorado!

Além de ter muitas terminações nervosas, a próstata também ajuda na ereção. Ou seja, ela faz parte do seu sistema reprodutor – é pura biologia.

  • Vai te fazer melhor de cama

Bom, isso vale para as duas partes. No meu caso, eu só aprendi o real valor do esforço físico que é penetrar alguém quando troquei de lugar. Vocês estarem no lugar um do outro vai melhorar o entendimento sobre sexo em geral – e deixar até o sexo tradicional mais gostoso.

Okay, mas por onde eu começo a comer meu namorado?

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Foto: Charles Deluvio

Bom, supondo que o moçoilo já está convencido, mas vocês não sabem por onde começar, aqui vai um guia prático para os héteros de plantão colocarem a raba pra jogo:

  • Comece devagar

Bom, para qualquer homem que já praticou sexo anal com uma mulher, essa é uma dica batida. Não vá com toda sede ao pote! O ânus deve ser tratado com carinho. Um boa dica é comprar um plug anal pequeno para ir começando, antes de partir para a penetração de fato.

  • Dedinhos mágicos

Usar os dedos é uma ótima maneira de estimular a próstata diretamente (fazendo o movimento de “vem” com eles lá dentro). Combinado com um boquete, é de matar! Quer uma dica extra? Uma luva erótica pode ajudar muito – principalmente para meninas como eu que gostam de deixar as unhas compridas. Falei mais sobre a luva aqui.

  • Lubrificante é o seu melhor amigo

Sério – para o sexo anal, quanto mais lubrificante melhor. Não economize.

  • Mais vale um pequeno brincalhão que um grande bobão

Na hora de comprar sua cintaralho, não se esqueça que tamanho não é documento. Dê preferência a modelos que te permitam trocar o consolo, assim você pode ir para modelos maiores caso dê vontade. Mais importante que um consolo enorme é garantir que a cinta prenda bem na cintura, vá por mim! Uma cinta mal ajustada pode estragar toda a experiência para os dois.

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Meu instrumento pode parecer pequeno – mas ele dá conta do recado! Foto: Ksenyia A.

E é isso! Agora mãos à obra e hora de trocar os papéis 😀