Vlog: O que ninguém conta sobre namorar depois dos 25

Namorar já é difícil em qualquer idade, mas quando a gente vai ficando mais velho, as relações vão ficando mais sérias – mesmo contra a nossa vontade!

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Vlog: Em defesa dos corações partidos

Nessa semana de dia dos namorados, o tema do vlog é amorrrr. Na verdade, a falta dele. Por que sofrer por amor é considerada a maior humilhação que um serumano pode passar? Porque todo mundo espera que a gente não esteja nem aí para a pessoa que a gente estava namorando até ontem? Em defesa dos corações partidos e do nosso direito de sofrer pelos pés na bunda.

Espiral

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Fonte: Tumblr 8tracks

Tá frio, tá frio pra caralho, mas eu não sinto mais nada, as pontas dos dedos dormentes enquanto você abre a minha boca e despeja mais Jägermeister. Essa situação é ridícula, e talvez nós dois estejamos velhos demais para estarmos bêbados nos beijando em cima do capô de um carro qualquer, minha calça grudada na neve e no metal. Mas foda-se também, eu sempre odiei tudo que é morno e prefiro estar assim, prefiro os seus beijos trôpegos, minha personalidade dionisíaca se encaixa tão bem na sua, talvez seja destino que vagabundos acabem se esbarrando nos cantos do mundo, talvez nós só estejamos nos recusando a crescer, mas eu adoro ser assim toda pequenininha pra minha cintura caber direitinho nas suas mãos, tem horas que me dá vontade de te engolir, tem horas que me dá vontade de correr que essa loucura toda só pode acabar quando eu me machucar mas foda-se, foda-se, foda-se, eu tô tão bêbada e você também, despeja mais álcool na minha boca, me dá um banho, me leva pra casa, arranca minha roupa, me come até a gente desmanchar na minha cama.

***

A gente entrou na banheira de roupa e tudo, e quando eu olho no espelho parece que meu coração tá batendo dentro do meu crânio, essa cidade, essa cidade é a cidade do pecado, eu vim aqui pra me perder, e enquanto você olha pra mim com essa cara de quem mal consegue focar aquela música vem na minha cabeça, I just wanna turn the lights on, in these volatile times… Mas tá certo, eu queria ser livre, e eu estou sendo livre, é que liberdade é uma coisa perigosa, ainda mais pra gente como eu, mas tá tudo certo, eu tô tão descolada da pessoa que eu fui que eu acho que ela não volta nunca mais e isso é bom, ela tinha medo, e eu não tenho mais medo de nada, então vem, turbilhão por turbilhão a gente se neutraliza, se for pra doer deixa doer com força, se a cidade é fria e o inverno é longo, vamos incendiar essa porra toda com gasolina e autodepreciação, até não restar tijolo sobre tijolo.

Até eu me acabar.

Até a gente acabar.

Até a onda quebrar, arrasar e ir embora, pra eu arrumar a bagunça depois.

Fumaça

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Hoje eu enterrei você. É aquilo, as coisas doem até não doerem mais. Talvez eu ainda tenha recaídas. E eu me dou o direito de sentir sua falta, seja sem motivo, seja quando alguma coisa me lembrar de você, seja quando eu queria te contar coisas, ouvir sua opinião, sua risada. Acho que doer vai doer sempre, mesmo que seja só um pouco, mas assim é, um dia eu acordei e percebi que você tinha virado uma memória, um capítulo que acabou.

Eu não me arrependo de nada. Acho que nunca fui tão franca e sincera com os meus sentimentos. Acho que nunca tinha me entregado assim tão completamente. Não me arrependo de nada que eu fiz, porque foi tudo de verdade, foi tudo de coração, foi tudo de peito aberto. Eu fui genuína, fui fiel aos meus desejos, e me permiti sentir coisas boas, e querer coisas boas, e viver isso sem anestesia, do começo ao fim. É claro que tem coisas que eu gostaria que tivessem sido diferentes, mas acho que a gente estava tentando fazer o melhor que podia, e nos viramos como deu.

Eu fui fundo, e foi porque foi importante. Tudo bem a gente se estilhaçar às vezes, tem horas que a bússola quebra mesmo, e eu já me perdi por muito menos, é claro que ia me perder dessa vez, sendo que eu nunca tinha sido amada dessa maneira antes, nunca tinha sentido tanta afeição e aceitação, então é claro que a abstinência ia ser de enlouquecer, foda-se quem não entende, eu sou assim, as coisas pra mim funcionam desse jeito, não me arrependo de experimentar tudo em detalhes, os bons e ruins.

Doeu, doeu mesmo, doeu de verdade.

Mas agora eu saí mais uma vez inteira do outro lado. E a vida continua lá fora.

E agora eu estou aqui com uma taça de vinho, vendo a neve cair na janela, assistindo um filme ruim e quando eu encho os pulmões de ar sinto uma paz tão gostosa de saber que tudo que eu passei foi incrível.

Tudo que está por vir será melhor ainda.

 

Sentença

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Eu não preciso de mais um cigarro, preciso que você me leve para casa. Vem, me tira daqui, me põe debaixo das cobertas que eu estou louca de doce e molhada de chuva, e eu não quero ter que pensar em mais nada, não quero tomar mais nenhuma decisão difícil, não quero ter que ter forças, só quero você me aquecendo, porque eu estou tremendo de frio, e eu estou confusa, e não tem álcool suficiente no mundo pra te matar afogado dentro de mim, e eu não imaginei que seria assim, mas agora é, agora é assim que eu estou, agora é assim que eu me sinto, e talvez não vai ser com você, mas eu sei quando for pra valer vai ser como era com a gente, e eu não quero mais nada, eu quero seu colo, eu quero seu abraço, quero você me secando com os lábios, dentro de mim de todas as  formas, eu quero que tudo volte a ser simples, mesmo que nunca tenha sido, eu quero que você me agarre e me beije num impulso, como tantas vezes, acabando com a tensão, me deixando sóbria num instante ao mesmo tempo em que me deixa mais bêbada, que eu ando tão a flor da pele e não quero mais ninguém nela, eu posso até ser confusa, e errada, e intensa demais, mas eu sei o que eu quero, e com você eu me encontro, e você me resgatou tanta vezes das minhas profundezas, por que não mais uma vez, vem, me tira daqui, eu perdi o juízo, eu estou encharcada, com o coração acelerado e a cabeça rodando e a única coisa que eu quero é você aqui comigo.

Predador

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Você me perguntou por que eu vim, mas eu já te respondi. Eu ando precisando me distrair, e você é uma bela distração. Com esses olhões de coruja, esse casaco de hipster, esse sorriso cafajeste, e esse humor que flutua entre o entusiasmo e o total desinteresse. Vou fingir que não sei que você me chamou só pra testar se eu viria. Nós dois sabemos que foi, mas hoje estou disposta a sentar nessa mesa e ouvir as suas mentiras agradáveis sem pestanejar. Como eu disse, estou precisando me distrair, então me distraia.

Eu ouço você contar vantagem disso e daquilo, e perco o ar observando você sugar o seu cigarro fazendo as covinhas aparecerem. Porra, vai ser gostoso assim lá na puta que pariu. Mas eu sei que pra bancar essa marra você tem que melhorar muito essa performance, mas não tem nada não, você me chamou e eu vim, eu estou aqui, porque eu quis. E pode pedir mais uma rodada, e mais outra, e mais outra, vamos brindar a nós, afinal você não presta e eu só sei gostar do que não presta, e pode me levar pra onde você quiser, afinal, é a sua cidade, não é, então pode me levar, porque estou gostando de inverter os papéis, estou precisando esvaziar a cabeça e ser conduzida e levada e arrastada pra fora de mim.

E estou indo de bom grado para sua armadilha, cercada de você por todos os lados, afundando nos seus braços enquanto você vai soprando ar novo nos meus lábios pulmões adentro,  e não tem nada de mais em ser carregada de volta para a superfície de vez em quando, eu ando precisando me perder pra me achar de novo, então pode mentir mais, pode apertar mais, pode ir mais fundo, que às vezes quem nos afoga num dia nos salva no outro, e hoje você é minha boia, é meu salva-vidas, é meu bote de volta para a terra firme.

Aquelas três palavras…

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Eu nunca gostei de ir ao motel. Sempre achei artificial e constrangedor. Sempre preferi evitar.

Mas daquela vez, foi diferente. Porque eu estava com você. Foi nossa aventura. Passar por todas as partes contrangedoras foi até engraçado.

Num ambiente tão árido, a gente estava transbordando, só porque estar na companhia um do outro era uma celebração.

Quando trancamos a porta, o mundo lá fora deixou de existir.

O sexo foi desesperado, atropelado.

Queríamos enfiar tudo naquelas três horas.

A cada momento a ampulheta estava contra nós.

O tempo estava acabando.

A gente estava acabando.

E depois eu teria dormido dentro das suas costelas se pudesse.

E o sentimento me invadiu como uma onda.

Minha voz foi mais rápida que meu raciocínio.

Meu sussurro saiu sem eu perceber.

Quando me dei conta, já tinha falado.

Eu não queria nada em troca. Eu só queria que você soubesse.

Mas você sussurrou de volta.

E entrelaçou os dedos nos meus.

E naquela hora consumamos o óbvio.

Nossos corpos e almas se amaram.

E nossos corações se juntaram na mesma dor. E deleite.

Que é se jogar no abismo, pra voar.

Mesmo sabendo que o concreto aguarda.

Alguns metros abaixo.

O salto do desejo

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Você transformou a minha vida.

Estou querendo achar um jeito sofisticado de dizer, mas no fundo é apenas isso. Você veio e chacoalhou minha alma, fez todos os segredos escondidos nela caírem no chão, aquelas tranqueiras que eu guardava porque eu esquecia de jogar fora, e também as que estavam lá no fundo, longe dos olhares das pessoas. E depois de ver tudo isso, você juntou todos os pedacinhos, pegou no colo e levou com você.

Passei um tempo dizendo que você foi o último presente que São Paulo me deu. Como se ela já não tivesse sido generosa comigo o bastante, bem no fim ainda veio me lembrar do quanto a vida pode ser mágica, pode ser extraordinária, pode ser especial. Mas a verdade é que é muito mais do que isso. Eu poderia gastar horas descrevendo o quanto eu me senti segura e acolhida na sua companhia. Fui parar sem querer na sua ilha com o meu barquinho de papel e fiquei, porque a água era morna e tranquila, os dias ensolarados e a brisa mansa. E mesmo quando vieram as tempestades e eu quis partir, você esperou passar, abriu o meu barquinho na areia para que ele secasse no sol.

A sua companhia é um banho de vivacidade. Talvez você não saiba, mas ao seu lado eu tive mais vontade de viver do que nunca. Me lembro de uma conversa em que você me disse que a última frase do Miró foi “que pena”. E eu pensei; “que pena, que pena, que pena”, porque ao seu lado a vida era tão mágica que não dava vontade de parar de viver nunca mais.

E tantas vezes eu pensei, que injusto, por que agora, por que as escolhas não poderiam ser mais fáceis, por que para viver os meus sonhos eu tenho que abrir mão de você. Mas a verdade é que eu passei tanto tempo com medo de morrer sem saber o que era viver o amor, e agora eu sei, eu vivi, e foi muito mais do que eu imaginei que seria.

E valeu cada segundo. E cada momento de angústia e saudade. E cada momento de desespero e vontade de voltar. Só por um dia. Para te ver gargalhando e falando sobre aqueles filmes chatos que eu nunca queria ver. Pra sentir o cheiro gostoso do shampoo nos seus cachinhos. Pra ouvir você me dando bom dia com a cara toda amassada.

Ainda assim valeu, porque o que aconteceu, não se apaga. Não tem como mudar o que já passou. Todas as minhas lembranças, eu vou levar comigo, para todos os lugares, e vou saber que um dia tinha uma pessoa que me acolheu com todos os meus detalhes. Os bons e os ruins.

E depois de tudo isso, eu posso dizer que eu sou alguém com muita sorte Eu conheci o amor, uma vez.

 

E ele é lindo.